segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

OUVIR ESSAS MÚSICAS REDUZ SEU STRESS EM ATÉ 65%...ACHEI ÓTIMO COMO PRESENTE DE NATAL

Artigo original CLIQUE AQUI
Todo mundo sabe que precisa gerenciar seu estresse. Quando as coisas ficam difíceis no trabalho, na escola ou na vida pessoal, temos que usar quantas dicas, truques e técnicas possiveis para acalmar nossos nervos.

Então, aqui está uma lista de das 10 músicas consideradas mais relaxantes do mundo.

As terapias sonoras têm sido populares como forma de relaxar e restaurar a saúde. 

Durante séculos, as culturas indígenas usaram a música para melhorar o bem-estar e as condições de saúde.

Agora, neurocientistas do Reino Unido especificaram quais as melhores músicas para isso.

O estudo foi conduzido com participantes que tentaram resolver quebra-cabeças difíceis o mais rápido possível enquanto conectados a sensores. Os quebra-cabeças induziam um certo nível de estresse, e os participantes ouviam músicas diferentes enquanto os pesquisadores mediam a atividade cerebral e os estados fisiológicos que incluíam frequência cardíaca, pressão sangüínea e frequência respiratoria.

O ouvir a música “Weightless", resultou em uma impressionante redução de 65% na ansiedade geral dos participantes e em 35% de redução nas taxas fisiológicas de repouso habituais, o que é notável.

Igualmente notável é o fato de a música ter sido construída para isso. O grupo que criou o "Weightless", Marconi Union, o fez em colaboração com terapeutas de som. Suas harmonias e ritmos , cuidadosamente organizados, ajudam a diminuir a freqüência cardíaca , reduzem a pressão sanguínea e os níveis de cortisol, o hormônio do estresse.

Então, aqui vai a playlist toda inteirinha e um Feliz Natal sem stress.



domingo, 25 de novembro de 2018

ANÁLISE PSICOLOGICA COMPLETA DAS 14 CARACTERISTICAS CHAVE QUE EXPLICAM OS ADEPTOS DE TRUMP


Traduzi o artigo ao pé da letra, com poucos comentarios entre parênteses. Acho que explica não só os trumpistas, mas os similares mundo afora. O autor, Bobby Azarian é neuroscientista afiliado à George Mason University, além de jornalista free-lance. Artigo original  CLIQUE AQUI

Gostemos ou não, pelo bem da América, devemos tentar entender o fenômeno Donald Trump, uma vez que completamente tomou de assalto a nação e também, ferozmente a dividiu. O mais desconcertante disso tudo é a aparente invencibilidade política de Trump. Como ele mesmo disse antes mesmo de vencer a eleição presidencial, “eu poderia ficar no meio da 5ª Avenida e atirar em alguém e não perderia eleitores.” Infelizmente para o povo americano, essa afirmação cretina parece ser absolutamente verdadeira, pelo menos para a maioria de seus apoiadores, e isso é algo que deveria nos preocupar. Também deve nos motivar a explorar a ciência subjacente a esse comportamento humano peculiar, para que possamos aprender com ele e, potencialmente, nos vacinar contra.

Se quisermos ser honestos, devemos reconhecer que mentir, infelizmente, não é incomum para políticos de qualquer lado, mas a frequência e magnitude das mentiras do atual presidente devem nos fazer pensar no porque não destruíram sua carreira política e, ao contrário. talvez a tenham fortalecido. Da mesma forma, devemos nos perguntar por que sua retórica inflamatória e inúmeros escândalos não o afundaram. Estamos falando de um homem que foi flagrado em vídeo dizendo: “Quando você é uma estrela, elas deixam você fazer isso. Você pode fazer qualquer coisa. Agarrá-las pela buceta. ”Politicamente, sobreviver a esse vídeo não é normal e, podemos ter certeza de que tal revelação teria sido o fim de Barack Obama ou George Bush se tivesse surgido semanas antes da eleição.

Enquanto dezenas de psicólogos analisaram Trump, para explicar sua invencibilidade política, é mais importante entender as mentes de seus leais partidários. Embora tenha havido vários artigos populares que iluminaram uma infinidade de razões para seu apoio inabalável, parece não haver uma análise abrangente que contenha todos eles. Como parece haver uma demanda por essas informações, tentei fornecer essa análise abaixo.

Algumas das explicações vêm de um artigo de revisão publicado em 2017 no Journal of Social and Political Psychology pelo psicólogo e professor da UC Santa Cruz, Thomas Pettigrew. Outros foram publicados já em 2016 por mim, e várias delas foram inspiradas por insights de psicólogos como Sheldon Solomon, que lançou as bases para a influente Teoria da Gestão do Terror, e David Dunning, que fez o mesmo para o efeito Dunning-Kruger.

Esta lista começará com as razões mais benignas para o apoio intransigente aTrump, e conforme a lista continua, as explicações tornam-se cada vez mais preocupantes e, no final, limitam-se ao patológico. Deve-se enfatizar fortemente que nem todos os partidários de Trump são pessoas racistas, mentalmente vulneráveis ou fundamentalmente más. Pode ser prejudicial para a sociedade quando aqueles com graus e plataformas tentam demonizar seus oponentes políticos ou pintá-los como doentes mentais quando não o são. Isto posto, também causa o mesmo prejuizo, fingir que não há fatores psicológicos e neurais claros que fundamentam grande parte da lealdade desenfreada dos defensores de Trump.

Os fenômenos psicológicos descritos abaixo pertencem principalmente àqueles que seguiriam Trump se ele pulasse de um penhasco. Essas são as pessoas que ficarão ao seu lado, não importando quais escândalos venham à luz, ou que tipo de evidência para comportamento imoral e ilegal apareça.

1-A PRATICIDADE SUPERA A MORALIDADE

Para algumas pessoas ricas, é simplesmente uma questão financeira. Trump oferece cortes de impostos para os ricos e quer acabar com as regulamentações governamentais que atrapalham os lucros de empresários, mesmo quando esse regulamento existe com a finalidade de proteger o meio ambiente. Outros, como trabalhadores blue collar (NA: colarinho azul: o têrmo refere-se a empregados cujo trabalho envolve (em grande parte ou totalmente) trabalho físico, como em uma fábrica ou oficina). gostam do fato de que o presidente está tentando (ou pelo menos prometendo) trazer de volta para os USA empregos que foram, por exemplo, para a China. Algumas pessoas que genuinamente não são racistas (aquelas que serão discutidas mais adiante) simplesmente querem leis de imigração mais fortes, porque sabem que um país com fronteiras abertas não é sustentável. Essas pessoas colocaram suas preocupações práticas acima de seus valores morais. Para eles, não importa se ele é um agarrador de vaginas ou se sua equipe de campanha conspirou com a Rússia para ajudá-lo a derrotar seu oponente político. Não se sabe ainda se essas pessoas serão eternamente ligadas ao Trump da maneira que os outros o são, mas em breve descobriremos, sempre e quando a investigação do Mueller puder ser concluída.

2- O SISTEMA DE ATENÇÃO CEREBRAL É MAIS FORTEMENTE ENGAJADO POR TRUMP

De acordo com um estudo que monitorou a atividade cerebral enquanto os participantes assistiram a 40 minutos de anúncios políticos e clipes de debate dos candidatos presidenciais, Donald Trump foi único capaz de manter o cérebro envolvido. Enquanto Hillary Clinton só poderia manter a atenção por certo período de tempo, Trump manteve tanto a atenção quanto a excitação emocional durante toda a sessão de visualização. Esse padrão de atividade foi visto mesmo quando Trump fez observações com as quais os indivíduos não necessariamente concordavam. Seu carisma e linguagem simples ressoam claramente com alguns a um nível visceral.

3. A OBSESSÃO DOS AMERICANOS POR ENTRETENIMENTO E PELAS CELEBRIDADES

Essencialmente, a lealdade dos apoiadores de Trump pode, em parte, ser explicada pelo vício dos americanos com entretenimento e reality shows. Para alguns, não importa o que Trump realmente diz, porque ele é muito divertido de assistir. Com o Donald, você sempre fica imaginando que coisa ultrajante ele dirá ou fará em seguida. Ele nos mantém à beira do nosso assento e, por essa razão, alguns defensores do Trump vão perdoar tudo o que ele disser. Eles estão felizes, desde que sejam entretidos.

4- ALGUNS, SÓ QUEREM MESMO VER O CIRCO PEGAR FOGO.

Algumas pessoas inteligentes que deveriam ter mais bom senso, estão apoiando Trump simplesmente para serem rebeldes ou introduzir caos no sistema político. Eles podem ter tanta aversão pelo establishment e democratas como Hillary Clinton, que seu apoio a Trump é um dedo do meio simbólico dirigido a Washington. Essas pessoas não sabem quais são suas prioridades, e talvez tenham outras questões, como um desejo inato de causar confusão e atrito, ou são simplesmmente obcecados por atenção, seja lá de que tipo for.

5- O FATOR MEDO: CONSERVADORES SÃO MAIS SENSÍVEIS A AMEAÇAS

A ciência mostrou, inequivocamente, que o cérebro conservador tem uma resposta exagerada de medo quando confrontado com estímulos que podem ser percebidos como ameaçadores. Um estudo de 2008 na revista Science descobriu que os conservadores têm uma reação fisiológica mais forte a ruídos e imagens gráficas, se comparados aos liberais. Um estudo de imagens cerebrais publicado na revista Current Biology revelou que aqueles que tem tendências políticas de direita, tendem a ter uma amígdala maior (Amigdala: estrutura cerebral eletricamente ativa durante estados de medo e ansiedade). E um estudo de fMRI de 2014 descobriu que é possível prever se alguém é liberal ou conservador simplesmente observando sua atividade cerebral enquanto visualiza imagens ameaçadoras ou repugnantes, como corpos mutilados. Especificamente, os cérebros dos que se auto definem conservadores, tiveram mais atividade geral em resposta às imagens perturbadoras.
Essas respostas cerebrais são automáticas e não são influenciadas pela lógica ou pela razão. Enquanto Trump continuar com seu medo, constantemente retratando os imigrantes muçulmanos e hispânicos como perigos iminentes, muitos cérebros conservadores serão involuntariamente iluminados como lâmpadas controladas por um interruptor. O medo mantém seus seguidores energizados e focados na segurança. E quando você acha que encontrou seu protetor, fica menos preocupado com comentários ofensivos e divisivos.

6- O PODER DOS LEMBRETES A RESPEITO DA MORTALIDADES E DA PERCEPÇÃO DE AMEAÇAS EXISTENCIAIS.

Uma teoria bem fundamentada da psicologia social, conhecida como Terror Management Theory (Teoria da Gestão do Terror), explica por que o temor que o Trump espalha, é duplamente eficaz. A teoria baseia-se no fato de que os seres humanos têm uma consciência única de sua própria mortalidade. A inevitavilidade da morte cria terror e ansiedade existenciais que sempre estão abaixo da superfície, mesmo quando não pensamos nisso. Para administrar esse terror, nós, humanos adotamos visões culturais do mundo, como religiões, ideologias políticas e identidades nacionais, que atuam como um amortecedor em relação ao medo da morte, por dar significado e valor à vida.

A Teoria do Gerenciamento do Terror prevê que, quando as pessoas são lembradas de sua própria mortalidade, que acontece com o fomento do medo, elas defenderão mais fortemente aqueles que compartilham suas visões de mundo e identidade nacional ou étnica, e agirão mais agressivamente com aqueles que não o fazem. Centenas de estudos confirmaram essa hipótese, e alguns mostraram especificamente que o desencadear pensamentos de morte tende a deslocar as pessoas para a direita política.

Não só os lembretes de morte aumentam o nacionalismo, como também influenciam os hábitos de voto em favor de candidatos presidenciais mais conservadores. E mais perturbadoramente, em um estudo com estudantes americanos, os cientistas descobriram que o aumentar a percepção de mortalidade aumentou o apoio a intervenções militares extremas pelas forças americanas, intervenções essas que poderiam matar milhares de civis no exterior. Curiosamente, o efeito estava presente apenas em conservadores, o que pode ser atribuído à sua resposta ao medo.

Ao enfatizar constantemente a ameaça existencial, Trump cria uma condição psicológica que faz com que o cérebro responda positivamente, em vez de negativamente, às declarações preconceituosas e à retórica divisiva. Liberais e Independentes que ficaram intrigados com o motivo pelo qual Trump não perdeu adeptos depois que comentários altamente ofensivos, não precisam ir além da Teoria do Gerenciamento do Terrorismo.

7- O EFEITO DUNNING-KRUGER: NÓS HUMANOS FREQUENTEMENTE SUPERESTIMAMOS NOSSO CONHECIMENTO

Alguns apoiam Donald Trump por pura ignorância, sendo basicamente sub-informados ou mal informados sobre os problemas em questão. Quando Trump diz que o crime está disparando nos Estados Unidos, ou que a economia está pior do que nunca, eles simplesmente acreditam.

O efeito Dunning-Kruger explica que o problema não é apenas que estão mal informados, o problema é que tais sujeitos estão completamente inconscientes de que estão mal informados, o que cria um duplo problema. Estudos a granel têm mostrado que pessoas que não têm experiência em alguma área do conhecimento, muitas vezes têm um viés cognitivo que os impede de perceber que lhes falta essa mesma experiência.

São aqueles que não podem ser alcançados ou modificados por qualquer argumento lógico, estatística, raciocínio, posto que se julgam conhecedores de assuntos sobre o qual não tem qualquer conhecimento, mas têm a certeza de tê-lo, soldando cada vez mais sua própria ignorância. (Nota da tradutora aqui: o efeito Dunning-Kruguer é o que fez voltar doenças quase esquecidas no mundo ocidental, tais como sarampo, pelo movimento anti-vacinação, que reza que a vacina tríplice causa autismo, e que, embora a ciência já tenha mais que demonstrado que autismo nada tem a ver com vacinas, que o médico que inventou essa historia estava sendo pago por advogados que entraram com ações contra as indústrias farmacêuticas produtoras de vacinas, que ele mesmo estava cobrando fortunas com testes horriveis em crianças, nada disso impediu o espalhar da desinformação, que continua firme e forte)

8- DEPRIVAÇÃO RELATIVA : UM AMBÍGUO SENTIDO DE DIREITO

Deprivação relativa refere-se à experiência de ser privado de algo do qual se acredita ter direito. É o descontentamento que se sente quando um indivíduo compara sua posição na vida a outros que considera iguais ou inferiores, mas que “injustamente” tiveram mais sucesso do que o indivíduo em questão.

Explicações comuns para a popularidade de Trump entre eleitores não-intolerantes envolvem economia. Não há dúvida de que alguns partidários de Trump estão simplesmente furiosos porque os empregos americanos estão sendo perdidos para o México e a China, o que certamente é compreensível, embora esses legalistas frequentemente ignorem o fato de que algumas dessas carreiras estão sendo perdidas devido ao ritmo acelerado da automação.

Esses partidários de Trump estão experimentando deprivação relativa, e são comuns entre os estados oscilantes como Ohio, Michigan e Pensilvânia. Esse tipo de deprivação é especificamente referido como “relativo”, em oposição a “absoluto”, porque o sentimento é frequentemente baseado em uma percepção distorcida daquilo ao qual a pessoa tem direito.

9- FALTA DE EXPOSIÇÃO AO QUE É DIFERENTE .

O contato entre grupos refere-se ao contato com membros de grupos diferentes do que aquele que a pessoa sempre viveu, coisa que foi demostrada experimentalmente que reduz o preconceito. Como tal, é importante notar que há evidências crescentes de que os brancos apoiadores de Trump tiveram um contato significativamente menor com as minorias do que os demais americanos. Por exemplo, um estudo de 2016 descobriu que “... o isolamento racial e étnico dos brancos no nível de código postal, é um dos mais fortes indicadores de apoio a Trump”. Essa correlação persistiu mesmo dentre dezenas de outras variáveis. De acordo com essa descoberta, os mesmos pesquisadores descobriram que o apoio a Trump aumentou com a distância física dos eleitores da fronteira mexicana. Estes preconceitos raciais podem ser mais implícitos do que explícitos, o último é abordado no # 14.

10- AS TEORIAS CONSPIRATORIAS DE TRUMP E SEUS ALIADOS VISAM OS MENTALMENTE VULNERÁVEIS

Enquanto a multidão das teorias de conspiração, que apoiam Donald Trump e seus aliados malucos como Alex Jones e o sombrio QAnon pode parecer apenas uma peculiaridade da sociedade moderna, a verdade é que muitos deles sofrem de doenças psicológicas que envolvem paranoia e delírios , como a esquizofrenia, ou pelo menos são vulneráveis a eles, como aqueles com personalidades esquizotípicas.

A ligação entre esquizotipia e a crença em teorias da conspiração está bem estabelecida, e um estudo recente publicado na revista Psychiatry Research demonstrou que ainda é muito prevalente na população. Os pesquisadores descobriram que aqueles que eram mais propensos a acreditar em teorias de conspiração extravagantes, como a idéia de que o governo dos EUA criou a epidemia de AIDS, consistentemente pontuaram alto em medidas de "crenças estranhas e pensamento mágico".

Uma característica do pensamento mágico é a tendência a fazer conexões entre coisas que na verdade não são relacionadas entre si (Nota da tradutora: um dos melhores exemplos de paralogica esquizofrênica é o famoso “Todo cavalo corre. Todo índio corre, portanto.... aqui é para preencher os pontinhos. A conclusão do pensamento paralogico é que ... portanto, todo cavalo é indio”. Na realidade, uma coisa nada tem a ver com a outra).

Donald Trump e seus aliados da mídia visam diretamente essas pessoas. Tudo o que uma pessoa precisa fazer é visitar sites e fóruns de discussão de alt-right para ver as evidências de tal manipulação.( Minha dica é dar uma olhada no Breibrat do Steve Bannon. Sensacional).

11- TRUMP SE ESBALDA NO NARCISISMO COLETIVO

O narcisismo coletivo é uma crença irrealista e compartilhada a respeito da grandeza de uma nacionalidade. Ocorre quando um grupo acredita representar a 'verdadeira identidade' de uma nação, nesse caso, os americanos brancos, e estes se percebem como sendo desfavorecido em comparação com outros grupos que estão se adiantando 'infalivelmente'. O fenômeno está relacionado à deprivação relativa (# 6).

Um estudo publicado no ano passado na revista Social Psychological and Personality Science, descobriu uma ligação direta entre o narcisismo coletivo nacional e o apoio a Donald Trump. Essa correlação foi descoberta por pesquisadores da Universidade de Varsóvia, que pesquisaram mais de 400 americanos com uma série de questionários sobre crenças políticas e sociais. Onde o narcisismo individual causa agressividade em relação a outros indivíduos, o narcisismo coletivo envolve atitudes negativas e agressividade em relação a grupos "externos", que são percebidos como ameaças.

Donald Trump exacerba o narcisismo coletivo com sua retórica antiimigrante, anti-elitista e fortemente nacionalista. Ao se referir a seus apoiadores, um grupo majoritariamente branco, como sendo "verdadeiros patriotas" ou "verdadeiros americanos", ele promove um tipo de populismo que é a epítome da "política de identidade", termo geralmente associado à esquerda política.

As políticas de identidade de esquerda, por mais equivocadas que possam ser, geralmente visam alcançar a igualdade, enquanto a marca de direita é baseada na crença de que uma nacionalidade ou raça é superior ou tem direito a sucesso e riqueza só por isso, sem precisar de nenhuma outra razão. (Um bom exemplo são os supremacistas brancos, que acreditam terem direito ao mundo pelo simples fato de terem nascido com falta de melanina, e as gargalhadas que dei quando ouvi um deles, lá ainda em Mineral Wells, dizer a um índio americano para voltar para sua terra (o gênio achou que o índio era mexicano). Como minha gargalhada não tem sotaque, e sou branca do tipo lavada em cândida, quero crer que isso me salvou de um problema grave, já que o supremacista não entendeu porque alguém de sua raça, ao invés de se aliar, quase caiu sentada no chão de tanto rir, e achou melhor se retirar em sua pick up).

12- O DESEJO DE QUERER DOMINAR OS OUTROS

Orientação de dominância social (SDO), que é distinta, mas relacionada à síndrome de personalidade autoritária (# 13), refere-se a pessoas que têm preferência pela hierarquia societária de grupos, especificamente com uma estrutura na qual os grupos de alto status têm domínio sobre os de baixo status. Aqueles com SDO são tipicamente dominantes, resistentes e movidos por interesse próprio.

Nos discursos de Trump, ele apela para aqueles com SDO fazendo repetidamente uma distinção clara entre grupos que têm um status geralmente mais alto na sociedade (White), e aqueles grupos que são tipicamente considerados como pertencentes a um status mais baixo (imigrantes e minorias). Um estudo de pesquisa de 2016 com 406 adultos americanos publicado no ano passado na revista Personality and Individual Differences, descobriu que aqueles que pontuaram alto tanto em SDO quanto em autoritarismo eram aqueles que pretendiam votar em Trump na eleição.

13- SÍNDROME DA PERSONALIDADE AUTORITÁRIA

O autoritarismo refere-se à defesa ou aplicação da obediência estrita à autoridade, em detrimento da liberdade pessoal, e é comumente associada à falta de preocupação com as opiniões ou necessidades dos outros. É uma condição bem estudada e globalmente prevalente, um estado de espírito caracterizado pela crença na total e completa obediência à autoridade de alguém.

As pessoas com essa síndrome geralmente demonstram agressividade em relação aos membros de grupos diferentes do seu, submissão à autoridade, resistência a novas experiências e uma visão hierárquica e rígida da sociedade. A síndrome geralmente é desencadeada pelo medo, facilitando a liderança daqueles que exageram a ameaça ou o medo.

Embora personalidade autoritária seja encontrada entre liberais, é mais comum entre os direitistas do mundo. Os discursos do presidente Trump, que têm termos absolutistas como "perdedores" e "desastres completos", são naturalmente atraentes para aqueles com a síndrome.

Enquanto a pesquisa mostrou que os eleitores republicanos nos EUA pontuaram mais alto do que os democratas em medidas de autoritarismo antes de Trump emergir na cena política, uma pesquisa de 2016 da Politics descobriu que os que tiveram pontuagem alta em autoritarismo favoreceram o então candidato Trump, o que levou a uma previsão correta de que ele venceria a eleição, apesar das pesquisas dizerem o contrário

14- RACISMO E FANATISMO

Seria grosseiramente injusto e impreciso dizer que cada um dos apoiadores de Trump tem preconceito contra as minorias étnicas e religiosas, mas seria igualmente impreciso dizer que muitos não o tem.

É fato bem conhecido que o Partido Republicano, ao menos desde a "estratégia sulista" de Richard Nixon, usou táticas que apelavam para o fanatismo, como discursos com palavras de código que indicavam preconceito contra as minorias e que foram projetados para serem ouvidos por racistas.

Enquanto os códigos do passado eram mais sutis, a sinalização de Trump, às vezes, é chocantemente direta. Não há como negar que ele rotineiramente apela a partidários racistas e intolerantes quando ele chama muçulmanos de “perigosos” e imigrantes mexicanos de “estupradores” e “assassinos”.

Talvez sem surpresa, um estudo recente mostrou que o apoio para Trump está correlacionado com uma escala padrão do racismo moderno.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O TRAÇO DE PERSONALIDADE QUE ESTÁ DESTRUINDO A AMÉRICA (E O MUNDO)

Traduzi quase ao pé da letra. Já, as montagens de fotos são minhas, e o autor não tem culpa alguma.

“Primeiro, houve a" Me Generation "e depois" Generation Me ". Agora temos evidências empíricas de que vivemos no que se tornará conhecido como" Asshole Age " (Era do Idiota), também conhecido como Era do Twitter ..." Brent Roberts, psicologo da personalidade, no Twitter.

“Nosso movimento é substituir um establishment político falido e corrupto por um novo governo controlado por você, o povo americano. ... O establishment político, que está tentando nos impedir, é o mesmo grupo responsável por nossos acordos comerciais desastrosos, imigração ilegal maciça e políticas econômicas e externas que sangraram nosso país ... A única coisa que pode impedir essa máquina corrupta é você. "- Argumento de Donald Trump para a América

Agora, há muitas divisões no mundo. Mas há uma divisão, profundamente enraizada no núcleo da natureza humana, que ajuda a explicar muitas outras divisões. Estou me referindo a uma fonte de variação da personalidade humana que é construída diretamente em nosso DNA: o antagonismo. Ao realmente ampliar esse traço e compreender como o antagonismo interage com o condicionamento ambiental e com as mensagens recebidas, podemos obter uma compreensão maior de uma das divisões mais proeminentes do mundo atual: o populismo.

A CIÊNCIA DO ANTAGONISMO

A dimensão chamada de antagonismo-afabilidade é uma das cinco principais dimensões da personalidade. Como as outras grandes dimensões da mesma, esse traço é normalmente distribuído na população. Quanto mais duas pessoas diferem nessa dimensão fundamental, mais incompreensível o comportamento da outra pessoa pode parecer, especialmente quando se trata de aderir às normas sociais e ao comportamento altruísta.

A amabilidade (polo oposto do antagonismo), consiste em dois aspectos principais: polidez e compaixão. A educação reflete a tendência de se conformar às normas sociais e de refrear a beligerância e a exploração dos outros, enquanto a compaixão reflete a tendência de se preocupar com os outros, emocionalmente. As pessoas que têm um alto nível de educação estão preocupadas com a justiça, enquanto aquelas que têm uma alta compaixão estão mais preocupadas em ajudar os outros, especialmente aqueles que mais precisam.

No outro extremo, pessoas com baixos níveis de polidez (pessoas antagônicas) tendem a pontuar alto em medidas de agressão, enquanto que aquelas com baixos níveis de compaixão tendem a pontuar mal em medidas de empatia. Embora polidez e compaixão possam ser alteradas, por exemplo, uma pessoa pode ter uma alta compaixão, mas pouca educação, polidez e compaixão estão fortemente correlacionadas na população em geral e ambos os aspectos compõem o domínio pessoal geral da agradabilidade.

Como todas as outras variações de personalidade, as diferenças na dimensão antagonismo-afabilidade, são refletidas no cérebro. Neurologicamente, aqueles que pontuam alto em agradabilidade tendem a mostrar uma ativação maior da rede cerebral do modo padrão, a qual está associada à capacidade de simular estados mentais de outros e à integração de alto nível de diferentes tipos de informação necessária para entender e compartilhar as experiências emocionais dos outros.

A amabilidade também está associada à capacidade de regulação emocional, particularmente à supressão de impulsos agressivos e outras emoções socialmente perturbadoras. Do ponto de vista neuroquímico, a agradabilidade envolve os neurotransmissores testosterona (relacionada ao oposto da polidez e ao antagonismo) e a ocitocina (relacionada à tendência à compaixão e ao vínculo social).
A dimensão antagonismo-afabilidade, tem alto valor preditivo no mundo real e não apenas no laboratório. Pessoas antagônicas são mais propensas a responder agressivamente e retaliar quando tratadas injustamente (real ou imaginado), embora tendam a se importar muito menos com o fato de outras pessoas serem tratadas injustamente. No trabalho, as pessoas antagônicas têm um desempenho melhor do que as pessoas altamente agradáveis, depois de receberem um esporro de seu chefe, pois isso as incita, enquanto pessoas altamente agradáveis tendem a melhorar quando o chefe elogia seu desempenho.

Há também implicações profundas dessa dimensão da personalidade para a política. Políticos que são mais antagônicos obtêm mais atenção da mídia e são mais freqüentemente eleitos do que políticos mais agradáveis. Na população em geral, pessoas antagônicas são mais propensas a desconfiar da política em geral, a acreditar em teorias da conspiração e a apoiar movimentos secessionistas.
O antagonismo não é absolutamente bom ou ruim. Daniel Nettle especulou que, todos os traços de personalidade evoluíram para ter vantagens, e é por isso que existe variação na personalidade. Do ponto de vista evolucionário, a agradabilidade tem os benefícios (atenção aos estados mentais dos outros; relacionamentos interpessoais harmoniosos, parcerias de coalizão valorizadas) e os custos (sujeito a fraude e exploração social; falha em maximizar a vantagem egoísta). No entanto, por causa da existência de uma variação tão ampla nessa característica, líderes altamente antagônicos podem despertar e influenciar grandes faixas de pessoas que têm uma pontuação alta nessa característica, por meio de sua retórica e mensagens.

ANTAGONISMO E RESSONÂNCIA COM O POPULISMO

Tem havido crescente reconhecimento na psicologia, de que os traços de personalidade interagem com as mensagens dos líderes. "Uma habilidade crucial para os políticos é ... falar a 'linguagem da personalidade' ... identificando e transmitindo as características individuais que são mais atraentes num determinado momento para um determinado eleitorado" (Gian Caprara e Philip Zimbardo). Eles descobriram que os eleitores escolhem políticos cujas características combinam com sua própria personalidade.

Em linhas similares, Patti Valkenburg e Jochen Peter introduziram seu "Modelo de Suscetibilidade Diferencial ao Efeitos de Mídia (DSMM)", onde argumentam que a retórica e enquadramento de uma mensagem tem mais impacto cognitivo e emocional nas pessoas que compartilham disposições particulares do que com outras pessoas. Por exemplo, a mensagem de esperança pode ser mais atraente para aqueles que são mais propensos a experimentar afeto positivo e entusiasmo, enquanto a mensagem de mudança pode ser mais atraente entre aqueles dispostos a correr riscos.

Talvez a interação mais importante no mundo hoje, no entanto, seja entre o antagonismo e o populismo. A característica central do populismo é uma mensagem anti-establishment e um foco na importância central do povo. A mensagem anti-establishment retrata a elite política como corrupta e má, e desinteressada nos interesses do "povo puro". De acordo com John Judis e Ruy Teixeira, a divisão essencial entre os populistas é "o povo versus o poderoso"

Em uma recente série de estudos, o professor de comunicação política Bert Bakker e cols., conduziram a maior e mais sistemática investigação sobre a questão: o que acontece quando cidadãos antagônicos recebem uma mensagem anti-establishment? Encontraram evidências incontestes para a noção de que a mensagem anti-establishment dos populistas ressoa mais com pessoas altamente antagônicas. Esta descoberta foi confirmada em sete países em três continentes diferentes. Antagonismo previu apoio a populistas tanto de direita (Trump, UKIP, Partido do Povo Dinamarquês, Parte de Freedon, SVP) quanto de populistas de esquerda (Podemos, Chávez).

Pelo uso de medidas fisiológicas, também foram capazes de estabelecer os processos emocionais mais profundos, subjacentes a esse elo. Empregando uma medida de condutância da pele (que captura a atividade do sistema nervoso simpático), os pesquisadores descobriram um aumento na excitação em resposta a mensagens políticas que eram congruentes com a personalidade da criatura, ou seja, pessoas antagônicas assanhavam-se com mensagens contra o establishment, enquanto para pessoas altamente agradáveis, o assanho era com mensagens pró-establishment.

Isso é importante porque as emoções desempenham papel importante na determinação de como a comunicação política nos afeta. Aqueles que são mais estimulados por uma mensagem em particular, estarão mais propensos a lembrá-la e a buscar a mesma mensagem novamente, a longo prazo. Essas descobertas sugerem que os políticos podem exercer influência substancial sobre os eleitores ao fornecer uma mensagem que ressoa emocionalmente com a personalidade do eleitor.

Eles também analisaram o autoritarismo. O autoritarismo encapsula uma preferência por ordem social, estrutura e obediência. Pesquisas anteriores mostraram que os autoritários expressam menos tolerância para com gente for a de seu grupo, e apoiam partidos populistas com uma ideologia de direita. Coerente com isso, Bakker e seus colegas descobriram que, embora o autoritarismo não tenha previsto uma mensagem anti-establishment, previu o apoio a Trump e UKIP, bem como a qualquer candidato com forte posição antiimigração. Essas descobertas sugerem um segundo caminho para o populismo, através da ideologia particular, associada ao populismo de direita.

IMPLICAÇÕES DO DIVISOR ANTAGONISMO-AGRADABILIDADE

Parece haver algo diferente no ar nos dias de hoje. Dependendo da sua perspectiva (e personalidade), as coisas são mais "sinistras" ou mais "revolucionárias". Mas acho que todos podemos concordar que a paisagem política e o discurso mudaram dramaticamente nos últimos anos. Sempre houve divisões partidárias, mas parece haver proeminência de um tipo diferente de divisão entre as pessoas e os políticos. Como nota o cientista político holandês Cas Mudde, "hoje o discurso populista tornou-se dominante na política das democracias ocidentais".

É importante enfatizar que o populismo é uma ideologia que transcende o liberalismo e o conservadorismo. A pesquisa mostra que, tanto liberais quanto conservadores, são agradáveis, mas são agradáveis de diferentes maneiras: o aspecto polidez da afabilidade está associado a uma perspectiva conservadora e a valores morais mais tradicionais, enquanto o aspecto compaixão da afabilidade está associado ao liberalismo e ao igualitarismo. O conservadorismo e o liberalismo podem se complementar mutuamente, pois a sociedade precisa, por parte de quem está no poder, que se preocupe profundamente com a justiça para todos e com a estabilidade da sociedade, bem como daqueles que estão mais exclusivamente preocupados com o sofrimento dos necessitados.

Também é importante reconhecer que o populismo não é necessariamente perigoso. Uma democracia saudável inclui aqueles que desafiam o governo e são críticos dos que estão no poder. O que é particularmente problemático é quando um líder altamente antagônico usa a retórica que desperta as emoções de outros antagônicos e as mobiliza para apoiar uma ideologia em particular, que é perniciosa. Isso pode levar a uma situação em que uma alta proporção de pessoas no poder são aquelas que não têm empatia, nem a perspectiva e o autocontrole necessários para frear os impulsos agressivos e disruptivos.

É claro que nem todas as pessoas que apóiam o populismo são pessoas antagônicas. Há várias razões pelas quais as pessoas apóiam os populistas. A socióloga Arlie Russell Hochschild fez um tremendo trabalho tentando entender o que muitos eleitores de Trump estavam pensando quando votaram. As razões incluem "vidas dilaceradas por salários estagnados, perda de laços afetivos, um elusivo sonho americano e escolhas políticas e pontos de vista que fazem sentido no contexto de suas vidas".

No entanto, há uma crescente proeminência de pessoas antagônicas nas mídias sociais, YouTube e em meios de comunicação alternativos que acreditam ter respostas melhores do que a "elite" do governo, e são fortalecidas e estimuladas pelas mensagens populistas do Trump, e alcançaram mais influência do que nunca. Ao invés de fatores socioeconômicos serem a explicação mais proeminente para o apelo do populismo (Bakker e seus colegas controlaram o status socioeconômico em seus estudos), uma razão crítica pela qual as pessoas se tornaram mais receptivas ao populismo é que as pessoas se tornam mais instruídas e mais livres expor suas opiniões em público. De fato, o apelo do populismo se deve, em parte, ao aumento do igualitarismo dos anos 1960, uma conseqüência sendo que os cidadãos hoje esperam mais dos políticos e se sentem mais competentes para julgar suas ações.

No geral, isso é bom. No entanto, como Cas Mudde aponta, mais e mais cidadãos pensam que têm uma boa compreensão do que os políticos fazem, e acham que podem fazer melhor, enquanto, ao mesmo tempo, menos pessoas realmente querem fazer melhor pela participando ativa nos várias aspectos da vida política. O teórico político Robert Dahl colocou bem quando escreveu: "Quase meio século de pesquisas fornece evidências esmagadoras de que os cidadãos não valorizam muito a participação na vida política".

Curiosamente, os defensores populistas não querem realmente ser liderados pela "pessoa comum"; ao contrário, eles querem seus próprios valores e desejam ser representados por um "grande" líder. Mudde descobriu que a maioria dos líderes populistas é na verdade "elite de fora"; eles são altamente ligados às elites, mas não fazem parte das elites. Defensores do populismo simplesmente não querem ser governados por uma elite "estrangeira", cujas políticas não satisfazem diretamente seus próprios desejos e preocupações.
É importante ter em mente essa pesquisa, pois parece que o uso da retórica populista a serviço de promulgar políticas mais radicais não desaparecerá tão cedo. Como Mudde observa, devido a uma série de fatores, "o populismo será uma característica mais regular da futura política democrática, surgindo sempre que seções significativas da 'maioria silenciosa' sintam que 'a elite' não as representa mais".

Entender as diferenças de personalidade pode não ser o único fator envolvido na compreensão do apelo do populismo, mas, para o bem do país e do mundo, é importante considerá-lo.

Scott Barry Kaufman é psicologo no Barnard College, Columbia University.

Artigo original CLIQUE AQUI

Getting mad and getting even: Agreeableness and Honesty-Humility as predictors of revenge intentions CLIQUE AQUI

Conspiracist ideation in Britain and Austria: evidence of a monological belief system and associations between individual psychological differences and real-world and fictitious conspiracy theories CLIQUE AQUI

On angry leaders and agreeable followers. How leaders' emotions and followers' personalities shape motivation and team performance CLIQUE AQUI

Perceived Threat and Authoritarianism CLIQUE AQUI

Preference for radical right-wing populist parties among exclusive-nationalists and authoritarians
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Relating Anatomical and Social Connectivity: White Matter Microstructure Predicts Emotional Empathy CLIQUE AQUI

The Civic Personality: Personality and Democratic Citizenship CLIQUE AQUI

The Effect of Politicians’ Personality on Their Media Visibility CLIQUE AQUI

The Differential Susceptibility to Media Effects Model CLIQUE AQUI

Turning the other cheek. Agreeableness and the regulation of aggression-related primes CLIQUE AQUI

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

POR ISSO EU SOU VINGATIVA…LÁ LÁ LÁ

E a música das Frenéticas virou estudo científico.

Não sei se devido aos tempos polarizados e estranhos em que vivemos, mas o fato é que estudos a respeito de vingança e perdão abundam nas áreas das neurociências. Quem nunca perdeu uns minutos de vida, ruminando sobre o que gostaria de fazer a um desafeto? De minha parte, tenho uma longa lista de atitudes que adoraria colocar em prática com certos indivíduos inominados, quando enjaulam crianças ou estimulam violência, ou espalham desinformação descarada. E não, nenhuma delas implica em violência física, morte ou destruição, já que acho que isso é coisa de gente sem imaginação. Pensando bem, acho que sou mais imaginativamente perversa.

Mas, vamos ao que interessa. O que acontece em nosso cérebro para que essa vontade de castigar algo ou alguém nos ataca?

Começa por termos, em nossa personalidade, uma coisa chamada “sensibilidade à justiça”, que vem a ser o como nossa consciência reage a injustiças (reais ou apenas percebidas),já que nosso cérebro não faz a menor diferença, ou como tão bem Freud explicou: “Não faz a menor diferença quando, ao ouvir um som à noite, há ou não um intruso na casa.O susto é o mesmo”. Em outras palavras, é como as nossas antenas estão sintonizadas com coisas como corrupção, desigualdade, injustiça, ou problemas no geral.

Por definição, há 4 tipos de Sensibilidade à Justiça:

1. Sensibilidade à justiça das vítima
s: é o que nos faz ficar constantemente atentos, para garantir que não nos ferremos. Essa vigilância geralmente acompanha a raiva e a tendência à vingança. É o chamado “olho por olho, dente por dente”, muito mal interpretado da lei Judaica, mas que faz com que se retribua, sem qualquer pensamento lógico, injustiças recebidas ou percebidas. Teve um caso aqui de um vizinho derramando uma pick up toda inteira de esterco no jardim da frente da casa de outro vizinho, pois o cão do vizinho estrumeado, volta e meia fazia suas necessidades no jardim do vizinho estrumeante.

2. Justiça do observador: é aquela coisa que nos faz ficar indignados ao observar outras pessoas sendo tratadas injustamente, sem estar diretamente envolvido. Um exemplo recente disso foi o clamor de protestos contra o governo americano em nome das famílias imigrantes que estavam sendo separadas na fronteira.

3. Justiça do perpetrador: é a tendência a se punir comportamentos injustos a fim de mitigar a culpa ou corrigir o problema. É o que fazemos, como sociedade, quando colocamos na cadeia os culpados de algum crime.

4. Sensibilidade de justiça beneficiária:
Quando beneficiamos outrém através de comportamentos aversivos, e o melhor exemplo que tenho é do Benedict Cumberbatch que anunciou que só vai participar de projetos nos quais suas colegas de trabalho recebam salários iguais ao seu.

A diferença importante entre todos esses tipos de sensibilidade é que, o primeiro, sensibilidade da vítima, está focado no eu, enquanto os outros tipos estão focados nos outros e, embora isso ressoe mais ou menos em diferentes pessoas, todos nós a temos. É traço inato.

Para ilustrar o inato senso de Justiça , a Universidade de Washington (artigo original na bibliografia: Fairness Expectations and Altruistic Sharing in 15-Month-Old Human Infants), usando tecnologia de rastreamento ocular, estudou crianças de 15 meses de idade, mostrando a elas um vídeo no qual duas pessoas recebiam uma distribuição desigual de leite e biscoitos, e um vídeo no qual as pessoas recebiam porções iguais . E os bebês olhar por bem mais tempo o video da distribuição desigual.A avaliação de quanto tempo os bebês se fixam em uma cena é um método comprovado para trabalhar com participantes de estudos, quando estes ainda não sabem falar. Eles olham mais quando as coisas são inesperadas, sem sentido, ou quando os eventos violam as regras da igualdade.

Mas,o senso de justiça das crianças é ainda mais complexo. Acontece que as crianças também estão sintonizadas com o conceito de salário igual para trabalho igual. Um estudo publicado na revista Psychological Science mostrou que crianças de 21 meses, ao assistirem uma cena ao vivo, na qual dois assistentes de laboratório são informados: “Se você colocar os brinquedos na caixa, ganhaum adesivo!” Aí há duas cenas: Ambos os assistentes botam o mesmo numero de brinquedos na caixa e cada um ganha um adesivo, exemplo claro de recompensa proporcional; ou, um coloca os brinquedos enquanto o outro se afasta e continua a brincar,mas,uma vez que os brinquedos são guardados, cada um recebe um adesivo, exemplo claro de recompensa desigual. Os garotos de 21 meses pareciam significativamente irritados com a recompensa desigual, descoberta que os pesquisadores interpretaram como significando que as crianças não estavam de acôrdo com o preguiçoso sendo recompensado.

Quer isso signifique que um senso de justiça já vem tatuado em nosso cérebro ou que aprendemos as regras da sociedade antes de nossos segundo aniversário, mesmo antes possamos explicar o que nos incomoda, o fato é que criancinhas podem detectar quando alguém está levando uma vantage desmerecida.

E, se isso é fato, como é que saimos do inato senso de justiça infantil e procuramos vingança?

De acordo com um estudo no Boletim de Personalidade e Psicologia Social, aqueles que buscam vingança tendem a ser menos complacentes e a refletir mais sobre a ofensa. Isso faz sentido, e tem sido descrito em prosa e verso em livros, filmes, peças de teatro e óperas, e o exemplo mais claro é Hamlet, do cara que sabia como escrever sobre sangue e vingança, velho Shakespeare.

Mas. a fixação em faltas e rejeições é desagradável e ocupa muito espaço emocional, por isso, aqueles que buscam vingança, também tendem a ter menor satisfação com a vida, o que significa que não há muita coisa boa que eles percebam estar acontecendo em suas vidas para que possam amortecer e/ou absorver o golpe de uma ofensa.

Mas tem mais. Aqueles que obtêm satisfação com vingança, tendem a sentir a ofensa muito mais negative do que garante a realidade, ou seja, já se sentem, de antemão, magoados e irritados. Esta parte é importante porque as pessoas tendem a se vingar como uma tentativa de reparar seu humor, ou seja, para se sentirem melhor. Como dá para imaginar, esse plano funciona de maneira mais eficaz naqueles que já têm uma pitada de sadismo. Para melhor ou pior, a vingança parece melhor quando o indivíduo já sente certo prazer em infligir dor e humilhação.

Mas o que fazem os que não são sádicos? Uma versão mais leve de vingança é a criação do bode expiatório, ou a escolha de uma pessoa ou grupo para culpar por uma culpa não merecida.

O bode expiatório pode acontecer em nome da justiça. Por exemplo, um estudo da Universidade do Kansas pediu aos participantes, todos identificados como de classe média, que lessem uma notícia falsa intitulada “A situação dos americanos da classe trabalhadora”.
Havia duas versões do artigo. Metade dos participantes leu uma versão, onde a culpa foi colocada na classe média, concluindo: "... a busca de negócios mais baratos beneficiou os bolsos dos americanos de classe média, levando ao desemprego severo e à paralisação e estagnação salarial dos americanos da classe trabalhadora. " Na segunda versão, o artigo era exatamente o mesmo, mas culpava a classe alta.
Em seguida, todos os participantes leram um segundo artigo intitulado "Imigrantes Ilegais são bem sucedidos quando há uma queda econômica" ou "Imigrantes Ilegais Sofrem na Queda Econômica".
Daí, quando os participantes pensavam que outros, como os idiotas da classe alta, eram responsáveis pela injustiça enfrentada pelos americanos da classe trabalhadora, havia menos indignação moral com os imigrantes ilegais, quer fossem ou não retratados como bem-sucedidos.

Mas, quando os participantes pensavam que seu próprio grupo de classe média era culpado pela injustiça e os imigrantes ilegais eram retratados como bem-sucedidos, eles expressaram mais indignação moral em relação aos imigrantes.

Os participantes se sentiram indignados com a injustiça enfrentada pela classe trabalhadora, mas não necessariamente acharam que tinham que fazer algo para restaurar a justiça, mas, o culpar os imigrantes os ajudou a aliviar a culpa e fortalecer sua auto-imagem moral.

Exemplos disso sobram no FB, em qualquer língua, e puxando por qualquer partido ou tendência política ou religiosa. A indignação é alta, a disputa por quem fez isso ou aquilo é enorme, e os fatos contam pouco ou nada, ninguém para para analisar se o que foi exposto tem base factual. É a explosão do bode expiatório a nível universal.

Então, resumindo, a vingança vale a pena? Vamos nos sentir melhor?

Provavelmente não, a não ser que haja o elemento sádico acima descrito, e a melhora é por pouco tempo, depois virá a necessidade urgente da percepção de novo insulto, para que o ciclo recomece.

O que podemos fazer, é medir a temperatura de nossa indignação moral para ver se é uma preocupação genuína ou, como o experimento da classe média, mais uma maneira de nos sentir menos culpados e reforçar nossa visão de nós mesmos como gente de bem.

Finalmente, é um problema sentir indignação moral ou isso significa apenas que estamos bem sintonizados com a justiça?

Simples: ser mais sensível a ofensas pessoais, pode ser visto como egoísta e, ao extremo, até mesmo anti-social, mas a indignação em nome de outras pessoas está ligada à cooperação e respeito a outro seres humanos.

Então vá em frente e se enfureça contra a sociedade/partido/religião/atos e desacatos, desde que seja em nome dos outros.

E para este último, tenho o exemplo da Graça Craidy, mestra das letras e dos pincéis, que santamente enfurecida com a situação do femininicidio no Brasil, fez uma série de pinturas e exposições com o título “Até que a morte nos separe”.
A foto é da citada exposição.







Bibliografia

Fairness Expectations and Altruistic Sharing in 15-Month-Old Human Infants CLIQUE AQUI

Psychology of Justice CLIQUE AQUI

The Good, the Bad, and the Just: Justice Sensitivity Predicts Neural Response during Moral Evaluation of Actions Performed by Others CLIQUE AQUI

Toddlers Have a Sense of Justice https://www.livescience.com/51261-toddlers-have-restorative-justice.html

The Justice Sensitivity Inventory: Factorial Validity, Location in the Personality Facet Space, Demographic Pattern, and Normative Data CLIQUE AQUI

Why and when justice sensitivity leads to pro- and antisocial behavior CLIQUE AQUI


domingo, 12 de agosto de 2018

ESTUDOS DA MENTALIDADE DE MASSA, OU PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER.

Charles-Marie Gustave Le Bon foi um francês politudo. Formado em medicina, jamais a exerceu, pelo menos da forma clássica, enquanto seus interesses espalharam-se pela antropologia, psicologia, sociologia, invenções variadas e física. Seu livro mais conhecido, é Psychologie des Foules (The Crowd: A study of the Popular Mind- Psicologia das Multidões), considerada a obra seminal da Psicologia das Massas. Isto em 1895.

E neste momento histórico, de pós verdades e fatos alternativos, o povo assustado, de neurocientistas a sociologos, historiadores, academicos das mais variadas linhas se perguntando , não só como foi que isso aconteceu, mas como diabo parar tal trem descarrilhado, velho Le Bon surge citado mais que a Kardashian, que até hoje não sei porque é famosa.

Esse fenômeno populista, que usa medo e desinformação como munição, não está restrito aos USA. Está espalhado e crescendo. Ou como disse um cômico famoso: “1984, do Orwell, era para ser um sinal de alerta. Virou manual de instrução.”



Vimos o mesmo fenômeno com com o Brexit; na Alemanha com a ascensão das Alternativas for Deutschland, partido ativamente euro-cético, e, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, há nacionalistas no parlamento alemão; aconteceu com as recentes eleições italianas, onde todos os partidos do establishment foram expulsos e em seu lugar voltou o
Movimento Cinco estrêlas e a Liga (forças políticas euro-céticas, anti-imigração)

Isso não é coincidência.

Em 1984, Yuri Alexandrovich Bezmenov, ex espião russo que se safou para o Canadá em 1970, durante uma entrevista, levantou pontos interessantissimos. Disse ele: “Há um plano, de longo prazo, colocado em prática pela Rússia para derrotar a América através da guerra psicológica e da "desmoralização. É um jogo longo que leva décadas para ser alcançado e não envolve espionagem. Sua maior parte, 85%, é um processo lento de subversão ideológica, medidas ativas ou guerra psicológica. O que basicamente significa é: mudar a percepção da realidade das pessoas, de tal forma que, apesar da abundância de informações, ninguém é capaz de chegar a conclusões sensatas no sentido de auto defesa ou defesa de suas famílias, de sua comunidade e de suas país.É uma grande lavagem cerebral que tem 4 estágios básicos: 

1- DESMORALIZAÇÃO: leva de 15 a 20 anos para dar resultados.É o número mínimo de anos necessários para reeducar uma geração normalmente exposta à ideologia de seu país. Em outras palavras, o tempo que leva para mudar o que as pessoas estão pensando. É um processo irreversível, porque, depois de completado,as pessoas não conseguem mais mudar de idéia, mesmo quando expostas a informações autênticas. Mesmo se for provado que branco é branco e preto é preto, não se pode mudar a percepção básica e a lógica do comportamento.

2- DESESTABILIZAÇÃO: (2 a 5 anos). Aqui o que importa é o direcionamento dos elementos estruturais essenciais de uma nação: economia, relações exteriores e sistemas de defesa. Basicamente, o subversor procura desestabilizar cada uma dessas áreas no pais alvo, enfraquecendo-o consideravelmente.

3-CRISE: é rápida, apenas seis semanas. A crise traz uma mudança violenta de poder, estrutura e economia e é seguida pela última etapa, 

4-NORMALIZAÇÃO: é quando o país é basicamente tomado, vivendo sob uma nova realidade e ideologia.


Perfeito. Porém tudo o acima, para poder acontecer, depende do que Le Bon descreveu, e que resumo:

1- MULTIDÕES TORNAM POSSIVEL O IMPOSSIVEL
O improvável não existe para uma multidão, o que explica a facilidade com que são criadas e propagadas as lendas e histórias mais improváveis.
As multidões, sendo incapazes tanto de reflexão quanto de raciocínio, são destituídas da noção de improbabilidade; pois, de modo geral, as coisas mais improváveis é que são mais impressionantes.
Multidões só são capazes de pensar em imagens e só se impressionam com imagens. São apenas as imagens que os aterrorizam ou atraem e se tornam motivos de ação.
Assim, se a multidão é incapaz de distinguir entre o improvável e o provável, e as imagens que associa à improvável ação de invocação, então coisas estranhas vão acontecer.

2- MULTIDÕES CRIAM IMPULSO
 O indivíduo que faz parte de uma multidão adquire, apenas por considerações numéricas, um sentimento de poder invencível que lhe permite ceder a instintos que, se estivesse sozinho, teria que reprimir.
Uma multidão não está preparada para admitir que existe algo entre seu desejo e a realização do mesmo.
 A sensação de fazer parte de um movimento maior do que o indíviduo, proporciona uma confiança inabalável. Quando aplicada a atividades especulativas, manifesta-se na confiança inabalável da multidão, não importando quão horrivel seja o resultado. 

3-ESTA É A ERA DAS MULTIDÕES
 Os destinos das nações são elaborados, atualmente, no coração das massas e não mais nos conselhos dos príncipes.

4- HIPNOTISMO E FASCINAÇÃO
 Um indivíduo imerso por algum tempo numa multidão em ação, vai se encontrar (seja em conseqüência da influência magnética da multidão, ou de alguma outra causa ainda desconhecida), num estado especial, que muito se assemelha ao estado de fascinação no qual o indivíduo hipnotizado fica  nas mãos do hipnotizador. Estando a atividade cerebral paralisada, no caso do sujeito hipnotizado, este se torna escravo de suas atividades inconscientes, que o hipnotizador dirige à vontade. A personalidade consciente desapareceu inteiramente; vontade e discernimento estão perdidos. Todos os sentimentos e pensamentos são dobrados na direção determinada pelo hipnotizador.
Do ponto de vista intelectual, pode existir um abismo entre um grande matemático e um sapateiro, mas do ponto de vista do caráter a diferença é, na maioria das vezes, leve ou inexistente.
São precisamente essas qualidades gerais de caráter, governadas por forças das quais somos inconscientes, e possuídas pela maioria dos indivíduos normais de uma raça quase no mesmo grau,são precisamente essas qualidades que, em multidões se tornam propriedade comum.
 Ou seja, se sucumbirmos à multidão, estamos danados, não importando sermos PhD ou faxineiros. Qualquer vantagem intelectual que se tenha ganho durante anos estudando,desaparece. A multidão é um nivelador, composto de elementos comuns, não distinguidos.

5- RESISTA, É POSSIVEL
Seja Científico: Permaneça Desassociado dos Resultados
A multidão psicológica é um ser provisório formado de elementos heterogêneos, que por um momento são combinados, exatamente como as células do corpo,que, por sua união, formam um novo ser que exibe características muito diferentes daquelas possuídas por cada uma das células isoladamente.
A única alternativa possivel para não sucumbir ao canto de sereia da multidão é o método científico (isto é, criação e teste de hipóteses repetidas). Nesse sentido, os resultados são de pouca importância, é a disciplina do processo que importa.

The Crowd: A study of the Popular Mind   LEIA ORIGINAL AQUI

E a constante destruição do pensamento crítico, ou científico, como queiram, que vem num crescendo desde a invenção da TV, alcançando seu ápice com a Internet, é fenômeno evidente. Bombardeio dioturno de imagens. Vi há poucos dias no FB um filminho “contra o aborto”, que mostrava um feto sofrendo durante tal intervenção. É impactante, chocante, horrivel. Completamente  apaga as perguntas óbvias:
1-    Como e porque haveria alguém de filmar o próprio aborto?
2-    Se está praticando tal coisa, porque mostrar ao mundo quão horrível é o ato que está praticando?

Isso sem contar que, mesmo ao nascimento, nosso córtex cerebral para dor não está desenvolvido, posto que, se estivesse, ninguém sobreviveria ao nascimento.

Imaginem o seguinte: lá está o fetinho bem tranquilo dentro de um líquido , quando, de repente, esse liquido se esvai, sua cabeça é enfiada num tubo bem menor que a mesma, fazendo com que os ossos cranianos se acavalem, senão não passa. No que começa a sair para o mundo, os pulmões, que estavam colabados, já que não se respira detro de água, se expandem (é o tal choro do bebê, com o qual fica todo mundo feliz), o buraco entre as 2 partes do coração se fecha, e a circulação, que era venosa, passa a ser arterial. Isso sem contar a luz atacando os olhos, que até o momento, fechadinhos estavam. E esta é a descrição de um parto perfeitamente normal, daqueles nos quais a criança, segundo a velha piada de meus tempos de estágio na obstetrícia, a criança nasce com, sem ou apesar do medico.

E caso alguém se levante em armas achando que sou propositaria do aborto, vou avisando que uma coisa nada tem a ver com outra, foi só a melhor analogia que encontrei para o que é pensamento crítico.

Só resistindo a meu modo

E la nave vá…


domingo, 5 de agosto de 2018

A ADORAÇÃO A FALSOS ÍDOLOS. DESTA VEZ É O “BEM ESTAR” (WELLNESS)

Tradução do artigo da Dra. Dr. Jen Gunter (ARTIGO ORIGINAL)

“Carvão, “toxinas” e outros disparates são a espinha dorsal do complexo industrial do bem-estar.

Antes de prosseguirmos, gostaria de esclarecer uma coisa: o bem-estar não é o mesmo que medicina.

Medicina é a ciência que se oucupa em reduzir morte e doenças, além de procurar proporcionar vidas longas e saudáveis.
Bem-estar costumava significar uma mistura de saúde e felicidade. Algo que nos faz sentir bem ou alegre, e não algo prejudicial, coisas assim como uma massagem ou uma caminhada na praia.

Mas a coisa mudou muito, e agora “bem estar”tornou um falso antídoto para o moderno medo da vida e da morte.
A indústria do bem-estar adota a terminologia médica, como “inflamação” ou “radicais livres”, e a leva ao ponto de incompreensão. O produto resultante é um remédio tipo “faça você mesmo”para a longevidade, e que vem com uma dose de fé tão absoluta, que a ciência só pode aspirar a alcançar.

Vamos usar como exemplo a tendência de adicionar uma pitada de carvão ativado à comida ou bebida. Embora a cor preta seja surpreendentemente inesperada e sedutora ( tipo o “pequeno vestido preto”que serve para todas as ocasiões), o pretinho é vendido como suposta "desintoxicação".
Adivinha só? Tem a mesma eficácia que um feitiço de sua bruxa local.

Talvez seja uma questão de estética. Poções de bem-estar em belos frascos com ingredientes não testados e de pureza desconhecida, são praticamente embalados para fotos no Instagram.

Também quero esclarecer o que realmente são toxinas: substâncias nocivas produzidas por algumas plantas, animais e bactérias (e, para elas, carvão não é cura).

"Toxinas", como definido pelos mascates dessas curas duvidosas, são os eflúvios nocivos da vida moderna que supostamente vagam pelos nossos corpos, causando inchaço na barriga e nevoeiro cerebral, como um microscópico Emmanuel Goldstein de "1984" de George Orwell.
Sem estas toxinas, não pode haver busca de pureza: tampões “limpos”, comida “limpa”, maquiagem “limpa”. Há também atos sagrados e rituais a serem seguidos, e se você tiver desbloqueado o nível correto de realização, liberará sua deusa interior.

Medicina e religião há muito tempo estão profundamente interligadas, e é relativamente recente sua separação. O complexo industrial de bem-estar busca ressuscitar essa conexão. É como um retrocesso médico, como se os dias tranquilos de saúde fossem cinco mil anos atrás. Antigos rituais de limpeza com um toque moderno: suplementos, produtos inúteis e testes sem qualquer suporte cientifico.

Os suplementos alimentares, que constituem a espinha dorsal do bem-estar, representam um negócio de US $ 30 bilhões por ano, apesar dos estudos mostrarem que não têm valor algum para a longevidade (apenas algumas vitaminas provaram benefícios médicos, como o ácido fólico antes e durante a gravidez e vitamina D para idosos que estão a risco de quedas). A medicina moderna quer que você obtenha seus micronutrientes de sua dieta, que é indiscutivelmente a fonte mais natural possivel.

No entanto, o complexo industrial de bem-estar conseguiu perverter essa narrativa e tornar os suplementos uma ferramenta necessária para práticas absurdas, como impulsionar o sistema imunológico ou combater a guerra contra a inflamação.
A urina amarela fluorescente resultante dos multivitamínicos pode fornecer uma falsa sensação de eficácia, mas é ouro de tolo (e a consequência do excesso de B2 que não é absorvido).

Então, qual é o dano, além de jogar dinheiro fora, em carvão para toxinas inexistentes ou vitaminas para ter urina amarelo atômico ou lençóis caros de algodão granulado (seja lá o que isso for), para melhor conexão aos elétrons da Terra?

Veja o que: o efeito placebo ou "tentar algo natural" pode levar as pessoas com doenças graves, a adiar cuidados médicos eficazes. Todos os médicos que conheço têm mais de uma história sobre um paciente que morreu porque eles tentaram alcalinizar seu sangue ou apostaram em vitaminas intravenosas.para tratar cancer. Estão surgindo mais e mais dados de pacientes com câncer que optam por práticas médicas alternativas, muitas delas promovidas por empresas que vendem produtos de valor questionável, têm maior probabilidade de morrer.

A venda contínua do tipo de produto que move as rodas do complexo industrial de bem-estar, exige um fluxo constante de medo e desinformação. Olhe atentamente para a maioria dos sites de bem-estar e seus parceiros médicos, e verá que, na maioria deles, desfila uma infinidade de teorias de conspiração médica: vacinas e autismo, os perigos da fluoretação da água, sutiã e câncer de mama, celulares e câncer no cérebro, envenenamento por metais pesados, AIDS como construção da Big Pharma,só para citar alguns.

A maioria das pessoas pensa que é imune a essas idéias marginais, mas a ciência diz o contrário. Todos nós confundimos repetição com precisão, um fenômeno chamado de efeito de verdade ilusório, e o conhecimento sobre o assunto não necessariamente o protege. Mesmo uma única exposição a informações que pareçam ser quase plausíveis pode aumentar a percepção de precisão.

A crença em teorias conspiratórias médicas, como a idéia de que a indústria farmacêutica está suprimindo curas “naturais”, aumenta a probabilidade de que uma pessoa tome suplementos dietéticos. Então, para continuar vendendo suplementos, tapetes de aterramento, kits de enema de café e outras mercadorias geradoras de receita, eles não podem simplesmente desencadear o medo, há que constantemente atiçar suas chamas.

Não pode haver indústria de bem-estar moderna sem teorias conspiratórias médicas.

Mesmo que você evite completamente esses sites por causa da fraude, as pessoas que passam a acreditar nessa desinformação podem afetar a saúde pública, tanto por não vacinarem suas crianças e a elas mesmas, quanto por votar contra as políticas de saúde baseadas em evidências.

Além disso, como médica, levo isso a sério quando ouço sobre o último surto de sarampo ou quando um amigo gasta dinheiro em uma terapia que possivelmente não pode ajudar. Quando os pacientes pedem um teste sem suporte científico, como quelação de urina ou níveis de hormônio salivar, geralmente promovidos em sites de bem-estar , tenho que explicar que não posso, de boa fé, solicitar um teste inútil. E também não quero que as pessoas morram.

Então, por que as pessoas se voltam para o bem-estar?

Existem sintomas que acredito estarem conosco desde o início dos tempos, tão comuns que provavelmente fazem parte da experiência humana: fadiga, inchaço, baixa libido, dor episódica, perda de vigor. Quando a medicina só pode oferecer uma terapia, não uma cura, ou quando os médicos dão respostas indesejáveis, sugerindo atenção para a higiene do sono, por exemplo, não é difícil ver como a inebriante confiança e o teatro de bem-estar se tornam muito mais sedutores.

A doença médica também é assustadora. Quem não gostaria de tomar vitaminas IV em vez de passar por quimioterapia?

Admito que os médicos podem aprender algo com essa coisa de bem-estar. É claro que algumas pessoas estão procurando curandeiros, por isso precisamos encontrar maneiras, medicamente éticas, de atender a essas necessidades.

Nós, médicos, podemos fazer mais para fornecer informações factuais sobre substâncias perigosas, como substâncias cancerígenas e desreguladoras endócrinas, em produtos e no meio ambiente de locais medicamente controlados, sem produtos para vender, como o Instituto Nacional do Câncer e a Sociedade Nacional de Endocrinologia.

Muitas pessoas, especialmente mulheres, há muito são marginalizadas e negligenciadas pela medicina (tanto que só recentemente se descobriu que mulheres morrem mais do que homens devido a ataques cardíacos, tanto por serem os sintomas diferentes, quanto por elas mesmas não procurarem ajuda medica, ou pelos seus sintomas serem negligenciados pelos medicos que as atendem), mas a resposta não está nas teorias predatórias da conspiração, na falsa religião ou na magia cara.

Em sua forma atual, o bem-estar não está preenchendo as lacunas deixadas pela medicina. Está explorando-as.”

quinta-feira, 12 de julho de 2018

FOI ESSA NOSSA EVOLUÇÃO?

Caso alguém ache que isso não faz parte das neurociências, que são a razão de ser dessa página, alerto que emoções, atitudes e política são um contínuo de nossos processos mentais. Isto posto, traduzi o artigo na íntegra porque, entre as crianças enjauladas aqui, com 3000 que ninguém sabe onde estão, e o caso do treinador na caverna, vem um gosto tão amargo na boca e a pergunta: “O que fizemos com nossa humanidade?”


TAILÂNDIA: EK, O TREINADOR QUE OS TRATOU COMO FILHOS, ESTÁ A RISCO DE SER PROCESSADO.

Refugiado, órfão e "sem direitos". Foi ele quem levou os meninos para a caverna. E foi o último a sair.

"Vai Adul, é sua vez." Assim que a última de suas crianças saiu, Ek ficou sozinho na caverna, o último da fila a mergulhar, e por uma hora, êle voltou a ser a criança que sempre foi. Como quando tinha 12 anos e de repente perdeu seu pai, mãe e irmão mais novo. Depois de dezoito dias de escuridão, durante uma hora, Ek deixou de ser o corajoso assistente técnico que suportou a equipe dos Wild Boars nos momentos mais difíceis, alimentou-os com a comida que se recusou a usar, motivou-os, transmitindo calma: aos 25 anos, Ek tornou-se órfão novamente. Novamente sem luz, sem equipe, e quem sabe o que esperar do lado de fora.

"Vá Adul, é a sua vez." Ekapol «Ek» Chantawong manteve-se perto do penúltimo dos salvos, Adul, que é apenas onze anos mais novo, joga pela direita e é o jogador com o qual o Ek mais se ligou, na caverna. "Esses caras são meu irmãozinho multiplicado por doze", sempre dizia Ek, mas agora Adul é mais: um órfão birmanês, como ele. Que foi deixado, quando criança, aos sacerdotes de Chiang Rai, quando Ek acabou com sua avó, crescendo a pão e bola. Adul é um dos 100 mil refugiados na Tailândia que não têm direito a nada: nem carteira de identidade,nem passaporte, nem emprego, nem sair da província, ou comprar uma casa, ou se casar, ou votar. Ele é uma daquelas crianças as quais, no país do ópio,para ser algo, só têm futebol. E para se sentir filhos, só têm o treinador, ou nem mesmo isso, só o vice.

O penúltimo e o último se abraçaram, antes de sair da caverna. Ekapol esperou em silêncio que viessem buscá-lo,enfraquecido pelo jejum e esmagado pela culpa. "Louco irresponsável que levou as crianças para lá!" "Herói que os salvou com suas palavras!"

Dentro de Tham Luang, o treinador não ouviu tudo o que foi dito do lado de fora. As dúvidas das autoridades: devem ser processado? Debate dos pais: deve ser perdoado? Ele não esperou para falar e quando os meninos enviaram suas cartinhas, Ek escreveu um pedido de desculpas aos pais: desculpem-me por ter feito as crianças comprarem US $ 28 em lanches, de tê-los feito deixar os chinelos fora e ignorar a proibição na entrada da caverna, para poder fazer com que os meninos do time gravassem nossos nomes na rocha ...

(Quase) tudo foi perdoado. "Se não fosse você", respondeu a mãe de Tee, "como meu filho teria sobrevivido?" Aos seus jogadores de futebol, em 288 horas, Ek ensinou o básico da meditação, aprendida quando criança em Lamphun, nos mosteiros Theravada: contemple sua respiração, olhe para sua mente, digira seu estômago, ignore sua fome ... Serviu: adeus ansiedade, os socorristas ingleses ficaram surpresos ao encontrar, depois de onze dias, meninos tão calmos, gentis, até mesmo sorrindo. Ek é o caso mais grave de todos, no hospital. Algumas coisas estão esperando por êle lá fora. Uma vida como vice. O porco picante da vovó. E a amizade de uma criança que se tornou adulta no escuro, como ele.

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sábado, 23 de junho de 2018

NÓS, MULHERES, PRECISAMOS DA CORAGEM DE DESISTIR

É tão bonito que traduzi ao pé da letra como uma homenagem a essas mulheres maravilhosas que poderiam ter sido minhas filhas.

Como foi tão mais fácil para nós, baby boomers.

A gente sabia, clara e gloriosamente que estavamos nos rebelando. Que estavamos fazendo coisas e tendo idéias que nossas mães não ousaram, mas víamos claramente, no sorriso de orelha a orelha, de tais mães e avós, o orgulho de termos alcançado um degrau que elas sonharam. Lembro do prazer de minha vó Adriana a desenhar e costurar mini vestidos que causavam ataques cardíacos no meu pai, minha mãe fazendo de conta que não sabia como aquilo tinha parado em mim, e logo atrás o trio terrivel (nonna Adriana, nonna Linda, e Eti), declarando em uníssono que elas tinham feito. Isso fora meu avô a me alimentar com sólida dieta dos clássicos, para horror de minha mãe ao me descobrir lendo “Tom Jones” aos 13 anos e ser informada que tinha sido o pai dela a me dar. Primeira e única vez que a vi brigando com o pai, e descobri que, no fundo, a briga era porque êle só permitiu que ela lesse tal obra depois que fez 18 anos.

Então, acho que devemos desculpas a essa geração espremida.

Depois dos Baby Boomers e antes dos Millenials, teve a geração Twister (torcida), a minha, nascida nos anos 70, de pais que haviam cruzado o ano de 68 quando não eram mais jovens o suficiente para se deixar arrebatar, mas nem eram tão velhos que puderam ignorar. Uma geração educada por avós que nos ensinavam a deixar os homens acreditarem que mandavam e por mães que que batiam os pés, impacientemente e falavam de satisfação feminina, mas desligavam o telefone ao ouvir o marido chegar.

Somos a geração Twister (Contorcida), como aquele jogo de circulos coloridos, um dadinho e uma seta, que instruem os jogadores: mão direita na bola amarela, pé esquerdo na bola azul, mão esquerda na verde e assim por diante, até emaranhar-se inextricavelmente.
Tal qual a educação que recebemos.

Você tem que se ralizar. E achar marido.
Seja forte. Mas não muito.
Abaixe a voz. Levante a cabeça."
Não se faça notar . Faça se valer.
Aprenda a se defender. Mas não faça muitas friulas.
Cuide-se. Sem negligenciar seu marido.
Encontre um emprego. Mas seu marido terá precedência.


Mão direita no amarelo, mão esquerda no azul, pé direito no vermelho.

As mulheres da minha geração cresceram entre objetivos inalienáveis e ao mesmo tempo incompatíveis ou quase. Nos deixaram livres para perseguir nossos sonhos, mas sobrecarregaram-nos com deveres conjugais e familiares. Nos valorizaram e encorajaram e prepararam, mas sem nos livrar das obrigações da geração anterior. Nos disseram para decolar, mas voar baixo. Somos mulheres capazes de alcançar o topo de uma sociedade, mas permitimos que os homens venham e expliquem como isso funciona. Nós lutamos a cada momento do dia, mas ao lado de um homem nós damos um passo atrás para não roubar a cena. Nós nos matamos com fadiga, gerenciamos equilíbrios impossíveis e sempre nos sentimos culpadas. Pé direito no verde, pé esquerdo no azul, mão esquerda no amarelo, até que você se renda ou termine com o seu traseiro no chão.

Mas nós não desistimos, continuamos, enredadas em culpa e fadiga, até nos esquecermos de nós mesmos, vítimas da Síndrome do Pano de Prato. Como o pano de prato que minha avó, formada e jornalista, me confessou, ficava sempre perto da porta quando ela esperava pela volta do marido, para não ser encontrada com as mãos abanando. Pé esquerdo em amarelo. Mão esquerda no vermelho. Aquele pano de prato que permaneceu aninhado em um canto da minha mente e sussurra que me dedicar a mim mesma e às minhas aspirações é algo culpado e fraudulento, que o valor de uma mulher é medido pelo sacrifício e pela fadiga.

Somos uma geração de mulheres programadas para se sentirem culpadas, sempre e em toda parte. Temos a força para chegar ao final do jogo, mas não temos a coragem de nos deixar cair no chão no meio da partida, sem culpa e sem panos de pratos na mão.

Isto é o que precisamos, na minha opinião: a coragem de desistir, não de fazê-lo, não fazer tudo, delegar. A coragem de nos dedicarmos a nós mesmas, sem precisarmos estar exaustas ou sozinhas, sem desculpas e sem justificativas.
Que chamem de rebelião, preguiça, presunção, inadequação, arrogância, fragilidade, que chamem como lhes agradar: eu chamo felicidade.

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