domingo, 25 de novembro de 2018

ANÁLISE PSICOLOGICA COMPLETA DAS 14 CARACTERISTICAS CHAVE QUE EXPLICAM OS ADEPTOS DE TRUMP


Traduzi o artigo ao pé da letra, com poucos comentarios entre parênteses. Acho que explica não só os trumpistas, mas os similares mundo afora. O autor, Bobby Azarian é neuroscientista afiliado à George Mason University, além de jornalista free-lance. Artigo original  CLIQUE AQUI

Gostemos ou não, pelo bem da América, devemos tentar entender o fenômeno Donald Trump, uma vez que completamente tomou de assalto a nação e também, ferozmente a dividiu. O mais desconcertante disso tudo é a aparente invencibilidade política de Trump. Como ele mesmo disse antes mesmo de vencer a eleição presidencial, “eu poderia ficar no meio da 5ª Avenida e atirar em alguém e não perderia eleitores.” Infelizmente para o povo americano, essa afirmação cretina parece ser absolutamente verdadeira, pelo menos para a maioria de seus apoiadores, e isso é algo que deveria nos preocupar. Também deve nos motivar a explorar a ciência subjacente a esse comportamento humano peculiar, para que possamos aprender com ele e, potencialmente, nos vacinar contra.

Se quisermos ser honestos, devemos reconhecer que mentir, infelizmente, não é incomum para políticos de qualquer lado, mas a frequência e magnitude das mentiras do atual presidente devem nos fazer pensar no porque não destruíram sua carreira política e, ao contrário. talvez a tenham fortalecido. Da mesma forma, devemos nos perguntar por que sua retórica inflamatória e inúmeros escândalos não o afundaram. Estamos falando de um homem que foi flagrado em vídeo dizendo: “Quando você é uma estrela, elas deixam você fazer isso. Você pode fazer qualquer coisa. Agarrá-las pela buceta. ”Politicamente, sobreviver a esse vídeo não é normal e, podemos ter certeza de que tal revelação teria sido o fim de Barack Obama ou George Bush se tivesse surgido semanas antes da eleição.

Enquanto dezenas de psicólogos analisaram Trump, para explicar sua invencibilidade política, é mais importante entender as mentes de seus leais partidários. Embora tenha havido vários artigos populares que iluminaram uma infinidade de razões para seu apoio inabalável, parece não haver uma análise abrangente que contenha todos eles. Como parece haver uma demanda por essas informações, tentei fornecer essa análise abaixo.

Algumas das explicações vêm de um artigo de revisão publicado em 2017 no Journal of Social and Political Psychology pelo psicólogo e professor da UC Santa Cruz, Thomas Pettigrew. Outros foram publicados já em 2016 por mim, e várias delas foram inspiradas por insights de psicólogos como Sheldon Solomon, que lançou as bases para a influente Teoria da Gestão do Terror, e David Dunning, que fez o mesmo para o efeito Dunning-Kruger.

Esta lista começará com as razões mais benignas para o apoio intransigente aTrump, e conforme a lista continua, as explicações tornam-se cada vez mais preocupantes e, no final, limitam-se ao patológico. Deve-se enfatizar fortemente que nem todos os partidários de Trump são pessoas racistas, mentalmente vulneráveis ou fundamentalmente más. Pode ser prejudicial para a sociedade quando aqueles com graus e plataformas tentam demonizar seus oponentes políticos ou pintá-los como doentes mentais quando não o são. Isto posto, também causa o mesmo prejuizo, fingir que não há fatores psicológicos e neurais claros que fundamentam grande parte da lealdade desenfreada dos defensores de Trump.

Os fenômenos psicológicos descritos abaixo pertencem principalmente àqueles que seguiriam Trump se ele pulasse de um penhasco. Essas são as pessoas que ficarão ao seu lado, não importando quais escândalos venham à luz, ou que tipo de evidência para comportamento imoral e ilegal apareça.

1-A PRATICIDADE SUPERA A MORALIDADE

Para algumas pessoas ricas, é simplesmente uma questão financeira. Trump oferece cortes de impostos para os ricos e quer acabar com as regulamentações governamentais que atrapalham os lucros de empresários, mesmo quando esse regulamento existe com a finalidade de proteger o meio ambiente. Outros, como trabalhadores blue collar (NA: colarinho azul: o têrmo refere-se a empregados cujo trabalho envolve (em grande parte ou totalmente) trabalho físico, como em uma fábrica ou oficina). gostam do fato de que o presidente está tentando (ou pelo menos prometendo) trazer de volta para os USA empregos que foram, por exemplo, para a China. Algumas pessoas que genuinamente não são racistas (aquelas que serão discutidas mais adiante) simplesmente querem leis de imigração mais fortes, porque sabem que um país com fronteiras abertas não é sustentável. Essas pessoas colocaram suas preocupações práticas acima de seus valores morais. Para eles, não importa se ele é um agarrador de vaginas ou se sua equipe de campanha conspirou com a Rússia para ajudá-lo a derrotar seu oponente político. Não se sabe ainda se essas pessoas serão eternamente ligadas ao Trump da maneira que os outros o são, mas em breve descobriremos, sempre e quando a investigação do Mueller puder ser concluída.

2- O SISTEMA DE ATENÇÃO CEREBRAL É MAIS FORTEMENTE ENGAJADO POR TRUMP

De acordo com um estudo que monitorou a atividade cerebral enquanto os participantes assistiram a 40 minutos de anúncios políticos e clipes de debate dos candidatos presidenciais, Donald Trump foi único capaz de manter o cérebro envolvido. Enquanto Hillary Clinton só poderia manter a atenção por certo período de tempo, Trump manteve tanto a atenção quanto a excitação emocional durante toda a sessão de visualização. Esse padrão de atividade foi visto mesmo quando Trump fez observações com as quais os indivíduos não necessariamente concordavam. Seu carisma e linguagem simples ressoam claramente com alguns a um nível visceral.

3. A OBSESSÃO DOS AMERICANOS POR ENTRETENIMENTO E PELAS CELEBRIDADES

Essencialmente, a lealdade dos apoiadores de Trump pode, em parte, ser explicada pelo vício dos americanos com entretenimento e reality shows. Para alguns, não importa o que Trump realmente diz, porque ele é muito divertido de assistir. Com o Donald, você sempre fica imaginando que coisa ultrajante ele dirá ou fará em seguida. Ele nos mantém à beira do nosso assento e, por essa razão, alguns defensores do Trump vão perdoar tudo o que ele disser. Eles estão felizes, desde que sejam entretidos.

4- ALGUNS, SÓ QUEREM MESMO VER O CIRCO PEGAR FOGO.

Algumas pessoas inteligentes que deveriam ter mais bom senso, estão apoiando Trump simplesmente para serem rebeldes ou introduzir caos no sistema político. Eles podem ter tanta aversão pelo establishment e democratas como Hillary Clinton, que seu apoio a Trump é um dedo do meio simbólico dirigido a Washington. Essas pessoas não sabem quais são suas prioridades, e talvez tenham outras questões, como um desejo inato de causar confusão e atrito, ou são simplesmmente obcecados por atenção, seja lá de que tipo for.

5- O FATOR MEDO: CONSERVADORES SÃO MAIS SENSÍVEIS A AMEAÇAS

A ciência mostrou, inequivocamente, que o cérebro conservador tem uma resposta exagerada de medo quando confrontado com estímulos que podem ser percebidos como ameaçadores. Um estudo de 2008 na revista Science descobriu que os conservadores têm uma reação fisiológica mais forte a ruídos e imagens gráficas, se comparados aos liberais. Um estudo de imagens cerebrais publicado na revista Current Biology revelou que aqueles que tem tendências políticas de direita, tendem a ter uma amígdala maior (Amigdala: estrutura cerebral eletricamente ativa durante estados de medo e ansiedade). E um estudo de fMRI de 2014 descobriu que é possível prever se alguém é liberal ou conservador simplesmente observando sua atividade cerebral enquanto visualiza imagens ameaçadoras ou repugnantes, como corpos mutilados. Especificamente, os cérebros dos que se auto definem conservadores, tiveram mais atividade geral em resposta às imagens perturbadoras.
Essas respostas cerebrais são automáticas e não são influenciadas pela lógica ou pela razão. Enquanto Trump continuar com seu medo, constantemente retratando os imigrantes muçulmanos e hispânicos como perigos iminentes, muitos cérebros conservadores serão involuntariamente iluminados como lâmpadas controladas por um interruptor. O medo mantém seus seguidores energizados e focados na segurança. E quando você acha que encontrou seu protetor, fica menos preocupado com comentários ofensivos e divisivos.

6- O PODER DOS LEMBRETES A RESPEITO DA MORTALIDADES E DA PERCEPÇÃO DE AMEAÇAS EXISTENCIAIS.

Uma teoria bem fundamentada da psicologia social, conhecida como Terror Management Theory (Teoria da Gestão do Terror), explica por que o temor que o Trump espalha, é duplamente eficaz. A teoria baseia-se no fato de que os seres humanos têm uma consciência única de sua própria mortalidade. A inevitavilidade da morte cria terror e ansiedade existenciais que sempre estão abaixo da superfície, mesmo quando não pensamos nisso. Para administrar esse terror, nós, humanos adotamos visões culturais do mundo, como religiões, ideologias políticas e identidades nacionais, que atuam como um amortecedor em relação ao medo da morte, por dar significado e valor à vida.

A Teoria do Gerenciamento do Terror prevê que, quando as pessoas são lembradas de sua própria mortalidade, que acontece com o fomento do medo, elas defenderão mais fortemente aqueles que compartilham suas visões de mundo e identidade nacional ou étnica, e agirão mais agressivamente com aqueles que não o fazem. Centenas de estudos confirmaram essa hipótese, e alguns mostraram especificamente que o desencadear pensamentos de morte tende a deslocar as pessoas para a direita política.

Não só os lembretes de morte aumentam o nacionalismo, como também influenciam os hábitos de voto em favor de candidatos presidenciais mais conservadores. E mais perturbadoramente, em um estudo com estudantes americanos, os cientistas descobriram que o aumentar a percepção de mortalidade aumentou o apoio a intervenções militares extremas pelas forças americanas, intervenções essas que poderiam matar milhares de civis no exterior. Curiosamente, o efeito estava presente apenas em conservadores, o que pode ser atribuído à sua resposta ao medo.

Ao enfatizar constantemente a ameaça existencial, Trump cria uma condição psicológica que faz com que o cérebro responda positivamente, em vez de negativamente, às declarações preconceituosas e à retórica divisiva. Liberais e Independentes que ficaram intrigados com o motivo pelo qual Trump não perdeu adeptos depois que comentários altamente ofensivos, não precisam ir além da Teoria do Gerenciamento do Terrorismo.

7- O EFEITO DUNNING-KRUGER: NÓS HUMANOS FREQUENTEMENTE SUPERESTIMAMOS NOSSO CONHECIMENTO

Alguns apoiam Donald Trump por pura ignorância, sendo basicamente sub-informados ou mal informados sobre os problemas em questão. Quando Trump diz que o crime está disparando nos Estados Unidos, ou que a economia está pior do que nunca, eles simplesmente acreditam.

O efeito Dunning-Kruger explica que o problema não é apenas que estão mal informados, o problema é que tais sujeitos estão completamente inconscientes de que estão mal informados, o que cria um duplo problema. Estudos a granel têm mostrado que pessoas que não têm experiência em alguma área do conhecimento, muitas vezes têm um viés cognitivo que os impede de perceber que lhes falta essa mesma experiência.

São aqueles que não podem ser alcançados ou modificados por qualquer argumento lógico, estatística, raciocínio, posto que se julgam conhecedores de assuntos sobre o qual não tem qualquer conhecimento, mas têm a certeza de tê-lo, soldando cada vez mais sua própria ignorância. (Nota da tradutora aqui: o efeito Dunning-Kruguer é o que fez voltar doenças quase esquecidas no mundo ocidental, tais como sarampo, pelo movimento anti-vacinação, que reza que a vacina tríplice causa autismo, e que, embora a ciência já tenha mais que demonstrado que autismo nada tem a ver com vacinas, que o médico que inventou essa historia estava sendo pago por advogados que entraram com ações contra as indústrias farmacêuticas produtoras de vacinas, que ele mesmo estava cobrando fortunas com testes horriveis em crianças, nada disso impediu o espalhar da desinformação, que continua firme e forte)

8- DEPRIVAÇÃO RELATIVA : UM AMBÍGUO SENTIDO DE DIREITO

Deprivação relativa refere-se à experiência de ser privado de algo do qual se acredita ter direito. É o descontentamento que se sente quando um indivíduo compara sua posição na vida a outros que considera iguais ou inferiores, mas que “injustamente” tiveram mais sucesso do que o indivíduo em questão.

Explicações comuns para a popularidade de Trump entre eleitores não-intolerantes envolvem economia. Não há dúvida de que alguns partidários de Trump estão simplesmente furiosos porque os empregos americanos estão sendo perdidos para o México e a China, o que certamente é compreensível, embora esses legalistas frequentemente ignorem o fato de que algumas dessas carreiras estão sendo perdidas devido ao ritmo acelerado da automação.

Esses partidários de Trump estão experimentando deprivação relativa, e são comuns entre os estados oscilantes como Ohio, Michigan e Pensilvânia. Esse tipo de deprivação é especificamente referido como “relativo”, em oposição a “absoluto”, porque o sentimento é frequentemente baseado em uma percepção distorcida daquilo ao qual a pessoa tem direito.

9- FALTA DE EXPOSIÇÃO AO QUE É DIFERENTE .

O contato entre grupos refere-se ao contato com membros de grupos diferentes do que aquele que a pessoa sempre viveu, coisa que foi demostrada experimentalmente que reduz o preconceito. Como tal, é importante notar que há evidências crescentes de que os brancos apoiadores de Trump tiveram um contato significativamente menor com as minorias do que os demais americanos. Por exemplo, um estudo de 2016 descobriu que “... o isolamento racial e étnico dos brancos no nível de código postal, é um dos mais fortes indicadores de apoio a Trump”. Essa correlação persistiu mesmo dentre dezenas de outras variáveis. De acordo com essa descoberta, os mesmos pesquisadores descobriram que o apoio a Trump aumentou com a distância física dos eleitores da fronteira mexicana. Estes preconceitos raciais podem ser mais implícitos do que explícitos, o último é abordado no # 14.

10- AS TEORIAS CONSPIRATORIAS DE TRUMP E SEUS ALIADOS VISAM OS MENTALMENTE VULNERÁVEIS

Enquanto a multidão das teorias de conspiração, que apoiam Donald Trump e seus aliados malucos como Alex Jones e o sombrio QAnon pode parecer apenas uma peculiaridade da sociedade moderna, a verdade é que muitos deles sofrem de doenças psicológicas que envolvem paranoia e delírios , como a esquizofrenia, ou pelo menos são vulneráveis a eles, como aqueles com personalidades esquizotípicas.

A ligação entre esquizotipia e a crença em teorias da conspiração está bem estabelecida, e um estudo recente publicado na revista Psychiatry Research demonstrou que ainda é muito prevalente na população. Os pesquisadores descobriram que aqueles que eram mais propensos a acreditar em teorias de conspiração extravagantes, como a idéia de que o governo dos EUA criou a epidemia de AIDS, consistentemente pontuaram alto em medidas de "crenças estranhas e pensamento mágico".

Uma característica do pensamento mágico é a tendência a fazer conexões entre coisas que na verdade não são relacionadas entre si (Nota da tradutora: um dos melhores exemplos de paralogica esquizofrênica é o famoso “Todo cavalo corre. Todo índio corre, portanto.... aqui é para preencher os pontinhos. A conclusão do pensamento paralogico é que ... portanto, todo cavalo é indio”. Na realidade, uma coisa nada tem a ver com a outra).

Donald Trump e seus aliados da mídia visam diretamente essas pessoas. Tudo o que uma pessoa precisa fazer é visitar sites e fóruns de discussão de alt-right para ver as evidências de tal manipulação.( Minha dica é dar uma olhada no Breibrat do Steve Bannon. Sensacional).

11- TRUMP SE ESBALDA NO NARCISISMO COLETIVO

O narcisismo coletivo é uma crença irrealista e compartilhada a respeito da grandeza de uma nacionalidade. Ocorre quando um grupo acredita representar a 'verdadeira identidade' de uma nação, nesse caso, os americanos brancos, e estes se percebem como sendo desfavorecido em comparação com outros grupos que estão se adiantando 'infalivelmente'. O fenômeno está relacionado à deprivação relativa (# 6).

Um estudo publicado no ano passado na revista Social Psychological and Personality Science, descobriu uma ligação direta entre o narcisismo coletivo nacional e o apoio a Donald Trump. Essa correlação foi descoberta por pesquisadores da Universidade de Varsóvia, que pesquisaram mais de 400 americanos com uma série de questionários sobre crenças políticas e sociais. Onde o narcisismo individual causa agressividade em relação a outros indivíduos, o narcisismo coletivo envolve atitudes negativas e agressividade em relação a grupos "externos", que são percebidos como ameaças.

Donald Trump exacerba o narcisismo coletivo com sua retórica antiimigrante, anti-elitista e fortemente nacionalista. Ao se referir a seus apoiadores, um grupo majoritariamente branco, como sendo "verdadeiros patriotas" ou "verdadeiros americanos", ele promove um tipo de populismo que é a epítome da "política de identidade", termo geralmente associado à esquerda política.

As políticas de identidade de esquerda, por mais equivocadas que possam ser, geralmente visam alcançar a igualdade, enquanto a marca de direita é baseada na crença de que uma nacionalidade ou raça é superior ou tem direito a sucesso e riqueza só por isso, sem precisar de nenhuma outra razão. (Um bom exemplo são os supremacistas brancos, que acreditam terem direito ao mundo pelo simples fato de terem nascido com falta de melanina, e as gargalhadas que dei quando ouvi um deles, lá ainda em Mineral Wells, dizer a um índio americano para voltar para sua terra (o gênio achou que o índio era mexicano). Como minha gargalhada não tem sotaque, e sou branca do tipo lavada em cândida, quero crer que isso me salvou de um problema grave, já que o supremacista não entendeu porque alguém de sua raça, ao invés de se aliar, quase caiu sentada no chão de tanto rir, e achou melhor se retirar em sua pick up).

12- O DESEJO DE QUERER DOMINAR OS OUTROS

Orientação de dominância social (SDO), que é distinta, mas relacionada à síndrome de personalidade autoritária (# 13), refere-se a pessoas que têm preferência pela hierarquia societária de grupos, especificamente com uma estrutura na qual os grupos de alto status têm domínio sobre os de baixo status. Aqueles com SDO são tipicamente dominantes, resistentes e movidos por interesse próprio.

Nos discursos de Trump, ele apela para aqueles com SDO fazendo repetidamente uma distinção clara entre grupos que têm um status geralmente mais alto na sociedade (White), e aqueles grupos que são tipicamente considerados como pertencentes a um status mais baixo (imigrantes e minorias). Um estudo de pesquisa de 2016 com 406 adultos americanos publicado no ano passado na revista Personality and Individual Differences, descobriu que aqueles que pontuaram alto tanto em SDO quanto em autoritarismo eram aqueles que pretendiam votar em Trump na eleição.

13- SÍNDROME DA PERSONALIDADE AUTORITÁRIA

O autoritarismo refere-se à defesa ou aplicação da obediência estrita à autoridade, em detrimento da liberdade pessoal, e é comumente associada à falta de preocupação com as opiniões ou necessidades dos outros. É uma condição bem estudada e globalmente prevalente, um estado de espírito caracterizado pela crença na total e completa obediência à autoridade de alguém.

As pessoas com essa síndrome geralmente demonstram agressividade em relação aos membros de grupos diferentes do seu, submissão à autoridade, resistência a novas experiências e uma visão hierárquica e rígida da sociedade. A síndrome geralmente é desencadeada pelo medo, facilitando a liderança daqueles que exageram a ameaça ou o medo.

Embora personalidade autoritária seja encontrada entre liberais, é mais comum entre os direitistas do mundo. Os discursos do presidente Trump, que têm termos absolutistas como "perdedores" e "desastres completos", são naturalmente atraentes para aqueles com a síndrome.

Enquanto a pesquisa mostrou que os eleitores republicanos nos EUA pontuaram mais alto do que os democratas em medidas de autoritarismo antes de Trump emergir na cena política, uma pesquisa de 2016 da Politics descobriu que os que tiveram pontuagem alta em autoritarismo favoreceram o então candidato Trump, o que levou a uma previsão correta de que ele venceria a eleição, apesar das pesquisas dizerem o contrário

14- RACISMO E FANATISMO

Seria grosseiramente injusto e impreciso dizer que cada um dos apoiadores de Trump tem preconceito contra as minorias étnicas e religiosas, mas seria igualmente impreciso dizer que muitos não o tem.

É fato bem conhecido que o Partido Republicano, ao menos desde a "estratégia sulista" de Richard Nixon, usou táticas que apelavam para o fanatismo, como discursos com palavras de código que indicavam preconceito contra as minorias e que foram projetados para serem ouvidos por racistas.

Enquanto os códigos do passado eram mais sutis, a sinalização de Trump, às vezes, é chocantemente direta. Não há como negar que ele rotineiramente apela a partidários racistas e intolerantes quando ele chama muçulmanos de “perigosos” e imigrantes mexicanos de “estupradores” e “assassinos”.

Talvez sem surpresa, um estudo recente mostrou que o apoio para Trump está correlacionado com uma escala padrão do racismo moderno.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O TRAÇO DE PERSONALIDADE QUE ESTÁ DESTRUINDO A AMÉRICA (E O MUNDO)

Traduzi quase ao pé da letra. Já, as montagens de fotos são minhas, e o autor não tem culpa alguma.

“Primeiro, houve a" Me Generation "e depois" Generation Me ". Agora temos evidências empíricas de que vivemos no que se tornará conhecido como" Asshole Age " (Era do Idiota), também conhecido como Era do Twitter ..." Brent Roberts, psicologo da personalidade, no Twitter.

“Nosso movimento é substituir um establishment político falido e corrupto por um novo governo controlado por você, o povo americano. ... O establishment político, que está tentando nos impedir, é o mesmo grupo responsável por nossos acordos comerciais desastrosos, imigração ilegal maciça e políticas econômicas e externas que sangraram nosso país ... A única coisa que pode impedir essa máquina corrupta é você. "- Argumento de Donald Trump para a América

Agora, há muitas divisões no mundo. Mas há uma divisão, profundamente enraizada no núcleo da natureza humana, que ajuda a explicar muitas outras divisões. Estou me referindo a uma fonte de variação da personalidade humana que é construída diretamente em nosso DNA: o antagonismo. Ao realmente ampliar esse traço e compreender como o antagonismo interage com o condicionamento ambiental e com as mensagens recebidas, podemos obter uma compreensão maior de uma das divisões mais proeminentes do mundo atual: o populismo.

A CIÊNCIA DO ANTAGONISMO

A dimensão chamada de antagonismo-afabilidade é uma das cinco principais dimensões da personalidade. Como as outras grandes dimensões da mesma, esse traço é normalmente distribuído na população. Quanto mais duas pessoas diferem nessa dimensão fundamental, mais incompreensível o comportamento da outra pessoa pode parecer, especialmente quando se trata de aderir às normas sociais e ao comportamento altruísta.

A amabilidade (polo oposto do antagonismo), consiste em dois aspectos principais: polidez e compaixão. A educação reflete a tendência de se conformar às normas sociais e de refrear a beligerância e a exploração dos outros, enquanto a compaixão reflete a tendência de se preocupar com os outros, emocionalmente. As pessoas que têm um alto nível de educação estão preocupadas com a justiça, enquanto aquelas que têm uma alta compaixão estão mais preocupadas em ajudar os outros, especialmente aqueles que mais precisam.

No outro extremo, pessoas com baixos níveis de polidez (pessoas antagônicas) tendem a pontuar alto em medidas de agressão, enquanto que aquelas com baixos níveis de compaixão tendem a pontuar mal em medidas de empatia. Embora polidez e compaixão possam ser alteradas, por exemplo, uma pessoa pode ter uma alta compaixão, mas pouca educação, polidez e compaixão estão fortemente correlacionadas na população em geral e ambos os aspectos compõem o domínio pessoal geral da agradabilidade.

Como todas as outras variações de personalidade, as diferenças na dimensão antagonismo-afabilidade, são refletidas no cérebro. Neurologicamente, aqueles que pontuam alto em agradabilidade tendem a mostrar uma ativação maior da rede cerebral do modo padrão, a qual está associada à capacidade de simular estados mentais de outros e à integração de alto nível de diferentes tipos de informação necessária para entender e compartilhar as experiências emocionais dos outros.

A amabilidade também está associada à capacidade de regulação emocional, particularmente à supressão de impulsos agressivos e outras emoções socialmente perturbadoras. Do ponto de vista neuroquímico, a agradabilidade envolve os neurotransmissores testosterona (relacionada ao oposto da polidez e ao antagonismo) e a ocitocina (relacionada à tendência à compaixão e ao vínculo social).
A dimensão antagonismo-afabilidade, tem alto valor preditivo no mundo real e não apenas no laboratório. Pessoas antagônicas são mais propensas a responder agressivamente e retaliar quando tratadas injustamente (real ou imaginado), embora tendam a se importar muito menos com o fato de outras pessoas serem tratadas injustamente. No trabalho, as pessoas antagônicas têm um desempenho melhor do que as pessoas altamente agradáveis, depois de receberem um esporro de seu chefe, pois isso as incita, enquanto pessoas altamente agradáveis tendem a melhorar quando o chefe elogia seu desempenho.

Há também implicações profundas dessa dimensão da personalidade para a política. Políticos que são mais antagônicos obtêm mais atenção da mídia e são mais freqüentemente eleitos do que políticos mais agradáveis. Na população em geral, pessoas antagônicas são mais propensas a desconfiar da política em geral, a acreditar em teorias da conspiração e a apoiar movimentos secessionistas.
O antagonismo não é absolutamente bom ou ruim. Daniel Nettle especulou que, todos os traços de personalidade evoluíram para ter vantagens, e é por isso que existe variação na personalidade. Do ponto de vista evolucionário, a agradabilidade tem os benefícios (atenção aos estados mentais dos outros; relacionamentos interpessoais harmoniosos, parcerias de coalizão valorizadas) e os custos (sujeito a fraude e exploração social; falha em maximizar a vantagem egoísta). No entanto, por causa da existência de uma variação tão ampla nessa característica, líderes altamente antagônicos podem despertar e influenciar grandes faixas de pessoas que têm uma pontuação alta nessa característica, por meio de sua retórica e mensagens.

ANTAGONISMO E RESSONÂNCIA COM O POPULISMO

Tem havido crescente reconhecimento na psicologia, de que os traços de personalidade interagem com as mensagens dos líderes. "Uma habilidade crucial para os políticos é ... falar a 'linguagem da personalidade' ... identificando e transmitindo as características individuais que são mais atraentes num determinado momento para um determinado eleitorado" (Gian Caprara e Philip Zimbardo). Eles descobriram que os eleitores escolhem políticos cujas características combinam com sua própria personalidade.

Em linhas similares, Patti Valkenburg e Jochen Peter introduziram seu "Modelo de Suscetibilidade Diferencial ao Efeitos de Mídia (DSMM)", onde argumentam que a retórica e enquadramento de uma mensagem tem mais impacto cognitivo e emocional nas pessoas que compartilham disposições particulares do que com outras pessoas. Por exemplo, a mensagem de esperança pode ser mais atraente para aqueles que são mais propensos a experimentar afeto positivo e entusiasmo, enquanto a mensagem de mudança pode ser mais atraente entre aqueles dispostos a correr riscos.

Talvez a interação mais importante no mundo hoje, no entanto, seja entre o antagonismo e o populismo. A característica central do populismo é uma mensagem anti-establishment e um foco na importância central do povo. A mensagem anti-establishment retrata a elite política como corrupta e má, e desinteressada nos interesses do "povo puro". De acordo com John Judis e Ruy Teixeira, a divisão essencial entre os populistas é "o povo versus o poderoso"

Em uma recente série de estudos, o professor de comunicação política Bert Bakker e cols., conduziram a maior e mais sistemática investigação sobre a questão: o que acontece quando cidadãos antagônicos recebem uma mensagem anti-establishment? Encontraram evidências incontestes para a noção de que a mensagem anti-establishment dos populistas ressoa mais com pessoas altamente antagônicas. Esta descoberta foi confirmada em sete países em três continentes diferentes. Antagonismo previu apoio a populistas tanto de direita (Trump, UKIP, Partido do Povo Dinamarquês, Parte de Freedon, SVP) quanto de populistas de esquerda (Podemos, Chávez).

Pelo uso de medidas fisiológicas, também foram capazes de estabelecer os processos emocionais mais profundos, subjacentes a esse elo. Empregando uma medida de condutância da pele (que captura a atividade do sistema nervoso simpático), os pesquisadores descobriram um aumento na excitação em resposta a mensagens políticas que eram congruentes com a personalidade da criatura, ou seja, pessoas antagônicas assanhavam-se com mensagens contra o establishment, enquanto para pessoas altamente agradáveis, o assanho era com mensagens pró-establishment.

Isso é importante porque as emoções desempenham papel importante na determinação de como a comunicação política nos afeta. Aqueles que são mais estimulados por uma mensagem em particular, estarão mais propensos a lembrá-la e a buscar a mesma mensagem novamente, a longo prazo. Essas descobertas sugerem que os políticos podem exercer influência substancial sobre os eleitores ao fornecer uma mensagem que ressoa emocionalmente com a personalidade do eleitor.

Eles também analisaram o autoritarismo. O autoritarismo encapsula uma preferência por ordem social, estrutura e obediência. Pesquisas anteriores mostraram que os autoritários expressam menos tolerância para com gente for a de seu grupo, e apoiam partidos populistas com uma ideologia de direita. Coerente com isso, Bakker e seus colegas descobriram que, embora o autoritarismo não tenha previsto uma mensagem anti-establishment, previu o apoio a Trump e UKIP, bem como a qualquer candidato com forte posição antiimigração. Essas descobertas sugerem um segundo caminho para o populismo, através da ideologia particular, associada ao populismo de direita.

IMPLICAÇÕES DO DIVISOR ANTAGONISMO-AGRADABILIDADE

Parece haver algo diferente no ar nos dias de hoje. Dependendo da sua perspectiva (e personalidade), as coisas são mais "sinistras" ou mais "revolucionárias". Mas acho que todos podemos concordar que a paisagem política e o discurso mudaram dramaticamente nos últimos anos. Sempre houve divisões partidárias, mas parece haver proeminência de um tipo diferente de divisão entre as pessoas e os políticos. Como nota o cientista político holandês Cas Mudde, "hoje o discurso populista tornou-se dominante na política das democracias ocidentais".

É importante enfatizar que o populismo é uma ideologia que transcende o liberalismo e o conservadorismo. A pesquisa mostra que, tanto liberais quanto conservadores, são agradáveis, mas são agradáveis de diferentes maneiras: o aspecto polidez da afabilidade está associado a uma perspectiva conservadora e a valores morais mais tradicionais, enquanto o aspecto compaixão da afabilidade está associado ao liberalismo e ao igualitarismo. O conservadorismo e o liberalismo podem se complementar mutuamente, pois a sociedade precisa, por parte de quem está no poder, que se preocupe profundamente com a justiça para todos e com a estabilidade da sociedade, bem como daqueles que estão mais exclusivamente preocupados com o sofrimento dos necessitados.

Também é importante reconhecer que o populismo não é necessariamente perigoso. Uma democracia saudável inclui aqueles que desafiam o governo e são críticos dos que estão no poder. O que é particularmente problemático é quando um líder altamente antagônico usa a retórica que desperta as emoções de outros antagônicos e as mobiliza para apoiar uma ideologia em particular, que é perniciosa. Isso pode levar a uma situação em que uma alta proporção de pessoas no poder são aquelas que não têm empatia, nem a perspectiva e o autocontrole necessários para frear os impulsos agressivos e disruptivos.

É claro que nem todas as pessoas que apóiam o populismo são pessoas antagônicas. Há várias razões pelas quais as pessoas apóiam os populistas. A socióloga Arlie Russell Hochschild fez um tremendo trabalho tentando entender o que muitos eleitores de Trump estavam pensando quando votaram. As razões incluem "vidas dilaceradas por salários estagnados, perda de laços afetivos, um elusivo sonho americano e escolhas políticas e pontos de vista que fazem sentido no contexto de suas vidas".

No entanto, há uma crescente proeminência de pessoas antagônicas nas mídias sociais, YouTube e em meios de comunicação alternativos que acreditam ter respostas melhores do que a "elite" do governo, e são fortalecidas e estimuladas pelas mensagens populistas do Trump, e alcançaram mais influência do que nunca. Ao invés de fatores socioeconômicos serem a explicação mais proeminente para o apelo do populismo (Bakker e seus colegas controlaram o status socioeconômico em seus estudos), uma razão crítica pela qual as pessoas se tornaram mais receptivas ao populismo é que as pessoas se tornam mais instruídas e mais livres expor suas opiniões em público. De fato, o apelo do populismo se deve, em parte, ao aumento do igualitarismo dos anos 1960, uma conseqüência sendo que os cidadãos hoje esperam mais dos políticos e se sentem mais competentes para julgar suas ações.

No geral, isso é bom. No entanto, como Cas Mudde aponta, mais e mais cidadãos pensam que têm uma boa compreensão do que os políticos fazem, e acham que podem fazer melhor, enquanto, ao mesmo tempo, menos pessoas realmente querem fazer melhor pela participando ativa nos várias aspectos da vida política. O teórico político Robert Dahl colocou bem quando escreveu: "Quase meio século de pesquisas fornece evidências esmagadoras de que os cidadãos não valorizam muito a participação na vida política".

Curiosamente, os defensores populistas não querem realmente ser liderados pela "pessoa comum"; ao contrário, eles querem seus próprios valores e desejam ser representados por um "grande" líder. Mudde descobriu que a maioria dos líderes populistas é na verdade "elite de fora"; eles são altamente ligados às elites, mas não fazem parte das elites. Defensores do populismo simplesmente não querem ser governados por uma elite "estrangeira", cujas políticas não satisfazem diretamente seus próprios desejos e preocupações.
É importante ter em mente essa pesquisa, pois parece que o uso da retórica populista a serviço de promulgar políticas mais radicais não desaparecerá tão cedo. Como Mudde observa, devido a uma série de fatores, "o populismo será uma característica mais regular da futura política democrática, surgindo sempre que seções significativas da 'maioria silenciosa' sintam que 'a elite' não as representa mais".

Entender as diferenças de personalidade pode não ser o único fator envolvido na compreensão do apelo do populismo, mas, para o bem do país e do mundo, é importante considerá-lo.

Scott Barry Kaufman é psicologo no Barnard College, Columbia University.

Artigo original CLIQUE AQUI

Getting mad and getting even: Agreeableness and Honesty-Humility as predictors of revenge intentions CLIQUE AQUI

Conspiracist ideation in Britain and Austria: evidence of a monological belief system and associations between individual psychological differences and real-world and fictitious conspiracy theories CLIQUE AQUI

On angry leaders and agreeable followers. How leaders' emotions and followers' personalities shape motivation and team performance CLIQUE AQUI

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