sexta-feira, 12 de abril de 2019

MÍDIAS SOCIAIS ENFURECIDAS ESTÃO DIRIGINDO A EXPLOSÃO DO FASCISMO


MÍDIAS SOCIAIS ENFURECIDAS ESTÃO DIRIGINDO A EXPLOSÃO DO FASCISMO


Traduzi o artigo na íntegra pois fiquei tão assustada, que precisei ler em português umas 3 vezes, para conseguir digerir, e mesmo assim foi mais ou menos como deglutir papelão: vai arranhando tudo. Mas, assim mesmo, amargo e azedo que é, o alerta é mais do que necessário.

“Fui surpreendido há algumas semanas por um vídeo do massacre da mesquita da Nova Zelândia, aparecendo na minha tela,cortesia do Facebook. Realmente não tenho linguagem para descrever sucintamente o que foi aquilo, filmado por um "fascista" auto-descrito, na esperança de levar os espectadores ao seu ponto de vista devastado pelo ódio, imortalizando as imagens de terror nos rostos de suas vítimas. no segundo, em que suas vidas estavam sendo roubadas. O assassino também usou tais imagens como um meme armado, que agora é preservado para sempre como artefato cultural. Fazer isso foi, provavelmente, a força motriz por trás do massacre. Esse meme visual trouxe o terrível campo de batalha de um supremacista branco para minha casa e para as casas de milhões de outras pessoas que, voluntária ou involuntariamente, assistiram a esse horror. Bem-vindo à guerra mundial F.

O ARMAMENTO DAS MÍDIAS SOCIAIS, DE ISRAEL AO IRAQUE

Em 2014, a cidade de Mosul, de 2000 anos de idade, com uma população multicultural de quase 2 milhões de pessoas, defendida por cerca de 30 mil soldados iraquianos treinados e armados pelos americanos, caiu frente a um grupo desordenado de 800 a 1,500 pessoas mal armados (conhecidos como Daesh ou ISIS), lutadores estes que ostentavam uma pequena frota de picapes Toyota Hilux roubados. Mas a guerra estava essencialmente acabada antes deles chegarem: ganha no Twitter, Facebook e YouTube, ajudada por um vídeo de propaganda que se tornou viral, contando uma história fictícia de um exército invencível. Quando os combatentes do ISIS avançaram em Mosul, eles postaram vídeos horripilantes de vilarejos em seu caminho, não muito diferente daquele da Nova Zelândia, mas recheados de decapitações.
Antes de chegar a Mosul, a hashtag #AllEyesOnISIS estava no topo da lista de tendências de língua árabe no Twitter. O que ISIS fez nas mídias sociais foi uma Blitzkrieg virtual ou uma campanha de choque de terror e temor, projetando uma ilusão de força esmagadora. O resultado foi tão eficaz quanto um verdadeiro bombardeio. Soldados iraquianos e civis em Mosul, colados às suas pequenas telas, graças a uma nova rede de torres de celular construída com ajuda dos EUA, entraram no buraco de medo e terror.
Assombrados pelas imagens do ISIS vencendo a batalha antes mesmo de ser travada, quase todos os soldados iraquianos que defendiam Mossul fugiram antes que o primeiro Toyota Hilux chegasse à cidade, deixando para trás a maior parte de suas armas (americanas), incluindo 6 helicópteros Blackhawk e 2.300 Humvees. Então  o ISIS chegou, matou os poucos soldados e policiais restantes, e posou para selfies com seus espólios. As imagens resultantes mostraram-se poderosas à medida que os se espalharam nas mídias sociais, permitindo que o ISIS recrutasse 15.000 combatentes de dezenas de países no ano seguinte à captura de Mosul. A guerra nunca mais seria a mesma.
O ISIS não inventou essa estratégia. Talvez esse crédito vá para o exército israelense, que vinha vasculhando a mídia social desde pelo menos 2008. Em 2012, eles levaram o jogo para nível mais alto, ao vivo, twittando e enviando um vídeo do YouTube de um assassinato por drones contra um líder do Hamas. Ao contrário dos soldados iraquianos em Mosul, no entanto, o Hamas respondeu à campanha de mídia social em espécie. Ambos os lados pediram ajuda de seus fãs da web, gerando uma pandemia de ódio on-line envolvendo milhões de postagens.
Lá pelo final de 2012, as Forças de Defesa de Israel (IDF) estavam realizando uma propaganda global de mídia social, unindo-se às operações em todas as principais plataformas. Hoje, os soldados israelenses modernos completam seu serviço militar obrigatório como parte da Rede Internacional de Mídias Sociais da IDF, vigiando, por exemplo, estudantes universitários americanos que apoiam movimentos pelos direitos dos palestinos, como boicote, desinvestimento e sanções.

FANTOCHES, BOTNETS E TROLLS

Em 2016, propagandistas sofisticados, utilizando algoritmos de inteligência artificial impulsionados por um número aparentemente ilimitado de dados sobre os usuários da internet, revolucionaram as campanhas de operações psicologicas baseadas em mídias sociais. E agora temos novas palavras em nosso vocabulário, tal como “sockpuppet”(fantoche). Esse é um guerreiro humano da Internet que pretende ser todo tipo de coisas que não é, como o sockpuppet operando em St. Petersburg, Rússia, que formou e facilitou o grupo no Twitter, "@Ten_GOP", falso grupo não oficial do Twitter dos republicanos do Tennessee, que espalhou memes de desinformação e histórias incendiárias, incluindo 3.107 de suas próprias mensagens de psych-ops, enquanto identificaram 136.000 seguidores para usar como vetores virais, retweetando as mensagens de St. Petersburg 1.213.505 vezes.
Outra famosa sockpuppet, a fictícia Jenna Abrams, tornou-se uma favorita dos meios de comunicação americanos. Descrita pelo The Guardian como uma estrela do Twitter totalmente defensora da segregação, apoiadora da segregação e amante dos Trump, Jenna parece ser outra criação de São Petersburgo. Como tal, "ela" foi citada pelo The New York Times, The Washington Post, The Huffington Post, EUA Today, BET, The New York Daily News e uma série de outros. Uma vez estabelecida como jovem estrela do Twitter, amável, gentil, espirituosa e confiável, o repertório “dela” tornou-se socialmente tóxico, capacitando milhões de outros racistas nas mídias sociais.
Depois, há os bots, que são versões robóticas dos sockpuppets, e vêm completos com identidades fabricadas, como o angolano AngeeDixson, um defensor norte-americano dos confederados, e que foi exposto pela ProPublica como um bot russo. Alimentado pela inteligência artificial, bots como este se engajaram com sucesso em trolls humanos. Como candidato presidencial, Donald Trump citou esse bots 150 vezes.

QUANDO OS BOTS TWEETAM

Como um bot é apenas um algoritmo que reside num servidor de computador, é mais fácil replicá-lo. Na verdade, eles podem ser encarregados de se replicar. Uma vez estabelecidos como uma rede, ou “botnet”, eles podem quase instantaneamente impulsionar qualquer tweet ou postar em megaivalidade, semeando uma orgia viral aparentemente orgânica de repostagem, o suficiente para enganar os algoritmos dos sites de mídia social para ver as mensagens como tendências naturais, e assim, torná-los realmente em milhões de notícias e feeds sociais. Assim, quando o ProPublica expôs o bot Angee Dixson, um tweet de bots substitutos atacando o ProPublica foi instantaneamente impulsionado pela célula bot de Angee, eventualmente alcançando mais leitores do que a exposição do ProPublica.
Os maiore atores nos campos de batalha da Guerra Mundial F, como Rússia, Israel e China, tendem a dominar nossa discussão nacional com propaganda on-line.
Eles são os elefantes virtuais, gigantes pesadões impossíveis de não serem notados. Os israelenses usaram brilhantes anúncios para recrutar commandos pelas mídias sociais, enquanto os russos, apesar de toda sua sofisticação, se esconderam mal, com um bando de sockpuppets investigando jornalistas investigativos, procurando por seu paradeiro, só que mantendo horários russos. Nós, americanos, certamente não podemos revindicar nenhuma moralidade superior contra os russos, porque, tudo o que eles estão sendo acusados de fazer, nós fizemos primeiro, e com mais sucesso, usando a tecnologia da velha escola nos anos 80, e desde então, nos intrometendo em suas eleições, levando Putin ao poder devido a nosso apoio à epitome da incompetência, o Boris Yeltsin.
As principais potências mundiais têm. Historicamente, se estapeado umas às outras com propaganda, fácil de identificar. Os russos também são suspeitos de usar seu exército de sockpuppets para promover oBrexit, mas um estudo do Oxford Internet Institute afirma que, embora eles tivessem explorado o Twitter e o Facebook durante as eleições de 2016 nos USA, não há evidências de que fez o mesmo com o Brexit. E, enquanto a França quer destruir o popular Movimento Colete Amarelo com acusações de apoio russo nefasto, ainda não há muitas evidências para apoiar essa afirmação. Pesquisadores do Projeto de Pesquisa de Propaganda Computacional da Universidade de Oxford argumentam que, enquanto os governos espiam a política interna de outras nações, os regimes autoritários se concentram principalmente em atingir suas próprias populações, com bots controlando, por exemplo, 45% da atividade do Twitter na Rússia. A reação de Mark Zuckerberg às reclamações sobre a propaganda no Facebook é exigir mais controle do governo pela internet. O lamber botas dos governos, dessa forma e não por coincidência, manteria os mercados globais abertos para o Facebook, ao mesmo tempo em que fortaleceria o poder de propaganda dos governos e impediria quaisquer surtos mais desagradáveis de democracia, como a Primavera Árabe.

TEMA-SE

Embora os regimes autoritários usem campanhas de propaganda nas mídias sociais para atingir suas próprias populações, os pesquisadores de Oxford argumentam que “quase todas as democráticias nesta amostra, organizaram campanhas de mídia social voltadas para públicos estrangeiros”, deixando o foco de suas próprias populações para as campanhas suportadas por partidos politicos.
Olhando em retrospective para nossas preocupações sobre as nossas eleições de 2016 e 2018, enquanto a interferência russa era real e documentada, o seu impacto empalideceu em comparação com as campanhas de propaganda mais eficazes lançadas por Breitbart e Fox. Nosso foco míope nos horriveis socketpuppets da Rússia, nos distraiu dos maiores jogadores em campo. A Guerra Mundial F é global, mas se você realmente quiser temer alguém, tema seus compatriotas americanos.
Batalhas de desinformação de estado para estado não são a maior ameaça na Guerra Mundial F. Os estados, nos Estados Unidos, quase por definição, são inerentemente corruptos. Eles competem por vantagens e estão sempre dispostos a comprometer seus valores declarados ou a comprar-se uns aos outros, porque eles têm muito dinheiro investido na manutenção de um status quo ordenado do comércio e do sistema bancário. No final do dia, eles geralmente não querem explodir o mundo. Em contrapartida, as políticas econômicas Reagan-Bush-Clinton-Bush-Obama-Trump, esvaziaram grande parte dos EUA, deixando as comunidades economicamente desprivilegiadas e povoadas por pessoas enfurecidas, envenenadas pelo desespero e vulneráveis a líderes autoritários e fascistas, habilitados a implantar propaganda de precisão para canalizar essa raiva. Infelizmente, isso é o que a mídia social faz de melhor.
É mais provável que as pessoas compartilhem e reajam visceralmente a coisas que as irritam ou amedrontam, ao contrário de coisas que as inspirem ou dem esperança. Os propagandistas sabem disso. E apesar de condenar seus próprios papéis na disseminação do ódio e do fascismo, os executivos de mídias sociais também entendem que seu modelo de negócios é baseado em cliques, e os inimigos são os mais vorazes clicadores. Executivos de mídia social parecem negligentes em mexer com essa métrica, a menos que sejam forçados. Talvez seja por isso que o Facebook demorou até março de 2019 para banir o nacionalismo branco, 70 anos após o fim dos julgamentos de Nuremberg.

GUERRA FASCITA NA REALIDADE EMPÍRICA

A mídia social agora dá aos idiotas que costumavam viver em isolamento, a fervilhante  capacidade de criar uma comunidade online, como os futuristas prometeram. Nutridos pela comunidade, os odiadores se capacitam mutuamente e fazem do ódio parte do discurso dominante. Os silos de mídia social orientados por algoritmos organizam mundos personalizados onde o ódio se espalha entre pessoas que passam a vida espalhando-o. De islamofóbicos a supremacistas brancos a “incels” (autodescritos misóginos “involuntários celibatários” que acreditam ter direito a sexo com mulheres) ao ISIS, as mídias sociais amplificam as vozes mais feias e estridentes, entregando-as aos quartos de nossos filhos. Esta é a Guerra Mundial F.
Mas, acima de tudo, a Guerra Mundial F é sobre besteira. Mais americanos agora afirmam receber suas notícias no Facebook do que em qualquer outro local. Durante a temporada eleitoral de 2016, sites fraudulentos e publicações fascistas receberam mais leituras no Facebook do que os 19 principais sites de notícias que relataram realidade verificável juntos.
Falsidades são a moeda do fascismo. Para regimes autoritários corruptos, a verdade é o inimigo: a verdade é a arma que, quando exercida, os destroy, e por isso, para os autoritários, em primeiro lugar, a verdade tem que ser destruída. Isso é o centro da Guerra Mundial F.
A Guerra Mundial F é uma guerra à realidade empírica. Desconstruidos por qualquer pretensão à precisão, os memes armados são projetados para excitar e incitar enquanto envenenam democracias com desinformação. A segmentação algorítmica, juntamente com o levantamento e análise de dados, permite que mentirosos segmentem pessoas com propaganda psico-projetada apenas para você. E eles podem direcionar micro-alvos às pessoas mais propensas a acreditar em suas mentiras.
Sem uma realidade compartilhada, não podemos mais nos engajar nas discussões e deliberações fundamentadas que sustentam a democracia. Quando a razão dá lugar à raiva, as pessoas navegam unicamente pela emoção, e muitas começam a falar a linguagem do fascismo.
Esta é a Guerra Mundial F. É uma falsa realidade alimentada pelos 3 Fs: Facebook, Fascismo e Fraude. Entrou em nossas casas, está brilhando em nossas mãos, nos deu Donald Trump, Sean Hannity, Sarah Huckabee Sanders, Jair Bolsonaro, Viktor Orbán e Alex Jones, e isso nos diz que estamos fudidos. Esta é a Guerra Mundial F. Se conquistar a realidade, não temos mais onde lutar.”

ARTIGO ORIGINAL Clique aqui


domingo, 10 de março de 2019

OS 200 VIESES COGNITIVOS QUE GOVERNAM NOSSOS PENSAMENTOS COTIDIANOS




Tradução nem um pouco ao pé da letra, do artigo “200 cognitive biases rule our everyday thinking” CLIQUE AQUI

Os exemplos são meus, e o autor não tem nenhuma responsabilidade no assunto.

"Fora as figuras espirituais míticas e reis bíblicos, nós, humanos não somos tão objetivos assim na forma em como reagimos ao mundo. Por mais que gostemos de ser justos e imparciais sobre como lidamos com as situações, na verdade nós processamos tudo através de uma série complexa de vieses internos antes de decidir como reagir. Mesmo o mais autoconsciente de nós não pode escapar completamente do espectro de preconceitos internos.
Os preconceitos cerebrais podem rapidamente tornar-se uma sala de espelhos. O modo como entendemos e retemos o conhecimento sobre os atalhos cognitivos é que vai determinar seus benefícios. Neste artigo, serão analizadas as diferentes maneiras de entender os vieses cognitivos e diferentes abordagens para aprender com eles.

NÃO HÁ NADA QUE NÃO SEJA UM PRECONCEITO
Preferimos alimentos doces a amargos, terra firme a instável, e estamos imbuídos de suposições culturais que nos ajudam a viver mais pacificamente na sociedade. Notando que preconceitos existem no domínio biológico, Baumann libera a tendência cognitiva da armadilha de ser vistas como um fenômeno inteiramente mental.

VIESES COGNITIVOS NÃO OBSTRUEM UMA VIDA SAUDÁVEL OU POSITIVA
Vieses são atalhos que herdamos das gerações anteriores, e são projetados para nos ajudar a sobreviver. O viés de confirmação, por exemplo, resolve o problema de não ser possivel absorver todas as informações do mundo, toda vez que tomamos uma decisão. Naturalmente, estar fechado para novas informações é igualmente arriscado na sociedade moderna, onde a informação é a moeda de troca em nosso mundo orientado pelo conhecimento.

O VIÉS PREFERIDO DO BAUMANN
O viés de singularidade é o que mais o diverte, porque é um preconceito que cada um de nós necessariamente tem. Todos nos consideramos únicos porque cada pessoa está no centro de sua própria existência. Mas, curiosamente, existem círculos de singularidade. As pessoas com quem temos um relacionamento próximo, são mais exclusivas do que as pessoas que não conhecemos, o que, obviamente, tem algumas limitações óbvias como um ponto de vista confiável.

O QUE FAZER COM OS PRECONCEITOS?
Escute mais e melhor, diz Baumann. Compreender as predisposições que temos deve nos tornar mais abertos a entender os pontos de vista de outras pessoas. Se não sou tão especial, nem tão certa, nem tão perfeita o tempo todo, há uma grande probabilidade que tenha algo valioso para aprender com os outros.
Buster Benson (gerente de marketing do Slack) decidiu organizar 175 preconceitos conhecidos em um códice gigante.
Com a ajuda do ilustrador John Manoogian III, classificou e agrupou os preconceitos em quatro categorias maiores, cada uma chamada de "enigma" ou "problema". Todos os quatro limitam nossa inteligência, mas na verdade tentam ser úteis, pois todo preconceito cognitivo existe por uma razão, principalmente para economizar tempo ou energia em nosso cérebro. Mas, o resultado final da utilização de tais atalhos mentais, que muitas vezes são úteis, é que eles também introduzem erros em nosso pensamento. Ao nos tornarmos conscientes de como nossas mentes tomam decisões, podemos estar conscientes das imprecisões e falácias inerentes e poderemos nos comportar com mais justiça e graça.

Veja como Benson divide mais de 200 vieses cognitivos em quatro problemas que os vieses realmente ajudam a resolver:

O mundo é um conjunto de informações que é enorme demais para que nosso cérebro o manipule a todo momento, assim, se algo já estava em nossas memórias e estamos acostumados a ver essa questão de uma certa maneira, é assim que nosso cérebro provavelmente reage a isso de novo. Os preconceitos que derivam disso são muitos. 
O Preconceito de Atenção, por exemplo, que nos diz para perceber os eventos através de nossos pensamentos recorrentes naquele momento. Isso nos impede de considerar caminhos e possibilidades alternativas.
Os preconceitos que resultam desse tipo de pensamento, incluem os efeitos de contexto, o viés de memória congruente com o humor, ou a falta de empatia, o que nos faz subestimar a influência dos impulsos viscerais em nossas atitudes e ações, e assim, olhamos para o quanto algo mudou mais do que o novo valor deste algo.

E, porque não podemos entender tudo, e sempre estaremos perdendo muita informação essencial, nos utilizamos de estereótipos para o preenchimento rápido de lacunas, quando temos que tomar decisões sobre algo do qual desconhecemos muito. Erros mentais como o erro de atribuição de grupo, erro de atribuição final, estereotipagem, essencialismo, efeito bandwagon (tipo assim um carro de trio elétrico que todo mundo segue) e o efeito placebo surgem dessa abordagem cognitiva.

QUANDO SE PRECISA AGIR RAPIDAMENTE, CONFIAMOS NUM CONJUNTO LIMITADO DE INFORMAÇÕES
Esses problemas cognitivos surgem de ter que tomar decisões sem ter nem tempo nem toda a informação necessária, e daí confiamos em vieses e instintos, em vez de todos os fatos possíveis.Além de tudo, fazemos isso com confiança, convencendo-nos de que o que estamos fazendo é importante. Por causa disso, muitas vezes ficamos muito confiantes, levando a preconceitos como o efeito Dunning-Kruger, quando as pessoas superestimam suas habilidades, assim como o excesso de otimismo e a falácia da poltrona (é quando criticamos algo a respeito do que não temos qualquer experiência, e como médica, recebi minha boa dose dessa falácia, sempre e quando, em alguma festa, aparecia aquela pessoa que tinha que falar mal da prática médica em geral, da Neuropsiquiatria em particular, sem, no geral, ter a menor idéia do que a coisa fosse).
Quando temos que simplesmente ir em frente, também tendemos a favorecer o imediato, isto é, o que está à nossa frente vale muito mais do que algo potencial e distante.

PRECISAMOS LEMBRAR DE ALGUMAS COISAS, MAS É IMPOSSÍVEL E TOTALMENTE INDESEJÁVEL LEMBRAR DE TUDO
Há tanta informação que permeia nossas vidas diárias que somos constantemente obrigados a escolher entre o que lembrar e o que esquecer. Essa sobrecarga resulta na escolha de generalizações e outros vieses que nos ajudam a lidar com o ataque de dados.
Algumas das táticas nas quais confiamos incluem a criação de falsas memórias ou o descarte de especificações em favor de estereótipos e preconceitos. Infelizmente, para alguns, é mais fácil funcionar assim.
Também tendemos a reduzir eventos e listas para pontos comuns, escolhendo um pequeno número de itens para representar o todo. Outra coisa que fazemos é armazenar memórias com base em como as experimentamos. É quando as circunstâncias da experiência afetam o valor que nela colocamos. É também quando temos preconceitos tão grandes quanto o fenomeno da ponta da língua, que é quando sentimos que estamos prestes a lembrar de alguma coisa, mas simplesmente não conseguimos fazê-lo. Desconheço uma só pessoa que nunca tenha passado por isso.
Outro viés moderno e divertido desse tipo é o efeito do Google, também chamado de "amnésia digital". É quando rapidamente esquecemos informações facilmente encontradas on-line usando um mecanismo de pesquisa como o Google. (Ai como padeço disso!)

A ABORDAGEM REDUTIVA
Embora existam cerca de 200 vieses cognitivos que moldam nossa tomada de decisões a cada dia, aqui estão 20 nos quais é importantissimo prestar atenção.


O VIÉS DA ATENÇÃO:
É a tendência da nossa percepção ser afetada por nossos pensamentos recorrentes no momento. Explicam nossa falha em considerar possibilidades alternativas, já que pensamentos específicos guiam a linha de pensamento de uma certa maneira. Por exemplo, os fumantes tendem a ter um viés para cigarros e outras sugestões relacionadas ao fumo, devido aos pensamentos positivos que eles já atribuíram entre fumar e os sinais que foram expostos ao fumar. Também foi associado a sintomas clinicamente relevantes, como ansiedade e depressão.

LACUNA (OU FALTA) DE EMPATIA
É um viés cognitivo no qual subestimamos as influências dos impulsos viscerais em nossas próprias atitudes, preferências e comportamentos.
O aspecto mais importante dessa ideia é que a compreensão humana é "dependente do estado visceral". Por exemplo, quando se está com raiva, é difícil entender como é ser calmo e vice-versa; quando alguém está cegamente apaixonado, é difícil entender como é para alguém não estar (ou imaginar a possibilidade de não estar cegamente apaixonado no futuro). É importante ressaltar que a incapacidade de minimizar a lacuna de empatia pode levar a resultados negativos em ambientes médicos (por exemplo, quando um médico precisa diagnosticar com precisão a dor física de um paciente) e em locais de trabalho (por exemplo, quando um empregador precisa avaliar a necessidade de licença de luto de um empregado)
(Tração visceral: Fatores viscerais são uma série de influências que incluem fome, sede, excitação sexual, desejo por drogas ., dor física e emoções fortes. Esses impulsos têm um efeito desproporcional na tomada de decisões e no comportamento: a mente, quando afetada, tende a ignorar todos os outros objetivos em um esforço para aplacar essas influências. Esses estados podem levar a pessoa a se sentir "fora de controle" e a agir impulsivamente). Um simples exemplo é o fazer supermercado quando estamos com fome. O resultado, no geral, vai ser a compra de vários ítems desnecessários ou que não estavam em nossa lista original.

ANCORAGEM OU FOCALISMO
É um viés cognitive no qual o indivíduo depende demais de uma informação inicial oferecida (considerada a "âncora"), ao tomar decisões. Um exemplo disso é a enxurrada de fake news assaltando o mundo, a depender de nossa tendência política, sem qualquer apreço pelo fato, que poderia ser descoberto com 2 minutos de pesquisa na internet.

ILUSÃO DO DINHEIRO OU DO PREÇO
É a tendência a pensar em termos nominais, em vez de reais. Em outras palavras, o valor nominal do dinheiro é confundido com seu poder de compra (valor real) em um ponto anterior no tempo. A visualização do poder de compra medido pelo valor nominal é falsa, pois as moedas fiduciárias modernas não têm valor intrínseco e o seu valor real depende apenas do nível de preços. Um exemplo disso é o uso de marcas famosas estampadas de roupas a carros, ou qualquer outra coisa.

CONSERVADORISMO
É um viés no processamento de informações humanas, que se refere à tendência de insuficientemente se revisar uma crença quando apresentados a novas evidências. Esse é perigoso, mas facilmente detectavel: sempre e quando pensamos ou dizemos “Sempre foi assim”, ou “Sempre foi desse jeito”.

VIÉS DE DISTINÇÃO
É a tendência de ver duas opções como mais distintas ao avaliá-las simultaneamente do que separadamente. Exemplo: sempre que avaliamos algo que consideramos extremo, tipo extrema direita e extrema esquerda, que avaliadas em conjunto, parecem a mesma coisa. (E eu juro que acho que é. Pronto. Acabei de cometer o exemplo.)

ERRO DE ATRIBUIÇÃO DO GRUPO
Refere-se à tendência das pessoas de acreditar que as características de um membro individual de um grupo refletem o grupo como um todo, ou que o resultado da decisão de um grupo deve refletir as preferências individuais dos membros do grupo, mesmo quando informações externas estão disponíveis, sugerindo o contrário.(Um exemplo é o que está acontecendo aqui quando uma pessoa critica o Trump e é imediatamente classificada pelos seus seguidores como comunista, esquerdista, liberal ou sem Deus, não importando se citada pessoa é membro de carteirinha do Rotary e da Igreja Episcopal. Outro exemplo muito comum, é classificar qualquer pessoa com tendências liberais como esquerdopata. Claro que há os esquerdopatas, tantos quantos direitopatas, isso não quer dizer que Olavo de Carvalho define todos os de direita, nem Stalin define os de esquerda).

ESTEREOTIPO
Na psicologia social, um estereótipo é uma crença excessivamente generalizada sobre uma determinada categoria de pessoas. Os estereótipos são generalizados porque se assume que seja verdadeiro para cada pessoa individual na categoria. Embora tais generalizações possam ser úteis ao tomar decisões rápidas, elas podem estar erradas quando aplicadas a indivíduos específicos. Os estereótipos encorajam o preconceito e podem surgir por várias razões, a mais comum delas é nossa necessidade, muito humana, de pertencer, além de toda a informação que recebemos desde que nascemos, na familia e grupo social onde crescemos e por qualquer mídia. Por exemplo, já notaram que quando alguém comete um crime, se a criatura for negra, isso é sempre sublinhado e ninguém diz a cor caso for branco? Notaram que se o crime for cometido por alguém marronzinho, é terrorismo, sempre? Que temos a tendência a culpar a vítima, em caso de estupro, porque ela não deveria estar naquele lugar, ou usar aquela roupa, ou fazer sei lá o que? Que, se somos católicos, temos a tendência a “não prestar muita atenção” à avalanche de notícias sobre padres pedófilos e desculpar a coisa toda com “isso acontece em todas as religiões”? Esterotipar, estereotipamos todos. A saída é estar cada vez mais consciente dessa falácia.

ESSENCIALISMO
É a crença de que as coisas têm um conjunto de características que as tornam o que são, e que a tarefa da ciência e da filosofia é sua descoberta e expressão. É a doutrina de que a essência é anterior à existência. Por exemplo, a visão de que todas as crianças devem ser ensinadas em linhas tradicionais em conformidade com as idéias e métodos considerados essenciais para a cultura prevalente, ou a visão de que categorias de pessoas, como mulheres e homens, ou heterossexuais e homossexuais, ou membros de grupos étnicos, têm naturezas ou disposições e características intrinsecamente diferentes. Desnecessário se faz repisar o angú que isso provoca em têrmos de vivência social.

EFEITO BANDWAGON (Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu…)
É o fenômeno pelo qual a taxa de aceitação de crenças, idéias, modas e tendências aumenta à medida que eles já foram adotadas por outros. Ou seja, quanto mais pessoas passam a acreditar em algo, outras também "entram na onda", independentemente da evidência subjacente. Exemplos disso são, por exemplo, o incrível aumento dos intolerantes ao gluten, dado que é moda, apesar de todas as evidencias em contrário. Esse exemplo traz como única consequência, as pessoas pagarem mais por produtos que não precisam, mas a moda anti vacinação, que é o mesmo efeito, mata.

EFEITO LÍDER DE TORCIDA OU EFEITO DE ATRAÇÃO EM GRUPO
É o viés cognitive que faz com que se pense que indivíduos são mais atraentes em grupos. Faça o experiment por você mesmo: olhe para um grupo num desfile de escola de samba, e depois olhe para cada pessoa, individualmente.

EFEITO POSITIVO
Em psicologia e ciência cognitiva, o efeito positivo é a capacidade de analisar construtivamente uma situação em que os resultados desejados não são alcançados, mas mesmo assim, obter um feedback positivo que auxilia progressão futura. Mais ou menos assim: quando uma estamos  considerando pessoas de quem gostamos (incluindo nós mesmos), tendemos a fazer atribuições situacionais sobre seus comportamentos negativos e atribuições disposicionais sobre seus comportamentos positivos. O inverso é verdadeiro para quem não gostamos.  Isso acontece pela dissonância que acontece quando gostamos de uma pessoa e a vemos se comportar feio. Exemplo: Se um amigo meu bate em alguém, tenho a tendência a achar que a criatura que apanhou mereceu, e meu amigo só estava se defendendo. Um exemplo gritante acontecido aqui semana passada: Um juiz, condenou o Paul Manaford, criatura que roubou $40 milhões do fisco (tão verdadeiro que teve que devolve-los), criou nem lembro mais quantas companhias fantasmas para trabalhos com países inimigos dos USA, mentiu, falsificou, enfim, a lista é longa, a 4 anos de prisão, dizendo “For a todo o acima, sempre foi um pilar da sociedade”. Mesmo juiz que, há um mês condenou a 15 anos de cadeia um cidadão negro, que foi pego com algumas gramas de maconha medicinal, que havia comprado, de forma legal, em outro estado.

PRECONCEITO
É um sentimento afetivo em relação a uma pessoa ou membro do grupo baseado unicamente na participação do grupo dessa pessoa (comportamento tribal). A palavra é freqüentemente usada para se referir a sentimentos preconcebidos, geralmente desfavoráveis, em relação a pessoas ou pessoas por causa de sua afiliação política, sexo, gênero, crenças, valores, classe social, idade, deficiência, religião, sexualidade, raça / etnia, idioma, nacionalidade, beleza, ocupação, educação, criminalidade, afiliação a equipes desportivas ou outras características pessoais. Isso nem precisa de exemplo."

Concluindo, o fato biologico é que todos nós temos esses viezes. Como tudo o mais na vida, a única maneira de melhora-los é parar com nossas justificativas para com os mesmos, pensar um pouco mais em nossas própias atitudes, e tomar tento. O mundo agradece.





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

COMO E PORQUÊ LER NOS TORNA MAIS INTELIGENTES E EMPÁTICOS

Traduzi (quase) ao pé da letra, já que alguns dos exemplos dados pelo autor desconheço totalmente, e também porque tradução ao pé da letra só em artigos cientificos de revista indexada, porque o resto fica de uma sensaboria incrível. Dados sobre o autor, artigo original e outros artigos interessantes, no final.

“Manchetes de fitness prometem resultados físicos surpreendentes: uma bunda mais firme, um abdômen em tábua, um bíceps protuberante. Notícia sobre nutrição são semelhantes e nem sempre factuais, como por exemplo os tais “superalimentos”, mas enfim, tudo para uma saúde melhor. Estranhamente, um tópico para nos tornar mais saudáveis, inteligentes e empáticos e que geralmente escapa à discussão, embora repetidamente demonstrado, é a leitura.

Ler, claro, requer paciência, diligência e determinação. O checar as manchetes e retwitar sofismas, não vai fazer muita diferença cognitiva. Se algo fizer, é algo perigoso, mais ou menos o equivalente literário ao vício do açúcar. A coleta de informações em menos de 140 caracteres é preguiçosa, enquanto os benefícios da contemplação através da narrativa, oferecem outra história.

Os benefícios são muitos, o que é especialmente importante nessa era dos telefones espertos, era de pura distração, na qual, 1/4 das crianças americanas não aprende a ler. Isso não apenas as coloca em risco, social e intelectualmente, mas as prejudica cognitivamente para a vida toda. Um estudo de 2009 com 72 crianças de 8 a 10 anos, descobriu que a leitura cria uma nova substância branca no cérebro, o que melhora a comunicação em todo o sistema.

A substância branca transporta informações para a substância cinzenta, onde elas são processadas. A leitura não apenas aumenta a substância branca, mas também ajuda a processar as informações de maneira mais eficiente.

Ler em um idioma tem enormes benefícios. Adicione uma língua estrangeira e não apenas as habilidades de comunicação melhoram, pois se pode falar com mais pessoas em círculos mais amplos, mas as regiões do cérebro envolvidas na navegação espacial e no aprendizado de novas informações aumentam de tamanho. Aprender um novo idioma também, no geral, melhora a memória.
(Quanto à melhora na navegação espacial, tenho lá minhas dúvidas, já que continuo alegremente me perdendo, nos mais estapafúrdios lugares, algumas vezes com ajuda do GPS do carro, dado que estou cantando a plenos pulmões e não escuto a vozinha electronica clamando “vire aqui já, sua anta!)

Um dos aspectos mais fascinantes da neurociência é a demonstração de como a linguagem afeta regiões do cérebro que envolvem ações, quando se está lendo. Por exemplo, quando se lê “sabonete” e “lavanda”, as partes do nosso cérebro implicadas no cheiro, são ativadas. Essas regiões permanecem em silêncio quando se lê “cadeira”. Já, se estiver escrito“cadeira de couro”, o córtex sensorial dispara de novo.

Continuando na linha do parágrafo de abertura, vamos discutir o agachamento, em nossa eterna busca por um bumbum mais firme. Imagine a biomecânica necessária para um agachamento. Pronto, seu córtex motor foi ativado. Há muito, atletas imaginam seus movimentos: o saque de Serena Williams; os chutes de Conor McGregor (não faço a mais remota idéia de quem seja, só traduzindo ao pé da letra); as explosões de velocidade de Usain Bolt para alcançar uma melhor proficiência quando realmente se movimentar. Isso porque seus cérebros estão praticando através de técnicas de visualização.

Gluteos duros são uma coisa, enquanto a leitura de um romance é outra, algo assim como uma ótima maneira de praticar o ser um ser humano. Em vez de sprints, torcidas, chutes e socos, que tal algo mais primitivo e muito necessário em qualquer sociedade, como a empatia? 

À medida que mergulhamos nas loucuras do Coelho da Alice ou nos delírios do Don Quixote (mudei o exemplo do autor) não apenas sentimos a dor e a alegria deles. Realmente a experienciamos.

Em um aspecto, os romances vão além da simulação da realidade para dar aos leitores uma experiência que não está disponível na página: a oportunidade de entrar plenamente nos pensamentos e sentimentos das outras pessoas.

Isso tem implicações profundas sobre como interagimos com os outros. Quando nos deparamos com um menino de 13 anos se comportando bestamente, provavelmente não pensamos: “Bom, David Mitchell escreveu sobre tal situação, e então eu deveria me comportar assim ou assado”, mas o fato é que, em tendo integrado algumas das lições sobre jovens meninos tentando entender a vida, vamos poder mostrar uma compreensão mais sutil, e, consequentemente, modularmos nossa reação.  

Talvez, neste momento, estejamos considerando o torrar a paciência, on line, de alguém com opiniões políticas diferentes das nossas, mas vamos nos lembrar que, não importando o quão grosseiro e desumano um sentimento aparece na tela, tem um ser humano de verdade atrás do teclado. 

Isso não é um argumento contra engajamentos em discussões, muito antes pelo contrário, mas, pelo amor de qualquer coisa que se pareça com humanidade, argumente com inteligência.

Porque a leitura, de fato, nos torna mais inteligentes. Pesquisas mostram que a leitura não apenas ajuda na inteligência fluida, mas também na compreensão do texto e na inteligência emocional. Tomamos decisões mais inteligentes sobre nós mesmos e as pessoas ao nosso redor.

Todos esses benefícios exigem leitura, a qual leva à formação de uma filosofia e não à regurgitação de uma agenda, tão prevalente em repostagens e trolls on-line. Reconhecer as intenções de outro ser humano também desempenha fundamental papel na construção de uma ideologia. Os romances são especialmente adequados para essa tarefa.

Um estudo de 2011(The Neural Bases of Social Cognition and Story Comprehension) encontrou sobreposição nas regiões do cérebro usadas para compreender histórias e nas redes relacionadas a interações com os outros. 
Romances consomem tempo e atenção. Enquanto os benefícios valem a pena, a poesia também exibe profundos efeitos neurológicos, e gasta menos tempo. A poesia provoca fortes respostas emocionais nos leitores, como mostra o seguinte estudo “ The emotional power of poetry: Neural circuitry, psychophysiology and compositional principles”( CLIQUE AQUI), no qual foram medidos os batimentos cardiacos, expressões faciais e movimentos da pele e dos pelos nos braços dos participantes, enquanto ouviam poesia. 40% deles acabaram exibindo arrepios visíveis, como se estivessem ouvindo música ou assistindo a um filme.

E o mais interessante: suas respostas neurológicas, pareciam ser exclusivas da poesia: as imagens tiradas durante o estudo mostraram que a escuta dos poemas ativou partes do cérebro dos participantes que não são ativadas quando se ouve música ou se assiste a filmes.

Essas respostas ocorreram principalmente perto da conclusão de uma estrofe e especialmente perto do final do poema. Isso se encaixa bem com nossa necessidade inerente de narrativa: na ausência de uma conclusão, nosso cérebro automaticamente cria uma, o que, é claro, leva a muitos desgostos e sofrimentos quando nossas especulações provam ser falsas. Em vez disso, devemos nos voltar mais para a poesia, pois há algo fundamental na forma poética, que implica, cria e instila o prazer.

Seja um verso de Dante (mudei de novo, já que desconheço Amiri Baraka, mas vou me informar de imediato) ou uma trilogia de Margaret Atwood, a atenção é importante. Pesquisas em Stanford mostraram uma diferença neurológica entre a leitura por prazer e a leitura focada, como se para um teste (“This is your brain on Jane Austen” CLIQUE AQUI)
O sangue flui para diferentes áreas neurais, dependendo de como a leitura é conduzida. Os pesquisadores esperam que isso possa oferecer pistas para o avanço dos métodos de treinamento cognitivo.

Tenho lembranças vívidas do meu relacionamento com a leitura: tentando escrever meu primeiro livro (Scary Monster Stories) aos cinco anos; criando um jornal falso depois do tiro do metrô de Bernard Goetz, quando eu tinha nove anos e minha mãe me repreendeu por “pensar sobre essas coisas”; sentado no porão da minha casa nos subúrbios de Jersey numa manhã de fim de semana, determinado a ler a totalidade de Charlie e a Fábrica de Chocolate, o que fiz.

O ler é como qualquer outra habilidade, há que ser praticada regular e constantemente, e, enquanto nunca tenha terminado o Scary Monster Stories, escrevi nove livros e li milhares ao longo do caminho. Embora seja difícil dizer se a leitura me tornou mais inteligente ou uma melhor pessoa, gosto de imaginar que isso é verdade.

O que sei é que a vida pareceria um pouco menos significativa se não compartilhássemos histórias uns com os outros. Embora existam muitos meios para transmitir narrativas no espaço e no tempo, não achei nada tão agradável quanto abrir um novo livro e me perder em uma história. Algo profundo é sempre descoberto ao longo do caminho.”

Derek Beres, autor do artigo, é um mídia expert e instructor de fitness em LA. Também é diretor de conteúdo para a RChain Cooperative.  

Artigos interessantes:

Carnegie Mellon scientist discover first evidence of brain rewiring in children CLIQUE AQUI

Language learning makes the brain grow, Swedish study suggests CLIQUE AQUI

11 Facts about literacy in America CLIQUE AQUI

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

13 DOENÇAS COMUNS RELACIONADAS AO MAL DE ALZHEIMER

Embora ainda não se saiba muito sobre as causas da doença de Alzheimer, ter as seguintes condições pode aumentar o risco ou piorar os sintomas.

ANEMIA
Esta doença do sangue, muito comum, é definida por uma diminuição dos glóbulos vermelhos, células que transportam oxigênio, e é por isso que um sintoma comum é fadiga persistente. Outros sintomas incluem fraqueza, falta de ar e mãos e pés frios. A condição atinge mais de três milhões de americanos. Alguns estudos descobriram uma conexão entre anemia e um aumento do risco de demência em adultos mais velhos. Uma das causas mais comuns da anemia é uma deficiência de ferro, que pode resultar de uma dieta pobre, mas  também pode ser um efeito colateral de certos medicamentos.
A preocupação é que, ao privar o cérebro de oxigênio, a anemia poderia levar ao tipo de dano observado em pessoas com Alzheimer. Os resultados de um estudo de 11 anos envolvendo mais de 2.500 pessoas com idades entre 70 e 79 anos revelaram que aqueles com anemia tinham um risco 40% maior de desenvolver demência do que pessoas que não tinham anemia.

DEPRESSÃO E ANSIEDADE
Existem muitas evidências de que, para pessoas que estão destinadas a desenvolver a demência de Alzheimer, às vezes, a primeira coisa que aparece é depressão ou ansiedade. No entanto, esses distúrbios de humor podem não ser apenas um sintoma do Mal de Alzheimer, mas também fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Como a depressão e a ansiedade podem elevar os níveis do hormônio do estresse (cortisol), uma teoria é que níveis cronicamente altos de cortisol podem danificar o cérebro.
Curiosamente, os medicamentos antidepressivos estão sendo pesquisados como um tratamento potencial para o Mal de Alzheimer, dado que, certos antidepressivos têm propriedades anti-amilóide.

DIABETES
Diabetes é um fator de risco por várias razões, sendo a mais importante é que a doença leva a respostas inflamatórias anormais em múltiplos órgãos, incluindo o cérebro. Outra razão é que a via de sinalização da insulina também é uma das vias envolvidas na quebra da proteina amilóide. Finalmente, o diabetes contribui para a doença cerebrovascular (condições que aumentam o risco de acidente vascular cerebral), que é um fator significativo para o Mal de Alzheimer.
Quase 21 milhões de americanos têm diabetes, e estima-se que 54 milhões tenham pré-diabetes, mas, a doença pode ser controlada com mudanças na dieta e no estilo de vida, e medicação quando necessário, para diminuir o risco.

SÍNDROME DE DOWN
A genética é semelhante em ambas as condições. A mutação genética que desencadeia a síndrome também faz com que as placas amilóides (uma característica da doença de Alzheimer), se acumulem no cérebro ao longo do tempo.

GENGIVITE E PERIODONTITE
As doenças da gengiva  indicam  acúmulo de bactérias nocivas na boca e são móveis, podendo viajar para o coração e o cérebro e causar inflamação A gengivite é extremamente comum; quase metade de todos os adultos americanos tem alguma forma da mesma. Felizmente, também é fácil de prevenir e tratar: escovar com gusto, usar fio dental e fazer limpezas de dentes e exames a cada seis meses.

PERDA DE AUDIÇÃO
A perda auditiva não parece causar as alterações cerebrais físicas que são características da doença de Alzheimer, mas pode ser responsável por (e acelerar) a demência, o que poderia tornar os sintomas de Alzheimer ainda mais graves. Qualquer deficiência sensorial significativa quase certamente aumentará ou exagerará as conseqüências de qualquer comprometimento cognitivo.
Um estudo de 18 anos da Universidade Johns Hopkins e do Instituto Nacional do Envelhecimento descobriu que, quanto pior a perda auditiva de alguém, maior a probabilidade de desenvolver demência

HERPES E OUTRAS INFECÇÕES
 Infecções podem acelerar o dano causado pelo Alzheimer ao desencadear inflamações crônicas. Embora os especialistas já tenham pensado que as placas amilóides encontradas nos cérebros das pessoas com doença de Alzheimer eram lixo, agora teorizam que a placa pode ser a resposta protetora do corpo à infecção. Quanto mais placas o corpo produzir, por repetidos surtos de herpes, por exemplo, maior o risco de uma pessoa desenvolver o mal de Alzheimer mais tarde na vida.
Aos 50 anos, 90 por cento da população carrega o HHVI, o vírus da herpes que causa dor de garganta. Se você tiver uma afta de vez em quando, não entre em pânico. Mas se você é uma dessas pessoas que tem aftas a cada mês ou com mais frequência, melhor procurar assistência médica para medicamentos antivirais ou outras terapias. Eventualmente, os cientistas esperam desenvolver vacinas e medicamentos para combater esses vírus e infecções de forma mais eficaz

PRESSÃO ALTA
Qualquer coisa relacionada ao fluxo sangüíneo, incluindo pressão alta (na verdade, qualquer coisa pela qual se procura um cardiologista), pode ser um fator de risco para a doença de Alzheimer. Isso porque as doenças cardiovasculares podem comprometer o suprimento de sangue do cérebro. A pressão alta pode danificar os pequenos vasos sangüíneos que fornecem oxigênio às células cerebrais. Novas pesquisas também indicam que pessoas mais velhas, cuja pressão arterial é mais alta em média do que as de seus pares, têm maior probabilidade de desenvolver emaranhados e placas em seus cérebros, ambos marcadores da doença de Alzheimer.
Meça sua pressão arterial regularmente: o seu médico pode recomendar alterações no estilo de vida e medicamentos para ajudar a reduzi-la

HIPOTIROIDISMO
Ter uma tiróide hipoativa (mulheres mais velhas têm o maior risco), pode não causar a doença de Alzheimer, mas pode levar a problemas de memória que podem acelerar os sintomas da demência. Os sintomas mais comuns de problemas de tireóide são fadiga, ganho de peso, constipação e sensibilidade ao frio. O tratamento funciona, por isso não hesite em consultar o seu médico sobre quaisquer sintomas preocupantes.

OBESIDADE
Quase dois terços dos adultos americanos estão acima do peso ou obesos, e o excesso de peso é um fator de risco para diabetes, pressão alta e outros problemas cardiovasculares, que aumentam o risco de doença de Alzheimer e problemas cognitivos.
Aumentar a atividade física e perder uma quantidade relativamente pequena de peso pode ajudar a reduzir os fatores de risco

PRÉ ECLAMPSIA
A pré-eclâmpsia é uma forma de pressão sanguínea perigosamente alta que ocorre em cerca de 5% das gestações. Embora as mulheres que desenvolvem pré-eclâmpsia geralmente a experimentem por apenas um curto período de sua vida, alguns estudos sugerem que ela pode aumentar o risco de demência vascular décadas mais tarde. Tal como acontece com outros tipos de pressão arterial elevada e doenças cardiovasculares, a pré-eclâmpsia compromete o fornecimento de sangue e oxigénio ao cérebro.

APNÉIA DO SONO
A incidência exata de apneia obstrutiva do sono (AOS) é desconhecida porque muitas vezes não é diagnosticada, mas as estimativas são de que pelo menos 25 milhões de americanos a tenham. Os homens são mais propensos do que as mulheres, e é  muito pior do que o ronco estrondoso. Os doentes podem deixar de respirar várias vezes durante a noite, interrompendo o fluxo de oxigénio para o cérebro e outros órgãos.
Um estudo descobriu que pessoas mais velhas com apneia do sono tinham níveis muito mais altos de amiloide beta, a proteína envolvida no acúmulo de placas cerebrais. Outro estudo descobriu que pessoas com respiração irregular durante o sono mostraram sinais de desenvolver Alzheimer em uma idade mais precoce. Os pesquisadores acreditam que o tratamento dos problemas do sono pode ajudar a prevenir ou retardar a progressão da doença de Alzheimer.

DEFICIÊNCIAS VITAMINICAS
Uma deficiência de vitamina B12 pode causar problemas cognitivos. A deficiência de B12 é incomum, mas pode acontecer com o uso crônico de drogas que ajudam a reduzir o ácido gástrico. Uma deficiência de vitamina D também pode aumentar o risco de desenvolver Alzheimer ou demência mais tarde na vida. Converse com seu médico sobre sua dieta, suas prescrições e seu risco de deficiência; exames de sangue podem detectar problemas.

domingo, 13 de janeiro de 2019

DE COMO O “MULTITASKING” ESTÁ DESTRUINDO SEU CÉREBRO E SUA CRIATIVIDADE

Embora o têrmo “multitasking” (fazer um monte de coisas ao mesmo tempo), tenha sido inventado para computadores, lá pelo ano de 1966, tornou-se a “coisa certa a fazer”, para os que queriam parecer importantes e ocupados, nos anos 80, que também cunharam o têrmo “yuppie” ( pessoa jovem, com emprego bem remunerado e estilo de vida elegante. Lembro que as pessoas não faziam coisas, elas “aconteciam”). Também foi o estouro do consumo de cocaina.

Pois na época eu era jovem, em início de carreira, o que impedia assaz o tal estilo de vida elegante e o acontecer, além de morrer de medo da cocaina, pensando cá com meus botões que, em conhecendo os efeitos da mesma, de euforia e sensação de superioridade que a coisa dá, vai que eu gostasse não é? Mas o multitasking me parecia fenomenal, e eu invejava enormemente esses seres superiores que passavam pela vida fazendo mil coisas ao mesmo tempo, enquanto eu, lerda, nem fazer faxina e cantar ao mesmo tempo, já que consegui quebrar um dedo do pé na tentativa.

Lá pelos anos 90, mais escolada em neurologia, finalmente entendi a falácia da coisa, mas aí, o conceito já estava enraizado, principalmente no grupo de recursos humanos, que eram os que determinavam empregos e colocações.

Ao chegar aqui, e ter que procurar emprego, deparei-me com uma coisa nova, chamada “resumè”. Ora, o que sempre fiz foi Curriculum, coisa mais simples do mundo, de colocar em ordem decrescente suas credencias acadêmicas e de trabalho. Não senhores. Resumè é uma coisa esquisita na qual você explica para o futuro empregador que ele/ empresa não sobreviverão um segundo a mais se não usarem suas fantásticas competências. Pois lá fui eu aprender como fazer um. No processo, aprendi que havia palavras chaves a serem usadas, tipo “jogo em equipe”, disponibilidade de aprendizado”, e a tal capacidade de “multitasking”. Num dos artigos, descobri que deveria “escrever um resumé que chamasse atenção da pessoa do RH em 3 segundos”, já que, ocupadissimos que são, não podem perder mais do que esse tempo com cada resumé que recebessem. Pois me rebelei. Não é responsabilidade minha a falta de atenção deles.
Vai daí que, humildemente, pedi a marido para escrever o meu, a partir do meu CV, já traduzido para a lingua de Sheakspeare avacalhada que se fala por aqui. E devo dizer que o fez com maestria, já que na primeira aplicação, também ganhei o emprego, além de, na primeira entrevista fazer um discurso inflamado sobre a falácia do multitasking e funções cerebrais.

E lá se foram uns 20 anos de mais falácias sobre o assunto, até que finalmente, a verdade aparece. Pois bem, não dá para desfazer os maleficios de pelo menos 30 anos de bobagens, mas pode-se evitar futuras. Então, aqui vai um resumo dos malefícios do tal multitasking.

1-. MULTITASKING PODE LEVAR A DANOS PERMANENTES NO CÉREBRO 
Um estudo da Universidade de Sussex (Reino Unido) comparou a estrutura cerebral 
dos participantes com a quantidade de tempo que eles gastaram em dispositivos de mídia, ou seja, mensagens de texto ou assistindo TV.
Os exames de ressonância magnética dos participantes mostraram que os que mais multitaskeavam tinham menos densidade cerebral no córtex cingulado anterior, região do cérebro responsável pela empatia e controle emocional.
A implicação de suas descobertas é que o multitasking, especialmente envolvendo o uso de dispositivos de mídia, pode alterar permanentemente a estrutura do cérebro após longo período de uso.

2-MULTITASKING REDUZ  EFICIÊNCIA E  DESEMPENHO MENTAL
Earl Miller, neurocientista do MIT e um dos maiores especialistas do mundo em cognição humana, atenção e aprendizado, explica: “quando alternamos entre tarefas, o processo geralmente parece transparente mas, na realidade, requer uma série de pequenas mudanças. Cada pequeno turno leva a um custo cognitivo. Por exemplo, toda vez que você alterna entre responder e-mails e escrever um artigo importante, está drenando recursos cerebrais e energia preciosos.” Seu conselho é evitar a coisa, porque isso arruína a produtividade, causa erros e impede o pensamento criativo, pois nós, humanos  temos uma capacidade muito limitada para o pensamento simultâneo, e só podemos manter na mente um pouco de informação de cada vez.
Para reforçar o ponto de vista de Miller, outro estudo realizado na Universidade da Califórnia, descobriu que leva uma média de 23 minutos e 15 segundos para refocar uma tarefa após uma interrupção. E isso é apenas uma interrupção! Imagine a quantidade de tempo que é desperdiçado por interrupções repetitivas ao longo do dia. Faz as contas.
3.  MULTITASKING REDUZ FOCO E CONCENTRAÇÃO
Segundo o neurocientista Daniel Levitin, “o multitasking cria um ciclo de feedback de dependência de dopamina, recompensando efetivamente o cérebro por perder o foco e por constantemente buscar estímulos externos”, pois as regiões cerebrais que precisamos manter o foco em uma tarefa, são facilmente distraíveis. Cada vez que multitaskeamos, navegando na internet, checando varias mídias sociais, e-mails e assim por diante, treinamos nossos cérebros para perder o foco e nos distrair. Vai daí que, tal qual os efeitos de uma droga, nossos cérebros podem ficar viciados no aumento de dopamina quando trocam de tarefas e perdem o foco. Quando isso acontece, torna-se muito difícil quebrar o ciclo, como tão bem demonstra qualquer dependente de qualquer droga.
4- MULTITASKING PODE EMBURRECER.
Um estudo realizado da Universidade de Londres, descobriu que os participantes que multitaskeavam, tiveram uma queda nos pontos de QI, até o nível médio de uma criança de 8 anos de idade. Pensa nisso da próxima vez que estiver prestes a realizar várias tarefas ao mesmo tempo, pense na estarrecedora possibilidade de não haver muita diferença entre a qualidade do seu trabalho e o de uma criança de 8 anos.
Estudos também mostraram que o multitasking dificulta o aprendizado. Em 2011, os pesquisadores Reynol Junco e Shelia R. Cotton publicaram um estudo sobre os efeitos da multitarefa no desempenho acadêmico, tendo descoberto que, em média, os alunos que usavam o Facebook e respondiam a textos, enquanto estavam na escola, tinham um GPA e notas mais baixas do que aqueles que não o faziam.
Os pesquisadores observaram que “o processamento de informações humanas é insuficiente para atender a múltiplos fluxos de entrada e para executar tarefas simultâneas”. Como o foco e a qualidade da atenção da são necessários para o aprendizado, o multitasking dificulta nossa capacidade de aprender e interpretar informações de maneira eficaz
5- MULTITASKING CRIA ESTRESSE E ANSIEDADE
Vários estudos mostraram que o multitasking aumenta a produção de de cortisol, o assim chamado “hormônio do stress”.
Quando estamos estressados e mentalmente fatigados, a ansiedade aumenta, o que leva ao acúmulo do estresse, formando um ciclo vicioso de estresse e ansiedade constantes.
Mas nem todas as atividades multitarefa são igualmente estressantes. De longe, um dos principais fatores de estresse é a caixa de entrada de e-mail. O excesso de cortisol é produzido quando alternamos entre ler e responder a e-mails. Assim, se você luta com o estresse e a ansiedade, limpe sua caixa de entrada de e-mail o mais rápido possível.
6- MULTITASKING MATA A CRIATIVIDADE
O neurocientista Earl Miller sugere que o multitasking atrapalha criatividade e a inovação. “O pensamento inovador, afinal, vem da concentração ... Quando tentamos multitaskear, não nos concentramos o suficiente para dar de cara em algo original, porque estamos constantemente mudando e retrocedendo. ”
O suco criativo é desperdiçado ao alternar entre as tarefas e, idéias inovadoras, que poderiam ter aparecido, passaram batido por falta de atenção.  
7- MULTITASKING REDUZ A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL 
De acordo com extensa pesquisa conduzida por Travis Bradberry, especialista em inteligência emocional, esta é uma característica comum a 90% das pessoas que tem melhor desempenho em qualquer área, e sugere que o multitasking poderia danificar a parte do cérebro  responsável pela mesma (córtex cingulado anterior). Além disso, os dois principais componentes da inteligência emocional, auto e consciência e consciência social, podem diminuir significativamente devido ao multitasking. (Adendo meu: isso pode explicar o extensivo fenômeno de espalhamento de fake news e aumento dos grupos de extrema direita mundo afora, pois, quando o cortex frontal está funcionando em baixa frequência, não há possibilidade de pensamento crítico e, sem auto consciência ou consciência social, fica extremamente mais fácil o estímulo da amigdala, que é nosso centro do medo. Quando ela é estimulada, o cortex meio que congela. Não à toa, há inúmeros estudos demonstrando a diferença de ativação da amigdala entre conservadores e liberais, mas esta é uma outra história que fica para uma outra vez).
8. MULTITASKING PROVOCA SOBRECARGA E ESGOTAMENTO
Segundo o neurocientista Daniel Levitin, o multitasking sobrecarrega o cérebro e drena energia. “Pedir ao cérebro para desviar a atenção de uma atividade para outra faz com que o córtex pré-frontal e o corpo estriado queimem glicose oxigenada, o mesmo combustível de que precisam para completer tarefas. E o tipo de mudança rápida e contínua que fazemos com o multitasking leva o cérebro a queimar o combustível tão rapidamente que nos sentimos exaustos e desorientados depois de curto período de tempo. Literalmente, esgotamos os nutrientes em nosso cérebro “.
9. MULTITASKING LEVA A DECISÕES IDIOTAS
O multitasking também prejudica as habilidades de tomada de decisão. Ao alternar constantemente entre as tarefas, o precioso "músculo da força de vontade" é esgotado, o que leva à acumulação de “fadiga de decisão”, termo psicológico que se refere à deterioração da qualidade das decisões , depois que se toma uma série de decisões, além de  levar a comportamentos impulsivos e a decisões disparatadas, pois uma das primeiras coisas que perdemos no multitasking,  é o controle dos impulsos. Isso rapidamente se transforma num estado de esgotamento no qual, depois de tomar muitas decisões insignificantes, podemos acabar tomando decisões realmente ruins sobre algo importante. Como resultado, torna-se muito mais difícil adiar a gratificação e exercitar o nível de autocontrole necessário para alcançar nossos objetivos.

PROTEJA-SE
Nosso cérebro não é construído para executar várias tarefas e gerenciar a quantidade de informações que enfrentamos diariamente, e a melhor maneira de protege-lo é praticar o ato de escolher. Concentre-se em uma coisa de cada vez e faça pausas a cada hora e meia, para recuperar sua energia. Trabalhe em um ambiente livre de distrações e mantenha telefones e dispositivos de mídia fora de vista.
O multitasking parece fantástico, mas não vale a pena desperdiçar seu tempo e energia, enquanto vai destruindo seu cérebro.                                                                                                                                           

Emotional Intelligence – EQ  CLIQUE AQUI
Here’s Why You Shouldn’t Multitask, According to an MIT Neuroscientist CLIQUE AQUI
Higher Media Multi-Tasking Activity Is Associated with Smaller Gray-Matter Density in the Anterior Cingulate Cortex CLIQUE AQUI
The Cost of Interrupted Work: More Speed and Stress CLIQUE AQUI
The relationship between multitasking and academic performance CLIQUE AQUI
The organized mind: thinking straight in the age of information overload: Levitin, Daniel J, Dutton, New York, NY, 2014 

 This Stanford Study Reveals Why Some People Are More Likely To Succeed Than Others CLIQUE AQUI