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quinta-feira, 12 de julho de 2018

FOI ESSA NOSSA EVOLUÇÃO?

Caso alguém ache que isso não faz parte das neurociências, que são a razão de ser dessa página, alerto que emoções, atitudes e política são um contínuo de nossos processos mentais. Isto posto, traduzi o artigo na íntegra porque, entre as crianças enjauladas aqui, com 3000 que ninguém sabe onde estão, e o caso do treinador na caverna, vem um gosto tão amargo na boca e a pergunta: “O que fizemos com nossa humanidade?”


TAILÂNDIA: EK, O TREINADOR QUE OS TRATOU COMO FILHOS, ESTÁ A RISCO DE SER PROCESSADO.


Refugiado, órfão e "sem direitos". Foi ele quem levou os meninos para a caverna. E foi o último a sair.

"Vai Adul, é sua vez." Assim que a última de suas crianças saiu, Ek ficou sozinho na caverna, o último da fila a mergulhar, e por uma hora, êle voltou a ser a criança que sempre foi. Como quando tinha 12 anos e de repente perdeu seu pai, mãe e irmão mais novo. Depois de dezoito dias de escuridão, durante uma hora, Ek deixou de ser o corajoso assistente técnico que suportou a equipe dos Wild Boars nos momentos mais difíceis, alimentou-os com a comida que se recusou a usar, motivou-os, transmitindo calma: aos 25 anos, Ek tornou-se órfão novamente. Novamente sem luz, sem equipe, e quem sabe o que esperar do lado de fora.

"Vá Adul, é a sua vez." Ekapol «Ek» Chantawong manteve-se perto do penúltimo dos salvos, Adul, que é apenas onze anos mais novo, joga pela direita e é o jogador com o qual o Ek mais se ligou, na caverna. "Esses caras são meu irmãozinho multiplicado por doze", sempre dizia Ek, mas agora Adul é mais: um órfão birmanês, como ele. Que foi deixado, quando criança, aos sacerdotes de Chiang Rai, quando Ek acabou com sua avó, crescendo a pão e bola. Adul é um dos 100 mil refugiados na Tailândia que não têm direito a nada: nem carteira de identidade,nem passaporte, nem emprego, nem sair da província, ou comprar uma casa, ou se casar, ou votar. Ele é uma daquelas crianças as quais, no país do ópio,para ser algo, só têm futebol. E para se sentir filhos, só têm o treinador, ou nem mesmo isso, só o vice.

O penúltimo e o último se abraçaram, antes de sair da caverna. Ekapol esperou em silêncio que viessem buscá-lo,enfraquecido pelo jejum e esmagado pela culpa. "Louco irresponsável que levou as crianças para lá!" "Herói que os salvou com suas palavras!"

Dentro de Tham Luang, o treinador não ouviu tudo o que foi dito do lado de fora. As dúvidas das autoridades: devem ser processado? Debate dos pais: deve ser perdoado? Ele não esperou para falar e quando os meninos enviaram suas cartinhas, Ek escreveu um pedido de desculpas aos pais: desculpem-me por ter feito as crianças comprarem US $ 28 em lanches, de tê-los feito deixar os chinelos fora e ignorar a proibição na entrada da caverna, para poder fazer com que os meninos do time gravassem nossos nomes na rocha ...

(Quase) tudo foi perdoado. "Se não fosse você", respondeu a mãe de Tee, "como meu filho teria sobrevivido?" Aos seus jogadores de futebol, em 288 horas, Ek ensinou o básico da meditação, aprendida quando criança em Lamphun, nos mosteiros Theravada: contemple sua respiração, olhe para sua mente, digira seu estômago, ignore sua fome ... Serviu: adeus ansiedade, os socorristas ingleses ficaram surpresos ao encontrar, depois de onze dias, meninos tão calmos, gentis, até mesmo sorrindo. Ek é o caso mais grave de todos, no hospital. Algumas coisas estão esperando por êle lá fora. Uma vida como vice. O porco picante da vovó. E a amizade de uma criança que se tornou adulta no escuro, como ele.

ARTIGO ORIGINAL

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