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MUITO DO QUE “SABEMOS”A RESPEITO DE TRATAMENTOS E DAS PRÓPRIAS DEPENDÊNCIAS, ESTÁ ERRADO.

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Drogas são assustadoras. Nos arrepiamos só de ouvir as palavras “cocaina”ou “heroina”, não só pela associação com crime e efeitos colaterais desastrosos, mas também pela noção de que essas substâncias destroem a identidade de quem as usa. Basta uma vez, e pronto, estamos danados, o que parece ser confirmado por experimentos em animais. Quero crer que todos estão cansados de ver a fotodo ratinho auto injetando cocaina ou heroina. É o carro chefe dos slides da NIDA (Instituto Nacional do Abuso de Drogas, aqui nos EUA),e eu mesma já usei à exaustão. Muitos estudos mostraram ratos e macacos, deixando de comer e beber em prol de puxar uma alavanquinha que lhes dá doses das substâncias acima citadas. Com a configuração experimental adequada, alguns ratos vão se auto-administrar a droga até morrerem. À primeira vista,parece que,simplesmente,os ratos de laboratórios perderam o contrôle para as drogas. E a partir disso, montou-se toda a crença, incluindo na comunidade científica, a re...

PORQUE MUDEI DE IDÉIA

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Continuo o que comecei semana passada. Vou fazer uma tradução quase ao pé da letra do que escreveu e disse o Dr. Sanjey Gupta, posto que não consegui colocar legendas no video da CNN…otimista que sou de achar que haveria a possibilidade (aliás, para ser honesta, diria que foi uma mistura de otimismo com grande dose de desconhecimento tecnológico). Mas vamos ao assunto. Em 14 de agosto de 1970, o então secretário assistente da Saúde, aqui nos USA, Dr. Roger O.Egeberg, escreveu uma carta recomendando que a maconha fosse classificada como substância de tabela 1, coisa que não mudou até agora. Minha pesquisa começou com a leitura cuidadosa dessa velha carta, e o que encontrei foi inquietante. O Dr. Egeberg havia escolhido cuidadosamente suas palavras: “Desde que continua existindo considerável vácuo em nosso conhecimento quanto aos efeitos da planta e das drogas ativas nela contidas, é nossa recomendação que a maconha seja mantida como substancia de tabela 1 até que se completem os es...

MACONHA, ESSA MUTANTE

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Sendo típica criatura dos anos 70, lá também experimentei a dita cuja, e não do tipo Bill Clinton, que fumou, mas não tragou. Uma vez. Não gostei dos efeitos, muito menos das consequências. Sensação de cérebro dividido, com uma parte de mim achando tudo muito engraçado, e outra querendo saber que graça tinha naquilo. Acordar no meio da noite, não só parecendo um zumbi de filme antigo de Hollywood, mas também com a famosa “larica”, que é uma fome cretina, o corpo parece um buraco negro engolindo as coisas sem curtir o gosto. Isto posto, saltemos uns 15 anos no tempo, lá para o fim dos anos 80, quando comecei a trabalhar com drogadependentes, e somando experiências no Brasil e alguns outros países, posso dizer que, nesta altura do campeonato, provavelmente vi todos os tipos deles, como também seus tratamentos, e as guerras contra as drogas e as mais diversas opiniões sobre elas. Infelizmente, o campo das drogadependências, principalmente no que se refere a seu tratamento, é terra de ni...

AS ALEGRIAS DA VELHICE (SEM BRINCADEIRA) por Oliver Sacks

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Publicado no NY Times em 6 de Julho de 2013 Por que traduzir esse artigo? Porque é lindo, porque admiro demais o Dr. Sacks, porque me fez pensar e lembrar e cogitar a respeito de sexo de anjos e dos caminhos da vida. Me fez lembrar da primeira vez que ouvi seu nome, lá no começo da década de 80, quando fui convidada pela Johnson para assistir a première do filme “Tempo de Despertar – Awakening”, carregando comigo um estagiário lá de “Belzonte”, menino ótimo, outro que infelizmente sumiu nos caminhos ou descaminhos dessa vida. Esse artigo é do aniversário de 80 anos do já citado doutor. “Noite passada sonhei com mercúrio – enormes e brilhantes bolhas de inquietação, subindo e descendo. Mercúrio é o elemento de numero 80, e o sonho me lembrou que, na quinta, terei 80 anos, euzinho. Elementos e aniversários têm estado interligados desde minha infância, quando aprendi a respeito de números atômicos. Quando fiz onze anos, saí dizendo “Eu sou sódio”(elemento atômico 11), e agora aos ...

MUDANÇAS E NOSSO LADO ESCURO, MUITO, MUITO ESCURO

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Seguindo que estou as manifestações aí no Brasil, passei de espanto (Como? Esqueceram o futebol?) para ufanismo desvairado (Gente, estão fazendo! Maravilha, estão fazendo!). Segui tudo que pude pela BBC e CNN, li interpretações dos mais variados lados, opiniões, piadas, enfim, facebook funcionando a toda. No momento, decidi ajudar como posso, nessa mudança incrível que está ocorrendo, que ainda não entendi direito qual é e o que pretende. Mas, como dizia minha mãe, dando uma de Cassandra (sim aquela que avisou os troianos que o cavalo era uma furada, ninguém acreditou nela, e o resultado todo mundo sabe), estou trazendo 5 experimentos em psicologia social que demonstram de forma muito clara que nós humanos, em grupo, temos uma certa tendência a fazer besteira. Séria, horrenda besteira. Para os que já acharam que estou criticando as manifestações, muito, mas muitíssimo antes pelo contrário. Acredito firmemente que a única maneira de nos fortalecermos, como indivíduos e como grupo, é c...

STRESS, ESSE INCOMPREENDIDO

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Usualmente, quando alguém fala em stress, principalmente mídia falada, escrita, televisada, social e internética, é para falar dos malefícios e horrores da coisa toda. Stress é ruim para sua saúde, para todas as atividades cognitivas, desencadeia de pressão alta a ataque cardíaco, engorda, brocha, enfraquece seu sistema imunitário, dá caspa, acne e prisão de ventre, diarreia e gases, e, se esqueci de algo, sintam-se totalmente à vontade para continuar a lista. Mas, de fato, e seguindo pesquisas recentíssimas, é considerado, depois do riso libertador, a segunda melhor coisa para curar doença mortais. Chocados? Ainda não viram da missa a metade. Estudos recentes têm demonstrado que o velho stress pode levar a aumento do crescimento psicológico e da produtividade. A fim de investigar o impacto do mesmo, os pesquisadores avaliaram um grupo de 380 funcionários de um banco de investimentos de grande porte. As pessoas foram divididas em 3 grupos: um grupo assistiu vídeos a respeito dos ...

O QUE NOS FAZ FELIZES? FREUD ESTAVA CERTO

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E, ao contrário do supracitado, que morreu se perguntando “O que querem as mulheres?”, os pesquisadores de Harvard foram à luta num estudo que durou mais de 70 anos, iniciado em 1938, chamado de Estudo de Grant, e que é o mais longo estudo longitudinal sobre desenvolvimento humano. Nele, foram seguidos 268 estudantes de Harvard (só do sexo masculino), nos quais foi medida uma assombrosa quantidade de características psicológicas, físicas e antropológicas, de tipos de personalidade a QI, de hábitos a respeito de ingestão de álcool a relacionamentos familiares, e até o tamanho dos escrotos dos meninos, numa tentativa de determinar quais são os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento e prosperidade dos seres humanos. George Vaillant, a interessantíssima criatura que dirigiu o estudo por mais de 30 anos, publicou “Triumphs of Experience” (Triunfo da Experiência – tradução minha, posto que não achei tradução do livro para o português), que é a somatória das ideias que o estudo...