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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

CRIATIVIDADE E PENSAMENTO CRIATIVO - INTRODUÇÃO


Como tudo nesse mundo depende e/ou está correlacionado a um momento histórico, a criatividade não ia ser exceção.

Para os antigos filósofos gregos, nem sequer existia, sendo o termo cunhado só na Renascença e ligado ao conceito de imaginação. Antes disso, era vista como uma “manifestação do divino” em humanos.


Thomas Hobbes
foi o primeiro a definir “imaginação” como o elemento de base do conhecimento, e William Duff foi o primeiro a identificar a “imaginação” como uma qualidade do gênio e separou os termos talento (produtivo, mas sem inventar nada novo) de gênio.


Fato é que a criatividade só começou a ser seriamente estudada no final do séc.XIX, e pelos mais errados dos motivos, quando Francis Galton, com seu ponto de vista eugênico, resolveu estudar os aspectos herdados da inteligência, principalmente o da criatividade como um dos aspectos da genialidade.

Aliás, essa nossa característica muito humana, de descobrir coisas fantásticas a partir de motivos totalmente espúrios, não cessa de me espantar, e se alguém duvida do que estou falando, reveja a história das drogas nos USA e a relação com a supremacia branca, e os trabalhos de Menghele em genética. Isso para não falar nas centenas de vidas desaparecidas na corrida ao espaço da extinta URSS.

Pronto, divaguei. Voltando à criatividade, a mesma é hoje definida como: "a invenção ou o ato de originar qualquer coisa nova (um produto, solução, obra de arte, obra literária, brincadeira, piada, etc.) que tem algum tipo de valor”. Lembrem-se que valor, não é preço. Valor, no caso, é algum tipo de significado. Por exemplo, os primeiros borrões de um bebê, que são orgulhosamente pregados na porta das geladeiras mundo afora por avós orgulhosíssimas de seus geniais pimpolhos, tem valor impagável no imaginário afetivo dessas senhoras, categoria na qual me incluo.

A gama de interesse acadêmico em criatividade inclui uma infinidade de definições e abordagens que envolvem várias disciplinas como psicologia, ciência cognitiva, educação, filosofia (particularmente a filosofia da ciência), tecnologia, teologia, sociologia, linguística, estudos de negócios e economia, fazendo correlações entre criatividade e inteligência, criatividade e funções neurológicas e mentais, as relações entre criatividade e personalidade, potenciais para promoção de criatividade através da educação e aplicação de recursos criativos para melhorar a eficácia dos próprios processos de ensino e aprendizagem.

Teorias da criatividade (particularmente a investigação do porquê algumas pessoas são mais criativas que outras) tem-se centrado em uma variedade de aspectos.

Os fatores dominantes são normalmente identificados como "os quatro P´s" no inglês: process, product, person and place (processo, produto, pessoa e lugar), para nós 3 P´s e 1 L (PPPL).

Foco no processo é mostrado em abordagens cognitivas, que procuram descrever os mecanismos de pensamento e as técnicas para o pensamento criativo, sendo Gilford e Wallas seus maiores expoentes.

Foco no produto aparece geralmente em tentativas de medir a criatividade (psicometria) e em ideias criativas, enquadradas como memes de sucesso.

Foco sobre a natureza da pessoa criativa considera hábitos intelectuais, tais como franqueza, níveis de ideação, autonomia, conhecimento, comportamento exploratório e assim por diante.

Foco no lugar considera as circunstâncias em que floresce a criatividade, tais como graus de autonomia, o acesso a recursos e a natureza das relações com o meio ambiente.

Estilos de vida criativos são caracterizados por atitudes e comportamentos usualmente em estridente discordância com a maioria dos viventes naquele momento histórico, bem como enorme flexibilidade no pensamento.

Para clarear o conceito, coloco abaixo alguns exemplos que fazem parte de minha galeria pessoal de heróis, de formas que qualquer um pode concordar ou discordar à vontade. O único fato indiscutível é que, todos eles sem exceção, chacoalharam o pensamento e a estrutura do lugar e época onde viveram e brilharam.


Prometeu: figura mítica (mitologia grega), um dos Titãs, que cria os humanos a partir do barro,e, roubando o fogo do Olimpo, lhes dá vida. Na tradição clássica, torna-se a figura que representa o esforço humano na busca de conhecimento científico, e o risco de consequências inesperadas. Também foi considerado (na era romântica) como a encarnação do gênio solitário, cujos esforços para melhorar a existência humana terminaram em tragédia (Zeus, como castigo, o prendeu no topo de uma montanha, onde um urubu safado comia seu fígado, o qual se refazia depois de comido, numa tortura eterna).


Aspásia de Miletos (460 – 455 AC): Prostituta em Atenas, tornou-se amante de Péricles, conhecido como pai da era de ouro da Grécia, discutiu filosofia com Sócrates e foi perseguida por todos os bem pensantes da época. Quando Péricles morreu, conheceu um pastor de ovelhas, Lysicles, com o qual casou-se, e ensinou-lhe etiqueta e oratória. Agora bem educadinho, o pastor tornou-se um político extremamente proeminente em Atenas. Há piadas a esse respeito com a Hillary Clinton e a Michelle Obama, que dizem que elas estão com o marido no carro, e param para colocar gasolina. Vem o frentista, que, vejam só, foi namorado de adolescência da Hillary ou Michelle (a escolher), ao que o marido (Bill ou Obama) comenta: Veja só onde você estaria se tivesse casado com ele. Quando elas respondem: ele estaria sentado no seu lugar. Brave ragazze!


Leonardo di Ser Piero da Vinci (15 de abril de 1452 - 2 de maio de 1519): pintor, escultor, arquiteto, músico, cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, geólogo, cartógrafo, botânico e escritor. Sua genialidade sintetizou o ideal humanista do renascimento - um homem de "curiosidade insaciável" e "imaginação inventiva febril". Gozador inveterado de si mesmo e do mundo a seu redor - “A função dos músculos é puxar e não empurrar, exceto no caso dos órgãos genitais e da língua.”
Favor notar que essa descrição foi feita quando a Igreja ainda condenava à morte quem dissecasse um corpo humano, e Leo, com a ajuda de um amigo frade, ia futricar o cemitério à noite, e, entre futrica daqui e futrica de lá, descreveu pela primeira vez a anatomia do coração e sistema circulatório, descrição essa validíssima, até os dias de hoje.


Rainha Elizabete I
(7 Setembro 1533 – 24 Março 1603): Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, tinha só 3 anos quando a mãe foi decapitada, e, não bastando, foi declarada filha ilegítima. Apesar de tudo isso, não só se tornou rainha, como fez com que a Inglaterra dominasse os mares, acabando com a famosa Armada Espanhola, com uma manobra totalmente brilhante - pegou os piratas, tornou-os pares do reino, e com eles dividiu o que fosse tomados dos navios espanhóis. Foi adiante e reduziu em muito o número de conselheiros da coroa, trocou o sistema monetário, passou uma lei que fazia com que todos os homens capacitados aprendessem a trabalhar a terra, criou tratados com França e Irlanda para encerrar as hostilidades, e estimulou as artes. Shakespeare, Marlowe, Johnson e Spencer que o digam.

Galileo Galilei (15 Fevereiro 1564 – 8 Janeiro 1642): físico, matemático,
astrônomo e filósofo. É considerado o pai da moderna astronomia observacional, e, além de melhorar o telescópio e provar a teoria de Copérnico, também descreveu as manchas solares, os quatro satélites de Júpiter (que mais tarde foram chamados de Luas Galileanas, em sua honra) e as fases de Vênus. Perdeu os olhos por, como bom italiano, ter sido incapaz de fechar a boca. Quero crer que todos se lembram do “Eppur si muove” (e, no entanto, se move), quando, na última chamada no tribunal da Inquisição, onde já havia renegado todas suas descobertas, viu um pêndulo e não se segurou. Cego, mas nem por isso menos combativo, recrutou sua filha freira para explorar os céus.


Catarina, a Grande: Sophie Fredericke Auguste von Anhalt-Zerbst (2 Maio 1729 – 17 Novembro 1796), casou-se com o grão duque Pedro de Holstein da Russia, criatura meio retardada. Por sua conta e risco, a senhora venceu duas guerras contra o Império Otomano, melhorou a legislação russa, descentralizando o poder, iniciou a colonização do rio Volga, fundou escolas de Medicina e Hospitais, o Instituto Solmony de Educação para mulheres e a Academia de Letras. Iniciou o Instituto para Controle das Doenças e separou a Igreja do Estado. Tá bom ou quer mais? No ínterim, achou tempo pra ter uma saudável porção de amantes.


Charles Robin Darwin (12 Fevereiro 1809 – 19 Abril 1882): naturalista britânico e inventor da Teoria da Evolução, explicitada no famoso livro “A Origem das Espécies”, no qual determina que todas as espécies vivas descendem de um ancestral comum, e que a sobrevivência é determinada pela capacidade de adaptação. O pobre homem jamais disse ou comentou a respeito da sobrevivência do mais forte, como foi e vem sendo acusado por detratores que, obviamente, ouviram o galo cantar, mas não sabem bem onde. Foi completamente confuso em seus estudos, começando com a ideia de se tornar ministro, passando por escola de Medicina, e finalmente indo por conta própria por onde o levou sua curiosidade. No ínterim, foi um hipocondríaco convicto e um trabalhador que hoje seria chamado de workaholic. Uma das coisas que acho divertidíssimas do inglês é a lista que fez a respeito de casar-se ou não, sendo que na coluna “vantagens”, escreveu: “Companhia durante a velhice, bem, pelo menos melhor que um cachorro”.


Sigismund Schlomo Freud
(6 Maio 1856 – 23 Setembro 1939): neurologista austríaco e pai da psicanálise, o velho brigão foi estoico até na decisão do momento de sua morte. Foi um dos primeiros estudiosos da paralisia cerebral, descreveu as propriedades analgésicas da cocaína, mas se atrasou no publicar o artigo, sendo batido por Karl Koller, e, pecado dos pecados, ousou falar em libido e sexo em plena era Vitoriana. Seus livros foram queimados em praça pública pelas hordas nazistas, o que produziu a seguinte observação do mestre: "Olha só o progresso que estamos fazendo! Na Idade Média, eles teriam me queimado. Agora eles se satisfazem em apenas queimar meus livros ".


Marie Curie (7 Novembro 1867 – 4 Julho 1934): nascida Maria Skladowska em Varsóvia, Polônia. Em 1989, ela e marido Pierre, descobrem o Polônio e o Radium. Ela foi a primeira mulher a receber o prêmio Nobel em Física. Introduziu nas escolas um método diferente de ensino, baseado na demonstração de experiências. Após a morte do marido, tornou-se a primeira mulher chefe de laboratório, na Sorbonne, em Paris, e foi em frente pra ganhar o prêmio Nobel em Química, em 1911. Marie tem duas crateras com seu nome, uma na Lua e outra em Marte, assim como o jeepinho lunar da NASA. Foi a primeira mulher a ser enterrada no Panteon de Paris, por méritos próprios. E que méritos, digo eu, humilde admiradora.

Madre Tereza: Agnes Gonxha Bojaxhiu (26 Agosto 1910 - 5 Setembro 1997) nasceu em Skopje, agora capital da Macedônia, e, em 1937, fez os votos de pobreza, castidade, obediência e serviço aos pobres da ordem de Santa Tereza de Lisieux. Começou como diretora de colégio em Kolkota e, em 1950, criou as Missionárias da Caridade. Em 1952, criou a Casa para os Destituídos e, em 1979, ganhou o prêmio Nobel da Paz. Essa mulher é um exemplo fantástico de que, com votos, sem votos ou apesar dos mesmos, o que conta é a personalidade destemida.



Valentina Vladimirovna Nikolayeva Tereshkova
(6 Março 1937, em Maslennikovo, Rússia): em 16 de Junho de 1963, tornou-se a primeira mulher no espaço, orbitando a terra 68 vezes em 71 horas. De 1974 a 1990, serviu como membro do Supremo Soviete. Foi nomeada heroína da União Soviética. Antes disso tudo, trabalhava como trabalhadora na industria têxtil.

Há muitos outros exemplos na minha galeria, como, por exemplo, Steve Jobs, falecido ano passado, mas o propósito aqui é um exercício que aprendi fazendo um curso de Liderança, que não sei bem até hoje porque diabos fiz, provavelmente por dois motivos: um, que essa palavra é repetida feito mantra nesta terra, e dois, como já trabalhava no local, o custo foi praticamente nulo.

Pois nesse curso, tinha esse exercício de criar uma galeria de pessoas que se admirava, explicando porque se admirava, para observar a que tipo de grupo humano queremos pertencer. Foi fácil, porque minha galeria de heróis vem sendo criada e revista há anos, mas gostei da ideia do exercício, e mais ainda, gostei de aprender de que grupo quero fazer parte.

Então, para finalizar a primeira parte, façam a lista de seus heróis e do porque os escolheu. Se não gostar, simples, mude seus heróis. Primeiro passo para desenvolvimento da criatividade.

Lembre-se das Frenéticas: "…você escolheu errado seu super herói…"clique aqui

Ou da frase de Tomas Edson: “Nunca falhei. Encontrei 10.000 maneiras de como a lâmpada não funciona.”

NOTAS

Thomas Hobbes de Malmesbury: foi o filósofo inglês que, em seu livro “Leviatã” de 1651, definiu as bases de nossa filosofia política, a partir do ponto de vista do contrato social. Criatura totalmente ambígua em seus escritos, conseguiu, ao mesmo tempo, defender o absolutismo como única forma de governo, e alinhavar os fundamentos do pensamento liberal.

William Duff (1732 - 1815)foi um ministro presbiteriano escocês, e um dos primeiros escritores a analisar a natureza do gênio como propriedade da psicologia humana. Sua obra “Essay on Original Genius” (Ensaio sobre o Gênio Original), é considerada como referência na área.

Sir Francis Galton (16 Fevereiro 1822 – 17 Janeiro 1911),além de ser primo do Darwin, também foi antropologo, eugenista, explorador, geografo, inventor,metereologista, geneticista e estatistico.Foi o primeiro a aplicar métodos estatísticos para estudar as diferenças humanas e os conceitos de inteligência como parte de funções herdadas.Foi pioneiro em Eugenia, cujo nome ele mesmo cunhou, assim como a frase: “natureza versus criação”.Seu livro "Hereditary Genius -1869”
(Genialidade Herdada), foi a primeira tentativa de estudo científico sobre genialidade.

Joy Paul Guilford
(7 Março 1897 – 26 Novembro 1987) foi o psicólogo americano que desenvolveu os estudos psicométricos da inteligência humana, rejeitando o parâmetro numérico de Charles Spearman, propondo as famosas três dimensões (operação, conteúdo e produto) necessárias para descrição da já citada inteligência.

Graham Wallas
(31 Maio 1858 – 9 Agosto 1932) foi um psicólogo social e educador inglês, cofundador da Escola de Economia de Londres. Acreditava que uma análise sociopsicológica poderia explicar os problemas criados pelo impacto da revolução industrial na sociedade moderna, e que o desenvolvimento e melhora da humanidade dependem das melhorias na educação.

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