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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

6 COISAS A SEREM SABIDAS A RESPEITO DAS MATANÇAS EM MASSA NOS USA

Nota do Editor: Esta é uma história atualizada e que foi publicada pela primeira vez em 2016 após a matança no nightclub Pulse, em Orlando, FL

Nota minha
: Na época, citanda matança foi denominada “a maior já havida nos USA”. Esta, em LV, bateu o recorde de Orlando. O autor do artigo é Frederic Lemieux,professor e Diretor de Prática no Mestrado em Inteligência Aplicada da Universidade de Georgetown.

“Os USA tiveram outra matança em massa , desta vez no Mandalay Bay Resort and Casino na Strip em Las Vegas, Nevada. É alegadamente, o maior tiroteio em massa na história dos EUA.
Como criminologista, revisei pesquisas recentes na esperança de desconsiderar alguns dos equívocos comuns que ouvi nas discussões que surgem sempre que ocorre um desses eventos.

1-MAIS ARMAS NÃO NOS TORNAM MAIS SEGUROS


Um estudo que realizei a respeito de tiroteios em massa, mostrou que esse fenômeno não se limita aos Estados Unidos, pois tais eventos também ocorreram em outras 25 nações ricas entre 1983 e 2013. O que acontece é que,o número de tiroteios em massa nos Estados Unidos ultrapassa em muito o de qualquer outro país incluído no estudo durante o mesmo período de tempo.
Os EUA tiveram 78 tiroteios em massa durante esse período de 30 anos.
O maior número de tiroteios em massa experimentados fora dos Estados Unidos foi na Alemanha, onde ocorreram 7.
Nos outros 24 países industrializados, somando todos eles, foram 41 .
Ou seja, os EUA teve quase que o dobro do número de tiroteios em massa do que os outros 24 países juntos, no mesmo período de 30 anos.
Outro achado significativo é que os tiroteios em massa e o índice de propriedade de armas estão altamente correlacionadas. Quanto maior taxa de propriedade, mais um país é suscetível a enfrentar incidentes de tiro em massa. Essa associação permanece alta mesmo quando o número de incidentes dos Estados Unidos é retirado da análise.
Resultados semelhantes foram encontrados pelo Office de Drogas e Crime das Nações Unidas, que afirma que os países com taxas mais altas de propriedade de armas de fogo,também têm taxas mais altas de homicídios por armas.
Meu estudo também mostra uma forte correlação entre baixas incidencias de tiroteios de massa e total de mortes por taxas de armas de fogo. No entanto, nesta última análise, a relação parece ser principalmente impulsionada pelo número muito alto de mortes por armas de fogo nos Estados Unidos. A relação desaparece quando os Estados Unidos são retirados da análise.

2-OS TIROTEIOS ESTÃO SE TORNANDO MAIS FREQUENTES

Um estudo recente publicado pelo Harvard Injury Control Research Center mostra que a freqüência desse tipo de tiroteiro está aumentando ao longo do tempo. Os pesquisadores mediram o aumento ao calcular o tempo entre a ocorrência dos mesmos. De acordo com a pesquisa, os dias que separaram a ocorrência passaram de,em média,de 200 dias durante o período de 1983 a 2011 a 64 dias desde 2011.
O mais alarmante é o fato de que essa tendência crescente está se movendo na direção oposta à das taxas globais de homicídios intencionais nos EUA, que diminuíram quase 50% desde 1993 e na Europa onde diminuíram 40% entre 2003 e 2013.

3-RESTRIÇÃO NAS VENDAS FUNCIONA

Devido à Segunda Emenda da Constituição, os USA tem leis permissivas de licenciamento de armas, contrastando com a maioria dos países desenvolvidos, que possuem leis restritivas.
De acordo com um trabalho seminal dos criminologistas George Newton e Franklin Zimring, as leis permissivas de licenciamento de armas referem-se a um sistema no qual todos os grupos de pessoas, a não ser os especificamente proibidos, podem comprar uma arma de fogo. Em tal sistema, um indivíduo não precisa justificar a compra de uma arma, mas é a autoridade de licenciamento quem tem o ônus da prova ,para negar a aquisição das mesmas.
Em contrapartida, as leis de licenciamento de armas restritivas referem-se a um sistema em que indivíduos que desejam comprar armas de fogo devem demonstrar a uma autoridade de licenciamento que eles têm motivos válidos para obter uma arma, tal como usá-la em um campo de tiro ou para caçar, e que demonstram "bom caráter."
O tipo de lei de arma aprovada tem impactos importantes. Países com leis de licenciamento de armas mais restritivas mostram menos mortes por armas de fogo e uma menor taxa de propriedade de armas.

4-COMPARAÇÕES HISTÓRICAS PODEM SER FALHAS

A partir de 2008, o FBI começõu a utilizar uma definição mais restrita de tiroteios em massa, limitando-os a incidentes onde um indivíduo, ou em circunstâncias raras, mais de um, “mata quatro ou mais pessoas em um único incidente (não incluindo o atirador), geralmente em um único local".
Em 2013, o FBI mudou sua definição, afastando-se de "tiroteios em massa" para identificar um "atirador ativo" como "um indivíduo ativamente envolvido em matar ou tentar matar pessoas em uma área confinada e povoada". Essa mudança significa que a agência agora inclui incidentes em que morrem menos de quatro pessoas, mas em que vários estão feridos, como no tiroteio de 2014 em Nova Orleans.
Esta alteração na definição afetou diretamente a quantidade de casos incluídos nos estudos e afetou a comparabilidade dos estudos realizados antes e após 2013.
Ainda mais preocupante, alguns pesquisadores de tiroteio em massa, como o criminologista James Alan Fox, incorporaram em seus estudos vários tipos de homicídios múltiplos que não podem ser definidos como tiroteio em massa: por exemplo, familicida (uma forma de violência doméstica) e assassinatos de gangues. No caso do familiaricídio, as vítimas são exclusivamente membros da família e não participantes aleatórios. Os assassinatos de gangues geralmente são crime para lucro ou uma punição para gangues rivais ou um membro da gangue que é um informante. Tais homicídios não pertencem à análise de tiroteios em massa.

5- NEM TODAS AS MATANÇAS EM MASSA SÃO TERRORISMO


Os jornalistas às vezes descrevem esses acontecimentos como uma forma de terrorismo doméstico, conexão essa que pode ser enganosa.
Não há dúvida de que os tiroteios em massa são "aterradores" e "aterrorizam" a comunidade onde acontecem. No entanto, nem todos os atiradores ativos envolvidos têm uma mensagem ou causa política.
Por exemplo, o tiroteio da igreja em Charleston, Carolina do Sul, em junho de 2015, foi um crime de ódio, mas o governo federal não julgou ser um ato terrorista.
A maioria dos atiradores ativos costuma ter problemas de saúde mental, bullying ou são funcionários descontentes. Podem ser motivados por uma variedade de motivações pessoais ou políticos, geralmente não visando enfraquecer a legitimidade do governo. As motivações mais freqüentes são a vingança ou busca do poder.

6- VERIFICAÇÃO DE ANTECEDENTES FUNCIONA

Em países desenvolvidos onde as verificações de antecedentes são mais restritivas, os cidadãos são obrigados a treinar para manipulação de armas, obter uma licença para caça ou fornecer comprovante de adesão a um campo de tiro.
Os indivíduos devem provar que não pertencem a nenhum "grupo proibido", como doentes mentais, criminosos, ou aqueles com alto risco de cometer crimes violentos, como indivíduos com registro policial ou que já ameaçaram a vida de outrém.

A conclusão é: se essas disposições existissem aqui nos USA, a venda de armas teria sido negada à maioria dos atiradores ativos, vidas teriam sido salvas, aos montes, incluindo as das 23 crianças de Sandy Hook.”

Sugiro dar uma olhada no artigo original (CLIQUE AQUI) onde os gráficos valem mais que mil palavras.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

PSICOLOGIA DO ÓDIO. O QUE MOTIVA ESSES SUPREMACISTAS BRANCOS?

Sei que todos estão seguindo as noticias dos horrores que vem acontecendo aqui, mas faz uma diferença enorme estar vivendo no meio deles. Dá nó nas tripas ver, a vivo e a cores, desfile de bandeiras nazistas, com braços erguidos a la Sig Heil, com orgulho, tal qual Alemanha nazista nos anos 30. E dá um medo tão profundo, só o pensar que essa ideologia continua viva, e crescendo. Quando visitei o Museu do Holocausto, fora ter vomitado a alma na saida, fiquei certa e segura que ninguém, nunca, jamais, em tempo algum, reviveria tal visão. Claro, imbecis de plantão sempre existem, como aquele ex president do Irã, cujo nome esqueci, que disse que o Holocausto nunca existiu. Mas sempre foram vozes nem a sério levadas, uma forma de falar besteira para distrair o populacho dos problemas que viviam, coisa aliás sempre usada por algum ditadorzinho de meia pataca, mundo afora. Culpa alguém ou algo lá longe, estimula o espirito nacionalista, e presto! Esquecidos estão os problemas, pelo menos por curto período de tempo. Um exemplo que lembro bem, posto que vivido, foi do trio de generais da Argentina, em 1982, se a memória não me falha, que acharam por bem, para distrair los hermanos da horrenda situação econômica, começaram a declarar que as Malvinas, que se chamavam e continuam se chamando Falklands, eram argentinas. Não contaram com a maluca da Tatcher, que despejou a armada inglesa em cima deles. E não vou aqui descrever o que vi do que sobrou dos pobres soldados argentinos que voltaram das Falklands, em grande parte nem por culpa dos ingleses, mas por equipamento, roupas, tudo inadequado ao clima lá.
Faço essa introdução, só para estimular a memória e melhor entender o artigo que traduzo abaixo.

A visão de supremacistas brancos cantando,xingando e carregando tochas em Charlottesville, na Virgínia, chocou o país durante o fim de semana, reabrindo as feridas de um sofrimento nacional que só se aprofundou, quando uma contra-manifestante morreu e outros 19 foram feridos em um ataque de carro, no sábado. Um supremacista branco, James Alex Fields Jr., foi acusado desse ataque.
A supremacia branca (crença de que os brancos são racialmente superiores) e o neonazismo não são nada novos,mas pesquisas recentes sugerem que as ideologias estão ficando mais estridentes. Um relatório (2016) do Programa sobre Extremismo, da Universidade George Washington, por exemplo, descobriu que as organizações nacionalistas brancas viram o número de seguidores em Twitter crescer em mais de 600% desde 2012. Esses grupos tinham 3.542 seguidores, coletivamente nesta data. Esse número aumentou para 25.406 de lá a 2016.
O que leva a essas odiosas ideologias? Nova pesquisa sugere que as tendências em relação à agressão e traços de personalidade da assim chamada "tríade escura" (maquiavelismo, psicopatia e narcisismo), são mais proeminentes entre os supremacistas que se identificam com o movimento político conhecido como alt-direito do que no público em geral.
(Maquiavelismo :tendência para manipular outras pessoas para benefício próprio).
Mas, em última instância e segundo outras tantas pesquisas, o extremismo racial é a respeito do pertencer. O aspecto comunitário da supremacia branca é tão forte que até uma pessoa que tem uma ascêndencia nem tão branca assim, pode adotar tal ideologia, revela um novo estudo.
"O racismo e as crenças raciais geralmente não são baseados na lógica, pelo menos não no sentido de uma lógica científica objetiva", disse John Cheng, professor de estudos asiáticos e asiático-americanos na Universidade Binghamton, em Nova York. "Como crenças, elas são os produtos da psicologia individual e coletiva. Em outras palavras, as pessoas têm uma maneira de acreditar no que querem acreditar".

O PROCESSO DE RADICALIZAÇÃO
A recente proeminência dos supremacistas brancos como força política parece inextrincavelmente ligada ao surgimento de Donald Trump: nas redes de supremacistas brancos no Twitter, os usuários se concentraram na replica de conteúdo de dois tópicos principais: "genocídio branco" e Donald Trump (relatório da Universidade George Washington). Na sequência dos eventos de Charlottesville, líderes do movimento, como David Duke, elogiaram as declarações de Trump que criticaram a violência nos "dois lados".
"Obrigado Presidente Trump por sua honestidade e coragem para dizer a verdade sobre #Charlottesville e condenar os terroristas esquerdistas em BLM / Antifa", escreveu Duke, o ex-grande mago da Ku Klux Klan, referindo-se a Black Lives Matter e aos anti-manifestantes.
Há queixas políticas que impulsionam o movimento da moderna supremacia branca, disse Sammy Rangel, assistente social e co-fundador do "Vida após o ódio", grupo que busca ajudar as pessoas sair de grupos extremistas. Ao falar com "formadores", ou pessoas que deixaram grupos supremacistas brancos, Rangel e seus colegas ouviram dois motivos pricipais que as pessoas tinham para se juntarem a esses grupos. Disse ele:
“O primeiro motivo é a raiva sobre as políticas de ação afirmativa, que esses grupos consideram opressivas e injustas para com os brancos. O segundo é o ressentimento sobre conceitos como "privilégio branco", o que faz as pessoas se sentirem como se tivessem que sentir vergonha e culpa das ações de seus antepassados. Os argumentos sobre a ação afirmativa e o privilégio branco são debates políticos padrão mas, para aqueles que atravessam a linha para visitar Stormfront (um fórum neonazista na net) ou para os que tweetam memes nazistas, tais queixas são o primeiro passo para a busca de bodes expiatórios. Os políticos atiçam as chamas, demonizando imigrantes ou "tornando a América grandiosa de novo". Isso é o que está vendendo essas idéias como válidas.Você o ouve de alguém muito influente, então deve ser verdade.E há também uma vulnerabilidade pessoal.Esses supremacistas nascentes são como átomos aos quais falta um próton. Está lhes faltando algo, social ou emocionalmente, e é ai que essas organizações preenchem o vazio. Essas pessoas são vulneráveis a receber a mensagem desses projetos ideológicos, essas narrativas. É um ajuste fácil naquela estrutura de necessidade que eles têm. Ao preencher essa necessidade, eles começam a se sentir capacitados. Sua sensação de aventura é ativada. Eles estão se tornando parte de algo maior e mais significativo do que eles mesmos. Esse processo inicia-se com uma fase de preparação, seguida de crescente pressão para agir. Você precisa ser um ativista, mas eles equipararam o ativismo com violência, então, se você não está sendo violento, você realmente não é um ativista.

O PODER DA DIVISÃO RACIAL
A raça é um conceito profundo e poderoso na história americana, e como tal, é um ponto de cristalização fácil para o ódio e a violência. E a desumanização de outras raças parece ser uma atitude importante na diferenciação dos supremacistas brancos.
Patrick Forscher (professor de psicologia da Universidade de Arkansas) e Nour Kteily (professor de gestão e organização,da Northwestern University, em Illinois), pesquisaram membros autoproclamados da alt-right e compararam suas atitudes, crenças, comportamentos e traços de personalidade com pessoas que não se identificaram como tais. O alt-right é um movimento muito vagamente definido, de pessoas que geralmente apoiam o nacionalismo branco, as políticas protecionistas e o populismo de direita. Como não há uma definição de alt-right,eles perguntaram às pessoas se elas pessoalmente se consideravam parte desse grupo. Também pediram que as os entrevistados definissem "alt-right", e desconsideraram os que deram respostas absurdas ou definições copiadas do Google.
Assim, descobriram que em geral, os membros da alt-right são mais propensos a relatarem agressão (tanto cometida pessoalmente quanto via internet) exibem mais traços de personalidade negativos, especialmente psicopatia, característica definida pelo transtorno antisocial e falta de empatia.Também eram mais maquiavelicos, ou estavam dispostos a manipular outros para seu próprio ganho, e mais narcisistas do que os demais. Além disso, eram mais dados a desumanizar grupos minoritários, bem como grupos politicos, como trabalhadores governamentais ou jornalistas.
Obviamente, como a pesquisa foi preliminar não pode representar completamente todo o movimento alt-right. Os entrevistados foram 447 adeptos da alt e 382 não, todos recrutados online. No entanto, os pesquisadores encontraram um intrigante cisma entre os adeptos, que foram assim divididos em 2 grupos: 226 aprovaram um conjunto de atitudes e crenças que os pesquisadores chamaram de "populistas". Estes estavam mais preocupados com a corrupção do governo do que o resto dos alt-righters. O outro grupo de 217, foi mais para o lado "supremacista" e mais extremista em muitos aspectos.
Forscher comenta: "Eles tem mais motivação para expressar preconceito, desumanizam outros grupos em maior medida, tem mais traços da tríade escura e relatam se comportar agressivamente em relação aos outros em maior medida.
Não está claro em que medida essas pessoas representam aqueles que marcharam em Charlottesville, ou se houve enorme transição de populistas para completamente alt-righters, a depender de maior envolvimento no movimento.
Forscher disse que espera que a pesquisa contínua venha a ajudar a descobrir novas formas de modificar a mentalidade de pessoas que se acoplam a tais grupos, pois essas relataram fazer coisas que são ruins, assediam outros, fazem doxxing (é o revelar informações pessoais sobre pessoas on-line), e têm um monte de características que estão associadas com um comportamento agressivo. Acho que precisamos pensar muito seriamente sobre como prevenir coisas como o que vimos em Charlottesville ".

O DESAFIO DE MUDAR ATITUDES
Afastar as pessoas da mentalidade da supremacia branca não é tarefa fácil. Estudo apresentado na reunião anual da American Sociological Association em Montreal (Agosto 2017), mostra o quão difícil pode ser: Mesmo quando os racistas descobrem que não são inteiramente brancos, eles mantêm seu racismo.
A pesquisa centrou-se no site da supremacia branca (Stormfront), que exige que seus usuários sejam inteiramente europeus e sem ascendência judaica. (notar que, um estudo publicado em 2013 revelou que os judeus asquenazes são geneticamente europeus). O site começou em 1996 e inclui fóruns de usuários, tornando-se uma “janela” no espiar a mente de supremacistas brancos declarados.
Aaron Panofsky (sociólogo da Universidade da Califórnia, Instituto de Sociedades e Genética em Los Angeles), estava estudando a participação on-line em assuntos relacionados a ciências, quando recebeu a dica de que os supremacistas brancos da Stormfront publicavam e discutiam resultados de testes de ascendência genética, alguns dos quais mostraram que os usuários não eram tão "brancos" como esperavam. Panofsky e sua equipe escanearam o site para analisar mais de 3.000 postagens individuais que responderam a 153 indivíduos diferentes que tinham postado a respeito de seus testes genéticos.
Cerca 1/3 dessas postagens eram usuários comemorando que seus testes mostraram que eram, de fato, de ascendência européia. Essas postagens, no geral, receberam algumas respostas de felicitações. Outro terço foram pessoas publicando seus resultados sem comentários, o que poderia obter respostas de congratulações ou poderia cair na terceira categoria, dependendo de quais eram os resultados. A terceira categoria consistiu em pessoas que publicaram resultados "decepcionantes", mostrando que tinham ascendência não européia em seus antecedentes genéticos.
Surpreendentemente, para um grupo de pessoas que valorizam a pureza racial, os usuários do Stormfront quase nunca expeliram os “impuros”, muito antes pelo contrário, achando maneiras de rejeitar os testes e não a pessoa que os fez.
"Meu conselho é confiar em sua própria pesquisa de genealogia, sua árvore genealógica e o que seus avós lhe disseram, antes de confiar em um teste de DNA", um usuário tranquilizou um dos desapontados.
Às vezes, os usuários rejeitaram completamente os testes de ascendência genética, chamando-os de “conspiração judia” para que os brancos duvidassem de sua herança genética. Outros usuários promoveram o "teste do espelho". Você vê uma pessoa branca quando se olha no espelho? Ótimo, você é branco.
Em outros casos, os usuários apoiaram o conceito de teste genético como um todo, mas usaram argumentos científicos sofisticados para rejeitar resultados específicos. Por exemplo, eles podem argumentar que um teste mostrou uma pessoa como tendo ascendência nativo americana, não porque eles realmente tiveram essa ascendência, mas porque os nativo americanos utilizados como ponto de referência para o teste tinham pego algum DNA europeu pelo caminho, o que é um real desafio científico para os testes de ascendência genética, mas exagerado para os propósitos da supremacia branca.
Panofsky elabora: “Essas críticas são muito sofisticadas, tem base técnica, só que a interpretação é distorcida. É semelhante à forma como os negadores da evolução criaram um sistema pseudocientífico totalmente paralelo, para reforçar o conceito de design inteligente.O ponto é que os supremacistas brancos não são ignorantes ou idiotas; Eles são capazes de compreender argumentos bastante complexos para suportar sua visão pré existente de mundo. Eles também são capazes de colocar a comunidade e a proximidade de Stormfront à frente de informações genéticas que preferem ignorar. O que a Stormfront está dando a muitas pessoas, é um lugar para conhecer pessoas e fazer amigos. Há muitos conselhos de namoro e de “como lidar com a minha família”. Alguém pode não cumprir os critérios ideológicos, mas com certeza estão cumprindo os critérios da comunidade.
Não houve um único caso em que um usuário viu o erro de seus caminhos, via teste genético”.
Rangel, do “Vida após ódio”, concorda com essa visão, dizendo: “De fato, afastar as pessoas da supremacia branca não começa com argumentar, desafiar ou apresentá-los com fatos inconvenientes sobre sua própria linhagem. O primeiro passo para a reabilitação é um desejo genuíno de entender o que levou essa pessoa à necessidade de acreditar na ideologia.”
Sobre seu trabalho com os que querem sair desses grupos, diz:
"Eu não estou lá para desafiá-los. Estou lá para escutar. Estou lá para compartilhar espaços.Eventualmente, vou desafiar as crenças, mas apenas numa atmosfera de autenticidade e compaixão. A outra coisa importantissima, é recriar um ambiente de suporte social e com significado.
Tenho que ajudá-los a atender suas necessidades, as mesmas necessidades que os levaram ao extremismo.Temos que repor algo no vazio que fica quando algo é retirado".


E aqui termina o artigo e começam minhas observações. Quer me parecer que, no tratamento de extremistas, são usadas as mesmas técnicas psicoterapicas de qualquer tratamento de qualquer distúrbio mental, com ênfase no tratamento de drogadependentes, e aqui aparecem tópicos de extrema importância:
1- Extremismo, de qualquer espécie, é um disturbio mental, e como tal, pode e deve ser tratado.
2- Ao contrário de outros distúrbios mentais, como esquizofrenia ou depressão, extremistas e drogadependentes se unem em grupos que se autoalimentam, tem lógica ou para lógica própria, e qualquer tentativa de interferência é vista como ameaça à sobrevivência de citado grupo.
3- Ódio é intoxicante, tal qual qualquer outra droga que altere a mente.
4- Um dos pontos mais difíceis de qualquer tratamento psicoterapico é quando os sintomas estão diminuindo e ainda não há nada importante o suficiente para entrar no lugar. É o momento da recaida certo e seguro.
5- Para que possa existir a possibilidade de tratamento, é basal que se acredite que o problema é nosso. Enquanto encontramos desculpas, justificativas, explicações, nada é possivel. Ou como bem disse Freud, “Só mudamos quando a dor do mudar se torna menor que a dor do viver”.
E considerando a história do caráter americano de sempre terem tido um inimigo externo contra o qual lutar, não estou nada otimista neste momento em que eles estão tendo que encarar a si mesmos.

ARTIGO ORIGINAL CLIQUE AQUI

How to Talk About Race to Kids: Experts' Advice for Parents CLIQUE AQUI

terça-feira, 8 de agosto de 2017

CÉREBRO FEMININO MUITO MAIS ATIVO QUE O MASCULINO


O que todas nós já tinhamos certeza, foi agora cientificamente demonstrado.

Um estudo com imagens cerebrais permitiu quantificar as diferenças entre os sexos e poderá servir para compreender os riscos de doenças como o Alzheimer.

O cérebro feminino é muito mais ativo que o masculino,demonstrado pela análise dos resultados de 46.034 séries de tomografias por emissão de fóton único (SPECT: técnica de imagem que usa compostos radioativos que emitem raios gama, os quais fornecem dados biopatológicos em 3D, permitindo assim medir o fluxo sanguíneo no cérebro, identificando as regiões com atividade neurologica elevada).
Destarte,os pesquisadores da Clínica Amen, em Newport California, conseguiram identificar citadas diferenças.

Foram mapeadas 128 zonas cerebrais de 119 voluntários sem qualquer psicopatologia e 26.683 pacientes com vários distúrbios neuropsiquiatricos (traumas cerebrais, disturbios do humor, esquizofrenia e outros distúrbios psicóticos), e assim foi descoberto que o cérebro feminino é particularmente ativo no Córtex pré frontal e no Sistema límbico, o que poderia explicar o motivo pelo qual as mulheres tendem a mostrar maior empatia, intuição e autocontrôle ( o cortex pré frontal tem ação fundamental no controle dos impulsos). Em compensação, tem maior tendência a ansiedade, depressão, insônia e distúrbios alimentares, pois o sistema límbico está associado ao comportamento das emoções.

Nos homens, a atividade cerebral é mais elevada nas áreas ligadas à visão e coordenação.

Segundo os autores, o compreender essas diferenças é de fundamental importância, porque os distúrbios cerebrais influem de formas diferentes nos sexos. Assim, se os homens tem maior propensão de ter distúrbios comportamentais como o Déficit de Atenção ou no contrôle dos impulsos, as mulheres tem mais risco de desenvolver Depressão e Alzheimer.

Gender-Based Cerebral Perfusion Differences in 46,034 Functional Neuroimaging Scans
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Women Have More Active Brains Than Men
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sábado, 29 de julho de 2017

SMARTPHONES SEQUESTRAM CAPACIDADES COGNITIVAS

Estar próximo a um smartphone reduz a capacidade cognitiva, mesmo quando o mesmo está desligado, mostra uma nova pesquisa da McCombs School of Business, da Universidade do Texas, em Austin (chefe da pesquisa: Adrian Ward, PhD).

Foram feitos 2 estudos com cerca de 800 estudantes de graduação, os quais se envolveram em uma tarefa cognitiva com seus smartphones colocados perto e à vista, perto e fora da vista, ou em uma sala separada.

Os pesquisadores descobriram que a mera presença de um smartphone afetou adversamente a capacidade cognitiva disponível, mesmo quando os participantes tiveram sucesso em manter a atenção, não estavam usando seu telefone e não relataram pensar no telefone. Estes efeitos cognitivos foram mais fortes em quem relatou maior dependência de smartphones.

Os participantes foram distraídos não porque estavam recebendo notificações em seus smartphones, mas a mera presença do mesmo foi suficiente para reduzir sua capacidade cognitiva.

"A proliferação de smartphones deu início a uma era de conectividade sem precedentes. À medida que os indivíduos se voltam cada vez mais para as telas de smartphones, para gerenciar e aprimorar suas vidas diárias, devemos perguntar como a dependência desses dispositivos afeta a capacidade de pensar e funcionar no mundo fora da tela.”

As pesquisas anteriores se concentraram em como as interações dos consumidores com seus smartphones podem facilitar e interromper o desempenho fora da tela. O presente estudo difere, porque se concentra em "uma situação anteriormente inexplorada (mas comum)" - quando os smartphones não estão em uso, mas meramente presentes.

Os pesquisadores descobriram que as diferenças individuais na dependência de smartphones moderaram as diminuições cognitivas. Os participantes que dependiam mais dos seus smartphones apresentaram um desempenho pior do que aqueles menos dependentes, mas apenas quando mantiveram os telefones em seus bolsos ou bolsas ou em suas mesas.

"Ironicamente, quanto mais os consumidores dependerem de seus smartphones, mais eles parecem sofrer com sua presença, ou, quanto mais eles poderiam se beneficiar com sua ausência. Há uma tendência linear que sugere que, à medida que o smartphone se torna mais visível, a capacidade cognitiva disponível dos participantes diminui. Sua mente consciente não está pensando em seu smartphone, mas esse processo - o processo de se exigir a não pensar sobre algo - usa alguns de seus recursos cognitivos, os quais são limitados. É uma drenagem das funções cerebrais", observam os pesquisadores.

Comentando o estudo para Medscape Medical News, Larry Rosen, PhD, professor emérito de psicologia da Universidade Estadual da Califórnia em Dominguez Hills, chamou o estudo de "muito bem feito e bem executado, mas também um pouco assustador.

"Nosso grupo monitorou alunos estudando, com seu celular ao lado. E a norma, mesmo que seu trabalho seja realmente importante e eles sabem que os estamos observando, é que eles estudam no máximo 10 a 15 minutos, que é sua capacidade máxima de prestar atenção e não se sentir obrigado a verificar seus telefones. As pessoas verificam seus telefones, mesmo que o telefone não vibre ou não recebam notificações, o que é um produto da nossa imersão neste mundo de smartphones. Sabemos que esse comportamento aumenta a ansiedade e também diminui o poder do cérebro, criando dificuldades em processar informações, o que faz sentido quando a informação que você deveria estar entendendo, está sendo distraída pelo dispositivo. Como se pode lembrar ou processar qualquer coisa profundamente se a processamos por apenas alguns minutos? Este estudo também tem importantes implicações clínicas, pois há que estar ciente que qualquer mensagem que se esteja passando a nossos clients, provavelmente não está sendo ouvida claramente porque não permitimos que eles usem seus telefones durante a sessão, então o cérebro está parcialmente distraído. Podemos pedir que eles reflitam sobre isso, mas o que eles realmente vão refletir é que não verificaram seu Snapchat por um tempo. Além disso, os clínicos têm que restringir seu próprio comportamento e não textar no meio de uma sessão. Se necessário, clinico e paciente podem fazer uma pequena pausa para verificar o telefone". afirmou o Dr. Rosen, autor de The Distracted Mind (MIT Press, 2016).

Os pesquisadores sugerem várias táticas para mitigar a distração, observando que, à luz de suas descobertas, colocar o telefone virado para baixo ou para cima ou desligado é puro exercício em futilidade, e que há só uma simples solução: SEPARAÇÃO, particularmente "períodos de separação definidos e protegidos".

Os pesquisadores concluem que seu estudo contribui para a crescente discussão entre consumidores e comerciantes sobre as influências da tecnologia nos consumidores - e os consumidores na tecnologia - em um mundo cada vez mais conectado.

O artigo original foi publicado on line, em 03/04/2016, na revista Journal of the Association for Consumer Research

ARTIGO NO MEDSCAPE CLIQUE AQUI

quinta-feira, 27 de julho de 2017

PARECE QUE FOI DESCOBERTO O QUE CAUSA A ESQUIZOFRENIA

Antes de qualquer coisa, vale lembrar que a esquizofrenia é um transtorno cerebral crônico que afeta aproximadamente 1% da população mundial. Quando está ativa, os sintomas podem incluir delírios, alucinações, problemas de pensamento e concentração e falta de motivação, e embora haja tratamentos, não há cura, e é por isso que o artigo abaixo se torna tão importante.

Nova pesquisa identificou a causa dos problemas de fiação no cérebro, nas pessoas com esquizofrenia. Quando os pesquisadores transplantaram células cerebrais humanas de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia de início infantil em camundongos, as redes de células nervosas do animal não amadureceram adequadamente e os ratos apresentaram os mesmos comportamentos anti-sociais e ansiosos observados em pessoas com a doença.

"Os resultados deste estudo mostram que a disfunção das células gliais pode ser a base da esquizofrenia infantil", afirmou o neurologista Steve Goldman, MD, Ph.D., da U Rochester Medical Center (URMC), co-diretor do Centro de Neuromedicina Translacional e principal autor (no jornal Cell). "A incapacidade dessas células em desempenhar seu trabalho, que é ajudar as células nervosas a construir e manter redes de comunicação saudáveis e eficazes, parece ser um dos principais contribuintes para a doença".

As células da glia são células de apoio do cérebro e desempenham um papel crítico no desenvolvimento e manutenção da complexa rede interconectada de neurônios do mesmo. Há 2 tipos principais: astrócitos e oligodendrócitos. Os astrócitos são as principais células de apoio do cérebro, enquanto os oligodendrócitos são responsáveis pela produção de mielina, o tecido adiposo que, tal qual o isolamento em fios elétricos, envolve os axônios que conectam diferentes células nervosas. A fonte dessas duas células é outro tipo de célula chamado célula progenitora glial (GPC).

Os astrocitos executam diversas funções. Durante o desenvolvimento, colonizam áreas do cérebro e estabelecem domínios a partir dos quais ajudam a direcionar e organizar a rede de conexões entre células nervosas. Os astrocitos individuais também enviam centenas de fibras longas que interagem com as sinapses (junção onde o axônio de um neurônio encontra o dendrito de outro). Os astrocitos ajudam a facilitar a comunicação entre os neurônios nas sinapses, regulando o fluxo de glutamato e potássio, permitindo que os neurônios "disparem" quando se comunicam uns com os outros.

No novo estudo, os pesquisadores usaram células da pele de indivíduos com esquizofrenia de início infantil e as reprogramaram, criando células-tronco pluripotentes induzidas (iPSC) que, como as células estaminais embrionárias, são capazes de dar origem a qualquer tipo de célula do corpo . Empregando um processo desenvolvido pela primeira vez pelo laboratório Goldman, a equipe manipulou os iPSCs para criar GPCs humanos, os quais foram transplantados em cérebro de camundongos recém natos. Essas células começaram a “competir”com a glia nativa dos animais, resultando em ratos com cérebros compostos por neurônios animais e GPCs humanos, oligodendrócitos e astrócitos.

Os pesquisadores observaram que as células gliais humanas derivadas de pacientes esquizofrênicos eram altamente disfuncionais. O desenvolvimento de oligodendrócitos foi adiado e não criaram suficientes células produtoras de mielina, o que significa que a transmissão do sinal entre os neurônios foi prejudicada.

O desenvolvimento de astrócitos foi , similarmente tardio, de modo que não não funcionaram como uma unidade de produção, tornando-se assim ineficazes na orientação da formação de conexões entre os neurônios. Também não amadureceram adequadamente, resultando em células deformadas que não suportavam as funções de sinalização dos neurônios em torno deles.

"Os astrócitos não amadureceram completamente e suas fibras não preencheram seus domínios normais, o que significa que, enquanto eles são reconhecidos por algumas sinapses, não o são por outras", disse Martha Windrem, Ph. D., do Centro de Neuro medicina Translacional da URMC. "Como resultado, as redes neurais nos animais tornaram-se dessincronizadas e descoordenadas".

Os pesquisadores também submeteram os ratos a uma série de testes comportamentais, observando que, os ratos com células gliais humanas dos indivíduos com esquizofrenia, eram mais temerosos, ansiosos, anti-sociais e tinham uma variedade de déficits cognitivos em comparação com ratos transplantados com células gliais humanas de pessoas saudáveis.

Os autores do estudo apontam que a nova pesquisa fornece aos cientistas uma base para explorar novos tratamentos para a doença. Como a esquizofrenia é única, acontecendo só em seres humanos e nenhum outro animal, isso limitou muito a possibilidade de estudar a doença. O novo modelo animal desenvolvido pelos pesquisadores pode ser usado para acelerar o processo de testes de drogas e outras terapias.

O estudo também identifica uma série de falhas de expressão de genes gliais que parecem criar desequilíbrios químicos que perturbam a comunicação entre neurônios. Essas anormalidades podem representar metas para novas terapias.

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sábado, 22 de julho de 2017

NOVE MUDANÇAS NO ESTILO DE VIDA PODEM REDUZIR AS CHANCES DE VIR A TER DEMÊNCIA


Um em cada três casos de demência poderia ser evitado se mais pessoas cuidassem de sua saúde cerebral ao longo da vida, de acordo com um estudo internacional na Lancet.
Se continuarmos no pé em que estamos, em 2050 teremos cerca de 131 milhões de pessoas com demência, globalmente.
Estima-se que existem 47 milhões de pessoas com a condição no momento.

Nove fatores que contribuem para o risco de demência:

Perda auditiva na meia-idade - responsável por 9% do risco
Não completar o ensino secundário - 8%
Fumar - 5%
Não procurar tratamento precoce para depressão - 4%
Inatividade física - 3%
Isolamento social - 2%
Pressão arterial alta - 2%
Obesidade - 1%
Diabetes tipo 2 - 1%

Esses fatores de risco - que são descritos como potencialmente modificáveis - somam 35%. Os outros 65% parecem ser potencialmente não modificáveis.
Embora a demência seja diagnosticada na velhice, as alterações cerebrais geralmente começam a se desenvolver muitos anos antes,segundo o autor principal do estudo, Prof Gill Livingston, do University College de Londres.
Começar as mudanças agora. melhorará a vida para as pessoas com demência e suas famílias e, ao fazê-lo, transformar-se-há o futuro da sociedade.
O relatório, que combina o trabalho de 24 especialistas internacionais, diz que fatores de estilo de vida podem desempenhar um papel importante no aumento ou redução do risco de demência individual.
Ele examina os benefícios de construir uma "reserva cognitiva", o que significa fortalecer as redes do cérebro para que este possa continuar a funcionar na velhice, apesar dos danos.

A não conclusão do ensino secundário foi um fator de risco importante, e os autores sugerem que os indivíduos que continuam a aprender ao longo da vida, provavelmente criarão reservas cerebrais adicionais.

Outro grande fator de risco é a perda de audição na meia idade, pois isso impede que se tenha um ambiente cognitivamente rico, levando ao isolamento social e à depressão, que estão entre outros fatores de risco potencialmente modificáveis para a demência.

Outra mensagem-chave do relatório é que o que é bom para o coração é bom para o cérebro.

Não fumar, fazer exercício, manter um peso saudável, tratar a pressão arterial elevada e diabetes podem reduzir o risco de demência, bem como doenças cardiovasculares e câncer.

O Dr. Doug Brown, diretor de pesquisa da Alzheimer's Society, disse: "Embora não seja inevitável, a demência está atualmente definida como o maior assassino do século 21. Todos nós precisamos estar cientes dos riscos e começar a fazer mudanças positivas em nosso estilo de vida".

O Dr. David Reynolds, diretor científico da Alzheimer's Research UK, disse: "Ao lado da pesquisa de prevenção, devemos continuar investindo em pesquisa para encontrar um tratamento que mude a vida para pessoas com essa condição devastadora".

ARTIGO ORIGINAL CLIQUE AQUI

segunda-feira, 17 de julho de 2017

ÓLEO DE CBD: USOS, BENEFÍCIOS E RISCOS

                        Ilustração da Cannabis sativa do séc 19(foto: Wikimedia Commons)

O QUE É

CBD é o nome de um composto encontrado na planta de cannabis. É um dos numerosos compostos encontrados na planta que se denominam canabinoides. Os pesquisadores têm analisado seus potenciais usos terapêuticos.Os óleos que contêm concentrações de CBD são conhecidos como óleo CBD, mas sua concentração e usos variam em diferentes óleos.

CBD É MACONHA?

Até recentemente, o composto mais conhecido em cannabis era o tetraidrocanabinol delta-9 (THC), que é o ingrediente mais ativo da maconha.
A maconha contém THC e CBD, mas os compostos têm efeitos diferentes.
O THC é bem conhecido pelo "barato" que altera a mente quando, dividido por calor, é introduzido no corpo (fumar o baseado ou comer biscoitinhos feitos com maconha).
O CBD não é psicoativo. Isso significa que não altera a mente ou humor, ou estado de espírito de quem o usa. No entanto, parece produzir mudanças significativas no corpo, e pode ter benefícios médicos.

A maior parte da CBD utilizada medicinalmente é encontrada na forma menos processada da planta de cannabis, conhecida como cânhamo.
O cânhamo e a maconha provêm da mesma planta, cannabis sativa, mas são muito diferentes.
Ao longo dos anos, os agricultores de maconha criaram seletivamente suas plantas (engenharia genética) para terem altas concentrações de THC e outros compostos que os interessavam, quer o cheiro ou seus efeitos no consumidor (isto não está no artigo, mas só a título informativo, a maconha usada hoje, é 80% mais potente do que a usada nos anos 60).

Por outro lado, os agricultores de cânhamo tendem a não modificar a planta, e então, são essas plantas de cânhamo são usadas para criar o óleo CBD.

COMO FUNCIONA: Todos os canabinoides, incluindo o CBD, se ligam a certos receptores do corpo, para produzir seus efeitos.
O corpo humano produz certos canabinoides por conta própria e ainda tem dois receptores para os mesmos, chamados receptores CB1 e CB2.

Os receptores CB1 são encontrados em todo o corpo, a maioria no cérebro, onde lidam com coordenação e movimento, dor, emoções e humor, pensamento, apetite e memórias, entre outras coisas menos importantes.

Os receptores CB2 são mais comuns no sistema imunológico, e afetam os processos inflamatórios e dolorosos.

Acreditava-se que CBD atuasse sobre esses receptores CB2, mas agora, parece que o CBD não age diretamente em nenhum dos receptores, tendo a ação de influenciar o corpo a usar mais de seus próprios canabinoides.

EFEITOS POTENCIAIS NA SAÚDE

Por causa da forma como a CBD atua no corpo, seus usos potenciais são muitos: é tomado por via oral, esfregado na pele e às vezes, inalado através de vapor ou usado intravenosamente.

ANALGÉSICO E ANTI INFLAMATÓRIO

É costumeiro usar drogas prescritas ou de venda livre para aliviar a dor e a rigidez, incluindo a dor crônica, e agora, parece que foi descoberta uma forma de fazê-lo, de forma mais natural.
Um estudo publicado no Journal of Experimental Medicine descobriu que CBD reduziu significativamente a inflamação crônica e a dor em ratos.Os pesquisadores sugerem que os compostos não psicoativos da maconha, como o CBD, podem ser um novo tratamento para a dor crônica, e o CBD já está em uso para algumas dessas condições, como esclerose múltipla e fibromialgia.

PARAR DE FUMAR E PARA ALIVIAR A SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA QUANDO DA RETIRADA DE DROGAS PSICOATIVAS

Há algumas provas promissoras de que o uso do CBD pode ajudar as pessoas a parar de fumar. Um estudo piloto publicado em Comportamentos Aditivos, descobriu que os fumantes que usavam um inalador contendo CBD composto fumavam menos cigarros, e não tinham nenhum desejo adicional de nicotina.Outro estudo similar publicado na Neuroterapeutica encontrou que o CDB pode ser uma substância promissora para pessoas que abusam de opióides.
Os pesquisadores observaram que alguns sintomas experimentados por pacientes com transtornos de uso de substâncias podem ser reduzidos pelo CBD. Estes incluem: ansiedade, alterações do humor, dor e insônia.
Estas são descobertas precoces, mas sugerem que a CDB pode ser usado para evitar ou reduzir os sintomas de abstinência.

EPILEPSIA E OUTRAS DOENÇAS NEURAIS

O CBD também está sendo estudado pelo seu possível papel no tratamento da epilepsia e distúrbios neuropsiquiátricos.
Uma revisão postada na revista Epilepsia, observou que o CBD tem propriedades anti convulsivas e baixo risco de efeitos colaterais.
Estudos do efeito da CDB em distúrbios neurológicos, sugerem que isso pode ajudar a tratar muitos dos distúrbios ligados à epilepsia, como neurodegeneração, lesão neuronal e doenças psiquiátricas.
Outro estudo, publicado no Current Pharmaceutical Design descobriu que a CDB pode ter efeitos semelhantes a certos medicamentos antipsicóticos e que pode ser seguro e eficaz no tratamento de pacientes com esquizofrenia.
Evidentemente, mais pesquisas são necessárias para entender como isso funciona.

AJUDA A COMBATER O CÂNCER.
O CBD vem sendo estudado para uso como agente anticancerígeno.
Uma revisão postada no British Journal of Clinical Pharmacology observa que o CBD parece bloquear as células cancerosas de se espalharem pelo corpo (metástase), por suprimir o crescimento de tais células e até mesmo matá-las. Observaram ainda que o CDB pode ajudar no tratamento do câncer por causa de seus baixos níveis de toxicidade. Pedem que seja estudado junto com tratamentos padrão, para verificação de efeitos sinérgicos.

DISTÚRBIOS DA ANSIEDADE

Pacientes com ansiedade crônica são freqüentemente recomendados a evitar a cannabis, pois o THC pode desencadear ou amplificar a ansiedade e a paranoia.
No entanto, uma revisão da Neuroterapeutics sugere que a CDB pode ajudar a reduzir a ansiedade em certos distúrbios da mesma, tais como:

• transtorno de estresse pós-traumático
• transtorno de geral da ansiedade
• transtorno do pânico
•transtorno de ansiedade social
• transtorno obsessivo-compulsivo

A revisão observa que os medicamentos atuais para esses distúrbios podem levar a sintomas adicionais e efeitos colaterais, e que as pessoas tendem a parar de tomar as drogas por causa desses efeitos indesejados.
A CBD não mostrou efeitos adversos nestes casos até presente momento, e os pesquisadores pedem que o CBD seja estudado como método potencial de tratamento.

DIABETE TIPO 1

A diabetes tipo 1 é causada por inflamação quando o sistema imunológico ataca as células do pâncreas.
Pesquisa recente postada em Clinical Hemorheology e Microcirculation descobriu que CBD pode aliviar a inflamação no pâncreas na diabetes tipo 1, podendo este ser o primeiro passo para encontrar um tratamento baseado em CBD.

ACNE

Outro uso promissor para CBD é como novo tratamento para a acne, que é causada, em parte, pela inflamação das glândulas sebáceas hiperativas.
Um estudo recente, publicado no Journal of Clinical Investigation, descobriu que a CBD ajuda a reduzir a produção de sebo que leva à acne, em parte por causa do efeito anti-inflamatório no corpo.

DOENÇA DE ALZHEIMER

Pesquisa inicial publicada no Journal of Alzheimer's Disease descobriu que a CDB foi capaz de prevenir o desenvolvimento do déficit de reconhecimento social em indivíduos nos estágios iniciais do Mal de Alzheimer, o que poderia fazer com que, tais indivíduos, não perdessem a capacidade de reconhecer os rostos das pessoas que eles conhecem. Esta é a primeira evidência de que a CBD tem potencial para prevenir os sintomas da doença de Alzheimer.

EFEITOS COLATERAIS E RISCOS

Muitos estudos (em pequena escala), analisaram a segurança do CBD em adultos, e descobriram que é bem tolerado.
Não houve efeitos colaterais importantes no sistema nervoso central, nem efeitos nos sinais vitais ou humor entre as pessoas que o usam.
O efeito colateral mais comumente observado foi cansaço. Houve alguns casos de diarreia e alterações no apetite ou no peso.

Ainda há muito pouco dados para se saber de segurança a longo prazo, e,em crianças, nenhum teste foi realizado.
Tal como acontece com qualquer opção de tratamento, nova ou alternativa, um paciente deve discutir com um profissional de saúde qualificado antes de seu uso.

O que não está no artigo, mas é interessante se saber, é que tal óleo é vendido livremente, em qualquer lugar, sem receita médica, incluindo aqui no Texas, onde a lei de tolerância zero impede que pacientes em quimioterapia façam uso das pílulas de THC, que são amplamente usadas no alívio dos sintomas decorrentes de tais tratamentos, quase que no mundo todo.

CBD oil: Uses, health benefits, and risks
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Cannabinoids as novel anti-inflammatory drugs
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Cannabidiol: Promise and Pitfalls
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The Biology and Potential Therapeutic Effects of Cannabidiol
Cannabinoids for epilepsy
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A critical review of the antipsychotic effects of cannabidiol: 30 years of a translational investigation.
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sexta-feira, 14 de julho de 2017

ESTUDO VINCULA PARASITAS INTESTINAIS A AUTORITARISMO

Não vou fazer a piada óbvia de que, quem sustenta governos autoritários tem, literalmente, minhocas na cabeça. Apenas traduzi o artigo. No final, há os links para o artigo original e outros igualmente interessantes.

A ameaça psicológica de parasitas pode levar as pessoas a suportarem  governos autoritários, de acordo com um crescente número de pesquisas radicais e controversas.
Pode parecer absurdo, mas não parece tanto quando entendemos a teoria do parasita-estresse, a qual postula que, as pessoas que se desenvolvem em áreas infestadas de parasitas (definidas como qualquer organismo patogênico) pensam e se comportam de forma diferente para evitar a infecção. Elas tendem a ser menos abertas a estranhos,menos exploratórios e menos curiosas, ou seja, tem todos os traços que contradizem os valores progressivos.
As explicações para as causas dos governos autoritários geralmente incluem recursos naturais exploráveis, desigualdade econômica, falta de cultura ou ramificações da retirada de governos coloniais. Mas, quanto mais os cientistas aprendem como a prevalência de parasitas afeta a psicologia, mais essas explicações parecem incompletas.
Em 2013, biólogos realizaram um estudo baseado na teoria do parasita-estresse que analisou a relação entre prevalência de parasitas e autoritarismo em diversos paises. Os autores do estudo explicaram seu raciocínio:
"Porque muitos parasitas causadores de doenças são invisíveis, e suas ações misteriosas, o controle da doença historicamente dependia substancialmente da adesão a praticas comportamentais ritualizadas, que reduziam o risco de infecção. Indivíduos que discordavam abertamente, ou simplesmente não conseguiram se conformar a essas tradições comportamentais, representavam uma ameaça à saúde para si e para os outros ".
Os autores disseram que as tendências autoritárias em indivíduos, atendem a uma função de auto-proteção, e essas tendências podem aumentar temporariamente quando as ameaças se tornam psicologicamente salientes. Eles observaram que indivíduos que percebem a ameaça de doenças infecciosas tendem a:
• Tornar-se mais conformistas
• Preferem conformidade e obediência em outros
• Respondem negativamente àqueles que não se conformam
• Aprovam opiniões sociopoliticas conservadoras.
Os resultados do estudo mostraram fortes correlações entre a prevalência de parasitas e autoritarismo - tanto a nível estadual quanto individual.
A questão-chave, no entanto, era se indivíduos com traços autoritários provocados pela prevalência de parasitas estavam, de alguma forma, fazendo com que seus governos se tornassem autoritários. Assim, os pesquisadores realizaram quatro análises de mediação usando um procedimento de inicialização para ver se os dados batiam. Todos os quatro testes indicaram que os indivíduos estavam dando origem a governos autoritários e que os sustentavam.
Esses resultados são consistentes com as implicações lógicas da hipótese do estresse parasitário e são inconsistentes com uma explicação alternativa, sugerindo que a correlação entre prevalência de doença e autoritarismo se baseia unicamente no estabelecimento colonial de instituições estaduais.
O relacionamento estatístico pode ser explicado pelo fato de que as potências coloniais tendem a criar instituições políticas duradouras em áreas com pouca infestação parasitaria.
Embora alguns tenham questionado as descobertas do estudo, os cientistas continuam a realizar pesquisas com base na teoria do parasita-estresse. Outros estudos demonstraram relações estatísticas entre a prevalência de parasitas e:
• Ideologia política conservadora
• Tradicionalismo e coletivismo
• Menos abertura e mais conscienciosidade nos indivíduos
http://bigthink.com/stephen-johnson/are-parasites-shaping-geopolitics?utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1494958044

Pathogens and Politics: Further Evidence That Parasite Prevalence Predicts Authoritarianism
http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0062275

Extending the Behavioral Immune System to Political Psychology: Are Political Conservatism and Disgust Sensitivity Really Related?

The Behavioral Immune System: Implications for Social Cognition, Social Interaction, and Social Influence
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0065260115000246


quarta-feira, 12 de julho de 2017

FATOS, MITOS E VERDADES SOBRE TOXICOLOGIA


Hoje, só vou fazer propaganda, com muito orgulho, do trabalho sensacional de meu colega de turma, Dr. Flavio Zambrone, PhD, toxicologista. Abaixo, coloco a idéia e razão para tal projeto, assim como link para a página e o video explicativo. Precisávamos tanto disso!

Drops é a primeira plataforma brasileira a selecionar e checar as notícias mais relevantes sobre os possíveis efeitos dos químicos que temos contato em nosso dia a dia. Através de um trabalho de pesquisa baseado no modelo jornalístico de fact checking, reunimos e disponibilizamos informações confiáveis sobre a ciência da toxicologia. Tudo com a dose certa de ciência.
Com a facilidade e velocidade com a qual as notícias se propagam atualmente muitos mitos se criam a respeito da toxicologia.
Ao identificar a necessidade de corrigir informações imprecisas e divulgar dados corretos sobre a ciência da toxicologia, o Instituto Brasileiro de Toxicologia (IBTox) cria o projeto Drops no início de 2017


domingo, 14 de maio de 2017

13 RAZÕES “PORQUE” E O CONTÁGIO DO SUICIDIO

Este artigo é a tradução ao pé da letra, do artigo “13 Reasons Why and Suicide Contagion”, por Patrick Devitt, no Scientific American de 8/05/17 ARTIGO ORIGINAL
Observações e comentários meus no final

A série Netflix, “13 razões”, causou um furor. No show, uma estudante do ensino médio que se suicidou, deixou 13 gravações, uma para cada pessoa que ela acreditou ter contribuído de alguma forma para sua decisão final. Cada episódio refere-se a uma gravação individual. O penúltimo episódio retrata o suicídio de uma maneira horrível. Alguns dizem que a série é um retrato preciso e sensível da angústia interior de um indivíduo, e que nos ajuda a esclarecer as motivações por trás do comportamento suicida e o suicídio em si, o que é bom e pode ajudar outros em situações semelhantes. Os críticos, entretanto, estão preocupados com a glamorização do suicídio ou sua normalização, como opção legítima de lidar com a problemática interna, produzindo mais suicídios.
É fato conhecido que o suicídio pode ser um fenômeno contagioso. Suicídios por imitação (Copycat), foram notados em certos grupos, em diferentes momentos da história. Qualquer possível causa de tal contágio deve ser levada a sério, mas a ciência mostra que o papel que a ficção pode desempenhar na inspiração do suicídio é, na melhor das hipóteses, pouco claro. “13 Razões Porque” não é o primeiro trabalho de ficção a ser envolvido neste tipo de controvérsia. Romeu e Julieta de Shakespeare, foi acusado de glamorizar o suicídio. O romance de Johann Wolfgang von Goethe, As Dores do Jovem Werther (The Sorrows of Young Werther), lançado em 1774, descreve a dor e o sofrimento de Werther por causa de seu amor por Charlotte, que se casou com Albert, amigo de Werther. Incapaz de lidar com a coisa, Werther decide que um deles deve morrer e acaba se matando com um tiro, com a pistola de Albert. Acredita-se que a obra de von Goethe levou a uma onda de suicidios de jovens em toda a Europa, muitos dos quais estavam vestidos com a mesma roupa que a descrita usada por Werther, e usando pistolas semelhantes. Alguns até tinham as cópias do romance ao lado de seus corpos com a página aberta na cena do suicídio.
David Phillips, o grande pesquisador dos suicídios, cunhou o termo, "Efeito Werther", para se referir ao fenômeno dos imitadores. O resultado da pesquisa, na década de 70, foi a recomendação de que as histórias sobre suicídio não fossem colocadas na primeira página dos jornais.
Em Viena na década de 80, uma série de suicídios no metrô foi combatida pela decisão dos principais jornais da cidade de reduzir substancialmente a publicidade em torno dessas mortes. Depois de um tempinho, esses suicídios já não eram mencionados, o que coincidiu com uma queda progressiva no número dos mesmos, ilustrando o poder da mídia em fazer a coisa certa.
Contrario ao efeito Werther, é o efeito “Papageno”, que toma o nome do caráter Papageno na ópera de Mozart “A Flauta Mágica”. Nela, Papageno tenta se enforcar depois que se convence que nunca vai conquistar o amor de Papagena. Porém, aqui, ele é persuadido por três espíritos de crianças, a não acabar com sua vida.
As pesquisas tem mostrado que a cobertura excessiva da mídia de suicídios de celebridades, realmente leva a um aumento na ideação e nas tentativas de suicídio. As mulheres, com cerca de 30 anos, estiveram mais em risco do suicidio após a morte de Marilyn Monroe em 1962. Os pesquisadores do suicídio, King-wa Fu e Paul Yip, examinaram o impacto das mortes de 3 celebridades asiáticas nas tentativas de suicidio, usando uma série de comparações com as mortes nas semanas anteriores e posteriores aos citados suicídios. Eles descobriram um aumento substancial no número de suicídios na primeira, segunda e terceira semanas após a morte de cada celebridade, em Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan, em comparação ao período de referência. Foi pior com pessoas do mesmo sexo das celebridades suicidas.
No entanto, a evidência das pesquisas em relação a retratos ficcionais de suicídio na TV e no cinema é mais complicada. Pirkis e colegas revisaram a literatura sobre filmes e retratos televisivos de suicídio. O grupo foi incapaz de oferecer respostas conclusivas a perguntas sobre o impacto de suicídios ficcionais em relação a suicídios reais na população em geral.
Foram feitos estudos tentando avaliar o efeito da transmissão de um episódio da novela britânica “Eastenders” (2/3/1968). Este episodio mostrou uma overdose tentada por um caráter femininos de cerca de 30 anos. Os estudos tentaram avaliar o que aconteceu nos serviços de emergência no Reino Unido antes e depois do episódio. Alguns dos estudos forneceram evidências para um efeito imitador, mas alguns não. Achados mistos foram relatados em outros. Portanto, não se pode concluir se as representações fictícias de comportamento suicida no cinema e na televisão aumentam sua incidência na população. Embora seja certamente verdade que as representações exageradamente repetidas pela mídia de suicídio de celebridades terão um efeito imitador, parece que o público em geral é capaz de distinguir o fato da ficção.
Apesar disso, devemos estar cientes dos Efeitos Werther e Papageno. É difícil ver como a retratação fictícia do suicídio, de forma explícita, poderia ter um efeito positivo, a não ser que, naturalmente, as desvantagens do suicídio em termos de seu efeito sobre parentes e amigos também sejam fortemente retratados. De uma perspectiva dissuasiva, a natureza horrível do próprio suicídio pode ser uma característica positiva, e o mesmo poderia ser dito dos efeitos adversos sobre os sobreviventes. No entanto, a mensagem de que o suicídio pode ter uma simples, ou mesmo um conjunto simples de causas, ou que o suicídio representa algum tipo de solução, é infeliz. Nunca há uma razão, nem mesmo treze.


O Dr. Patrick Devitt é psiquiatra. Trabalhou na Irlanda, como Inspetor dos Serviços de Saúde Mental e nos USA. É co-autor do livro “Suicídio, uma Obessão Moderna” (Suicide: A Modern Obsession).

Concordo com o artigo. Também acho que todos os que trabalham em Saúde Mental deveriam ver a série. Pessoalmente, não gostei, e explico: A série se baseia numa adolescente chamada Hannah, e começa depois de seu suicidio. 13 pessoas recebem gravações, nas quais ela descreve como, cada uma delas, é responsável pelo mesmo. Embora o show mostre uma das causas de suicídio, o bullying, falha completamente em discutir ou mostrar que, o problema de base é Saúde Mental, melhor dizendo, falta ou enfraquecimento da mesma. E o problema é ainda pior com adolescentes, que ainda não tem um lobo frontal totalmente desenvolvido para correta avaliação de causas/consequências. Pior, sob meu ponto de vista, é o ter mostrado que a garota só se torna ponderosa depois de morta, manipulando a vida emocional dos sobreviventes, cujo estado de horror que estariam sentindo não é sequer mencionado. Apesar disso, continuo achando que o debate deveria ser amplo, geral e irrestríto, abordando uma variedade de aspectos, não necessáriamente nessa ordem:

1-Suicídio como Momento Psicótico: Momento no qual o teste de realidade não funciona . Um estado de pânico que toma todo o ser do indivíduo, durante o qual a idéia de acabar com tudo parece ser a única possibilidade (François Ladame)

2-Suicídio como Manipulação e/ou Vingança (que é exatamente o que a série mostra)

3-Mas, o que se precisa mesmo, é um debate sobre Saúde Mental. É acabar com o mito de “louco”versus “normal”. É se entender que saúde, seja ela qual for, não é uma constante com a qual se nasce. É preciso entender que, se a saúde do corpo depende de comportamentos contínuos, tipo dieta adequada, exercicio, higiene e sono, por que diabos haveria de ser diferente para saúde mental? É preciso entender que, se a hipertensão é chamada de “assassino silencioso”, por não haver, durante muito tempo, nenhum sintoma, até o primeiro infato ou derrame, o mesmo acontece para saúde mental.
Basicamente o que estou dizendo é que precisamos observar e colocar em cheque nossos preconceitos.
Para os que estão interessados, o livro abaixo é uma fonte de informação e possibilidades.

Relating to Self-Harm and Suicide: Psychoanalytic Perspectives on Practice, editado por Stephen Briggs, Alessandra Lemma, William Crouch (2008, Routlege)

Notas de pé de página

O suicídio é um fenômeno global. Representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, tornando-se a 17ª causa de morte mundo afora. Intervenções eficazes e baseadas em evidências podem ser implementadas a níveis individual e comunitário para prevenção.Para cada adulto que morreu de suicídio, pode ter havido mais de 20 outras tentativas de suicídio. (OMS)

O suicídio é um dos principais problemas de saúde pública, pois está entre as principais causas de morte nos Estados Unidos. Mais de um milhão de pessoas morrem por suicídio em todo o mundo a cada ano. A taxa de suicídio global é de 16 por 100.000 habitantes. Em média, uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos em algum lugar do mundo. As taxas globais de suicídio aumentaram 60% nos últimos 45 anos. É a Terceira causa de morte em pessoas entre 10 e 14 anos e a segunda entre 15 e 34 anos (CDC).
TAXAS DE SUICÍDIOS NO MUNDO POR 100.000 HABITANTES. QUANTO MAIS ESCURA A COR, MAIOR A TAXA COMO PODE SER VISTO NA TABELA NO CANTO ESQUERDO

TAXAS DE SUICÍDIO POR IDADE NOS USA. ESCURO PARA MULHERES. CLARO PARA HOMENS. GRUPOS DE IDADE NO AXIS HORIZONTAL


terça-feira, 7 de março de 2017

GUIA VISUAL DA ESQUIZOFRENIA




 O QUE É ESQUIZOFRENIA?

É uma doença mental grave que pode ser incapacitante . Cerca de 1% da população mundial dela sofrem. Pessoas com esta condição podem ouvir vozes, ter visões, ou acreditar que outras pessoas podem controlar seus pensamentos. Essas sensações podem assustar a pessoa e causar comportamento errático. Embora não haja cura, o tratamento geralmente consegue gerenciar os sintomas mais graves. Não  tem nada a ver com Múltiplas Personalidade. Vem do grego e significa Mente Cindida ou Despedaçada.
FMRI. Na parte de cima, sujeito de comparação não esquizofrênico. Na de baixo, sujeito esquizofrenico não medicado. Foto do Journal of Nuclear Medicine and Radiation Therapy

HISTÓRIA DA ESQUIZOFRENIA


Foi primeiro identificada e classificada pelo  Dr. Emile Kraepelin em 1887,como Demência Precoce mas a doença acompanha a humanidade desde o inicio de nossa história. Há relatos que datam de 2 milenios AC. Em 1911, o psiquiatra suiço Eugen Bleuler, cunhou o têrmo “Esquizofrenia”,descrevendo 2 grupos de sintomas: os positivos e os negativos, assim como seus subtipos: Desorganizada, Catatônica, Paranoide, Residual e Indiferenciada.
Embora essas classificações continuem sendo usadas, em nada ajudam a predizer o prognóstico, e assim a grande maioria dos psiquiatras tem usado outros sistemas baseados na preponderância de sintomas, se positivos ou negativos, na progressão do disturbio em têrmos de tipo , severidade e duraçãodos sintomas e co-ocorrência de outros distúrbios.

 SINTOMAS


Alucinações: Alterações dos sentidos (Visão, Audição, Olfato, Gosto e Tato). Na Esquizofrenia, as alucinações mais comuns são as auditivas, enquanto em certas formas de epilepsia, há alucinações olfativas e tácteis.
Exemplo: 
“Doutora, minha mãe e eu temos converado muito a respeito de muitas coisas, incluindo a senhora. Ela acha que está na hora da senhora morrer. Eu não quero realmente matá-la, mas minha mãe sempre esteve certa das coisas”(A mãe do paciente havia morrido havia mais de 10 anos, e foi nesse momento que a Dra aqui puxou uma cadeira para a citada senhora, e conversamos os 3 por cerca uma hora, com o paciente traduzindo a mãe, posto que informei que estava meio surda e ele ia ter que repetir o que ela dissesse. Quem foi que disse que stress e puro medo são sempre negativos? Às vezes lhe dão uma criatividade incrivel.)

Delírios:Alterações do Pensamento  O delírio mais comum na esquizofrenia, é o delírio persecutório.
Exemplo
Tive uma paciente, internada, que não podia passar perto de TVs porque, segundo ela, como era a amante secreta de uma famoso ator de telenovelas, a poderosíssima emissora havia implantado aparelhinhos em todas as TVs e se ela passasse perto de uma, um sinal seria mandado à central da citada e criminosos seriam mandados para destruí-la. Caso triste de delírio paranoico.

Paranóia: Medo, às vezes puro pânico, de maquinações horriveis contra o paciente.

Importante clarificar que Delírios e Paranóia não aparecem só na Esquizofrenia, também são comuns em Distúrbio Bipolar, algumas Epilepsias e em fanáticos de qualquer espécie.
Alguns sinais, como a falta de prazer na vida cotidiana e a retirada das atividades sociais, podem imitar a depressão.

COMO AFETA O PENSAMENTO


Pessoas com esquizofrenia podem ter problemas para organizar seus pensamentos ou fazer conexões lógicas. Eles podem sentir como amente está correndo de um pensamento não relacionado a outro. Às vezes, eles têm a "retirada do pensamento", a sensação de que os pensamentos são removidos de sua cabeça, ou de "bloqueio do pensamento", quando o fluxo de pensamento de alguém fica repentinamente interrompido.

 EFEITOS NO COMPORTAMENTO


A doença tem grande impacto em vários aspectos. As pessoas podem falar sem fazer sentido, ou comporem palavras (salada de palavras). Podem ficar agitados ou não mostrarem qualque expressão emocional. Muitos têm dificuldade  com hygiene pessoal e/ ou do local onde vivem. Alguns repetem comportamentos, como ficar andando em circulos ou de um lado a outro, sem propósito. Apesar dos mitos, o risco de violência contra outros é pequeno.

QUEM VEM A TER ESQUIZOFRENIA

Qualquer um. É igualmente comum entre homens e mulheres e entre grupos étnicos. Os sintomas geralmente começam entre  os 16 e 30 anos.  Tende a começar mais cedo em homens do que em mulheres e raramente começa durante a infância ou depois dos 45 anos. Pessoas com esquizofrenia ou outros distúrbios psicóticos na família podem ser mais propensos a tê-la

QUAIS SÃO AS CAUSAS


Ainda não se sabe.  Acredita-se que seja uma justaposição de ação genética, experiências pessoais, configurações cerebrais, a forma como determinadas partes do cérebro funcionam, assim como alterações em neurotransmissores como a dopamina e o glutamato.. Pode haver diferenças estruturais, também, como a perda de células nervosas que resultam em maiores cavidades cheias de líquido (ventrículos) no cérebro..

COMO É DIAGNOSTICADA


Não há testes de laboratório para isso (ainda), então o diagnóstico  normalmente baseia-se na  história e  sintomas da pessoa. Primeiro,  descarta-se outras causas médicas. Nos adolescentes, uma combinação de história familiar e certos comportamentos pode ajudar a prever o início da esquizofrenia. Estes comportamentos incluem a retirada de grupos sociais (isolamento), expressão suspeitas incomuns, e comportamentos repetitivos. Embora isso não seja suficiente para um diagnóstico, são sinais de alerta para buscar ajuda médica.

 MEDICAMENTOS

Medicamentos costumam reduzir sintomas como pensamento anormal, alucinações e delírios. Algumas pessoas têm efeitos colaterais sérios, incluindo tremores e ganho de peso. As drogas também podem interferir com outros medicamentos ou suplementos. Mas na maioria dos casos, a medicação é uma necessidade absoluta para o tratamento da esquizofrenia.

                                         
O PAPEL DA TERAPIA

A  terapia costuma ajudar no desenvolvimento  de melhores maneiras de reconhecer e lidar com os problemas, comportamentos e pensamentos, além de melhorar a forma de relacionamento com os outros. Na terapia cognitivo-comportamental (TCC), as pessoas aprendem a testar a realidade de seus pensamentos e a gerenciar melhor os sintomas. Outras formas de terapia visam melhorar as habilidades de autocuidado, comunicação e relacionamento.

APRENDENDO A NAVEGAR O MUNDO

Os Programas de Reabilitação para a esquizofrenia ensinam as pessoas a fazer coisas cotidianas, como usar o transporte público, gerenciar dinheiro, comprar mantimentos, e/ ou encontrar e manter um emprego. Estes programas funcionam melhor quando a pessoa está usando os medicamentos adequados e também em terapia.

 MANTER O PLANEJAMENTO

As pessoas com esquizofrenia às vezes largam seus medicamentos por causa dos efeitos colaterais ou por não compreender a sua doença. Isso aumenta o risco de retorno de sintomas graves, o que pode levar a um episódio psicótico (é quando todo o contato com a realidade é perdido). Aconselhamento regular pode ajudar as pessoas a manter o  tratamento e evitar uma recaída ou a necessidade de hospitalização.

 PROBLEMAS COM TRABALHO/EMPREGO

As pessoas com esquizofrenia costumam ter muita dificuldade para encontrar ou manter um emprego. Isso ocorre em parte porque a doença afeta o pensamento, a concentração e a comunicação. Mas também porque os sintomas começam na idade adulta jovem, que é quando as pessoas estão começando suas carreiras. A reabilitação vocacional e ocupacional pode ajuda-los a desenvolver habilidades práticas de trabalho.

QUANDO ALGUÉM PRÓXIMO TEM ESQUIZOFRENIA

Relacionamentos  costumam ser muito difíceis para pessoas com esquizofrenia. Seus pensamentos e comportamentos incomuns podem afastar amigos, colegas de trabalho e membros da família  O tratamento pode ajudar. Uma forma de terapia centra-se em formar e nutrir relacionamentos. Se você convive com alguém que tem esquizofrenia, é uma boa idéia juntar-se a um grupo de apoio ou fazer sua terapia, tanto para ter apoio quanto para aprender mais sobre o que eles estão passando

 ÁLCOOL E QUALQUER OUTRA DROGA SÃO UM RISCO TREMENDO

Pessoas com esquizofrenia são muito mais propensas do que a maioria da população a abusar de álcool e/ou drogas ilícitas. Algumas substâncias, incluindo maconha e cocaína, podem piorar os sintomas. O abuso de drogas também interfere nos tratamentos . Se você conhece alguém que está lidando com isso, procure programas de abuso de substâncias projetado para pessoas com esquizofrenia

CONVERSE COM SEU MÉDICO ANTES DE ENGRAVIDAR

Mulheres com esquizofrenia e que planejam engravidar, devem conversar com seus médicos para se certificarem de que seus medicamentos estão liberados para uso durante a gravidez. Embora não existam ligações definitivas entre os medicamentos para esquizofrenia e defeitos congênitos ou complicações graves na gravidez, é importante falar sobre isso com o seu médico em primeiro lugar.

 QUANDO É UM PARENTE

Usualmente é difícil convencer alguém com esquizofrenia a buscar ajuda. O tratamento geralmente começa quando um episódio psicótico resulta em uma internação hospitalar. Uma vez que a pessoa está estabilizada, os membros da família podem fazer o seguinte para ajudar a prevenir uma recaída:
Incentivar a pessoa a tomar a medicação
Acompanhá-lo a seus compromissos (medico, terapia, etc…)
Ser solidário e respeitoso

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