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SOBRE SER LOUCO, SER INTERNADO E VOLTAR A SER GENTE

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Este é um ensaio de Karla Cristina Fernandez Philipovsky Koerich, que gentilmente cedeu para publicação neste blog.Embora discorde de alguns pontos, é fantástico como pontos discordantes estimulam o pensamento e a curiosidade. Excelente leitura. RESUMO Neste pequeno ensaio, busco verificar, por intermédio de pesquisa bibliográfica, de que modo a psiquiatria, como um ramo especializado da higiene pública, se apropriou da loucura, transformando-a em uma doença com nuances de periculosidade que precisavam ser contidas; como se davam os processos de internação para o seu tratamento até pouco tempo atrás; como o saber médico era o protagonista dessa relação entre médico e paciente e, o que a Reforma Psiquiátrica no Brasil trouxe de mudanças para essa dinâmica tortuosa por que passavam as pessoas em sofrimento psíquico nos dias de hoje. Palavras-chave: Loucura; Tratamento; Reforma Psiquiátrica. ABSTRACT In this short essay, I seek to verify, through bibliographical research, how psy...

A PSICOLOGIA DOS ERROS ESTONTEANTEMENTE ESTÚPIDOS

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Estou a sofrer as dores de parto encruado de trigêmeos, seguindo o processo eleitoral aqui nos USA e seja lá que nome tenha o enrosco do impeachment/delações premiadas/lava jato/roubos de merenda escolar e fechamento de escolas aí no Brasil. Aqui, Donald Trump é o escolhido do partido republicano (GOP- Great Old Party – Grande Velho Partido). Aí, sequer sei resumir. Entendi que a presidente foi afastada, Temer assumiu interinamente e a festa de escandalos continua sem trégua à vista. É ministério que desaparece e volta à tona, delações que aparecem e de repente também somem, juízes viram salvadores da Pátria e daí aumentam os próprios rendimentos sem pejo ou pudor. Nem lembro a porcentagem de Congressistas respondendo a algum processo, menos o dono do helicoptero com 500 Kg de cocaina. Nem o Oliver Stone teria conseguido. E aí recebo o artigo que abaixo traduzo. Se vai mudar algo? Duvido. Mas que vai ter gente à beça metendo a mão na testa, isso vai. Tomara que não seja tarde demai...

TIROS QUE SAEM PELA CULATRA OU PORQUÊ FATOS NÃO VENCEM ARGUMENTOS

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Vamos dizer que você está tendo uma discussão com um amigo sobre o aquecimento global ou quem foi o melhor goleiro na história das copas. Você apresenta a seu amigo um conjunto de fatos que você acha que vencem a discussão. E, no entanto, espantadissimo, pois acha que os fatos que apresentou claramente contradizem a posição do seu amigo, descobre que tais fatos falharam totalmente em corrigir a crença, falsa ou infundada, do citado amigo. Na verdade,ele está ainda mais agarrado à sua crença após ser exposto à informação corretiva. Um grupo de investigadores da Universidade de Dartmouth estudou o problema do assim chamado "tiro pela culatra" , que é definido como o efeito no qual "as correcções realmente aumentam os equívocos entre o grupo em questão." O problema aqui pode ser a maneira como seu amigo está recebendo estas informações. Pode ser que seu amigo conhece a você e suas opiniões muito bem , e não acha que você seja exatamente uma fonte onisciente das m...

BRASIL: A OPORTUNIDADE INESPERADA QUE A ZIKA APRESENTA

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Traduzido ao pé da letra da revista médica Lancet.  VEJA LINK AQUI O Brasil está (compreensivelmente) chateado. Na reunião do Conselho Executivo da OMS, no mês passado, um oficial de Genebra me disse que a delegação do país estava se recusando a apoiar resoluções que poderiam ter suportado porque o Ministério das Relações Exteriores brasileiro se opõe aos rankings do país pelo Banco Mundial. O Brasil é classificado pelo Banco Mundial como um país de renda média superior, juntamente com os seus vizinhos próximos (Colômbia, Equador, Paraguai e Peru). Infelizmente para o Banco (e para a OMS), o Brasil não se vê como uma nação de renda média. Ele tem aspirações mais elevadas. Para piorar o insulto, em 2015 o Banco promoveu rivais do Brasil, (Argentina e Venezuela), para o status de alta renda. Um país de alta renda é definido por um rendimento nacional bruto por pessoa igual ou superior a US $ 12 736. Brasil está um pouco abaixo, em $ 11 530 (2014). O Brasil tem sido sensív...

AGNOTOLOGIA: O LADO NEGRO DAS NEUROCIÊNCIAS OU O ESTUDO PARA ESPALHAR IGNORÂNCIA

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"A ignorância não é apenas o ainda-não-conhecido, também é uma manobra política, uma criação deliberada por agentes poderosos que querem que não se saiba" Robert Proctor Faz tempo que tenho um caso de paixão/ódio com a agnotologia. Por um lado, me fascina a mecânica da coisa, por outro, tenho um pavor horroroso das consequências, com pleonasmo e tudo. Por definição, agnotologia é o estudo da ignorância ou dúvida culturalmente induzida, em especial a publicação de dados científicos falsos ou enganosos. A palavra foi cunhada por Robert N. Proctor, professor de historia da ciência e tecnologia em Stanford, juntando as palavras gregas “agnosis-não conhecer” e “logia-estudo de”. Vem a ser o exato oposto de epistemologia, que é a teoria do conhecimento. É o estudo de atos voluntários para espalhar confusão e/ou engano, geralmente para vender um produto ou ganhar um favor. O primeirissimo uso americano bem conhecido da agnotologia como deliberada produção de ignorância, s...

METAS PARA TODOS NÓS PSI EM 2016

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Quando li esse artigo do colega, sabia que não poderia deixar de compartilhá-lo. O link para o artigo original está no final. FELIZ ANO NOVO! "Resoluções para o novo ano são um ritual interessante e, geralmente, de curta duração, mundo afora. Por outro lado, os que pelo menos se dão ao trabalho de passar pelo ritual, exibem um certo grau de auto reflexão e insight a respeito da necessidade de ajustamentos na vida. Tais decisões,na realidade, podem ser tomadas a qualquer momento, mas o advento de um novo ano é um sinal poderoso de um novo começo, outra oportunidade de vida, um potencial ponto de mudança. Embutido nessas resoluções, está um senso subliminar de urgência para corrigir deficiências negligenciadas, pois o calendário impiedosamente aponta para o envelhecimento inevitável e à marcha inexorável do tempo. UMA PERSPECTIVA PSIQUIATRICA Para os psiquiatras, as resoluções de Ano Novo transcendem o (muitas vezes efêmero) impulso de começar uma dieta ou começar a ir à a...

BLOG DO FIM DE ANO

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Fim de ano, tempo de reflexões. Este ano, não farei o blog costumeiro de resumos de acontecidos no ano que se finda. Por alguma razão, estou com a impressão de que, apesar de todos os fantásticos avanços da ciência, que pelo menos trazem esperança, estou com gosto amargo na boca. Aquela sensação dificil de definir, talvez ansiedade, de que, apesar de todas as esperanças citadas, enquanto humanidade, estamos num desejo de volta à Idade das Trevas, que parece encobrir o mundo com manto plúmbeo ( e óbviamente eis que traduzo o que sinto numa escrita bombástica). Vai daí que decidi simplesmente postar duas fábulas, que me fazem muito bem. A primeira é do Robert Fulghrum, que considero o maior filósofo americano vivo, está na minha lista de gente que quero conhecer pessoalmente, antes de morrer, e com certeza, minha alma gêmea. Descobri, ao ler uns dos livros dele, que compartilhamos o horror das “reuniões de staff”, onde acho que um monte de gente, usualmente inteligente, emburrece rep...