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quinta-feira, 27 de julho de 2017

PARECE QUE FOI DESCOBERTO O QUE CAUSA A ESQUIZOFRENIA

Antes de qualquer coisa, vale lembrar que a esquizofrenia é um transtorno cerebral crônico que afeta aproximadamente 1% da população mundial. Quando está ativa, os sintomas podem incluir delírios, alucinações, problemas de pensamento e concentração e falta de motivação, e embora haja tratamentos, não há cura, e é por isso que o artigo abaixo se torna tão importante.

Nova pesquisa identificou a causa dos problemas de fiação no cérebro, nas pessoas com esquizofrenia. Quando os pesquisadores transplantaram células cerebrais humanas de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia de início infantil em camundongos, as redes de células nervosas do animal não amadureceram adequadamente e os ratos apresentaram os mesmos comportamentos anti-sociais e ansiosos observados em pessoas com a doença.

"Os resultados deste estudo mostram que a disfunção das células gliais pode ser a base da esquizofrenia infantil", afirmou o neurologista Steve Goldman, MD, Ph.D., da U Rochester Medical Center (URMC), co-diretor do Centro de Neuromedicina Translacional e principal autor (no jornal Cell). "A incapacidade dessas células em desempenhar seu trabalho, que é ajudar as células nervosas a construir e manter redes de comunicação saudáveis e eficazes, parece ser um dos principais contribuintes para a doença".

As células da glia são células de apoio do cérebro e desempenham um papel crítico no desenvolvimento e manutenção da complexa rede interconectada de neurônios do mesmo. Há 2 tipos principais: astrócitos e oligodendrócitos. Os astrócitos são as principais células de apoio do cérebro, enquanto os oligodendrócitos são responsáveis pela produção de mielina, o tecido adiposo que, tal qual o isolamento em fios elétricos, envolve os axônios que conectam diferentes células nervosas. A fonte dessas duas células é outro tipo de célula chamado célula progenitora glial (GPC).

Os astrocitos executam diversas funções. Durante o desenvolvimento, colonizam áreas do cérebro e estabelecem domínios a partir dos quais ajudam a direcionar e organizar a rede de conexões entre células nervosas. Os astrocitos individuais também enviam centenas de fibras longas que interagem com as sinapses (junção onde o axônio de um neurônio encontra o dendrito de outro). Os astrocitos ajudam a facilitar a comunicação entre os neurônios nas sinapses, regulando o fluxo de glutamato e potássio, permitindo que os neurônios "disparem" quando se comunicam uns com os outros.

No novo estudo, os pesquisadores usaram células da pele de indivíduos com esquizofrenia de início infantil e as reprogramaram, criando células-tronco pluripotentes induzidas (iPSC) que, como as células estaminais embrionárias, são capazes de dar origem a qualquer tipo de célula do corpo . Empregando um processo desenvolvido pela primeira vez pelo laboratório Goldman, a equipe manipulou os iPSCs para criar GPCs humanos, os quais foram transplantados em cérebro de camundongos recém natos. Essas células começaram a “competir”com a glia nativa dos animais, resultando em ratos com cérebros compostos por neurônios animais e GPCs humanos, oligodendrócitos e astrócitos.

Os pesquisadores observaram que as células gliais humanas derivadas de pacientes esquizofrênicos eram altamente disfuncionais. O desenvolvimento de oligodendrócitos foi adiado e não criaram suficientes células produtoras de mielina, o que significa que a transmissão do sinal entre os neurônios foi prejudicada.

O desenvolvimento de astrócitos foi , similarmente tardio, de modo que não não funcionaram como uma unidade de produção, tornando-se assim ineficazes na orientação da formação de conexões entre os neurônios. Também não amadureceram adequadamente, resultando em células deformadas que não suportavam as funções de sinalização dos neurônios em torno deles.

"Os astrócitos não amadureceram completamente e suas fibras não preencheram seus domínios normais, o que significa que, enquanto eles são reconhecidos por algumas sinapses, não o são por outras", disse Martha Windrem, Ph. D., do Centro de Neuro medicina Translacional da URMC. "Como resultado, as redes neurais nos animais tornaram-se dessincronizadas e descoordenadas".

Os pesquisadores também submeteram os ratos a uma série de testes comportamentais, observando que, os ratos com células gliais humanas dos indivíduos com esquizofrenia, eram mais temerosos, ansiosos, anti-sociais e tinham uma variedade de déficits cognitivos em comparação com ratos transplantados com células gliais humanas de pessoas saudáveis.

Os autores do estudo apontam que a nova pesquisa fornece aos cientistas uma base para explorar novos tratamentos para a doença. Como a esquizofrenia é única, acontecendo só em seres humanos e nenhum outro animal, isso limitou muito a possibilidade de estudar a doença. O novo modelo animal desenvolvido pelos pesquisadores pode ser usado para acelerar o processo de testes de drogas e outras terapias.

O estudo também identifica uma série de falhas de expressão de genes gliais que parecem criar desequilíbrios químicos que perturbam a comunicação entre neurônios. Essas anormalidades podem representar metas para novas terapias.

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