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terça-feira, 28 de julho de 2015

PROCURANDO PELA AUTO ESTIMA? PARE DE SE SACRIFICAR


Ultimamente, tenho me divertido muito com a medicina/psicologia psicossomática italiana. Provavelmente, é por achar que lá no fundinho, nós italianos sejamos um pouco hipocondríacos (e qualquer um que tenha sido criado em família italiana lembra bem da “maglietta”, camisetinha a ser colocada em contato direto com a pele, debaixo da roupa, à primeira menção de vento, para que o citado não lhe pegasse no peito e lhe causasse mortal pneumonia, sabe bem do que estou falando, isso sem esquecer do óleo de fígado de bacalhau, de horrenda memória gustativa, para lubrificar os interiores e fortalecer os ossos, diariamente, seguindo às sextas de manhã, de uma colherada de óleo de rícino, para evitar constipação). Também porque esse grupo da Riza é muito bom, e costuma me despertar uma saudade boa e enorme da época em que praticava na área, incluindo as aulas que tinham o pomposo título de “Neurofisiologia das Emoções”. E por me lembrar de meu avô com quem discuti muito os conceitos de “humildade” e “sacrifício”, palavras chaves em colégio de freiras, cujo significado essa ex-criança tonta (ex criança, porque tonta, volta e meia me retorno), não conseguia entender de jeito algum. Mas, devo dizer que, este artigo me surpreendeu, daí a tradução.

Por definição, autoestima é auto respeito, ou seja, a confiança em si mesmo e nas próprias capacidades. Mas, definições em psicologia, tem seu sentido alterado em dependendo da cultura e momento histórico, e neste, autoestima virou algo assim como o pombo estufando o peito, arrulhando e soltando seu dejetinho na cabeça de quem passa embaixo. Assim, para quem aprendeu autoestima via a poesia “If”, do Kipling, que colocarei no fim, esse artigo é o máximo, principalmente se lembrarmos a exclamação de Cícero: “o tempora o mores! ”

“Vidas Invisíveis” poderia ser o título de um livro que contasse as histórias de quem se usa, de quem dá tudo de si, mas nunca consegue ser reconhecido pelos que estão a seu lado. Pode acontecer em qualquer e todas as áreas importantes em nossa vida: afetiva, profissional, social.Costumeiramente, quem passa por esse tipo de tratamento são aquelas pessoas que, durante o tempo e sem querer, se circundaram de pessoas que não enxergam ou que imediatamente esquecem os esforços e resultados produzidos por citada pessoa, e dos quais, os circundantes se beneficiam aos montes.
Os exemplos são infinitos: um parceiro que só vê aquilo que o outro não faz, mesmo quando faz muito; um chefe que acha que a enorme quantidade de trabalho que consegue ser feita mesmo sob péssimas condições organizacionais, nada mais é que dever do empregado; um pai ou mãe que acha que tudo o que o filho faz por eles é apenas o que o filho lhe deve, e assim vai.
Todas são situações que, com o tempo, podem causar profundas frustrações e minar a autoestima.

Mesmo que seja necessário sair da necessidade narcísica do aplauso a qualquer custo, e que seja muito importante sentir o valor das próprias ações sem necessariamente ter que recorrer a validação externa, também precisa ser lembrado que o ser reconhecido não é só uma coisa agradável de acontecer, mas também a confirmação de estar numa relação verdadeira, o que é uma necessidade fundamental de cada um de nós.

O fato do outro nos dizer um simples, mas sincero "obrigado", ou manter em mente nossos esforços não fazendo exigências excessivas, ou nos olha com gratidão e - por que não? - com admiração, nos faz sentir ligados à vida e alimenta não tanto o narcisismo, mas o desejo de fazer, de estar presente, de se apaixonar. Ou seja, nossa autoestima.
O não ser "visto" remove energia e motivação. Muitas vezes, porém, isso não depende apenas do egoísmo de quem está ao nosso redor, mas vem de um modo de ser nosso, nos "vendendo" a preços tão baixos que não são sequer considerados.

Se não damos valor às nossas ações, o outro se acostuma rapidinho, e tudo lhe parece devido.

Uma atitude de contínuo “sacrifício”, coloca o outro em dificuldade, fazendo-o sentir-se inadequado e devendo, de forma que, para sair da dívida, tem que redimensionar tudo o que se faz por ele/ela.

Dar tudo sem se perguntar se o outro tem a capacidade de apreciar seu ato ou se é realmente necessária tal quantidade de doação, nos expõe a desilusões.

Suportamos por demasiado tempo a degradação imposta.

Como se sai dessa? Larga mão da humildade. Abra espaço na sua vida e reconquiste sua autoestima.

PENSE MAIS EM VOCÊ MESMO
Se todos seus esforços são orientados para ações que servem a outros, talvez não queira se ocupar de si mesmo. Reencontre espaço para sua própria vida ou irá buscar compensação excessiva, em termos de reconhecimento, do outro (s). Em tampo, saiba que tal compensação nunca chegará.

VALORIZE SUAS AÇÕES
Não caia num falso e contraproducente modelo de humildade. Comece por dar mais peso e valor ao que faz pelos outros, e se perceber que eles banalizam seus feitos, suspenda tudo e, sem meias palavras, clarifique a situação.

EVITE SURTOS DE ONIPOTENCIA
Não se sinta indispensável. Em sua ausência, as coisas continuariam andando, de forma diferente, mas continuariam. Pelo contrário, dê valor ao modo como faz as coisas, não à quantidade delas. A unicidade é mais visível que a quantidade.

IDENTIFIQUE O QUE É NECESSÁRIO
Há algo em demasia naquilo que você dá e na forma que o faz. Entenda o que é realmente preciso cada vez: o “realmente necessário” será mais valorizado do que “tudo, já, sempre”, e será também mais eficaz.

Se - Rudyard Kipling

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!

http://www.riza.it/psicologia/tu/2574/cerchi-l-autostima-basta-sacrifici.html

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