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sábado, 17 de setembro de 2016

PERCEPÇÃO E REALIDADE

“O medo e a paranóia criam muitas de nossas lutas mundanas. Colocamos algo em nossa mente e nossa percepção distorcida esculpe a realidade do que vemos. Mesmo que o que vemos não esteja realmente lá, tendemos a agir como se estivesse. Então começamos a colocar pessoas e coisas em caixas, rotulando-as e limitando-as devido a nossos medos.” Alaric Hutchinson, Living Peace

"Desde que me livrei da mídia sindicalizada e doutrinada, minha vida tornou-se um produto do que busco e não do que me disseram. Recomendo a todos, nesta era da informação, a exigir mais do que se procura em vez de simplesmente ficar usando a lista de favoritos em seu controle remoto."James Emlund

Neste momento em que tenho a impressão que o Apocalipse está se realizando, e vou me limitar a falar aqui do fenômeno Trump, desde que o que está acontecendo no Brasil não estou vivendo, só tomo conhecimento via midia e conversas com amigos, o que é muitissimo diferente de viver a coisa, vou me acalmar com as explicações das neurociências e das ciências sociais.

Por que chamo a coisa toda de Apocalipse? Por que, segundo o Webster, significa um grande desastre: um evento súbito e muito ruim que causa muito medo, perda ou destruição. E aqui nos USA, a coisa se evidencia nos seguidores do Trump, no geral brancos, classe de media a baixa, idade de 35 para cima, que é exatamente a camada da população que está morrendo de puro desespero, como evidenciado nos seguintes artigos:

Why Are So Many Middle-Aged White Americans Dying? (Por que tantos brancos de meia idade estão morrendo?) CLIQUE AQUI

Donald Trump Is Winning Because White America Is Dying (Donald Trump está ganhando porque a America branca está morrendo) CLIQUE AQUI

Why so many white American men are dying (O por que tantos Americanos brancos estão morrendo)
CLIQUE AQUI

America’s self-destructive (America auto destrutiva) CLIQUE AQUI

A group of middle-aged whites in the U.S. is dying at a startling rate (Um grupo de homens brancos de meia idade nos USA está morrendo em numeros espantosos) CLIQUE AQUI

A new divide in American death (Novo divisor na morte de Americanos)CLIQUE AQUI

Aqui vai um resumão de todos eles:
“Por que os Americanos estão se matando? O fato em si , provavelmente, a mais importante descoberta das ciências sociais em décadas, é a política americana. As pessoas que compõem este grupo são, em grande parte, responsaveis pela liderança de Donald Trump. A questão chave é o porquê, e as respostas sugerem que a raiva que domina a política Americana só vai piorar. Durante décadas, as pessoas nos países ricos viveram mais, mas os economistas Angus Deaton e Anne Case descobriram que ao longo dos últimos 15 anos, um grupo de brancos de meia-idade nos Estados Unidos está morrendo de forma alarmante e em números crescentes e é muito pior para aqueles com apenas um diploma do ensino médio ou menos. A diferença, em comparação com outros países e grupos é enorme. As principais causas de morte são: suicídio, alcoolismo, overdoses de medicamentos e drogas ilegais. Estas circunstâncias são geralmente causadas por stress, depressão e desespero. O único pico comparável em mortes em um país industrializado ocorreu entre os homens russos depois do colapso da União Soviética, quando a taxa de alcoolismo disparou. A explicação convencional para essa ansiedade da classe média é que a globalização e as mudanças tecnológicas têm colocado pressões crescentes sobre o trabalhador médio em nações industrializadas. Mas a tendência está ausente em qualquer outro país ocidental, sendo um fenômeno exclusivamente americano. E os USA na realidade, é relativamente isolado das pressões da globalização, tendo um vasto mercado interno, auto-suficiente. O comércio com outros paises representa apenas 23% da economia, em comparação com 71% na Alemanha e 45% na França.
Especula-se que talvez Estado social mais generoso na Europa, alivia alguns dos medos associados a rápidas mudanças, enquanto aqui nos USA, médicos e empresas farmacêuticas lidam com a dor física e psicológica com drogas incluindo opióides potentes e viciantes. A introdução de medicamentos, tais como o Oxycontin, um analgésico semelhante à heroína, coincide com o aumento do número de mortes.
Mas por que não se vê essa tendência entre outros grupos étnicos na América? Enquanto as taxas de mortalidade para brancos de meia-idade aumentou, as taxas para hispânicos e negros continuaram a diminuir significativamente. Estes grupos vivem no mesmo país e enfrentam pressões econômicas muito maiores do que os brancos. Por que não estão em desespero similar?
A resposta pode estar nas expectativas. Esses grupos não esperam que sua renda, padrão de vida e status social estejam destinados a melhorar de forma constante. Eles não têm a mesma confiança de que, se eles trabalham duro, vão certamente subir na vida. Na verdade, depois de centenas de anos de escravidão, segregação e racismo, os negros desenvolveram maneiras de lidar com a decepção e as injustiças da vida: através da família, arte, discurso de protesto e, acima de tudo, a religião.
"Vocês são os veteranos do sofrimento criativo," disse Martin Luther King Jr. aos negros em seu famoso discurso"I Have a Dream", em 1963. "Continuem trabalhando com a fé de que o sofrimento imerecido é redentor" E explicou a questão em termos pessoais: "Com meus sofrimentos, percebi que havia duas maneiras de responder à minha situação: ou reagir com amargura ou procurar transformar o sofrimento em uma força criativa. As experiências dos latino-americanos e imigrantes nos Estados Unidos são diferentes, mas esses grupos não acreditam que seu lugar na sociedade é garantido. Minorias, por definição, estão nas margens. Elas não presumem que o sistema está configurado a seu favor. Eles tentam duro e esperam ter sucesso, mas não o esperam como norma. Os USA estão passando por uma grande mudança, e embora os brancos da classe trabalhadora não pensem em si mesmos como um grupo de elite, é o que eles têm sido, certamente em comparação com os negros, hispânicos, indios americanos e a maioria dos imigrantes. Eles foram fundamentais para a economia americana, sua sociedade, de fato sua própria identidade. E não são mais. Donald Trump prometeu que vai mudar isso e fazê-los vencer novamente. Mas ele não pode. Ninguém pode. E no fundo, eles sabem disso. E é exatamente o que provoca o furor e as mortes.”

Ou seja, os brancos, se sentindo incapacitados de lidar com o que percebem como uma mudança para pior, não conseguem se adaptar às novas realidades e transformam seu mundo num redemoinho de ódio, provando a teoria da evolução que diz que a sobrevivência de um organismo está diretamente relacionada à sua capacidade de adaptação a um meio em constante mudança.

Mas, qual é a grande diferença entre percepção e realidade?

Por definição, PERCEPÇÃO (do latim perceptio, percipio) é a organização, identificação e interpretação das informações sensoriais, a fim de representar e compreender o ambiente. Toda percepção envolve sinais no sistema nervoso, que por sua vez resultam na estimulação física ou química dos órgãos dos sentidos.
Já REALIDADE é o mundo ou o estado das coisas como elas realmente são, ao contrário de uma ideia idealista ou fictícia das mesmas.

Por exemplo, percepção é aquela saudade dos “bons velhos tempos”, como o mundo era muito melhor quando… (eramos crianças, adolescentes, adultos jovens, etc…).

A Percepção é sempre uma Projeção e as coisas nem sempre são o que parecem ser, coisa muito usada por comerciantes, marqueteiros e politicos, para nos fazer ver as coisas como eles querem que as vejamos. Eles são ótimos em nos dizer tudo o que queremos ouvir, sem qualquer indício de verdade no discurso todo inteiro. O mundo que vemos é o reflexo de quem somos e no que acreditamos, e a profecia auto-realizável estabelece a base deste conceito: uma declaração que altera as ações e, portanto, torna-se verdade. Inconscientemente, mudamos nossas ações para que nossa previsão seja cumprida. Lembra da Faculdade, daquela matéria que você detestava, e de como passou muito mais tempo pensando sobre o quanto a detestava ao invéz de tentar entender a coisa, e o resultado nas notas? Pois é. Muitas vezes, a maneira como percebemos a realidade é colorida pela forma como queremos que ela seja, em vez de simplesmente a maneira como é.

A Percepção impulsiona nosso comportamento todo o tempo. Veja o exemplo simples do Facebook. Não lhe dá a impressão que o mundo é constituido de pessoas lindas, fantásticas, de bem com a vida, cheias de sucesso, e você é a única que acorda descabelada, tem dor de barriga e não está cheia de amor para dar à larga? Ou qualquer propaganda de creme para rugas, estrelado por uma modelo maravilhosa de 20 anos, que, para inicio de conversa, não tem rugas?

Só para dar um exemplo, o rendimento da indústria dos cosméticos, só aqui nos USA, para o ano de 2015, foi de $56,875,000,000 (56 BILHÕES de dólares e quebradinhos).

Uma pessoa pode alugar uma Ferrari e um smoking, aparecer no Jockey Club, comprar uma garrafa de champagne carissima e parecer milionaria. Esta pessoa está criando sua própria percepção, criando uma ilusão. Não importa que essa pessoa não seja nenhum milionário porque vamos percebê-la como se fora. Esta pessoa está “criando uma realidade” de que está fazendo grandes coisas, e na verdade, pode não estar fazendo porcaria nenhuma.

E essa é exatamente a grande capacidade de nosso Donald aqui. Ele vendeu a idéia de si mesmo como um grande homem de negócios, que se fez a si mesmo, tipo um Bill Gates ou Steve Jobs imobiliário, quando na realidade, a fortuna veio de seu pai e todos os negócios nos quais se meteu, cassinos, companhias de aviação, fabrica de vodka, carne, faliram miseravelmente. Mas ele teve um grande sucesso: um reality show chamado “The Apprentice” (O aprendiz), no qual o grand finale era sempre a frase “You are fired” (Você está despedido).
E também foi despedido do canal de TV onde esse programa ia ao ar, só que essa informação apareceu pouquissimo na mídia, que passou a lhe dar, de graça, o maior tempo de exposição, tendo assim a possibilidade de espalhar seu discurso cheio de ódio, apontando os dedinhos gordinhos para “os grandes culpados”pela queda de importancia daquele pedaço da população que, em não querendo mudar ou se adaptar aos novos tempos, precisa desesperadamente de um culpado fora de si onde despejar sua frustração. E quem são esses culpados? Os mexicanos, que além de serem estupradores, ladrões e chefes de cartel de Drogas, estão tirando os empregos dos pobres Americanos trabalhadores. E não importa o fato que a indústria dos alimentos pararia se não fossem os citados mexicanos, já que os Americanos se recusam a trabalhar debaixo do sol para catar laranja, maçã e as demais frutas e verduras. Também não interessa o fato de que as camisas e gravatas da linha Trump sejam manufaturadas na Indonésia e México. Outros culpados são os malditos liberais que, horror dos horrores, estão tentando extender Saúde à grande parte da população que não tem acesso. Aqui, se não se tiver um bom emprego que pague (só a metade) de um Seguro Saúde, danou-se. E mesmo assim, a grande parte das falências pessoais é causada por contas médico/hospitalares (Medical Bills Are the Biggest Cause of US Bankruptcies: Study (Conta Médicas são a maior causa de falência nos USA CLIQUE AQUI). Outros culpados: os negros, violentos e que não querem trabalhar, e mulheres, essas desastradas, que querem decidir sobre o que fazer com o própio corpo.

Triste de concluir, mas nossas percepções se transformam em nossa realidade.

"Tudo o que você ve, ouvie ou experiencia de qualquer maneira é específico para você. Você cria um universo único a partir de suas própias percepções " Douglas Adams

Use um minuto para examinar o lugar onde você está. É um lugar familiar ou novo? Pare de ler isto e olhe ao seu redor. Escolha um objeto, de preferência algo que você não tenha notado antes, e foque sua atenção nele. Se realmente se concentrar, tal objeto vai ficar mais brilhante e mais "real" do que antes, quando era só meio que despercebido, um barulho de fundo. Agora, observe os arredores a partir do ponto do objeto. Algumas pessoas podem fazer isso sem nenhum esforço, e para outros, é preciso alguma concentração. Dependendo de como você está treinado a se concentrar, poderá notar uma ligeira mudança em sua percepção, um salto estranho na realidade, onde, de repente, está vendo o mundo de uma perspectiva diferente. Funcionou? Quer tenha ou não percebido, sua percepção mudou, nem que tenha sido por apenas um instante.

Por que é importante estarmos conscientes de nossas percepções? Porque, se não estivermos, alguém vai criá-las por nós.

Já viu os incriveis desenhos nas calçadas feitos por Julian Beever? Ele utiliza uma técnica chamada Trompe l'oeil, que significa "enganar o olho" em francês. Ele usa imagens estáticas de desenho para criar uma percepção. É uma ilusão de ótica, e nesses casos, nossa mente tenta preencher os detalhes de algo que, ou pensa que já sabe, ou não está entendo muito bem. Isso funciona muito bem, quando essa é a intenção: momentaneamente deixar nosso mundo ser moldado por pura diversão. Mas, vagar pela vida, deixando que outros criem nossas percepções, pode ser muito perigoso, como tão bem e tão tristemente nos mostra a morte precoce de um número enorme de Americanos.

O problema é que, de certa forma, a percepção é tudo o que temos. Não é possível experimentar a realidade física, o que é "lá fora", diretamente, e assim vivemos dentro do mundo de nossas percepções. Nosso cérebro faz o melhor possivel para manter nossas percepções consistentes com a realidade física, com base nas informações que recebe dos sentidos, mas é só isso, nada mais pode fazer.

Ao mesmo tempo, o nosso sistema perceptivo é construído de modo que o que experimentamos, sentimos como realidade física, e a tradução do cérebro da percepção em um modelo da realidade é tão automática que não só não estamos cientes do que está acontecendo, mas é preciso prática e treinamento para nos tornarmos cientes disso. Esta consciência inclui todos os erros e distorções que nossos processos perceptivos rotineiramente impõem sobre nossa experiência, como nas ilusões de ótica.

Assim, a fim e a cabo, somos apenas capazes de interagir com a realidade, e é essa interação que nos permite realizar experimentos para determinar a verdadeira natureza de realidade ou, pelo menos, para chegar mais e mais perto de sua verdadeira natureza. Todas as vezes que temos alguma interação, tipo sair andando, ou atender o telefone, ou falar de nossos sentimentos com outra pessoa, qualquer coisa que façamos, de alguma forma estamos alterando a realidade física. Vemos essa mudança com nossa percepção, e a usamos para deduzir o que está acontecendo no mundo. Um dos problemas das pessoas com esquizofrenia, é que sua percepção está tão alterada que eles desenvolvem alucinações e delirios, e essa enorme alteração, para eles, é a realidade.

O problema é que, para a maioria de nós, não esquizofrenicos, há a crença que nossa percepção é igual a realidade, e como cada um de nós tem uma percepção diferente do mundo, criada pelo nosso temperamento inato, educação recebida em casa e na escola, cultura na qual vivemos, crenças que temos, livros que lemos, escolhas que fazemos, etc. etc e etc., a torre de Babel está instalada e aumentando a cada dia.

E isso não só torna nossa vida bem mais dificil do que deveria ser, mas também conseguimos transformar o mundo num imenso desastre.

Então qual a solução?

A antiquissima “Conhece-te a ti mesmo”, usada desde o frontispicio do Templo de Delfos a Freud, e a tarefa mais árdua para um ser humano. Sempre foi muito mais fácil apontar o dedo em alguma direção e culpar “o outro”, “a sociedade”,” a política”, “a religião ópio dos povos”, “a mídia”, enfim, a escolha é vasta.

Então pensa se sua “realidade” tem base em fatos verificaveis ou se está sendo levado/a por campanhas, porque todos seus amigos pensam assim, porque você é de direita, esquerda, judeu, cristão, mussulmano, ateu, porque não quer pensar nisso, porque se sente virtuoso apontando dedos, porque se sente impotente para mudar seja lá o que achar que tem que ser mudado. Melhor ainda, pega papel e caneta e escreve sua história. Quando e como você a decidiu? O que você poderia mudar em você mesmo, que mudaria toda a história? Você realmente escuta uma opinião diferente, ou quando o outro está falando, já está pensando em como responder sem ouvir direito o que é dito? Quais são suas expectativas, a respeito de você mesmo e a respeito do mundo?

Use verbos, que de adjetivos o mundo está cheio e cada um de nós os interpreta diferente. Ao invéz de pensar no amor substantivo, pensa no que implica o verbo amar.

O simples ato de escrever, vai mudar sua percepção, mudando assim a realidade.

Também tenho consciência que quase ninguém vai fazer isso, porque é também sina humana a resistência à mudança.

E docendo disco, scribendo cogito

BIBLIOGRAFIA

Behavioral Confirmation in Social Interaction: From Social Perception to Social Reality CLIQUE AQUI

Crónica de una muerte anunciada, Gabriel García Márquez  CLIQUE AQUI PDF

Defining Virtual Reality: Dimensions Determining Telepresence CLIQUE AQUI

Mind: perception and thought in their constructive aspects: CLIQUE AQUI

Perception and Reality: A National Evaluation of Social Norms Marketing Interventions to Reduce College Students’ Heavy Alcohol Use CLIQUE AQUI

Perception vs. reality CLIQUE AQUI

Perception and reality The truth behind consumer confidence CLIQUE AQUI

Social Perception and Social Reality: A reflection-construction model CLIQUE AQUI

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