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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

METAS PARA TODOS NÓS PSI EM 2016

Quando li esse artigo do colega, sabia que não poderia deixar de compartilhá-lo. O link para o artigo original está no final.

FELIZ ANO NOVO!

"Resoluções para o novo ano são um ritual interessante e, geralmente, de curta duração, mundo afora. Por outro lado, os que pelo menos se dão ao trabalho de passar pelo ritual, exibem um certo grau de auto reflexão e insight a respeito da necessidade de ajustamentos na vida. Tais decisões,na realidade, podem ser tomadas a qualquer momento, mas o advento de um novo ano é um sinal poderoso de um novo começo, outra oportunidade de vida, um potencial ponto de mudança. Embutido nessas resoluções, está um senso subliminar de urgência para corrigir deficiências negligenciadas, pois o calendário impiedosamente aponta para o envelhecimento inevitável e à marcha inexorável do tempo.

UMA PERSPECTIVA PSIQUIATRICA

Para os psiquiatras, as resoluções de Ano Novo transcendem o (muitas vezes efêmero) impulso de começar uma dieta ou começar a ir à academia. Nós temos uma perspectiva única sobre os desafios que nossos pacientes enfrentam todos os dias, como eles lidam com as demandas complexas da vida, apesar de sua ansiedade, depressão ou psicose.
Estamos conscientes das muitas necessidades não satisfeitas na gestão de distúrbios cerebrais neuropsiquiátricos complexos e os principais desafios, como o de apagar o estigma oneroso que engolfa nossos pacientes e a prática da psiquiatria em si, apesar de sua nobre missão de reparar cérebros fraturados, consertar almas torturadas, e restaurar a paz da mente e o bem-estar. Estamos orgulhosos de nossas realizações clínicas e científicas, mas também estamos dolorosamente conscientes de nossas limitações e do enorme abismo entre o que sabemos e o que viremos a saber, quando o cérebro nos revelar seus mistérios gloriosos através da investigação neurocientífica.

QUAIS PODEM SER NOSSAS DECISÕES?

Aqui está minha proposta de resoluções pragmáticas, que muitos psiquiatras vão enxergar como parte de sua perpétua lista do que fazer, um balde de metas e objetivos queridos e bravos, novos horizontes para trazer saúde mental completa para nossos pacientes e gratificação incomensurável para nós, que sonhamos em curas para doenças cerebrais que provocam várias doenças da mente.

1-Atue como qualquer outro médico, enfatizando a fundação médica da psiquiatria: sempre verifique a saúde física do paciente e monitore seu estado cardiometabólico. Vista a jaqueta branca (simbólica ou não), que muitas vezes melhora a relação médico-paciente.

2-Dedique uma porcentagem significativa de sua prática para os pacientes mais graves. Tem um monte de profissionais da saúde, não medicos, suficientes para tratar gente que anda preocupada demais ou precisa só de um apoio ou um conselho.

3-Advogue incansavelmente em todas suas esferas de influência, e publicamente, para que haja verdadeira paridade quanto a cobertura de transtornos psiquiátricos como qualquer outra doença, e também para uma aceitação social global e compassiva.

4- Trabalhe vigorosamente por internação em vez de prisão para doentes mentais graves porque a psicose é uma doença do cérebro, não uma ofensa criminal.

5-Adote a prática psiquiátrica baseada em evidências, sempre que possível, para alcançar os melhores resultados. Porém, e criteriosamente, use o que for possivel, se não existem tratamentos baseados em evidências, para mitigar o sofrimento de um paciente.

6- Evite polifarmacoterapia absurda e irracional, mas não hesite em usar racionais e benéficas combinações terapeuticas.

7- Dê pelo menos uma hora por semana de trabalho pro bono (voluntário)psiquiátrico para indigentes e carentes. As recompensas de dar o que equivale a uma semana por ano são infinitamente mais gratificante do que alguns dólares a mais na conta bancária.

8- Evite chamar a pessoa doente de “cliente”, pelo menos até que oncologistas e cardiologistas façam o mesmo. Recuse-se a abrir mão de sua identidade de médico nas inúmeras clinicas não médicas de saúde mental.

9- Nunca, mas nunca mesmo deixe que o paciente saia de seu consultorio sem, pelo menos, 15 minutos de psicoterapia, mesmo que seja só parte de checagem médica da saúde do mesmo.

10- Mantenha-se atualizado e na vanguarda da evolução da prática psiquiátrica, entrando na PubMed todos os dias (mesmo que brevemente) para ler alguns resumos dos mais recentes estudos relacionados aos pacientes que viu naquele dia.

11- Pense como um neurologista, identificando os circuitos neurais dos sintomas psiquiátricos. Aja como um cardiologista fazendo todo o medicamente possível para evitar a recorrência de episódios psicóticos, maníacos, depressivos, porque eles danificam o tecido cerebral, assim como um infarto do miocárdio danifica o tecido cardiaco.

12- Apoie a pesquisa com palavras, dinheiro e paixão. Descobertas neurocientíficas psiquiátricas geram tratamentos superiores, apagam o estigma e promovem a qualidade de vida dos pacientes. Doe anualmente aos pesquisadores de sua escolha, na escola de medicina onde foi treinado, ou para um instituto de pesquisa sem fins lucrativos

13-Arranje tempo de escrever para publicação, anualmente, pelo menos um relato de caso ou uma carta ao editor sobre as observações de sua prática. Você pode contribuir imensamente para o processo de descoberta através da partilha de novos conhecimentos clínicos.

14-Nunca desista de qualquer paciente ou defina expectativas muito baixas, independentemente do diagnóstico ou da gravidade da doença. Desistir destrói a esperança e abre as portas para o desânimo. Obtenha uma segunda, terceira, quarta opinião se ficar sem opções.

15- Sempre defina remissão seguida de recuperação, como a meta terapêutica para cada paciente. Deixe o paciente saber disso e pede a ele (ela) a se comprometer com esse objetivo com você. Isso tambem é chamado de contrato terapeutico.

16- Orgulhe-se de ser psiquiatra. Você avalia os distúrbios da mente e os rectifica.A mente é o produto mais complexo e mágico do cérebro humano, que determina quem nós somos e como pensamos, sentimos, comunicamos, verbalizamos, empatiazamos, amamos, odiamos, lembramos, planejamos, resolvemos problemas, e, é claro, fazemos resoluções.

E, voltando à dieta e exercícios, para nossos pacientes e nós mesmos, inclua nas suas resoluções de ano novo, a promessa de incentivar fortemente os pacientes a fazer dieta e exercícios, dada a tendência de muitos deles a ganhar peso e morrerem prematuramente em conseqüência de fatores de risco cardiometabólico relacionados com a obesidade. Exorte-os e exorte-se a comer saudável e exercitar-se, toda vez que encontrá-los, não apenas no Ano Novo".

ARTIGO ORIGINAL  CLIQUE AQUI

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