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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

OS 5 MITOS DO TERRORISMO

Estamos vivendo, como diz a maldição chinesa, tempos interessantes. E assustadores. Em duas semanas, tivemos ataques terroristas em práticamente todo o globo, e me perdoem se considero a quebra das barragens no Brasil, só mais um, de tipo diferente. E, com o estimulo da mídia falada, escrita, televisada, internetificada, surtamos.

Aqui nos USA, a terra dos livres e dos fortes, os candidatos republicanos à presidência não perderam tempo em usar os acontecimentos como alavanca e, jogando lenha na fogueira, vieram a público declarar, após a perfeição da fala de Obama: "Nós não estamos bem servidos quando, em resposta a um ataque terrorista, aumentamos o medo e o pânico .Não são boas decisões se são baseadas em histeria ou num exagero dos riscos.”

Donald Trump: “Temos que rastear todos os mussulmanos nesse pais, e segui-los de perto. Também temos que considerar o fechamento de suas mesquitas.”

Ben Carson: “Os refugiados da Siria deveriam ser testados assim como testamos cães raivosos”.

Jef Bush e Ted Cruz acham que só deveríamos deixar entrar cristãos nessa terra, como se cristãos nunca tivessem praticado atos de terrorismo.

Aqui vai uma pequena amostra do que digo:

Europa: Ataques cometidos por islâmicos foram menos de 2%. Segundo a Europol (Agência anti terrorismo da União Européia), a grande maioria dos ataques foi de grupos separatistas. Em 2013 aconteceram 152 ataques, dos quais, só 2 de motivação religiosa e 84 por crenças separatistas. O grupo FLNC, francês, que quer a Córsega independente, em dezembro de 2013 fez múltiplos e simultâneos ataques a centrais policiais em 2 cidades da França.
No mesmo ano, na Grécia, o grupo esquerdista Força Militante Popular Revolucionária, matou a tiros duas pessoas do partido de direita. Na Itália, o grupo anarquista FAI perpetrou vários ataques terroristas, incluindo o mandar uma bomba a um jornalista. E a lista é longa...

Quantos de nós ouvimos falar disso? Pois é, pura questão retórica.
Ouviu falar dos terroristas budistas? Pois bem, budistas extremistas vem matando mussulmanos em Burna e há pouco tempo atrás, no Sri Lanka, queimaram suas casas, queimando 2 deles.
Ou terroristas judeus? O relatório do Departamento do Estado sobre terrorismo em 2013, mostrou 399 atos de terror cometidos por colonos israelenses, conhecidos como ataques de "etiqueta de preço". Estes terroristas judeus atacaram civis palestinos, causando lesões físicas a 93 deles e também vandalizaram dezenas de mesquitas e igrejas cristãs.

Um estudo do FBI sobre terrorismo cometidos em solo americano, entre 1980 e 2005 revelou que 94% dos ataques terroristas foram cometidos por não-muçulmanos. 42% por grupos latinos, seguido por 24% por grupos de extrema esquerda.
E num estudo de 2014, a Universidade da Carolina do Norte descobriu que, desde os ataques de 9/11, o terrorismo muçulmano custou a vida de 37 norte-americanos. Nesse mesmo período, mais de 190.000 americanos foram assassinados, sem nenhuma relação com terrorismo de qualquer espécie ou cor. (http://kurzman.unc.edu/muslim-american-terrorism/)

De fato, em 2013, foi mais provável ser morto por uma criança do que um terrorista. Naquele ano, 3 norte-americanos foram mortos no bombardeio da Maratona de Boston, enquanto 5 por crianças que, acidentalmente, dispararam uma arma.

Mas nossa mídia simplesmente não cobre ataques terroristas não-muçulmanos com o mesmo entusiasmo. Por quê? É uma decisão de negócios. Histórias sobre "outros", que são assustadores, vende mais e melhor. É uma história que pode simplesmente ser enquadrada como bem contra o mal com os americanos sendo os mocinhos e os muçulmanos, marrons e feios, os bandidos.

Fala sério, quando foi a última vez que ouvimos os meios de comunicação se referirem àqueles que atacam as clínicas de saúde da mulher (informo, a única coisa de saúde, gratuita nesta terra) como "terroristas" cristãos, embora estes ataques ocorram em 1 em cada 5 centros de saúde reprodutiva? Não vende bem. Afinal de contas somos uma chamada nação cristã, de modo que isso nos obrigaria a olhar para o inimigo interno, o que é extremamente desconfortavel. Ou pior, a gente muda de canal. É a mesma razão que não vemos muitas histórias sobre como reduzir os 30 americanos mortos a cada dia pela violência armada ou as 3 mulheres por dia mortas por violência doméstica.

E se acham que estou exagerando, informo que a CNN acabou de suspender uma jornalista, porque tweetou seu descontentamento com a lei passada no Congresso, a respeito de não permitir a entrada de refugiados sírios neste país. Seu tweet? “A Estátua da Liberdade inclina a cabeça, angustiada”.

E vamos ao artigo:

“O terrorismo provoca fortes emoções, e como consequências, lá vem os mitos . O primeiro começou em setembro de 2001, quando o presidente George W. Bush anunciou que "vamos livrar o mundo dos malfeitores" e que eles nos odeiam por "nossas liberdades". Este sentimento encarna, segundo o psicólogo da Universidade do Estado da Flórida, Roy F. Baumeister "o mito do mal puro", que sustenta que os autores cometem violência sem sentido e sem nenhuma razão racional.
Esta ideia é descartada por meio do estudo científico da agressão, na qual os psicólogos identificaram quatro tipos que são utilizados para um fim proposital (da perspectiva dos perpetradores): violência instrumental, tal como saque, conquista e eliminação de rivais; vingança, como vinganças contra adversários ou de justiça auto determinada; dominação e reconhecimento, como a competição por status e mulheres, sobretudo entre os jovens do sexo masculino; e ideologia, como crenças religiosas ou crenças utópicas. Os terroristas são motivados por uma mistura de todos os quatro.

Em um estudo de 52 casos de extremistas islâmicos que tiveram como alvo os EUA, o cientista político da Universidade de Ohio, John Mueller, concluiu que suas motivações foram, na maioria das vezes, instrumentais e orientadas para a vingança, uma "indignação” frente à política externa americana, em particular as guerras no Iraque e no Afeganistão, e o apoio do país a Israel no conflito palestino. A “ideologia na forma de religião" era uma parte da contrapartida para a maioria, mas não porque eles queriam espalhar a lei da Sharia ou estabelecer califados (alguns dos culpados seriam incapazes até de soletrar uma ou outra palavra). Pelo contrário, eles queriam era proteger seus correligionários contra o que era comumente visto como uma guerra concentrada sobre eles no Oriente Médio, pelo governo dos EUA.
Quanto à dominância e reconhecimento, antropólogo Scott Atran da Universidade de Michigan demonstrou que os homens-bomba (e suas famílias) são cobertoss com status e honra nesta vida e a promessa de mulheres na outra, e que a maioria "pertence a redes de família e amigos que morrem não apenas para uma causa, mas uns para os outros”. A maioria dos terroristas é composta de adolescentes ou jovens adultos, que, de per si já são particularmente propensas a movimentos que prometam uma causa significativa, camaradagem, aventura e glória.

Segunda falácia: os terroristas são parte de uma vasta rede global de conspirações controlados centralmente, contra a civilização ocidental. West-Atran mostra que é "um sistema descentralizado, auto-organizado e em constante evolução, com complexas redes sociais." Uma terceira noção falha é que os terroristas são gênios diabólicos, como quando o relatório da comissão de 9/11 os descreveu como "sofisticados, pacientes, disciplinados, e letais." Mas de acordo com o cientista político Max Abrahms da Universidade Johns Hopkins, após a decapitação da liderança do topo extremista das organizações terroristas que visaram o território americano, foi mostrado que não eram nem sofisticados nem intelectuais, mas tolos incompetentes. (Vamos pensar um pouco a respeito: que tipo de sofisticação é necessária para se carregar um fuzil, entrar num bar e simplesmente começar a atirar? Sofisticação é quando, mesmo que dê vontade de fazer isso, nos reprimimos pelo aprendizado moral.)
Exemplos não faltam: Richard Reid e seu sapato bomba no avião , em 2001, tendo sido incapaz de acender o pavio, porque molhou com a chuva;a bomba-cueca de Umar Farouk Abdulmutallab em 2009, o qual conseguiu apenas incendiar suas partes pudendas; o bombardeio da Times Square, de Faisal Shahzad em 2010, que conseguiu apenas a queimar o interior de seu Nissan Pathfinder; Rezwan Ferdaus em 2012, que conseguiu comprar explosivos falsos de agentes do FBI. Mais recentemente, em 2013, os bombardeiros da Maratona de Boston, que só tinham uma arma e nenhuma estratégia de fuga, além do seqüestro carro a gás que Dzhokhar Tsarnaev usou para atropelar seu irmão, Tamerlan, seguido de uma tentativa fracassada de suicídio dentro de um barco em terra.

Outra ficção é que o terrorismo é mortal. Em comparação com a média anual de 13.700 homicídios, no entanto, as mortes por terrorismo são estatisticamente mínimas, 33 aqui nos USA, desde 9/11 .

Finalmente, a quinta firula sobre terrorismo é que ele funciona. Em uma análise de 457 campanhas terroristas desde 1968, o cientista político da Universidade George Mason, Audrey Cronin, descobriu que nenhum grupo extremista conquistou um estado e que um total de 94% não conseguiu sequer ganhar um de seus objetivos estratégicos. Seu livro, de 2009, é intitulado How Terrorism Ends,Princeton University Press (Como termina o terrorismo). Ele termina rapidamente : os grupos sobrevivem oito anos em média, e mal, pela morte de seus líderes.

Temos de estar vigilantes, é claro, mas estes mitos apontam para a conclusão inexorável de que o terrorismo não é nada parecido com o que os seus autores gostariam que fosse.”
Para o artigo original clique aqui

Então gente, sugiro que se leia mais a carta de Antoine Leiris, aos que mataram sua esposa:

"Vocês não terão o meu ódio
Na noite de sexta-feira vocês acabaram com a vida de um ser excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho mas vocês não terão o meu ódio. Eu não sei quem são e não quero sabê-lo, são almas mortas. Se esse Deus pelo qual vocês matam, cegamente nos fez à sua imagem, cada bala no corpo da minha mulher terá sido uma ferida no seu coração.
Por isso eu não vos darei a prenda de vos odiar. Vocês procuraram-no mas responder ao ódio com a cólera seria ceder à mesma ignorância que vos fez ser quem são. Querem que eu tenha medo, que olhe para os meus concidadãos com um olhar desconfiado, que eu sacrifique a minha liberdade pela segurança. Perderam. Continuamos a jogar da mesma maneira.
Eu vi-a esta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Ela ainda estava tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira, tão bela como quando me apaixonei perdidamente por ela há mais de doze anos. Claro que estou devastado pela dor, concedo-vos esta pequena vitória, mas será de curta duração. Eu sei que ela nos vai acompanhar a cada dia e que nos vamos reencontrar no países das almas livres a que nunca terão acesso.
Nós somos dois, eu e o meu filho, mas somos mais fortes do que todos os exércitos do mundo. Eu não tenho mais tempo a dar-vos, eu quero juntar-me a Melvil que acorda da sua sesta. Ele só tem 17 meses, vai comer como todos os dias, depois vamos brincar como fazemos todos os dias e durante toda a sua vida este rapaz vai fazer-vos a afronta de ser feliz e livre. Porque não, vocês nunca terão o seu ódio."


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