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sábado, 17 de outubro de 2015

3 MANEIRAS SIMPLES DE APROVEITAR A PSICOLOGIA POSITIVA E SE TORNAR MAIS RESILIENTE.


Notem que disse simples, não necessáriamente fácil.

Todos nós queremos ser felizes, menos o Contardo que só quer que a vida seja interessante (e eu aqui me perguntando se essa não é a melhor definição de felicidade). Mas o fato é que a maioria de nós pensa “felicidade” como algo que vem junto com coisas como dinheiro, sucesso, amor, carro do ano, diamante no dedo, conta na Suíça, enfim, coisas fora de si mesmo. Ou então, que alguns poucos felizardos nascem felizes, com pleonasmo e tudo, e o resto de nós, enfim, vai levando.

Pois informo que não é bem assim.

Todos nós nascemos com a tendência a algum tipo de TEMPERAMENTO, que, por definição, é o nível característico e individual de intensidade e/ou excitabilidade emocional, o qual é, em geral, reconhecido nas primeiras semanas após o nascimento. É considerado como indicação precoce de personalidade, embora a última seja uma mistura de temperamento com experiências, mistura essa que define traços que vão durar vida afora.
Embora haja 38 subtipos de temperamento, a maioria pode ser agrupada em 9 grandes traços:

NÍVEL DE ATIVIDADE
É a "velocidade” ou o quão ativa é a criança. O bebê está sempre se mexendo ou é do tipo tranquilo, que fica sossegadinho? Tem dificuldade em ficar parado? Está sempre em movimento? Prefere atividades sedentárias? Crianças altamente ativas podem canalizar essa energia extra para o sucesso nos esportes ou em carreiras de alta energia, com muitas responsabilidades diferentes.

NÍVEL DE DISTRAÇÃO
É o grau de concentração e atenção exibidos quando a criança não está particularmente interessada em uma atividade. Esta característica refere-se à facilidade com a qual os estímulos externos interferem com o comportamento em andamento. É a criança facilmente distraída por sons ou qualquer outra coisa que aconteça enquanto mama? É fácil de acalmar quando chateado? Distrai-se facilmente ao seguir rotinas? Alta distração é vista como positiva, quando é fácil desviar a criança de um comportamento indesejável, mas visto como negativa quando impede a criança de terminar o trabalho da escola.

ENERGIA/INTENSIDADE
É positiva ou negativa a depender do nível da resposta. A criança reage fortemente e em voz alta a tudo, até mesmo a eventos relativamente menores? Mostra se está feliz, triste ou irritada, fortemente e de forma dramática? Fica quietinha quando chateada? Crianças intensas são mais propensas a ter as suas necessidades satisfeitas e podem ter uma profundidade de emoções raramente experimentada pelos outros. Essas crianças podem ser dotadas em artes dramáticas, embora seja desgastante conviver com elas.

REGULARIDADE
O traço se refere à previsibilidade das funções biológicas, como apetite e do sono. A criança fica com fome ou cansada, em esquemas previsíveis? Ou é imprevisível em termos de fome e cansaço? Como adultos, indivíduos irregulares funcionam melhor em trabalhos que requeiram viagens, mudanças, ou horas de trabalho incomuns.

LIMIAR SENSORIAL
Relacionado à forma como a criança é sensível a estímulos físicos. É a quantidade de estimulação (sons, sabores, toque, mudanças de temperatura) necessárias para produzir uma resposta. A criança reage positiva ou negativamente a sons específicos? Se assusta facilmente com sons? É um comedor exigente, não come quase nada ou engole tudo que vê pela frente? Responde positiva ou negativamente à sensação da roupa no corpo? Indivíduos altamente sensíveis são mais propensos a ser artísticos e criativos.

APROXIMAÇÃO/RETIRADA
Refere-se a resposta característica da criança a uma nova situação ou a estranhos. A criança se atira em novas situações ou pessoas? Ou parece hesitante e resistente quando confrontada com novas situações, pessoas ou coisas? Criança que hesitam frente a coisas tendem a pensar antes de agir, sendo, portanto, menos propensas a agir impulsivamente durante a adolescência.

ADAPTABILIDADE
Relacionada com a facilidade com que a criança se adapta às transições e mudanças, como a mudança para uma nova atividade. A criança tem dificuldade com mudanças nas rotinas, ou com transições de uma atividade para outra? Levar um tempão para se tornar confortável a novas situações? Uma criança lenta na adaptação, tem menos chances de se meter em situações perigosas, e pode ser menos influenciada pela pressão do grupo.

PERSISTÊNCIA
É o período de tempo que uma criança continua em atividade em face a obstáculos. A criança continuar a trabalhar em um quebra-cabeça quando tem dificuldade ou larga tudo e vai fazer outra coisa? É capaz de esperar para ter suas necessidades atendidas? Reage fortemente quando interrompida em uma atividade? Quando uma criança persiste em uma atividade, quando mandada parar, é rotulada como teimosa. Quando uma criança fica com um quebra-cabeça difícil, é vista como sendo paciente. Crianças altamente persistentes provavelmente terão mais sucesso em atingir metas, enquanto as pouco persistentes podem desenvolver fortes habilidades sociais, porque percebem logo que outras pessoas podem ajudar.

HUMOR
Esta é a tendência da reação da criança em relação ao mundo, de forma positiva ou negativa. A criança vê o copo meio cheio? Se concentra nos aspectos positivos ou negativos da vida? Geralmente, parece feliz? É geralmente séria? Crianças graves/sérias tendem a ser analíticas e avaliar as situações com cuidado.

Pois bem, vamos deixar claro que o acima são só tendências, e não destino. É óbvio que, quando fazemos algo em cima de nossas tendências naturais, a coisa, seja lá o que esta for, sai mais fácil, e se, alguém com tendências artísticas resolve trabalhar como contador, vai ter enorme dificuldade em se sentir alegre e satisfeito.
Mas, felicidade, ou a vivência dela, é questão, como todo o resto na vida, de exercício e repetição constantes. Alguém acha que, se andar 15 minutos, uma vez por mês, vai trazer alguma melhora para sua saúde? Provavelmente, não. Então, por que será que achamos que, se lermos um livro ou assistirmos uma palestra de autoajuda, tudo mudará magicamente? Por que será que sofremos o inferno, esperando e querendo que “os outros “ou o mundo se modifiquem à nossa imagem e semelhança, e quando isso não acontece, nos frustramos de maneira horrível?



Porque, embora saibamos, intelectualmente, que a única constante na vida é mudança, visceralmente nos recusamos ao trabalho hercúleo de, não só nos conhecermos, mas de modificar, em nós mesmos, aqueles traços que nos atrapalham na vivência pessoal e coletiva.
Nos agarramos a ideias, percepções e conceitos com data vencida, da mesma maneira que nos agarramos a roupas e sapatos que não usamos há anos, que só entopem os guarda roupas, mas que, de alguma forma, foram importantes em algum momento de nossa vida passada. E que é só isso, passada.
E, como se sabe, guarda roupas ou cérebros entupidos, não deixam espaço para coisas novas.


O velho aforismo grego: CONHECE-TE A TI MESMO (γνῶθι σεαυτόν), gravado no frontispício do Templo de Apolo, em Delfos (sim, o mesmo do oráculo), vem sendo repetido sem parar, de Platão e Aristófanes, de Thomas Hobbe a Benjamin Franklin, de Freud ao filme Matrix, e consta como moto de fraternidades em Universidades, como a Delta-Delta-Delta (Autoconhecimento, Auto Reverência, Autodisciplina).
E nós continuamos nos recusando a dar o mergulho.

Vamos em busca de explicações para nossas vivências que vão de crenças em vidas passadas, a culpar abduções alienígenas, a crer em poderes de “olho gordo”, inveja de outrem, política municipal, estadual, federal, mundial, criando a mentalidade de “nós certos eles errados”, chegando às barbáries que assistimos todos os dias, de crianças a morrer de fome, a crianças a morrer em praias, fugindo de guerras tribais.

Homero, na Odisseia, colocou as seguintes palavras na boca de Zeus: “Como são loucos esses homens que nos culpam pelas consequências de suas tresloucadas ações. ” (OK, admito, minha tradução do italiano perdeu muito em sua força, mas dá para entender o conceito, não é?)
Então, sejam quais forem suas tendências temperamentais inatas, ou a soma total de suas experiências até o momento, sugiro os seguintes exercícios diários para desenvolver resiliência, e navegar, qual Ulisses, os mares bravios da existência:

EXPRESSE GRATIDÃO    
Gratidão nada mais é do que apreciação pelo que se tem, desde um teto sobre nossa cabeça, a saúde, gente que se importa conosco, amigos, família, momentos preciosos de solidão, livros, cachorro, periquito, papagaio, sei lá, enfim, tudo que consideramos importante. Quando reconhecemos o que é bom e belo em nossa vida, começamos a perceber que a fonte disso se encontra, pelo menos parcialmente, fora de nós mesmos. Desta forma, a gratidão nos ajuda na conexão com algo maior do que nossa experiência individual - seja isso outras pessoas, a natureza, um poder superior, o Universo, uma causa que nos é cara... separe alguns minutos todos os dias e pense sobre cinco coisas, pequenas ou grandes, às quais é grato. Anote-as, se quiser. Seja específico e lembre o que cada coisa significa para você, e só para você. Pessoalmente, adoro o exercício de escrever, o que além de tudo, me permite ver o fluxo depois de um tempo. As coisas que continuam, as que mudaram, as novas que foram aparecendo.

FORTALEÇA SEUS PONTOS FORTES
Para colher os benefícios de nossos pontos fortes, primeiro precisamos saber quais são (e lá vem de novo o “conhece-te a ti mesmo”). Infelizmente, de acordo com um estudo britânico, apenas cerca de 1/3 das pessoas têm uma compreensão útil de seus pontos fortes. Se fazemos algo que, para nós fica fácil, tomamos isso como garantido, e não como uma força a ser explorada. Se não tiver certeza de seus pontos fortes, peça a alguém para identificá-los. Pai, mãe, irmãos, primos, parentes e amigos, são ótimos para isso. Vão lhe contar histórias, anedotas, e no meio, suas forças e fraquezas, como ninguém. Meu pai tinha dois apelidos para mim. Um, era “cuor contento” (coração contente), pois dizia ele que eu era capaz de estar de bem com a vida, nas mais estapafúrdias situações. O outro era “divisão Panzer”, pois funcionava feito tanque de guerra alemão, na segunda guerra mundial: demorava para pegar, mas quando se punha em movimento, não havia o que os parasse. Quer metáfora mais clara? Pois é. E mesmo assim levei uma vida inteira para aprender a usar.
Certos pontos fortes são os mais estreitamente ligados à felicidade, e incluem gratidão, esperança, vitalidade, curiosidade e amor. Estas forças são tão importantes que vale a pena cultiva-las e aplicar em nossa vida diária, mesmo se, no começo, não nos venham de forma espontânea.

SABOREIE O QUE É BOM
A maioria das pessoas está pronta para experimentar o prazer em momentos especiais, tipo no casamento, férias, recebimento do diploma, paixão nova, essas coisas, enquanto os prazeres cotidianos deslizam sem qualquer efeito, feito água em penas de pato. Saborear significa colocar a atenção no prazer, enquanto e como este ocorre e, de forma consciente, desfrutar da experiência como ela se desenrola. Sabe aquele primeiro gole de café, recém-saído da cama? O cheiro que sai da xícara, a experiência da coisa escorrendo pela sua língua, descendo e o inundando de quentura? Pois é. Principalmente para aqueles que, como eu, acordam com apenas 2 neurônios, um que sobe, outro que desce e com enorme mata burro no meio. Passei bom tempo invejando esses seres superiores que saltam da cama cheios de energia, prontos para o dia, com um sorriso na cara. Agora, aprecio café. Apreciar os tesouros da vida, grandes e pequenos, ajuda a construir a felicidade. Fazer um punhado de coisas ao mesmo tempo (o odioso multitasking) é o inimigo de saborear. Pode se tentar com a maior fé, mas não dá para prestar completa atenção em várias coisas, ao mesmo tempo. Se lemos jornal, vemos TV e engolimos o café da manhã, certamente que não estamos extraindo todo o prazer que poderíamos, da refeição, ou do jornal, ou da TV. Se estamos andando no meio de um parque lindo, mas mentalmente revendo nossa lista de afazeres do dia, estaremos perdendo o momento.

Então, minha gente, conheçam-se a sim mesmos e embora Carpe Diem!

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