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sexta-feira, 2 de maio de 2014

CINCO DICAS PARA EFICÁCIA

Li esse artigo no Times, e naturalmente fui dar uma pesquisada no material que eles ofereceram. Isso tudo só me lembrou a velha frase, “Conhece-te a ti mesmo”, inscrita no templo de Apolo, em Delfos (sim, aquele mesmo do oráculo), atribuida a Tales de Mileto, usada por Platão, Hobbes, Pope, Benjamim Franklin, Rousseau, Emerson, Freud e provávelmente muitos outros que desconheço. Pedra fundamental da psicanálise, e a mais difícil das tarefas. Mas, aqui vem os Americanos e fazem o que melhor sabem fazer: sistematizar conceitos que tem bibliotecas inteiras sobre eles escritas, e colocar no formato “How to”, ou “Como fazer”. Admiro, até mesmo porque tenho a tendência à digressão. Então, sem mais demoras, vamos ao artigo, cujo link para original, como de costume, estará no final, e meus palpites entre parênteses.

1-SAIBA QUANDO ESTÁ EM SUA MELHOR FORMA
E planeje seu dia de acordo. Para ser um ninja produtivo, foque menos em gerenciamento de tempo e mais em gerenciamento de sua energia.
Charlie Munger, Vice-Presidente da Berkshire Hathaway(a companhia do Warren Buffet,um dos homens mais ricos do universo conhecido,tem um Sistema como esse para continuar crescendo e aprendendo:identificou as horas do dia nas quais estava em sua melhor fase e, rotineiramente, roubava uma dessas para seu próprio aprendizado. Teve essa idéia quando era um jovem advogado, e decidiu que, sempre que o trabalho não estivesse tão intelectualmente estimulante quanto gostaria, ele “venderia a melhor hora do dia a si mesmo.” Assim, usava tempo faturável, no topo de seu dia, e o dedicava a si mesmo, pensando ou aprendendo. “E só depois de melhorar minha mente – só depois que usava minha melhor hora me melhorando – aí estava pronto para vender meu tempo a meus clientes".

Você é uma cotovia matutina?,Corujão(feito eu)?, Melhor depois de uma sonequinha? Decida o que funciona, em seu caso, e planeje em volta disso.

(Embora concorde com todo o acima, não podemos esquecer que o mundo é das cotovias matutinas, e nós, corujões, estamos em franca desvantagem no caso. Na minha área então, é um desastre. Mesmo assim, há maneiras de circunavegar os empecilhos, tipo usar aquela hora maravilhosa, no final da noite, quando o mundo se retirou, tudo está quieto, sua cabeça está a mil, para se impressionar com os acontecimentos do mundo, ler aquele livro que te chama de braços abertos, pensar, enfim, meus irmãos corujões conhecem o trampo. Daí, na hora das cotovias, fazer aquelas tarefas irritantes e administrativas sem as quais a vida vira um caos, tipo organizar pagamentos, atender reuniões de equipe – aquelas nas quais qualquer pessoa inteligente vira abestalhada, coisa que não é só minha opinião mas a de Robert Fulghum, melhor filósofo Americano vivo e meu herói. Daí, é só aprender a tirar um cochilo na hora do almoço, sentado em frente ao computador. Factivel.)

2- DURMA O SUFICIENTE
Não, não tem jeito de dar um jeito com sono necessário e imprescindível. Cortar tempo de sono produz uma cachoeira de efeitos negativos, e nenhum deles vai ajudá-lo a se tornar mais proativo, muito antes pelo contrário. Independentemente do quão bem você acha que está levando seu dia após a mais recente noite mal dormida, é assaz improvável que se sinta otimista, alegre e saltitante em relação ao mundo e aos seres que o habitam. (Chamo a isso a “Síndrome do bêbado feliz”, quando a pessoa intoxicada, seja lá com o que for, está se achando o máximo e todo mundo ao redor vendo o que é que está acontecendo.) Sua perspectiva estará mais negativa do que o costumeiro e o humor bem pior, o que é consequência normal de deprivação de sono e cansaço. Mais importante do que o humor, é que isso vem acompanhado por redução significativa na vontade de pensar e agir de forma pró-ativa, no controle de impulsos, no sentir positivo sobre si mesmo,no empatizar com os outros, e, geralmente, na capacidade de usar a inteligência. A coisa é tão séria, que algumas pessoas podem ter as emoções tão atrapalhadas por deprivação de sono, que poderiam ser classificadas como psicopatas, o que pode torná-lo um bom e real ninja, mas não um ninja produtivo. Tipo errado de ninja.
Todas essas coisas se combinam para mudar a forma de pontuação em escalas clínicas de transtorno de humor, muitas vezes derrubando pessoas perfeitamente normais para a zona clinicamente relevante, de modo que, se testados naquele dia em particular, poderiam ser classificados como deprimidos ou até mesmo como psicopatas.
(E se há alguém neste grande supermercado de Deus, que concorda com isso até a medula de seus ossos, sou eu. Passei boa parte de minha vida me sentindo um peixe fora d’água, onde todos a meu redor acordavam cedo e dispostos, achando que a manhã é a melhor hora do dia, e tentando me adaptar, aos trancos e barrancos, num nível horroroso de infelicidade, mau humor e acidentes. Sim, acidentes. Perdi a conta dos buracos nos quais cai porque estava sonada demais para enxergá-los, dormindo a sono solto e inclusive babando na carteira do bom Diocesano, quando fiz último ano de colégio junto com cursinho, já dormi em cima de sobremesa e perdi um namorado porque dormi em cima do álbum de fotos, dele bebê, que a mãe estava me mostrando, e outras muitas coisas mais que não vale a pena elencar no momento. Comecei meu processo de melhora quando decidi parar de tentar agradar o mundo.)

3- DISTRAÇÕES NOS TORNAM ESTÚPIDOS
Estudantes cujas classes ficavam perto de estradas de ferro barulhentas, ficaram com um atraso de um ano, acadêmicamente falando, em relação àqueles cujas classes não eram barulhentas. Quando mudaram de local, indo para prédios sem barulho, a diferença no desempenho acadêmico desapareceu.
Silêncio é ótimo para produtividade.
Havia uma escola em New Haven, localizada pertissimo de uma linha de trem extremamente barulhenta. Para medir o impacto do tal barulho no desempenho acadêmico, dois pesquisadores notaram que apenas um lado da escola dava de frente para os trilhos, de formas que um grupo de alunos estava muito mais exposto ao ruido do que o grupo cuja sala ficava na parte de trás do prédio.
Descobriram que havia espantosas diferenças entre os alunos da frente e de trás. Alunos do mesmo grau, mas que ficavam na frente, estavam com um atraso acadêmico de um ano em relação aos dos de trás. Mais ainda, depois que, alertados pelo estudo as autoridades da cidade instalaram pastilhas abafadoras de ruído, a diferença no desempenho acadêmico entre as crianças simplesmente sumiu.
Distrações podem significar que você não vai notar os gorilas passando no meio da sala.
(Essa referência dos gorilas é a respeito de um estudo famoso em Psicologia, no qual colocaram pessoas a assistir, por 3 minutos, um jogo muito disputado. O jogo variava conforme a preferência dos sujeitos. Depois de 3 minutos, lhes era perguntado o que haviam visto de interessante. 99% dos entrevistados contavam do jogo, quem tinha feito o que e como. Só 1% conseguiu ver um gorila cruzando no meio do campo ou quadra. Então essa história de que você pode estudar e/ou trabalhar sendo constantemente interrompido, com TV ligada, um olho no twitter e outro no trabalho a ser feito, é pura balela, assim como o mito do multitasking, que vai ser assunto de outro post.)

4-TRABALHE EM ALGUM LUGAR ONDE REALMENTE CONSIGA FAZER AS COISAS
Sabe aquele lugarzinho onde usualmente consegue ser produtivo? Vai lá.
Sabe aquele outro onde nunca consegue fazer nada? Evite.
Wendy Wood, professor da USC, explica como nosso ambiente ativa nossos hábitos, sem que nosso lado consciente sequer perceba.
“Hábitos emergem da aprendizagem gradual de associações entre uma ação e seus resultados, juntamente com os contextos a eles associados. Uma vez que o hábito é formado, vários elementos do contexto pode servir como um sinal para ativar o comportamento, independente da intenção e mesmo na ausência de um objetivo particular ... Muitas vezes, a mente consciente nem toma conhecimento.”
Contexto é muito mais importante do que se pensa. (E é por isso que sapateio de raiva ao escutar discursos políticos que provam pontos de vista totalmente indefensáveis, usando “pedaços”de ciência sem contextualização. O mesmo seja dito a respeito de idéias “new age”usando a física quântica, que quase ninguém entende, para provar o improvável. Mas isso é pura digressão minha.)

5- ACREDITE NO QUE FAZ
Soa como um clichê piegas, mas a investigação científica o apoia.
O que acontece quando você vê o seu trabalho como uma vocação, um chamado, e não apenas um emprego que paga as contas? Você é mais completo, engajado - e mais feliz.
Então quem sabe, esteja na hora de largar a metáfora do ninja produtivo e nos tornarmos um samurai dedicado?
A pesquisa das psicologas Amy Wrzesniewski e Jane Dutton mostra o quanto nossa atitude mental - o que escolhemos para nos concentrar - afeta nossa experiência de trabalho. Elas seguiram um grupo de faxineiros de um hospital e descobriram que aqueles que viam seu trabalho como um emprego - como algo que faziam exclusivamente pelo salário - o descreviam como chato e sem sentido. Outro grupo, encarava seu trabalho como um tipo de vocação, e assim descreveram as horas que passavam no trabalho como tempo significativo e envolvente (quero crer que se testado, o filho do Lula se encaixaria neste segundo grupo, a notar seu incrível desenvolvimento de faixineiro de zoologico a uma das pessoas mais ricas do país – e se morder minha lingua, morro envenenada). Esse segundo grupo, fazia as coisas bem diferentes do primeiro. Eles se engajaram em mais interações com os enfermeiros, pacientes e visitantes, tomando a si a responsabilidade de fazer com que todos aqueles com os quais entrassem em contato, se sentissem melhor. No geral, viam seu trabalho num contexto mais amplo: não estavam meramente limpando e removendo lixo, mas sim, contribuindo para a saúde dos pacientes e para um melhor funcionamento de todo o hospital.
Como se faz? Interagindo com as pessoas que experienciam os benefícios de seu trabalho.
Adam Grant, professor em Wharton, fez enorme pesquisa tentando motivar empregados num centro de atendimento de uma Universidade. Quando eram mostradas as cartas de alunos, gratos por terem recebido bolsas de estudo em parte por causa do esforço desses empregados, a motivação dos mesmos ia ao infinito. O que motivava mais ainda esses empregados? Falar, cara a cara com esses estudantes.
O resultado foi que houve um aumento de 144% no número de doações de ex- alunos, além da doação média, que era de US$ 412,00, passar para uma média de US$ 2000,00.
Nunca, jamais, em tempo algum, subestime o poder da atitude correta.
(E, dando os tramites por findos, como diria o Vinícius, a fim e a cabo o que importa nesse mundo, é nossa capacidade, ou falta dela, de nos sentirmos importantes por fazermos parte de algo que sentimos como maior do que nós mesmos, nossa capacidade para sentirmos gratidão pela nossa vida, pelo que podemos fazer para facilitar a vida de outra pessoa, ou como diz a quadrinha abaixo, que foi atribuida a Emerson, mas que dizem que não é dele e ninguém sabe de quem é:

“Rir sempre e muito; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; conquistar
a apreciação de críticos sinceros e sobreviver à traição de falsos amigos; apreciar a beleza e
enxergar o melhor nos outros; deixar o mundo um lugar melhor, seja através de uma criança
saudável, um lindo jardim ou uma causa social; saber que uma vida respira com maior facilidade por sua causa.
Isso é ser bem sucedido”

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