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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O MELHOR E MAIS BARATO DOS REMÉDIOS

Com alegria e risos, deixe surgir as velhas rugas” W. Shakespeare


Em todos os lugares que morei, sempre ouvi alguma variação do velho ditado “Rir é o melhor remédio”. O rir está na filosofia, principalmente em Demócrito, pré socrático que, além de ser chamado de “o pai da moderna ciência” e ter formulado uma teoria atômica do Universo, também ficou conhecido como “o filósofo sorridente”, por sua tendência a se esborrachar de rir ao observar as maluquices inerentes aos humanos. Está na Bíblia: “Então a nossa boca se encheu de riso e a língua com gritos de alegria, então se dizia entre as nações: ‘O Senhor fez grandes coisas por eles’” (Salmo 126:2); “Um coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Provérbios 17:22); também com seu oposto: “O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria” (Eclesiastes 7:04), o que fez o Umberto Eco produzir um de meus livros preferidos, “O nome da Rosa”, no qual monges dominicanos fazem uma sarabanda de assassinatos exatamente sobre o fato de se Jesus Cristo tinha rido ou não. Para os que ainda não leram, podem baixar gratuitamente : AQUI FILME  AQUI LIVRO

Está na fábrica celular de alguns povos: “Che tutti gli italiani siano intelligenti, ma che i toscani siano di gran lunga più intelligenti di tutti gli altri italiani, è cosa che tutti sanno, ma che pochi vogliono ammettere” (Que todos os italianos são inteligentes, mas que os toscanos são muito mais inteligentes que todos os outros italianos, é algo que todos sabem, mas que poucos admitem), Curzio Malaparte, em seu livro “Maledetti Toscani” (Malditos Toscanos, tradução minha, ao pé da letra, posto que nunca vi tradução para o português de tal livro), o qual é uma ode ao humor ácido, anticlericalismo, senso de liberdade e ironia daquela terra.
Segundo a Wilkipédia, “Foi no Carnaval que o baiano encontrou-se com o mundo: Em 1950 Dodô e Osmar inventam o Trio Elétrico, e atrás dele só não vai quem já morreu...”, povo de sorriso aberto, alegria solta e comida impagável. A alegria dos habitantes de Fidji, com seu sorriso descrito em prosa e verso, faz seu país ser considerado um dos mais hospitaleiros do mundo.
Está na cara dos bebezinhos com os quais todos nos encantamos, e em nossa vivência. Quem nunca caiu numa gargalhada daquelas que fazem chorar de tanto que sacodem todo o sistema? E agora, está, além de tudo, classificada, e tem até uma “Terapia do Riso”
.
Só para se ter uma ideia, aqui vão alguns dos mais conhecidos apóstolos do riso:

O escritor Norman Cousins pregou o poder do riso por mais de 30 anos, seguindo-se à sua miraculosa recuperação de uma doença chamada espondilite anquilosante, que é uma forma rara de artrite degenerativa. Dizia ele que 10 minutos de gargalhadas soltas lhe davam 2 horas de sono sem dor, quando nada, nem mesmo morfina, podia ajudá-lo. A história dele chocou a comunidade científica e inspirou muitos projetos de pesquisa sobre o assunto. Seu clássico livro “Anatomy of an Illnes” (Anatomia de uma doença), virou até filme. CLIQUE AQUI

O psiquiatra William F. Fry, da Stanford University,que en 1969, demonstrou que todo o corpo e seus sistemas são estimulados por boa gargalhada. Num de seus mais famosos experimentos, ele mediu as próprias respostas fisiológicas depois de rir com fé e depois de se exercitar, e descobriu que, um minuto de gargalhadas lhe dava o mesmo benefício cardiovascular que 10 minutos numa máquina de remo. CLIQUE AQUI

O Dr. Lee Berk, do Centro Médico da Universidade de Loma Linda, no início dos anos 90, ficou famoso com um estudo focado no impacto físico de uma gargalhada em pacientes que tinham tido um ataque cardíaco. À metade desses pacientes foram mostrados vídeos engraçados por 30 minutos ao dia (os pacientes escolheram o próprio material, baseados em seu senso de humor pessoal). Todos receberam exatamente a mesma medicação. Depois de um ano, os pacientes do “grupo do humor”, tinham menos arritmias, pressão arterial mais baixa, níveis mais baixos do hormônio do stress e estavam tomando muito menos medicação. Melhor de tudo, só 20% desse grupo teve outro ataque cardíaco, enquanto no grupo sem humor, a taxa foi de 50%.CLIQUE AQUI

O Dr. Hunter (Patch) Adams inspirou milhões de pessoas por trazer riso no mundo hospitalar, colocando em prática a ideia que “o processo de tratamento/cura deveria ser um intercâmbio humano amoroso e não uma atividade comercial”. Foi o catalista da criação de milhares de grupos de “doutores do riso” mundo afora. Sua história deu um filme. CLIQUE AQUI

A Dra. Annette Goodheart, psicóloga, começou a usar a “risoterapia no final dos anos 60, e ficou tão impressionada com os resultados, que voltou para a faculdade para fazer o PhD em psicologia”. Promoveu o valor da risada simulada muito antes do Dr. Kataria ter a ideia.CLIQUE AQUI

Dr. Madan Kataria é o inventor da Yoga do riso ou Yoga Sorridente (Hasyayoga), que é yoga mais o gargalhar com propósito. Um estudo da Universidade de Oxford achou que “os limiares para a dor ficam significativamente aumentados em relação ao grupo controle. Esse efeito de tolerância à dor é causado pela gargalhada de per si, e não só pela mudança para um afeto positivo. Sugerimos que a gargalhada, através de um efeito mediado pelas endorfinas, pode ter papel crucial na formação de vínculos sociais.” CLIQUE AQUI

E temos o Robert Provine, PhD, professor de Psicologia e Neurociências na Universidade de Mariland, de 84 anos, em plena atividade, cujo livro “Laughter: A Scientific Investigation” (Risada: Uma Investigação Científica) é básico na área. Segundo ele, há 10 tipos de risadas, sendo que apenas 90% delas são relacionadas a qualquer humor. Abaixo reproduzo algumas delas, e não todas porque há 3 que são variações sobre o mesmo tema. CLIQUE AQUI

RISO DE ETIQUETA

No fim de um dia cansativo, eis que você encontra seu chefe no elevador, e ao invés de começar a falar sobre quão maravilhoso trabalhador em equipe você é e sua nova ideia para a companhia alcançar o primeiro lugar nos negócios, lá vai você e passa a rir de tudo o que a criatura diz. Não se entristeça: mesmo que você ache que está sendo um bobão, não é bem assim. Provine acha que o riso foi desenvolvido por nossos ancestrais antes da fala, de forma que acaba sendo apenas uma maneira de comunicação e de mostrar que está concordando com o que o outro diz, o que é ótimo se você está tentando subir pela ladeira corporativa.

RISO CONTAGIOSO

Segundo Provine (e não vou mais repetir, desde que a classificação inteira é dele, e de meu só os exemplos), o rir é uma estrutura social específica, algo que conecta humanos uns com outros de maneira profunda, e parece que isso é tão verdadeiro que temos 30% a mais de possibilidade de riso num encontro social do que quando estamos sozinhos, assistindo ou lendo algo humorístico. Até acredito que seja verdade, embora pessoalmente tenha uma tendência a rir sozinha, tanto quando estou lendo e relendo os quadrinhos do Asterix, ou quando, dirigindo longas distâncias, tenho que passar o tempo lembrando boas histórias ou revendo outras com a visão “e se tivesse acontecido assim e assado”. De qualquer maneira, diz ele que é mais provável que riamos com amigos assistindo a uma comédia, do que quando estamos vendo a mesma coisa sozinhos.
Imagine que está jantando com um grupo de amigos. Alguém conta uma piada que você não conseguiu ouvir, mas uma das pessoas do grupo começa a rir, e, em pouco tempo, o grupo inteiro está às gargalhadas, incluindo a surda que não ouviu a piada. Em resumo, o riso é tão contagioso quanto o bocejo, e é por isso que nas comédias televisivas há o simulador artificial de risadas.

RISADA NERVOSA

É aquela que brota, imbecilmente, exatamente naqueles momentos que mais precisamos projetar dignidade e controle, tipo durante apresentações ou funerais. Sou tímida de longa data. Minhas mais horrendas memórias são da faculdade, quando começamos a fazer apresentações frente aos professores, e, óbvio, o resto da classe. Na primeira tortura, o restante de meu grupo me escolheu para fazer a citada apresentação. Queria morrer de catapora, mas como também sou um quanto corajosa (e juro que posso ouvir minha mãe dizendo “temerária”), lá fui eu com tudo decorado sobre esgotos, e a frase de efeito era a respeito da rede de esgotos de Creta, que saiu “a rede de escrotos de Creta”, após ter olhado fixamente para os componentes de meu grupo, todos sentadinhos na fila do gargarejo. Só me restou ficar vermelha feito tomate no verão, e cair na gargalhada um milésimo de segundo antes do resto da classe, e bem antes do professor que tentou, heroicamente, não rir.

RISADA DE BARRIGA

É considerada a mais honesta das risadas. É aquela que vem lá das entranhas e toma conta, até a gente ficar sem ar. Tive dessas com quase todos os filmes do Monthy Pyton, e no aniversário de 70 anos de meu pai, quando fomos assistir a ópera Aída a céu aberto, em Campinas. Engalanados, lá fomos, e, naturalmente, antes mesmo dos primeiros acorde, começou a chover. Chover pesado. E lá vai todo mundo a sair, com o único problema que a estradinha, melhor dizendo, picada, do estacionamento até a caverna ao ar livre, tinha se tornado um lamaçal em subida. E aí uma senhora avantajada nos quilos e enfiada sob pressão num longo de veludo vermelho, estancou e não subia de jeito nenhum. E uma fila enorme se formado, encharcada, atrás. Papai, ariano que é, não teve dúvidas, meteu ambas as mãos no posterior da criatura e a empurrou barranco acima. E aí sim que a fila parou, desta vez por gargalhadas sonoras do povo. Foi o desastre metereológico mais engraçado da temporada.

RISADA SILENCIOSA

É aquela que se aprende em colégio de freiras, ou por trabalhar em colmeias (sim é o que me parecem aqueles cubículos todos em escritórios), quando, para afugentar o tédio, o trabalhador criativo aprende a olhar sites engraçados na net, sem ninguém notar. Como tem os mesmos benefícios da gargalhada de barriga, tem sido usada em hospitais infantis, onde é ensinado às crianças internadas, como forma de voltar rápido ao sono após acordar devido a pesadelo. É uma boa maneira de conseguir os efeitos calmantes das exalações rítmicas, sem acordar o resto do hospital. Também muito usada na terapia do riso e na yoga sorridente.

RISADA ALIVIADORA DE STRESS

Sim, às vezes a vida é muito dura, seja porque o prazo para algo está acabando e se está longe de completar a tarefa, seja um chefe que decidiu encarnar o espírito de Savonarola, ou se está socado num trânsito horroroso, ou, no verão texano de média de 43 graus e o ar condicionado pifou...enfim, velho conhecido stress. O já sobejamente conhecido tem por único objetivo criar tensão, e ela tem que vazar para algum lugar, o qual, usualmente é nos músculos. Uma boa gargalhada, assim, causada de repente, tem o mesmo efeito de aliviar o stress que uma massagem.

RISO DE POMBA

Não, não é aquele causado quando se está andando com um amigo careca, e algo cai do céu bem em cima do citado. É aquele que rimos sem abrir a boca, meio como risada silenciosa, mas quando a boca está fechada, a risada produz um barulho semelhante ao arrulho do pombo. Bastante usada em terapia do riso e yoga sorridente.

Seja lá qual for sua preferida, ria muito, ria com fé, porque os benefícios para sua saúde são:

1-REDUZ STRESS E ESTIMULA O SISTEMA IMUNOLÓGICO.
Tudo isso porque uma boa gargalhada diminui os níveis de cortisol e epinefrina (hormônios do stress), o que, por si só, melhora o funcionamento do sistema imunológico. Então, da próxima vez que se sentir muito para baixo após assistir ou ler as notícias sobre como o mundo está se acabando, desliga a TV e pega um livro, um gibi, ou muda de página e vai direto para os quadrinhos.

2-AJUDA A DESENVOLVER HABILIDADES DE ENFRENTAMENTO.
Quando tudo está fora de controle, como um diagnóstico ruim, a perda do emprego ou até mesmo o carro pifar na estrada, que são eventos para os quais não há preparação possível. Não podemos controlar o que acontece na vida, mas podemos controlar como nós reagimos aos eventos. Responder com boas risadas a uma situação ruim protege a mente, corpo e espírito. Vai que é por isso que sempre tem alguém contando uma piadinha lá fora, em qualquer velório.

3-MELHORA PA E FLUXO CIRCULATÓRIO
A Universidade de Maryland desenvolveu um estudo ligando risada à saúde cardiovascular. Os resultados do estudo mostraram que a risada expande o endotélio (camada de células que recobre a parte interna dos vasos sanguíneos), o que, por sua vez, melhora o fluxo sanguíneo, o que pode baixar ou regular a pressão arterial, e ainda combate a aterosclerose (que é o endurecimento das artérias). Agora calma que não estou sugerindo que as pessoas larguem a medicação, e, ao invés da caminhada diária, passe o dia no sofá assistindo comédias. É só adicionar boas gargalhadas. Aliás, se você anda de manhã pelo parque do Ibirapuera, a fauna humana que por lá desfila é material sem fim para o objeto deste post.

4-É UMA EXPLOSÃO DE EXERCÍCIO.
Da próxima vez que estiver na academia, não se acanhe de rir silenciosamente a respeito da criatura vestida em spandex de oncinha, 4 números menor que o tamanho apropriado. Você só estará fazendo o equivalente a 15 minutos de bicicleta estacionária.

5-AFETA POSITIVAMENTE A GLICOSE E O SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA .
No estudo de Hayashi, onde pessoas com Diabetes tipo 2 e pessoas sem diabetes comiam a mesma refeição e, depois da refeição, metade do grupo ia assistir a uma palestra chatíssima, enquanto a outra metade ia assistir um show humorístico, foi registrado que, até nos diabéticos que foram ao show humorístico, não houve aumento da glucose sanguínea, o que aconteceu com os grupo de diabéticos e não diabéticos da palestra chata. Nasir e cols. registraram o efeito a longo prazo de terapia do riso no sistema renina-angiotensina (é o que regula a pressão sanguínea) em pacientes com diabete tipo 2. O mais impressionante no estudo foi que os níveis plasmáticos de renina caíram dramaticamente, o que indica que o riso pode ajudar os que têm diabetes a prevenir as complicações relacionadas a esse sistema.

6-AJUDA A DIMINUIR DORES
Aumenta o limiar para as mesmas, por liberar endorfinas, que são os analgésicos naturais que nosso cérebro produz.

7-IMPULSIONA E REFORÇA AS HABILIDADES SOCIAIS
Há uma razão pela qual, quando você ri, o mundo ri com você, mas quando chora, chora sozinho (ou como diziam os antigos, aproveita e vai chorar na cama, que é mais quente). O fato é que ninguém gosta de ficar por perto de uma pessoa que nunca tem nada de positivo para dizer, e a única coisa que faz é lamentar-se. Encontrar humor na vida, e ser capaz de rir da própria e de si mesmo nela, só melhora nossas habilidades sociais. A maioria dos pesquisadores na área acredita que o riso permite aos humanos fazer conexões, se vincularem e se comunicarem. Quanto mais confortáveis nos sentimos com alguém, mais fácil se torna rir com a pessoa. Caso se viaje para um país de língua que nos é desconhecida, o sorriso é a forma universal de comunicação. Alguém puxando a mala da esteira do aeroporto e a citada abrindo-se e espalhando o conteúdo em cima de todo mundo por perto, é engraçado em qualquer língua, e é a maneira mais simples de fazer as pessoas virarem imediatamente fantásticos ajudantes, por fazê-los se sentirem menos culpados por rir às suas custas. Acredite, já me aconteceu mais do que uma vez.

8-REDUZ AGRESSÃO
João e Maria acabaram de terminar o relacionamento, e naturalmente a primeira coisa que acontece é um jantar marcado há séculos. Na mesa, obviamente, a tensão é tão densa que dá para cortar com faca. O que se faz? Conta uma piada ou um “causo” engraçado. A risada é a faca hipotética que corta a tensão, permitindo relaxamento. As pessoas se acalmam, se tornam menos agressivas, o que pode clarear as perspectivas do que está acontecendo a seu redor. Só tenha a fineza de não contar piadinhas a respeito de amores mal sucedidos. Existe uma diferença importante entre humor e grosseria. No estudo de Recker, estudantes que assistiram a vídeo humorístico na classe, responderam com níveis de agressão mais baixos a situações de tensão.
Até Freud, que não era a mais risonha das criaturas, considerou o humor no mesmo patamar que a sublimação, como os dois únicos mecanismos de defesa positivos, e demonstrou isso quando os nazistas queimaram seus livros e ele mandou a seguinte perfeição numa frase: “Vejam só como evoluímos! Há uns anos atrás, queimariam a mim. Agora só queimam meus livros”.

E é essa a razão por que ditadores de direita, esquerda, religiosos ou laicos não temem os fortes, malhados, cheios de energia. Temem os fraquinhos que, com a língua ou a caneta os ridicularizam.

Lembrem-se de mim com sorrisos e gargalhadas, pois é assim que me lembrarei de todos vocês. Se só puderem lembrar-se de mim com lágrimas, então não se lembrem de mim.” Laura Ingalls Wilder

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