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segunda-feira, 1 de julho de 2013

STRESS, ESSE INCOMPREENDIDO

Usualmente, quando alguém fala em stress, principalmente mídia falada, escrita, televisada, social e internética, é para falar dos malefícios e horrores da coisa toda.
Stress é ruim para sua saúde, para todas as atividades cognitivas, desencadeia de pressão alta a ataque cardíaco, engorda, brocha, enfraquece seu sistema imunitário, dá caspa, acne e prisão de ventre, diarreia e gases, e, se esqueci de algo, sintam-se totalmente à vontade para continuar a lista.
Mas, de fato, e seguindo pesquisas recentíssimas, é considerado, depois do riso libertador, a segunda melhor coisa para curar doença mortais. Chocados? Ainda não viram da missa a metade.

Estudos recentes têm demonstrado que o velho stress pode levar a aumento do crescimento psicológico e da produtividade.
A fim de investigar o impacto do mesmo, os pesquisadores avaliaram um grupo de 380 funcionários de um banco de investimentos de grande porte. As pessoas foram divididas em 3 grupos: um grupo assistiu vídeos a respeito dos benefícios dos stress; o segundo grupo assistiu vídeos sobre os danos dos stress; e o terceiro grupo não assistiu nada. Os vídeos continham histórias, piadas e fatos que os pesquisadores esperavam pudessem mudar as atitudes dos empregados em relação a stress, e a partir disso, desenharam medidas para quantificar as crenças dos sujeitos do teste a respeito de stress, numa graduação de 4 pontos, e descobriram que, os que tinham uma atitude positiva em relação a stress eram mais produtivos no trabalho e tinham menos sintomas do tipo dor de cabeça e fadiga.

Mais, o stress agudo, causado pelas tarefas mentais, os tornou mais amigáveis, generosos e confiantes durante os jogos, só não se tornaram mais extrovertidos. (Kaufer, Kirby e cols na UC Berkeley’s Helen Wills Neuroscience Institute)

E tem mais: um estudo da Universidade de Buffalo mostrou que o stress agudo melhora aprendizado e memória. Os pesquisadores treinaram ratinhos num labirinto, até que eles (os ratos, não os pesquisadores) aprendessem a passar por ele direitinho. Depois disso, puseram os ratinhos para nadar por 20 minutos, o que, pelo visto, é uma coisa extremamente estressante para ratos. Depois da nadada, colocaram os ratos de novo no labirinto e descobriram que completavam o percurso mais depressa e com menos erros do que antes da nadada.

Passado o momento de espanto, concluíram que o hormônio do stress, corticosterona, tem um efeito protetor no cortex pré frontal, o qual controla o aprendizado e as emoções, e desde que o cortisol se comporta de forma semelhante no cérebro humano, pelo visto o stress nos torna mais espertos.(Kaufer, Kirby e cols na UC Berkeley’s Helen Wills Neuroscience Institute)

Assino embaixo dessa teoria. Lembro com clareza meu horror perto de provas de bioquímica, coisa que detestava com paixão, e minha facilidade de decorar os nomes todos exatamente 3 dias antes das provas, coisa que não havia jeito de ocorrer nem logo depois de ter assistido a aula e revendo a matéria.

No campo médico, já se sabia que o stress:

Previne Gripes e Resfriados: Quando estamos pressionados por um prazo curto para fazer determinada tarefa, nosso corpo vai trabalhar com afinco para nos manter em boas condições, e isso porque o stress lá está para ajudar o sistema imunológico a combater vírus e bactérias, tendo função reguladora nas glândulas suprarrenais para balancear o sistema imunológico.

Acelera recuperação depois de cirurgia: Obviamente que cirurgia pode ser estressante, mas stress de curta duração causado por cirurgia pode ser benéfico, porque ajuda o organismo a se recuperar mais depressa.

Fortalece os laços emocionais: Stress de curta duração aumenta os níveis de oxitoxina, o assim chamado hormônio do amor. Por seu lado, a oxitocina inibe a produção de hormônios do stress e diminui a pressão sanguínea por ser vaso dilatador, isto é, dilata as artérias, o que ajuda a manter o corpo imune aos efeitos deletérios da ansiedade.

Melhora a Memória: Em situações de stress, a memória fica muito mais aguçada, e isto ocorre por causa da inundação de hormônios no córtex pré frontal, região do cérebro importantíssima para controle cognitivo e das emoções. Sou testemunha viva desse processo. Há muitos anos atrás, estava indo alegremente a pé para meu consultório, quando um casal de amigos parou o carro, insistindo em me dar carona. Não querendo parecer mais chata que meu costume, lá fui eu. Não tínhamos andado um quarteirão, quando vejo num flash um caminhão desses de fazer cimento, vir em desabalada carreira à nossa direita. Ouvi meu velho professor de neurologia berrando “protege cabeça e pescoço” e meu instrutor de paraquedismo uivando “posição fetal”. Como, não sei, mas fiz exatamente isso, virando uma bolota enfiada bem atrás do banco da motorista. Minha amiga quebrou um braço e uma perna, o companheiro do lado nem lembro mais quanta coisa quebrou, e eu me safei com um ralado no cotovelo direito. Mister se faz informar que nunca ouvi o Prof. Fontenelle alterando a voz, ao contrário do instrutor de paraquedismo, mas que ambos uivaram na minha ideia, isso com certeza fizeram e a eles sou grata.

Pode lutar contra tumores: Stress crônico pode causar insônia, destruir o sistema imunológico e causar um sem número de doenças, mas stress de curto prazo pode ajudar na luta contra câncer de pele. (Fong-Fong Chu e cols na City of Hope's Beckman Research Institute, Duarte, California)

Concluindo, stress é benéfico, mas como tudo o mais neste mundão de meu Deus, em quantidades moderadas, porque quando se torna crônico, causa danos sérios ao corpo e mente (e detesto essa divisão porque parece que a mente, que é função de um órgão chamado cérebro, não faz parte do corpo).

Na realidade, temos é que aprender a tratar o stress de forma mais amigável, como nosso aliado, e não lutar contra como se fosse o inimigo.

Lembrem-se, sem stress, não estaríamos aqui vivos e saltitantes, pois os hormônios do stress são uma ajuda fantástica para adaptação ao meio. Lembrar-se dos lugares onde aconteceu algo estressante é benéfico para nos ajudar a lidar tanto com novas situações, quanto o evitar as que provocaram stress.

“Moderação em tudo, especialmente na moderação” Ralph Waldo Emerson



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