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segunda-feira, 20 de maio de 2013

O QUE ACONTECE NO CÉREBRO DURANTE O ORGASMO? OU FAÇA AMOR E LARGUE AS DROGAS

Isto é a tradução, absolutamente não ao pé da letra, de alguns artigos que li ultimamente. Não traduzi ao pé da letra porque, até para mim que amo o assunto, tem tanta estatística e rigor científico, que, confesso, dá um certo soninho. Então, é a tradução do que entendi, mais uma porção de ideias que os artigos me produziram. Senhoras e senhores, convido-vos a uma fascinante viagem ao cerne de nosso ser. Mergulhemos, pois.

Já vimos em blogs anteriores que o cérebro tem um CENTRO DE PRAZER que nos informa quando estamos tendo uma experiência agradável, e assim reforça nosso desejo de repetir a coisa. É o CIRCUITO DE RECOMPENSA, que inclui qualquer tipo de prazer, de sexo a drogas, de uma gargalhada ao ouvir a música preferida. Só relembrando, algumas das áreas cerebrais relacionadas a prazer são:

AMIGDALA: regula as emoções
NÚCLEO ACCUMBENS: regula a liberação de DOPAMINA
ÁREA TEGMANTAL VENTRAL (VTA): libera DOPAMINA
CEREBELO: controla função muscular
GLANDULA PITUITÁRIA: libera BETA ENDORFINAS, que diminui a dor; OXITOCINA, que aumenta sensação de confiança (é liberada aos montes durante amamentação e um pouco menos com a simples estimulação dos mamilos, o que vem a provar que já temos todas as possibilidades de prazer embutidas em nosso ser, e é só necessário saber quando e como usar); e VASOPRESSINA, que dá a sensação de vínculo ou ligação.



Embora cientistas tenham estudado há muitos anos o centro do prazer, foram poucos os estudos relacionados com sexo, e menos ainda em mulheres (claro, desde que Freud morreu se perguntando "O que querem as mulheres?", sempre fomos consideradas seres confusos demais para merecermos estudo sério, e é tanto verdade que só há menos de 10 anos que se fala no como diferentes são os sintomas de ataque cardíaco em mulheres, e continuamos morrendo mais do que homens em consequência desse descaso). Foi só no final dos anos noventa que cientistas da Universidade de Groningen, na Holanda, começaram estudos para determinar o que acontece no cérebro durante estimulação sexual, usando PET (tomografia por emissão de prótons) para ilustrar as diferentes áreas que são ativadas ou desativadas durante atividade sexual.

O interessante foi que, no cérebro, há muito pouca diferença entre o que acontece em homens e mulheres. Em ambos, a região bem atrás do olho esquerdo, chamada de córtex lateral órbito frontal, simplesmente "apaga" durante o orgasmo, o que faz o maior sentido, pois é a região do controle do comportamento consciente, e por definição, quando se tem um orgasmo, perde-se o controle. Isso também explica o porquê, pessoas extremamente controladoras têm enorme dificuldade de orgasmo.



A outra descoberta interessantíssima é que o cérebro de uma pessoa tendo orgasmo é 95% semelhante ao cérebro de uma pessoa usando heroína, daí o título que dei a este post, e também porque, tenho a maior certeza de que, se isso fosse conhecido ANTES de alguém se meter com drogas, as consequências da escolha poderiam ser muito diferentes.





E agora as diferenças: quando uma mulher faz sexo, uma parte do tronco cerebral chamada Periaqueduto, é ativada. Essa área controla a resposta de "luta ou fuga", ao mesmo tempo em que diminui a atividade em amigdala e hipocampo, áreas que, como já vimos, são centrais para produzir ansiedade e medo. Aí os pesquisadores teorizaram que deve ser por esse motivo que, quanto mais relaxada e à vontade uma mulher se sente, melhor é o sexo. Para mal de nossos pecados, as áreas do córtex relacionadas com dor são ativadas, o que demonstra a íntima ligação entre dor e prazer. Ainda bem que nenhum dos pesquisadores ousou levantar a hipótese que, lá no fundo, todas nós mulheres somos umas masoquistas, ou ia ter briga feia.



O estudo também demonstrou que, embora as mulheres consigam fingir tão bem um orgasmo a ponto de enganar os parceiros, o cérebro não mente jamais. Quando foi pedido às mulheres para fingirem um orgasmo, a atividade cerebral aumentou no cerebelo e outras áreas ligadas ao controle de movimentos, coisa que não acontece durante o orgasmo real

Agora, o que acontece com gente que não consegue ter orgasmos?
Em alguns casos de anorgasmia (incapacidade de ter orgasmo), sabe-se exatamente a causa. Certas drogas como Celexa, Zoloft e Aropax, isto é, antidepressivos da classe dos Inibidores Seletivos de Recaptação Serotonina (ISRS), podem causar anorgasmia como efeito colateral, por diminuir a produção de DOPAMINA, o neurotransmissor alegrinho que causa as sensações de prazer, reforçando o desejo da pessoa de fazer aquilo de novo. Algumas vezes o problema some de per si, outras vezes há a necessidade de mudar de medicação. Infelizmente, algumas pessoas sofrem do que é chamado de DISFUNÇÃO SEXUAL PÓS ISRS, que perdura por dias, meses ou até anos depois da suspensão do medicamento, e não se tem ideia do porquê isso ocorre, desde que, tão logo a medicação é suspensa, o cérebro recomeça a produzir dopamina.

Uma das consequências interessantes do estudo holandês foram os estudos que se seguiram, como, por exemplo, o da Universidade de Reutgers, com mulheres que ficam constantemente excitadas sexualmente, mas não conseguem alcançar o orgasmo (coisa que Charcot e Freud definiram como a base dos sintomas histéricos). Segundo esses estudos, feitos através de ressonância magnética, os cérebros dessas mulheres estão constantemente agitados, e assim, estão desenvolvendo treinamentos de feed back, nos quais as senhoras são ensinadas a acalmar seus superexcitados cérebros (minha avó dizia - calmare i bollenti spiriti ou acalmar o espírito fervente), de formas a relaxar o controle. Se funciona ou não, estudos posteriores dirão. Por enquanto, estou maravilhada de como observação dos antigos, psicanálise e neurociência se juntam num balé de vida.

Mais interessante ainda, são os estudos de orgasmo em locais que nada tem a ver com órgãos sexuais. Quando a coisa vem por estímulo dos mamilos, acredita-se que o estímulo vai para as mesmíssimas áreas dos órgãos genitais. Até aí já era conhecimento comum. Agora, o que pensar de relatos de orgasmos produzidos pelo toque de outras partes do corpo, tipo mãos e pés? Algumas pessoas descreveram orgasmos em membros que nem tem mais (o que é conhecido como síndrome do membro fantasma, isto é, o sentir sensações em membros que já foram amputados). Uma das razões pode ser o traçado do HOMÚNCULO CORTICAL, espécie de mapa que mostra a relação do córtex motor e sensitivo com as diversas partes do corpo.



Assim, por exemplo, uma pessoa que sente um orgasmo, digamos num pé fantasma, pode ser pelo fato de que passou por um "remapeamento" dos sentidos, porque no homúnculo, os pés estão próximos dos órgãos genitais. O pé não está mais lá para promover a sensação, vai daí que a área dos órgãos genitais toma conta do espaço, reforçando a máxima de que a natureza detesta vácuos.
Embora se saiba muito sobre o assunto, ainda há um universo desconhecido, como por exemplo, qual seria a vantagem evolutiva do orgasmo feminino, mas estou também segura que a maioria de nós não vai perder o sono por isso.



O fato é que fico extasiada frente ao quanto se andou desde o final dos anos 70, quando participei de um estudo sobre o orgasmo e o eletroencefalograma, no centro de eletroencefalografia e psiquiatria biológica, na Universidade de Duke, até hoje centro de ponta em neurociência. Como era o menor dos peixinhos do aquário, fui a que teve que colocar os eletrodos nos participantes, observar e registrar. Lembro de coisas interessantíssimas do estudo, como por exemplo, a destruição de minha inocência de criatura do interior, que logo de cara achou que não haveria cristão que se dispusesse a participar daquilo. Obviamente que os 20 dólares aos participantes me mostraram a bobeira de minhas certezas. Depois, foi a parede de "pérolas" feita no escritório, em época onde o politicamente correto ainda não era moda, e uma delas era do cidadão que, à pergunta “preferência sexual”, mandou em letras garrafais: domingo de manhã. Outro, no quadradinho "nome", escreveu com fé: não tem a menor importância. Daí foi a observação, enquanto registro, que descobri ser a mesma que assistir a um filme pornográfico: nos primeiros 10 minutos, quer se agarrar o que estiver à frente e no restante do tempo, jura-se que nunca mais se repetirá aquilo.
Mas a maior descoberta foi a diferença entre o orgasmo registrado no EEG e o registrado pelos modernos holandeses, que não viram grandes diferenças entre homens e mulheres. Senhores, no EEG é muito diferente. Em homens, é pico e queda, sem grandes peripécias. Já nas mulheres, é um festival de subidas e descidas, parecendo a montanha russa espacial de Disneyworld.



Qualquer hora conto minha experiência ao relatar o supracitado estudo num congresso no Brasil, onde me puseram na mesa com famosa sexóloga. Por enquanto vos deixo com os links dos artigos originais abaixo, caso queiram ler.

 MEN VERSUS WOMAN ON SEXUAL BRAIN FUNCTION

BRAIN ACTIVATION DURING HUMAN MALE EJACULATION

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