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terça-feira, 19 de março de 2013

RESUMO DA INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA POSITIVA E SUAS POSSIBILIDADES



O blog dessa semana é um pedaço bem pequeno da apostila do curso "Introdução à Psicologia Positiva e suas possibilidades". Estou fazendo isto por duas razões principais:
1 - Esclarecimento, pois ainda há muita gente pensando que é uma coisa de autoajuda dos anos 80/90, tipo faça isso e serás feliz, lindo e loiro, coisa com a qual já fiquei irritada, agora só me dá um pouquinho de trabalho o explicar.
2 - Estou em ritmo de tomar todas as providências para Bella ficar arrumada; marido viajando com toda a logística acertada; e casa; e contas em ordem pelo tempo fora; além do ter acabado de lembrar que no Brasil ainda é comecinho de outono e quente, e obviamente não tenho guarda roupa adequado, o que é necessário providenciar. Resumindo o palavrório à sua simples verdade, estou toda atrapalhada, e fazendo assim, mato dois coelhos com uma cajadada só.
Psicologia positiva é psicologia, psicologia é ciência, e ciência requer a verificação de teorias através de evidências. Não vamos confundir Psicologia Positiva com autoajuda, afirmações sem base científica, religião ou uma versão reciclada do poder do pensamento positivo.
Psicologia Positiva é o estudo científico do que faz a vida valer a pena. É um chamado para a ciência e prática da psicologia, de se preocupar com as forças e não somente com as fraquezas, desenvolver interesses em como construir as melhores coisas da vida e não só no conserto do que está estragado, isto é, pensar em desenvolvimento e não apenas em cura. 
Truísmos que sustentam a psicologia positiva:
  1. O que é bom na vida é tão genuíno quanto o que é ruim, não é derivado nem secundário, nem é o contrário ou um epifenômeno, ou suspeito ou ilusório.
  2. O que é bom na vida não é simplesmente ausência do que é problemático. Nós todos sabemos a diferença entre não estar deprimido e o pular da cama de manhã cheio de entusiasmo pelo dia à frente.
  3. A boa vida requer sua própria explicação, e não simplesmente uma teoria do distúrbio de ponta cabeça.

Assim,
Psicologia Positiva é o estudo científico das forças e virtudes que permitem aos indivíduos e comunidades a possibilidade de prosperar.

Seus interesses básicos são:
  • Características individuais positivas: Compreender as características individuais positivas consiste no estudo dos pontos fortes e virtudes, tais como a capacidade de amar e de trabalho, coragem, compaixão, resiliência, criatividade, curiosidade, integridade, autoconhecimento, moderação, autocontrole e sabedoria.
  • Emoções Positivas: Compreender as emoções positivas implica no estudo do contentamento com o passado, felicidade no presente e esperança para o futuro.
  • Instituições Positivas: Compreender instituições positivas implica no estudo das forças que promovem comunidades melhores, mais justas e responsáveis, mais cíveis com melhores técnicas de parentalização, nutrição, ética de trabalho, liderança, trabalho em equipe, propósito e tolerância.
Sua meta é: Desenvolver um campo científico que promova:
  1. Famílias e escolas que permitem que as crianças cresçam e prosperem.
  2. Locais de trabalho que promovam satisfação e alta produtividade.
  3. Comunidades que incentivem o engajamento cívico.
  4. Terapeutas que identifiquem e cuidem dos pontos fortes de seus pacientes.
  5. O ensino da Psicologia Positiva.
  6. Divulgação das intervenções da Psicologia Positiva nas organizações e comunidades.
Ou, como sumarizado, em 1998, por seus criadores,Martin Seligman e Mihaly Csikszentmihalyi ( e não há maneiras de conseguir pronunciar esse nome):
"Acreditamos que surgirá uma psicologia do funcionamento humano positivo, que atingirá uma compreensão científica e desenvolverá intervenções eficazes para construir pessoas, famílias e comunidades, prósperas e felizes. Queremos encontrar e cultivar o gênio e o talento de modo a tornar a vida normal mais gratificante, em vez de apenas tratar doenças mentais".
É importante considerar que a Psicologia Positiva complementa, sem intenção de substituir ou ignorar, as áreas tradicionais da Psicologia/Psiquiatria. Por enfatizar o método científico para estudar e determinar o desenvolvimento humano positivo, encaixa-se perfeitamente na investigação de como e porque há falhas no desenvolvimento. Não custa nada lembrar aqui que a grande maioria dos distúrbios mentais, com algumas raras e honrosas exceções, tipo Transtorno do Stress Pós Traumático - TEPT, provem de alguma falha em algum ponto do desenvolvimento, sendo mais severo quanto mais cedo essa falha ocorrer (Vide Etapas do Desenvolvimento segundo Erickson- Glossário).
Também chama atenção para a possibilidade de que a concentração apenas nos distúrbios pode resultar numa compreensão parcial e limitada da condição humana.
A Psicologia Positiva tomou alento em 1998, quando Martin Seligman, considerado o pai do movimento,  o escolheu como tema para o seu mandato como presidente da Associação Americana de Psicologia.

Na realidade, o têrmo "Psicologia Positiva", tem sua origem no livro de Maslow "Motivation e Personality" (Motivação e Personalidade - 1959) e vários psicólogos humanistas, tais como Carl Rogers e Erich Fromm (e o própio Abraham Maslow), desenvolveram teorias e práticas referentes a felicidade e prosperidade humanas.
II - Pontos básicos
1 - A maioria das pessoas é feliz e não sabe.
2 - Pessoas felizes têm melhores resultados na escola, trabalho, relacionamentos e provavelmente até vida mais longa. 
3 - A maioria das pessoas é mais resistente do que imagina.
4 - Felicidade, forças do caráter e boas relações sociais são amortecedores contra os efeitos danosos de decepções e retrocessos.
5 - Crises revelam o caráter.
6 - As pessoas em nossa vida são extremamente importantes, se queremos entender o que faz a vida digna de ser vivida. 
7 - Espiritualidade, Religião e Crenças são muito importantes.
8 - Trabalho é muito importante quando envolve o trabalhador e provê significado e propósito.
9 - Dinheiro não contribui para a felicidade, a não ser quando é gasto com e para outros.
10 - Eudaimonia é melhor que Hedonismo.
11 - Cuidar é melhor do que criticar.
12 - Dias bons são quando nos sentimos autônomos, competentes e conectados.
13 - Felicidade pode ser ensinada.

Não sabemos que somos felizes porque temos a fantasia de que felicidade é algo a ser conquistado, algo ligado à presença ou ausência de bens materiais ou pessoas, ao lugar que ocupamos socialmente, como os outros nos vêm.
Todo o campo da psicologia cognitiva nos ensina que somos o que fazemos repetidamente e o fazemos repetidamente porque acreditamos que é assim que tem que ser, quer por aprendizado desde a infância, quer pelas conclusões que tiramos dos fatos, quer por um pouquinho de azar/sorte genético, provavelmente pela soma de todas as anteriores.
As neurociências nos mostram que nosso humor, embora tenha influências genéticas, estas são muito menos importantes do que estilo de vida e ambiente onde crescemos e vivemos. Até mesmo doenças psiquiatricas extremamente sérias, como esquizofrenia e distúrbio bipolar, podem jamais vir a se manifestar dependendo das circunstâncias de vida dos indivíduos. Além disso, nos mostram que a maioria das coisas nas quais acreditamos, incluindo nossa memória, não são absolutamente dignas do tamanho da confiança que nelas depositamos. Costumeiramente pensamos em nossas memórias como fatos, como se aquilo realmente tivesse acontecido, e quem tem irmãos mais velhos ou mais novos, sabe perfeitamente como é a sensação de lembrar algo claramente, e o irmão contar uma história totalmente diferente daquela que você tão claramente se recorda.
Meu irmão e eu estávamos viajando numa estrada, e um acidente aconteceu bem à nossa frente. Quando a polícia chegou, irmão descreveu os carros, marca, (só não descreveu a cor porque é daltônico), direção em que estavam viajando, qual carro fez o que. Eu não fazia idéia sequer da cor dos mesmos, mas sabia perfeitamente quantas pessoas havia no carro à minha esquerda e no à minha direita, que lesões haviam sofrido e a urgência de cada caso. Meu irmão, embora tivesse tirado as pessoas dos carros junto comigo, absolutamente não se lembrava de gente, nem descreveu coisa alguma nessa área. Eu sou médica, ele é engenheiro e administrador, e desde criança tende a desmaiar se alguém chegar perto e gritar "sangue". De meu lado, sou a ovelha negra de familia italiana, que acho que o melhor carro é o que me leva seguramente de um lugar a outro, com a menor quantidade de problemas possiveis, e as únicas marcas que reconheço com certeza são Ferrari e Jaguar, porque gosto das linhas, o resto divide-se em grande, médio, pequeno, e sim, as caminhonetes.
É por esta razão que policiais e advogados odeiam de coração "testemunhas oculares", porque dizem que, se um crime acontece e 5 pessoas o vêm, cerca de 10 crimes serão reportados.
Na realidade, prestamos atenção no que já sabemos, e só lembramos daquilo no que prestamos atenção. Pior, as conclusões e, por conseguinte os aprendizados que temos ou não, dependem de nossas memórias e nossas crenças em cimas das já citadas memórias.
Vamos a um exemplo de psicologia cognitiva, que é o ramo da psicologia que estuda os processos mentais, incluindo como as pessoas pensam, percebem, lembram e aprendem, desta forma estando íntimamente relacionada com outras disciplinas, incluindo as neurociências, filosofia e lingüística.
A terapia cognitiva assume que a maior parte de nossas emoções e comportamentos é o resultado do que pensamos ou acreditamos a respeito de nós mesmos, dos outros e do mundo em geral. Essas cognições moldam a forma como interpretamos e avaliamos o que nos acontece, influenciam como nos sentimos a respeito do acontecido e nos dão uma "cartilha" de como deveríamos reagir aos acontecimentos. Infelizmente, algumas ou a maioria de nossas interpretações, avaliações e crenças estão distorcidas, erradas ou são puros preconceitos, o que resulta em sofrimento desnecessário. Assim, os pensamentos precedem nossos estados de humor e as "falsas crenças" desencadeiam emoções negativas.
Imagine a seguinte situação: Você foi a uma festa e foi apresentada ao João (se for menino, a Maria, tanto faz). Durante a breve conversa, ele/ela nunca olha para você, mas olha para cima de seu ombro, além de você, para qualquer lugar da sala, menos para você.
Como se sente?
O que pensa a respeito?
A - "Gente que falta de educação! Que grosso me ignorando desse jeito! Quem ele/ela pensa que é?”
Consequência: Ambos se sentem incomodados, conversa termina, ambos se evitam para todo o sempre.
B - "Ele/a acha que sou uma chata. Alias chateio todo mundo!"
Consequência: Vergonha, depressão, tristeza e provavelmente vai evitar outras festas.
C- "Acho que ele/ela é tímido, provavelmente está todo sem graça por falar comigo"
Consequência: Sente-se empática com a situação e muda a conversa para coisas tipo, de onde você conhece a Mariazinha (a dona da festa).
 A meta deste tipo de terapia é ajudar o paciente a reconhecer e modificar seus padrões de pensamentos negativos e substituí-los por pensamentos positivos que reflitam a realidade. 

SURPRESA!

Não estou em absoluto dizendo que todas as emoções negativas e dolorosas são ruins e que devemos "pensar positivo" o tempo todo.

Emoções como o medo, a raiva e a tristeza podem ser muito apropriadas e úteis.

O medo pode dizer que há perigo, fazendo com que nos protejamos.
A raiva pode informar-nos de que os nossos direitos estão sendo violados, e precisamos tomar medidas a respeito.
Tristeza pode ser o resultado da perda de algo ou alguém importante para nós, indicando que é preciso tempo para lamentar (é o significado do luto).

O que importa não é se a emoção é positiva ou negativa, mas se é adaptativa ou mal adaptativa.

Emoções negativas e dolorosas podem ser perfeitamente adaptativas quando baseadas em pensamento acurado e acontecimento de acordo, guiando-nos para uma resposta apropriada.

Emoções mal adaptativas são sequenciais a pensamento distorcido e causam sofrimento desnecessário e respostas inapropriadas. 

Uma das maneiras de definir saúde mental é pelo quanto alguém pode reconhecer a diferença entre emoções adaptativas e mal adaptativas. 

E assim, aqui vai o comecinho do curso em Salvador, esperando que o gostinho seja de "quero mais", gostinho de vida e possibilidades.

Vejo vocês lá.
Ciao e até breve
Patrizia

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