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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O QUE É MESMO ESSA COISA CHAMADA FELICIDADE?


Todos nós queremos ser felizes. Além de ser um estado emocional bom de sentir, felicidade também melhora a saúde no geral, a criatividade e a possibilidade de decidir melhor (é duro ser racional quando estamos tristes, deprimidos, raivosos, abatidos). Então vamos lá ver um pouco do que vem a ser isso.

FELICIDADE E SUAS CORRELAÇÕES

Na última década, as pesquisas sobre felicidade aumentaram de forma espantosa, e os relatos cá estão:

1 - Fatores que não têm muita correlação com felicidade: idade, sexo, ter ou não filhos, inteligência, beleza física e dinheiro (obviamente se estiver acima da linha de pobreza).

2 - Fatores que se correlacionam moderadamente com felicidade: saúde, atividade social e espiritualidade/religiosidade.

3 - Fatores fortemente relacionados com felicidade: genética, satisfação nos relacionamentos amorosos e sociais, e satisfação no trabalho.


Mas só as correlações não são suficientes, e queremos saber o que raios CAUSA felicidade, e aí entramos num campo muito difícil de ser medido. Mas, alegrem-se, até o momento já sabemos de algumas coisas:

Os genes são responsáveis por cerca de 50% da variância na felicidade. As pesquisas nos mostram evidências espantosas: ganhadores da loteria e tetraplégicos recém lesados, não mostram grande mudança na felicidade, como seria de se esperar. Presumivelmente, os genes moldam a felicidade por moldar a personalidade, o que se sabe, é, em pelo menos 50%, um traço adquirido.

Então, quais são os traços de personalidade mais correlacionados com felicidade?

Extroversão é um dos maiores indicadores de felicidade, assim como conscienciosidade, afabilidade, autoestima e otimismo.

Danou-se. E agora, o que acontece se não tiver esses tratos? Calma, calma que aqui vem a boa nova: a maioria de nós os tem até mesmo sem sabê-lo. Vamos a um exemplo: introversão pode ser piorada pela falta de habilidades sociais. Vai daí que, quanto mais dessas habilidades aprendermos e praticarmos, descobriremos que somos muito mais extrovertidos do que jamais pensamos. O mesmo conceito se aplica a conscienciosidade, afabilidade, autoestima e otimismo. O que as pesquisas têm mostrado cada vez mais, é que, sejam lá quais forem os traços de personalidade herdados, não há nada que treino e prática não possam melhorar.

A FELICIDADE É RELATIVA E SUBJETIVA

A felicidade não é determinada por fatores objetivos, mas pelo que SENTIMOS A RESPEITO DELES.

Felicidade também é um conceito extremamente relativo. Obviamente vou me sentir muito mais feliz na Indonésia ganhando $50.000, onde a média é $12.000, do que em Beverly Hills, ganhando $100.000, onde a média é $ 300.000.

Felicidade também é relativa a depender de nossas EXPECTATIVAS. No geral, nós humanos somos bem ruinzinhos no prever a força de nossas reações emocionais a eventos futuros. Nós superestimamos o quão miserável nos sentiremos depois da quebra de uma relação romântica, se falharmos no obter uma promoção no trabalho ou mesmo se adoecermos.

Também superestimamos o prazer que sentiremos ao comprar um belo carro, ganhar a promoção ou nos mudarmos para a cidade de nossos sonhos.

Conclusão: abaixe suas expectativas a respeito do prazer que vai sentir com esses eventos. O prazer será momentâneo, depois tudo volta ao quanto a antiga musa canta.

Há cada vez mais estudos mostrando que as pessoas estão no pico de sua felicidade quando estão num estado de "fluxo", que é definido como aquele estado no qual "estamos totalmente envolvidos em numa tarefa interessante, desafiadora e que nos é intrinsecamente gratificante." Essa experiência de "nos perdermos no momento" é o que os esportistas chamam de "estar na zona". Nunca fui suficientemente boa em nenhum esporte para sentir isso, mas senti em diferentes situações, assim de pensar que havia passado mais ou menos meia hora, e ao checar o relógio, lá se tinham ido 3 ou 4, coisa assim de olhar de novo porque a impressão era de que o relógio estava errado.

Localizar o fluxo tem muito a ver com a execução de tarefas que correspondem a nosso nível de habilidade. Quando uma tarefa está muito além de nosso nível de habilidade, nos sentimos derrotados. Quando é muito fácil, nos sentimos entediados. Somente quando uma tarefa é difícil, mas possível, vamos nos sentir bem em fazê-la. Os antigos diziam: "cabeça vazia, oficina do demônio", nada mais correto na observação do comportamento. Hoje em dia, vemos tantos adolescentes "entediados", não por falta de estímulos, que os há em demasia, mas pela pura falta de desafio, falta do aprendizado da delícia que é fazer algo bem feito, pelo puro prazer de fazê-lo, ganhar algo porque se trabalhou para isso, ao invés de ter tudo na mão e de graça, às vezes antes mesmo de ter desejado.

O melhor remédio quando estamos "entediados" é alcançar esse “estado de fluxo”.

Agora, contrário à crença popular, forçar o pensamento positivo piora as coisas.

Tentar NÃO pensar a respeito de algo que nos chateia, tem exatamente o mesmo efeito de quando alguém nos diz: não pense nas crianças esfomeadas na Nigéria - imediatamente começamos a pensar nelas.

Apesar do fato de que "estar perdido no momento" pode prover nossos momentos mais felizes, as pesquisas também têm demonstrado que, quando não estamos no "fluxo", a prática de mindfulness, isto é, o prestar atenção em nossa situação, em nossas ações e sentimentos, pode reduzir a dor e a depressão, stress e ansiedade, e produzir uma porção de outros efeitos positivos.

Então a pergunta que não quer calar: Como podemos ser mais felizes?

Felicidade é uma coisa extremamente complexa. Além do mais, temos que nos lembrar da diferença entre "felicidade experienciada" e "felicidade rememorada". Em suma: não há um caminho simples e direto para a felicidade, assim como não há nenhuma pílula para a mesma, e os tontos que definiram os antidepressivos do tipo Prozac como "pílulas da felicidade", não tinham ideia do que estavam falando.

Além disso, felicidade é alcançada de diferentes maneiras por diferentes pessoas.

Uma pessoa que está sofrendo de depressão clínica vai se sentir melhor tomando um antidepressivo do que aprendendo habilidades sociais. Uma mulher saudável, extrovertida, consciente, cheia de amigos, vai continuar a se sentir infeliz se estiver presa num casamento infame.

Algumas pessoas foram criadas por pais que não encorajaram o desenvolvimento de uma autoestima saudável, e essas pessoas têm que usar um montão de tempo e energia para superar esse problema.

Para alguns, a estrada é longa, para outros é curta, então abaixo vai um sumário dos vários métodos possíveis para nos tornarmos mais felizes. Estão classificados numa escala sem qualquer ordem. Nenhum é mais importante que o outro, cada um de nós vai preferir este ou aquele, e só coloquei os números como forma de organização, mais nada. Cada um de nós tem que pensar a respeito de que pessoa é, o que o faz feliz ou infeliz, quais são as metas e sonhos, e a partir daí, determinar qual é o melhor ou melhores métodos a serem usados. Uma dica posso dar: antes de qualquer coisa, pare de procrastinar.

1 - Se tem alguma doença séria, tipo depressão, ansiedade, paranoia, esquizofrenia, etc.. Procure ajuda profissional. JÁ!

2 - Desenvolva os hábitos e habilidades relacionados com extroversão, tipo, ficar mais tempo conversando, conversar com totais estranhos na fila do supermercado, ajudar uma velinha atravessar a rua, botar um sorriso na cara enquanto estiver andando, desligar a TV e ler um bom livro, fazer algum trabalho voluntário.

3 - Desenvolva sua autoestima e otimismo. Esse pedaço é complicado, porque excesso de autoestima leva a narcisismo, o que não é nada bom. O que ajuda, é fazer listas todos os dias de tarefas que têm que ser feitas. Quanto mais tarefas for desenvolvendo, mais contente vai ficar consigo mesmo/a. Quanto a otimismo, sempre que pensar em quão errado ou quão ruim algo vai ser, pense também como pode ser bom e que passos pode tomar para que isso aconteça.

4 - Aumente sua afabilidade. Isto quer dizer, aumente sua empatia, comece a tentar ver as coisas sob a perspectiva de outras pessoas. Tente observar quantos bilhões de pessoas têm um fardo muito mais pesado que o seu, ao invés de olhar para os poucos mais afortunados. Leia o livro de San Michele, do Axel Munthe.

5 - Melhore sua consciência, que envolve uma série de tendências como: organização, ética no trabalho, o ser confiável, planejamento, etc...

6 - Seja grato/a. Curta os momentos, sempre. Pense a respeito de memórias felizes, e, ao fim do dia, escreva 5 coisas pelas quais você está grato/a, sei lá, ter podido curtir o gosto de uma trufa da Godiva, estar saudável, ter assistido o momento histórico de um presidente negro ser eleito pela segunda vez, ter falado com sobrinhos e amigos distantes no Facebook, os óculos novos com os quais volta a enxergar o mundo, o que achar melhor. Pode parecer bobeirinha, mas juro que funciona.

7 - Descubra qual é seu propósito na vida, e viva-o. Pelo que parece, um dos benefícios da religião é que fornece às pessoas religiosas um sentido de significado e propósito. Se você não tiver nenhuma divindade mágica, vai ter que achar propósito por si mesmo. Pode levar um tempo, porque é natural que se experimentem várias e diferentes coisas, mas uma vez encontrado o que o motiva profundamente, vai fundo. Naturalmente podem ser encontradas mais do que uma motivação ou diferentes motivações ao longo da vida. O ter um forte sentido de significado e propósito carrega consigo uma variedade de efeitos positivos.

8 - Encontre um trabalho que o realize. Muito poucas pessoas trabalham com o que gostam, e chegar a esse ponto de realização pode ser difícil e complicado. Para descobrir que carreira tem as tarefas que você gosta, pode fazer o teste RIASEC (teste tipológico que mede personalidade relacionada a carreiras) , ou observar o que gosta de fazer, mesmo que não ganhe com isso, e ver se há carreiras nessa área.

9 - Melhore o relacionamento com seu parceiro/a ou ache outro. Do mesmo jeito que para o trabalho, isso pode ser difícil e complicado. Se acha que seu relacionamento não está funcionando, talvez seja a hora de terminar a coisa e usar seu tempo para seu desenvolvimento pessoal, o que, de per si, irá melhorar futuros relacionamentos. Caso queira melhorar a relação, há várias coisas que podem ser feitas, como por exemplo:
Faça frequentemente coisas novas e excitantes com seu parceiro
Diga coisas positivas para e a respeito de seu parceiro 5 vezes mais frequentemente do que costuma fazer.
Pelo menos uma vez por semana, escreva porque seu relacionamento é muito melhor do que alguns outros que conhece.
A cada crítica que fizer ao parceiro, contrabalance com pelo menos 2 coisas positivas.
Olhem-se nos olhos mais frequentemente.

10 - Passe mais tempo ao ar livre andando, nadando, usando a bicicleta, enfim, mexendo os músculos.

11 - Aprenda a passar mais tempo no "fluxo". Largue mão de tarefas impossíveis e favoreça as que estão dentro de suas capacidades. Transforme tarefas chatíssimas em coisas interessantes, adicionando desafios a você mesmo. Quando não estiver no "fluxo", preste atenção em seu comportamento, em como suas emoções estão funcionando, e em como suas ações o levam a favor ou contra suas metas. Pratique "atenção concentrada" (mindfulness) regularmente. Meditação ajuda.

12- Evite consumismo. As coisas que possui, acabam, de alguma maneira por possuí-lo.

O procurar a felicidade como um fim em si mesma, pode ser contraprodutivo. Ficar checando o tempo todo para ver se se está "realmente feliz"é uma forma perfeita de não se estar. Muito melhor ir em busca de algumas das metas acima expostas, e a felicidade vai chegar meio assim como um efeito colateral.

Um aviso final: Não vai se encontrar felicidade lendo tudo a respeito ou fazendo cursos.A felicidade chegará quando fizer as coisas recomendadas.

Lembre-se que, no princípio era o verbo, e verbo, significa ação.

Vídeo muito interessante a respeito de consumismo como nova religião Clique aqui

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