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sábado, 12 de janeiro de 2013

ANSIEDADE - TRATAMENTOS


No post anterior, vimos o que são os diversos Transtornos da Ansiedade. Só recordando:

Transtorno Generalizado da Ansiedade
Ataques de Ansiedade (Transtorno do Pânico)
Transtorno Obsessivo Compulsivo
Fobias
Transtorno da Ansiedade do tipo Social
Transtorno do Estresse Pós Traumático

As causas psicológicas para estes transtornos incluem, mas não são limitados a:

Visão excessivamente cautelosa do mundo manifestada pelos pais da pessoa ansiosa.
Estresse acumulado ao longo do tempo.
Dificuldade com assertividade. Pessoas ansiosas no geral têm um estilo de comunicação bem educado e cortês, e caracteristicamente não assertivo. Esta abordagem, que usa bastante cuidado para se comunicar, parece contribuir para a preocupação sobre o que os outros possam pensar e, posteriormente, disparar ataques de ansiedade (pânico). Bourne, E. (2005). Tipicamente, usam frases como: "Posso lhe fazer uma pergunta?”.
Excesso de sensibilidade.

A ansiedade, em suas variadas formas, também é recorrente em famílias, e continua se discutindo se há um fator genético (nada ainda encontrado) ou se é comportamento apreendido, com consequente mutação em DNA ao longo de gerações (hipótese com a qual mais concordo).

DIAGNÓSTICO

É feito através da história do paciente, atual e pregressa, história familiar e exames complementares para afastar causas clínicas. Por exemplo, se a ansiedade está relacionada a anemia, tratando da anemia, a mesma desaparece.
Assim, para que um transtorno de ansiedade seja diagnosticado, é necessário que haja:

Preocupação excessiva com diversos eventos ou atividades, a maior parte do tempo, e por pelo menos seis meses.
Dificuldade em controlar a preocupação.
Ter pelo menos três dos seguintes seis sintomas associados com a ansiedade, na maior parte do tempo, durante os últimos seis meses: inquietação, fadiga, irritabilidade, tensão muscular, dificuldade em adormecer, dificuldade de concentração.

Usualmente, pacientes com ansiedade também apresentam sintomas de depressão clínica e vice-versa.

TRATAMENTO

Como todo o resto dos transtornos psiquiátricos, o tratamento baseia-se no tripé: Terapia – Medicação -Terapias Complementares, que incluem mudança de estilo de vida (tal qual Diabetes, por exemplo).

As terapias mais usadas e que até o momento têm mostrado melhores resultados são:

Terapia Cognitivo - Comportamental (TCC)


Concentra-se em identificar, entender e mudar padrões de pensamento e comportamento. Os benefícios são geralmente observados em 12 a 16 semanas, dependendo do indivíduo. Neste tipo de terapia, o paciente está ativamente envolvido em sua própria recuperação, tem um senso de controle, e aprende habilidades que são úteis ao longo da vida. TCC tipicamente envolve leitura sobre o problema, registros da vida e atividades dos pacientes entre as consultas, e tarefas de casa, nas quais os métodos de tratamento são praticados. Durante as sessões de terapia, os pacientes aprendem novas habilidades, as quais repetem e aplicam fora do ambiente terapêutico.

Terapia de Dessensibilização

É uma forma de terapia cognitiva e um processo para reduzir o medo e as respostas de ansiedade. Nela, o paciente é gradualmente exposto a uma situação ou objeto temido, aprendendo a tornar-se menos sensível ao longo do tempo. É particularmente eficaz para transtorno obsessivo compulsivo e fobias.

Terapia de Compromisso e Aceitação (TCA)

Este tipo de terapia usa estratégias de aceitação e atenção concentrada (mindfulness = viver o momento e experimentar coisas sem julgamento), juntamente com comprometimento e mudança de comportamento, como uma forma de lidar com pensamentos, sentimentos e sensações indesejados. Desenvolve habilidades para aceitar as experiências, colocando-as em diferente contexto, clarear ideias sobre valores pessoais, e se comprometer com a mudança de comportamento necessária.

Terapia Comportamental Dialética (TCD)

Integrando técnicas cognitivo comportamentais com conceitos de meditação oriental, combina aceitação e mudança. Pode ser individual e/ou em grupo, para aprender a atenção plena (mindfullness), bem como habilidades de eficácia interpessoal, tais como o tolerar e regular as próprias emoções.

Terapia Interpessoal (TI)

É uma terapia de suporte, de curto prazo, geralmente entre 12 a 16 sessões de 1 h/semana. As sessões iniciais são dedicados à coleta de informações sobre a natureza da angústia da pessoa e sua experiência interpessoal.


Dessensibilização e Reprocessamento dos Movimentos Oculares (EMDR)


Sob certas condições, os movimentos dos olhos parecem reduzir a intensidade de pensamentos perturbadores. Um tratamento conhecido como dessensibilização e reprocessamento do movimento ocular parece ter um efeito direto sobre a forma como o cérebro processa a informação. Basicamente, ajuda o paciente a ver o material perturbador de forma menos angustiante. Parece ser semelhante ao que ocorre naturalmente durante os sonhos ou sono REM (movimentos oculares rápidos). Parece ser bastante eficaz para transtorno de estresse pós-traumático. (Não conheço a técnica, só li a respeito, mas está sendo muito usada em todos os Hospitais para Veteranos, com soldados de volta das guerras, com sintomas de DPTS e traumatismos cerebrais não perfurados).


MEDICAMENTOS

Tratamento medicamentoso da ansiedade é geralmente seguro e eficaz, frequentemente usado em conjunto com a terapia e feito por profissional treinado. A medicação pode ser uma opção de tratamento a curto ou a longo prazo, dependendo da gravidade dos sintomas, outras condições médicas, e outras circunstâncias individuais. No entanto, muitas vezes leva tempo e paciência para encontrar a droga que melhor funciona para cada um.

Para os transtornos da ansiedade, há 4 classes de medicamentos:

Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) - Citalopran - Escitalopran – Fluoxetina -Paroxetina - Sertralina.

Bloqueiam a recaptação de Serotonina no cérebro, de forma que mais serotonina fica disponível, o que melhora o humor. Embora tenham muito menos efeitos colaterais do que os antidepressivos tricíclicos, dentre os mais comuns estão: insônia, disfunções sexuais (principalmente perda da libido) e ganho de peso. São considerados como tratamento eficaz para os transtornos da ansiedade, embora em caso de Fobias as doses requeridas sejam bem maiores.

Inibidores da Recaptação de Serotonina e Norepinefrina (IRSN) – Duloxetina - Venflaxina

Agem do mesmo jeito que os ISRS´s, só que deixando dois neurotransmissores disponíveis: a serotonina e a norepinefrina. Dentre os efeitos colaterais mais comuns estão: problemas estomacais, leve elevação da pressão arterial, insônia, dor de cabeça, disfunções sexuais. São tão efetivas quanto as anteriores, mas, por alguma razão ainda desconhecida, funcionam melhor nos Transtornos Generalizados da Ansiedade.

Benzodiazepínicos: Alprazolam – Clonazepam – Diazepam - Lorazepam

Usados para tratamento de ansiedade a curto prazo, pois seu uso a longo prazo causa tolerância (vai precisar de doses cada vez maiores para produzir o mesmo efeito) e dependência. Atuam por provocar relaxamento muscular.

Antidepressivos Tricíclicos: Amitriptilina - Imipramina - Nortriptilina


Atualmente pouco usados, devido à quantidade de sérios efeitos colaterais tais como hipotensão ortostática, constipação, retenção urinária, boca seca e alterações visuais.

TRATAMENTOS COMPLEMENTARES E ALTERNATIVOS

Técnicas de relaxamento

Relaxamento ajuda no tratamento de fobias e/ou transtorno do pânico. As técnicas de relaxamento também têm sido utilizadas para aliviar a ansiedade em situações estressantes. São mais eficazes do que nenhum tratamento, mas não tão eficazes quanto a terapia cognitivo comportamental.

Yoga

Pela combinação de posturas, exercícios respiratórios, meditação e filosofia de vida. Faz parte do protocolo para Tratamento de Ansiedade da Clínica Mayo.

Acupuntura

Embora ainda não se entenda exatamente como funcione, há evidência de que ajuda bastante no tratamento.

Basicamente, como qualquer outro tratamento, o fundamental está na relação de confiança/ competência entre o paciente e o profissional da saúde, lembrando os elementos fundamentais dessa relação:

1- O paciente tem o direito de receber todas as informações possíveis de seu médico e discutir os benefícios, riscos e custos das alternativas de tratamento adequadas a seu caso específico.
2 - O paciente tem o direito de decisão sobre os cuidados de saúde que lhe são recomendados, podendo aceitá-los ou recusá-los.
3 - O paciente tem direito a cortesia, respeito, dignidade, capacidade de resposta e atenção propicia às suas necessidades.
4 - O paciente tem o direito à continuidade dos cuidados de saúde.
5 - O médico tem a obrigação de cooperar na coordenação dos cuidados indicados com outros profissionais de saúde que tratem do paciente.


Em minha pouco modesta opinião, concordo totalmente com velho Hipócrates, que dizia que o que realmente cura é a relação do médico com seu
paciente.

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