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quinta-feira, 15 de março de 2012

A imprevisível liberdade e doçura do Caos

http://zenhabits.net/embrace-chaos/


(Vou dizendo de antemão que não darei qualquer palpite no artigo.Está perfeitinho do jeito que foi escrito pelo Leo) 

Você deve ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante. Friedrich Nietzsche

Vou compartilhar um truque organizacional, de produtividade e planejamento, que vai mudar sua vida. 

Trará alguns resultados imprevisíveis, mas se o abordar da maneira correta, pode lhe trazer alguns dos trabalhos mais incríveis de sua vida, além de liberdade, alegria e satisfação.

E qual é esse truque milagroso?

É um bem simples: Larga, deixa ir.

Deixe o controle de lado e permita-se ser arrastado pelas poderosas correntezas da vida.

Deixe de lado o planejamento e abrace o não saber o que vai acontecer.

Esqueça todas as idéias a respeito de produtividade e se abra para novas idéias, novas oportunidades e a espontaneidade da criatividade.

 ARGUMENTO A FAVOR DO CAOS.

Considere o que fazemos quando planejamos nosso dia, semana ou ano: estamos tentando controlar a vida, e predizer, com nossos planos, que curso a vida tomará hoje, esta semana, este ano.

Estamos dizendo: Isto é o que vou fazer hoje. As coisas vão acontecer exatamente desse jeito. Se fizer todas essas coisas, a vida vai ser boa. Esta é minha idéia do que o dia trará.

Agora, considere o seguinte: não temos idéia se tudo o acima é verdade. Não podemos predizer o futuro de jeito nenhum, e a idéia de que podemos planejar, baseados nessas predições fraquinhas, é uma ficção. Bem legal, sem dúvida, mas continua sendo ficção.

Não temos a menor idéia do que acontecerá hoje, muito menos o resto da semana, mês ou ano.

Agora considere: como seria se pudéssemos saber? 
O que aconteceria se pudéssemos prever cada dia, e planejar de acordo?

Ia ser uma grande coisa?

Diria que seria péssimo, infinitamente pior do que não saber.

O ter preciência do futuro significa que saberíamos o que fosse acontecer a cada dia, fazendo nossos dias não só infinitamente chatos, mas também nos dizendo que estamos presos a um caminho imutável.

Conhecer o futuro equivale a uma tremenda falta de liberdade.

Então, não só não sabemos como não deveríamos querer saber.

Podemos tentar planejar, mas esses planos não se baseiam em conhecimento real, e provavelmente não vão acontecer, de forma que planejar é perda de tempo.

O que é que podemos fazer ao invés de tentar predizer o que vai acontecer, no lugar de planejar?

Aprender a aceitar a incerteza e estar aberto a mudanças. 



Aprender a largar mão do controle e a surfar cada onda de mudança.

Deixar rolar a imprevisibilidade, deixar que a aleatoriedade seja a força e a espontaneidade a regra em nossa vida.

 ACEITANDO O CAOS 

Alguns pensamentos aleatórios com base em minhas experiências com desapego
  
Trabalha-se melhor com caos

Embora a idéia de ter uma pacífica ordem em nosso dia de trabalho seja legalzinha, é uma ilusão.

E, francamente falando, um tédio.

O trabalho baseado na diversão, no brincar e na espontaneidade é muito mais interessante.

Imagine um projeto que começa com uma idéia espontânea, e dai muda seu curso na medida de seu desenvolvimento, engloba idéias de gente desconhecida e termina num fantástico lugar que não havia qualquer possibilidade de ser previsto quando começou.

Essa foi a maneira como fiz meu último livro The effortless life (A Vida sem Esforço), e me diverti muito mais do que havia me divertido em projetos anteriores.

É como estou fazendo todos meus projetos agora.

Um ano sem planejamento

Quando comecei os Zen Habits (Hábitos Zen) em 2007, tinha meu ano todo planejadinho nos menores detalhes, com metas e ações semanais.

Isso tudo foi chutado para o alto quando comecei a escrever e a encontrar meus primeiros leitores, que mudaram minha vida com seus comentários e sua atenção.

Minha vida virou de cabeça para baixo, meus planos tornaram-se sem sentido, e aprendi que, apesar da vida ser imprevisível, essa mesma imprevisibilidade pode trazer coisas extraordinárias.

Abra-se a novas possibilidades

Naquele primeiro ano dos Hábitos Zen, aprendi a me abrir a novas oportunidades.

Repetidas vezes, novas portas se abriram, portas que não conhecia, nem podia conhecer, aliás nem sabia que existiam.

Vi a nova porta se abrir, considerei, e entrei.

Isso aconteceu mais do que uma vez e me ensinou que não há maneiras de planejar o caminho, quando não se sabe o que cada passo pode trazer, nem que mudanças acontecerão ao caminho na medida em que é percorrido.

Abra-se a pessoas desconhecidas

Digamos que você é daqueles que planeja seu dia rigidamente.

Seu sistema de produtividade está todo azeitado, todas as tarefas em marcha.

Você é uma máquina de produtividade.

Agora, por mero acaso, você se encontra com um desconhecido que lhe diz Alô. Você responde alô, e agora cá está sua oportunidade de conversar com esse desconhecido, de vir a conhecê-lo.

Mas aí, você vai se desviar do plano!

Você se atém ao plano ou começa a conversar com o desconhecido?

Bom, se ater ao plano seria mais produtivo e lhe daria mais controle sobre sua vida.

Mas, se conversar com o desconhecido, pode fazer um novo amigo.

Pode aprender algo que nunca teria aprendido de outra maneira.

Alguns de meus melhores amigos fiz deste jeito, porque quis me desviar de meus planos e conversar com um desconhecido.


Caos é criatividade e criatividade é caos.

São a mesmíssima coisa.

O trabalho criativo não acontece via planejamento e controle.

Claro, alguns dos maiores gênios criativos do mundo eram loucos por detalhes, mas nunca fizeram um plano para poder ter uma idéia genial e criativa-essa idéia se lhes deu porque estavam abertos a pensamentos aleatórios, exploraram caminhos que ninguém mais pensou em olhar ou pegaram uma idéia de outrem e a torceram de uma maneira totalmente nova.

Criatividade vem do caos, e é somente quando nos abrimos para essa falta de controle é que podemos avançar para o uso da criatividade que há em nós.

Algo a ser lido

Dois dos melhores livros que li recentemente adotam a idéia da incerteza, e foram escritos por dois de meus melhores amigos, os quais conheci por mero acaso via internet.
Meu amigo Jonathan Fields escreveu
Uncertainity (Incerteza), que explora algumas das idéias aqui expostas.

Mary Jaksch mandou-me um livro chamado  Bring me the Rhinocerus (Traga-me os Rinocerontes), que mostra como usar os koans da filosofia Zen para explorar idéias similares. Recomendo ambos. 

Largue suas expectativas 

Quando largamos nossas expectativas de que outras pessoas nos farão felizes, vamos poder curtir muito mais essas mesmas pessoas.

Ficamos danados e frustrados porque outras pessoas não agem como queríamos que elas agissem.

Esperamos que outras pessoas tentem nos fazer felizes, que se tornem o oposto do que são para nos dar o que queremos.

Infelizmente não é para isso que os outros também estão nesse mundo.

Quando largamos mão de nossas expectativas, vamos aceitar as pessoas pelo que elas são e aprender a apreciar essa singularidade.

Se você não esperar que as coisas funcionem como planejado, você está aberto para o não planejado.

Se algo inesperado acontecer e você vai na onda, há que largar os planos prévios, o que pode ser uma coisa maravilhosa.

Muitas pessoas, incluindo aqui meu velho Eu, ficam frustradas quando aparecem coisas que não estavam planejadas.

Mas não precisa ser frustrante.

Simplesmente espere que planos mudem, ou então não faça planos.

Espere pelo inesperado, e quando acontecer, sorria.

Aprenda a gostar de não saber o que vai acontecer


Esta é a derradeira liberdade.

Você não sabe o que vai fazer hoje, nem o que vai aparecer.

Você está trancado no nada, completamente livre para fazer qualquer coisa, para dar asas à sua criatividade, para tentar coisas novas, para conhecer pessoas novas.

Pode ser meio assustador no início, mas se  sorrir quando pensar em não saber, logo logo vai notar que é uma coisa alegre, leve e solta.

Quando não se focaliza em um resultado, nos abrimos a possibilidade para muitos resultados.

Muitas pessoas estão focadas em um resultado específico, perseguindo-o incansavelmente e descartando outras possibilidades como meras distrações.

Mas o que acontece se você não tiver um resultado específico em mente?

O que acontece se você disser que qualquer resultado pode ser bom?

Pronto, abriu uma quantidade infinita de possibilidades, e mais, é provável que aprenda algo novo e diferente do que se fizer ou aprender apenas as coisas que sustem seu resultado pré-determinado.

É um mundo cruel e aleatório, mas o caos é tão bonito  Hiromu Arakawa

Zen Habits é um dos mais visitados blogs da internet com cerca de 200.000 subscrições (incluindo a minha). Foi criado em 2007 por Leo Babauta

Leo Babauta é um ex-jornalista que deu uma virada enorme em sua vida.


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