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terça-feira, 27 de março de 2012

O CÉREBRO APAIXONADO


(Desde os tempos idos do primeiro ano de medicina, quando me apaixonei por um neurônio, considero neurologia poesia. Mas só considero. A autora deste artigo fez. Espero que curtam tanto quanto eu.)

Um campo relativamente novo, chamado NEUROBIOLOGIA, baseia-se numa das grandes descobertas de nossa era, que é o fato do cérebro estar em constante reconstrução, baseado no que acontece em nossa vida, no dia a dia.

A fim e a cabo, o que nos define são as coisas nas quais prestamos mais atenção.

Como escolhemos usar o tempo que não pode ser reposto é o que, literalmente, nos transforma.

Toda e qualquer relação modifica nosso cérebro, mas as mais importantes são aquelas que desenvolvem laços íntimos, bons ou ruins, alterando os delicados circuitos que fromam as memórias, emoções e lembranças que nos fazem quem somos.

Todos os grandes casos de amor começam com um berro.

Ao nascimento, o cérebro já começa a disparar novas vias neuronais , baseado em sua odisséia num mundo alienígena.

Um bebê está imerso em brilhos, imagens, sons, sensações confusas e sentimentos curiosos, tudo desencadeado por um fluxo de objetos e rostos estranhos, mas acima e além de tudo, magnéticamente atraido para aquele(s) que dele cuidam. Estes são investidos por uma magia surpreendente.

Testes de imagens cerebrais mostram a sintonia dos cérebros de mães e seus bebês, mas o que não podem mostrar, é o laço entre eles e que não pertence a nenhum dos dois individualmente, uma fusão na qual o Eu se sente tão permeável que não importa de quem é o corpo.

Sem específicamente dizer nada, a mãe, confiando nos semáforos de seu coração, diz ao bebê tudo o que ele precisa ouvir, comunicando-se através do tom da voz, olhos e rosto.

Graças aos avanços da neuroimagem, temos agora evidências de que, as primeiras relações de apêgo de um bebê são imprimidas em seu cérebro, e os padrões para todos os seus posteriores comportamentos, pensamentos, idéias ao própio respeito e escolha de amores começam nesse cadinho.

Costumávamos pensar que esse era o fim da história: primeiro a hereditariedade, depois os mapas mentais gravados na infância, e pronto, lá estava você definido.

Mas,uma montanha de estudos com neuroimagem, tem demonstrado que a alquimia cerebral continua vida afora, na medida em que amadurecemos, forjamos amizades, nos envolvemos nos mais diferentes assuntos, sucumbimos ao amor romântico e escolhemos nossa alma gêmea.

O corpo se lembra daquela sensação de unidade com a mãe, e anseia pelo seu equivalente adulto.

Assim como os macacos mais sociaveis, vivemos num mundo-espelho no qual, cada relacionamento importante, com o amigo, conjuge ou filho, molda nosso cérebro, o que, por sua vez, forma e reforma nossas relações.

Assim, o tratamento que recebemos quando bebês, não muda nossos genes, mas muda a forma de como esses genes se expressam quando crescemos.

É esse sentimento indelével de "sentir-se sentido", que aprendemos quando bebês e que buscamos a reprodução no amor romântico, essa sensação de reciprocidade que remodela a arquitetura de nosso cérebro e suas funções.

É esse mesmo sentimento que promove longevidade, bem estar, saúde física e mental, felicidade e até mesmo sensatez.

Relacionamentos suportivos são o mais forte indicador de todos os atributos positivos acima espostos, durante nossa vida. (Daniel J. Siegel e Allan N. Schore, neuropsiquiatras, UCLA).

A parte de suporte é crucial, pois os relacionamentos que mais alteram nosso cérebro são exatamente os afetivos/amorosos.

Apenas considere quanto aprendizado acontece quando se escolhe um companheiro/a.

Junto com uma emocionante dependência, lá vem também um vislumbre do mundo através de outros olhos, largam-se alguns hábitos e adotam-se outros, bons ou maus, não importa, degustamos novas idéias, rituais, alimentos, paisagens. Amigos e familiares são adicionados, formando uma tapeçaria de intimidade física e afetiva. Além disso, há outros catalizadores, explosões de hormônios...tudo isso renova o cérebro.

Quando duas pessoas se tornam um casal, o cérebro extende sua idéia de "Eu"para incluir o outro.

Um "Eu" plural emerge, o qual pode tomar emprestado recursos e pontos fortes do outro.

O cérebro sabe quem nós somos. O sistema imunológico sabe quem nós não somos e armazena pedaços dos invasores como auxiliares de memória.

Quando fazemos amor, ou temos gripe ou uma afta, trocamos pedaços de identidade, no primeiro caso, com o ente querido, nos dois ultimos casos com os vírus, e nos tornamos uma espécie de quimera.

Não apenas trocamos contacto, mas absorvemos o ente querido.

O amor é a melhor escola, mas a mensalidade é alta e o trabalho de casa pode ser muito doloroso.

A neuroscientista da UCLA, Naomi Eisenberger, demonstrou através de seus estudos de neuroimagem que, as mesmas áreas do cérebro que registram a dor física também são ativadas quando alguém se sente rejeitado socialmente.

É por isso que ser rejeitado pelo objeto de nossa afeição dói no corpo todo mas em nenhum lugar espeçifico que dê para apontar.

DÓI AQUI
Melhor dizendo, poderiamos apontar para o córtex cingulado antero-dorsal de nosso cérebro, a parte da frente de um colar em volta do corpo caloso, que é um feixe de fibras nervosas por onde vão e voltam as mensagens entre os dois hemisférios cerebrais.

É lá que são registradas a agressão física e a rejeição.

Falando Armênio ou Mandarim, Português ou Russo, todos neste mundo usamos as mesmas imagens de dor física para descrever um coração partido, que percebemos como algo esmagador e incapacitante.

E não é apenas uma metáfora para um soco emocional, pois a dor social pode desencadear o mesmo tipo de sofrimento de uma dor de estômago ou de um osso quebrado.

Mas, um toque amoroso é o suficiente para mudar tudo.

James Coan, neuroscientista da Universidade da Virginia, conduziu experimentos em 2006 nos quais deu choques elétricos nos tornozelos de mulheres que estavam em relacionamentos felizes, registrando a ansiedade antes e os níveis de dor durante os ditos choques.

Daí, elas tomaram choque de novo, só que desta vez segurando a mão de seus parceiros, e, espanto dos espantos, o mesmo nível de eletricidade produziu uma reação a nível cerebral, muito menor.

Em relacionamentos problemáticos, esse efeito protetor não acontece.

Se se está num relacionamento saudável, segurar a mão do parceiro/a é suficiente para baixar a pressão sanguínea, diminuir a resposta ao stress, melhorar a saúde e diminuir a dor física.

Nós alteramos as funções fisiológicas e neurais um do outro.

Tá certo, nem tudo é assim bonitinho, porque na realidade, podemos decidir nos tornar mais atentos e compassivos, mais conscientes das mágoas, motivos e anseios do outro.

Romper com velhos hábitos não é fácil, posto que são atalhos neurais profundamente arraigados, meio que assim um jeitão de passar batido sobre os detalhes, sem necessidade de aprofundamento.

Muitas vezes, casais decidem reprogramar seus cérebros de propósito, com a ajuda de um terapeuta, para aliviar os conflitos e reforçar sua unidade e sua forma única de ser como casal.

Quando ambos estavam no departamento de psicologia da universidade Stony Brook, Bianca Acevedo e Artur Aron resolveram escanear o cérebro de casais casados há longo tempo e que se diziam ainda loucamente apaixonados.

O olhar fixamente para a foto do cônjuge, produziu iluminação nos centros de recompensa, como esperado e como acontece com recém apaixonados e usuários de cocaína.

Mas, ao contrário dos recém apaixonados e dos viciados, mostravam calma em sites associados com medo e ansiedade. Além disso, todos seus locais ricos em opiáceos naturais (endorfinas) e portanto relacionados a alívio de dor e dos locais relacionados com amor (materno e outros), também estavam intensamente ativados.

Um casamento feliz alivia o stress e nos faz sentir seguros como um bebê adorado.Não é de se admirar que "bebê"seja o apelido carinhoso favorito dos adultos.

Não que o amor romântico seja uma cópia exata do vínculo infantil, pois uma pessoa tem que considerar de forma consciente esse tipo de amor para poder lucrar com os paralelos.

O corpo se lembra. O cérebro recicla e resgata.

Então, como é que isso funciona fora do laboratório?

Eu assisti o processo de cura bem de perto,depois que meu marido, com 74 anos, e que também é escritor, sofreu um derrame no hemisfério esquerdo, o qual apagou o linguajar de uma vida inteira. A única coisa que ele conseguia balbuciar era "mem".

Lamentando a perda de nosso dueto de décadas, comecei a explorar novas formas de comunicação, através de gestos atenciosos, mímica, humor, jogos e toneladas de carinho - a epítome cerebral de apêgo seguro.

Isso tudo mais a re-educação caseira, reconhecidamente excêntrica que forneci, e sua (dele) prática diligente, ajudaram a reorganizar o cérebro, e com o tempo, foi capaz de falar novamente, voltou a escrever seus livros e até sua visão melhorou.

Nosso cérebro se modifica com a experiência e, o estar em relacionamentos amorosos de qualquer tipo, com um parceiro, com amigos, com filhos, é o que faz cérebro e corpo realmente funcionarem em seu pico.

Durante idílios de segurança, quando o cérebro sabe que se está com alguém em quem se pode confiar, o pobre não precisa gastar seus preciosos recursos de enfrentamento com estressores ou ameaças, podendo usar sua seiva para aprender coisas novas ou ajustar os processos de cura.

É quando os processos de percepção estão totalmente abertos.

O lado menos brilhante é que, dependendo de quão sensível alguém seja, as lições de amor - doce ou amargo - podem causar profunda impressão.

Assim é que, corações casados podem mudar tudo, até mesmo o cérebro.

  Diane Ackerman

quarta-feira, 21 de março de 2012

COMO COMMBATER GUERRILHAS EMOCIONAIS E SE VER LIVRE DE ABUSOS E MANIPULAÇÕES


Qualquer um é capaz de se comportar como uma besta de vez em quando, mas apenas uns poucos escolhidos fazem disso um estilo de vida.

Os abusadores emocionais vem em várias formas e estilos, desde o colega de trabalho, que insiste em desfazer suas melhores idéias, até gente muito próxima e querida.

Não importa, está na hora de dar um basta, e aqui vai como:

SINAIS E SINTOMAS DE GUERRILHA EMOCIONAL

Eles/as exploram sua solidariedade/amizade/confiança

Se quer que alguém faça algo por você, é muito simples: faça com que sintam que necessita desesperadamente deles/as.

Manipuladores com Mestrado e PhD vão deitar e rolar com isso, pois, mesmo que saiba que está sendo manipulado, é muito difícil mandar catar coquinhos alguém que parece tão necessitado/deseperado.

Se alguém já abusou de sua boa natureza, então você sabe perfeitamente do que estou falando.

Não permita que esse comportamento continue

Disfarçam maldades como altruísmo

Às vezes, a única diferença entre bem e mal está na intenção.

Quando um manipulador faz algo bem ruim, vai torcer os fatos até parecer algo bom.

Vamos ao seguinte exemplo: um colega de trabalho recebeu crédito por uma de suas idéias, mas lhe diz que fez isso para salvá-lo da ira do chefe que achou a idéia muito boba.
Na realidade, simplesmente roubou sua idéia e tudo o que fez, foi em benefício proprio, mas, contando, parece que tomou uma bala no peito em sua defesa.

E você, meu caro, vai ter problemas sérios tentando provar o que realmente aconteceu, pois se a criatura estiver dizendo a verdade, vais parecer um idiota, e se estiver mentindo, vais parecer mesquinho.
Seja lá como for, você está danado.

Dá para saber perfeitamente quem está ao lado, torcendo por nós, em qualquer situação, e se há dúvidas, provávelmente é porque é manipulaçao.

Cuidado com altruísmo disfarçado, pois brinca com suas dúvidas e o coloca num impasse.

Se encontrar esse tipo de comportamento, bote um ponto final na coisa. Já.

Um jogo de culpas que faz tanto mal (Cantava Bethânia)

Culpa é uma coisa horrivel que pune os bons e ignora os maus (E essa história de que consciência limpa é o melhor travesseiro é outra manipulação. Tudo na vida e na história da psicologia, demonstra que inocentes dormem muito pior que culpados, pelo simples fato que se importam)

Nos sentimos culpados, porque não queremos machucar ou magoar.

Pessoas que não se importam, como as que fazem as guerrilhas emocionais, sabem como você se sente e vão explorar isso ao máximo.

Não vão se importar com seus planos e/ou suas necessidades.

Vão pedir, implorar e tentar convence-lo como será horrivel se não fizer o que estão pedindo, ignorando totalmente o impacto que isso vai ter em sua vida.

Lembre-se, eles jamais retribuem o favor

Vão encantá-lo quando estiver chateado

Poucas pessoas vão se deixar manipular por gente chata e entediante.

Manipuladores fazem o que fazem porque sabem perfeitamente bem como serem charmosos.

Se os confrontar ou discutir com eles, ligarão imediatamente o botão do encantamento, para que você se senta amado e importante.

É o jeito de confundi-lo, fazê-lo parar de pensar sobre o porquê estava zangado com eles e lembrá-lo do porque gosta deles.

Vais acabar com um sorrisão na cara, esquecer da raiva e o problema nem vai ser discutido.

Se isso já lhe aconteceu, bem vindo ao clube, você foi manipulado.

            COMO LIDAR COM UM ABUSADOR

Se o acima lhe parece com alguém que conhece, está na hora de tomar uma atitude.

Mas, primeiro, melhor saber o que fazer.

Aqui vão os passos a serem tomados:

Reconheça que eles é que são o problema e não você

Primeiro, temos que reconhecer que o problema existe.

Costumeiramente, achamos desculpas para os abusadores, porque não são só abusadores, também tem boas qualidades.

A parte ruim é muito difícil de ser quantificada, então tendemos a varrer a sujeirinha para debaixo do tapete.

Temos que nos lembrar que o problema não é só nosso, mas também da pessoa que manipula.

Manipulação e exploração dos sentimentos são características de alguns Distúrbios de Personalidade, se bem que nem todos que manipulam, exploram ou humiliam tem necessáriamente que ter um.

Aí, a não ser que você tenha realmente feito algo muito sério para desencadear a ira da criatura, ser o alvo desse tipo de comportamento não é fácil, mesmo sabendo que a pessoa deve ter mais problemas do que um tratado de matemática.

O problema é que, suas simpatias estão equivocadas e você vai se ver em palpos de aranha ao tentar ajudar ou resolver os inúmeros desesperos nos quais manipuladores parecem sempre ter, pelas mais diversas razões. (Qualquer um de nós pode ter situações ruins na vida, dúvida nenhuma a respeito. Estou aqui falando ou do crônicamente enrolado ou do esperto que sabe perfeitamente como dirigir a sua vida, e vai fazê-lo se permitir. Dois anos atrás tivemos o choque do Madoff, em NY, que limpou o cofre de milhares de investidores, e não estou falando das senhorinhas de 90 anos de Newton, IA. Foi gente inteligente, rica, sofisticada. Pois é. Exemplo dado.)

Então entenda que:

1- Não é culpa sua
2- Essa pessoa provavelmente tem problemas sérios

Avalie seu relacionamento com a pessoa em questão e avalie os resultados.

Alguns são  piores que outros e às vezes pode-se estar atolado em situações das quais é muito difícil sair.

Então, antes de ir lá e chutar o pau da barraca, ou se conformar em se sentir miserável para sempre, avalie as consequências.

Por exemplo: Se o culpado de tudo é seu chefe e você não tem outro emprego em vista, melhor seria, por uns tempos, engolir amargo e cuspir doce, até ter a chance de sair, pois, como chefes tem poderes sobre nossas vidas, gostemos disso ou não, um passo errado e essa mesma vida pode se tornar mais miserável ainda.

No caso de familiares ou amigos, dá para ser um pouco mais assertivo.

Mesmo assim, é bom ir com calma, porque qualquer um capaz de lhe causar dano emocional pode fazer estragos grandes em sua auto-estima.

Proceda cautelosamente, mas se o stress estiver sendo demais, uma hora vai ter que pegar o touro pelos chifres.

Basicamente, considere todos os ângulos.

Se há um problema, há que ser resolvido, mas pense de antemão no que vai dizer ou fazer.

Uma quebra no relacionamento pode ser inevitável, mas os danos podem ser mitigados se estiver preparado.

Seja direto e consistente no confronto.

Quando um guerreiro emocional é acusado de estar fazendo algo errado, dificilmente vai concordar com a acusação, e se a situação vem se arrastando por algum tempo, você vai estar meio nervoso, e vai ser fácil tirá-lo dos trilhos.

Clareza e consistência.

Especifique claramente quais são os comportamentos da pessoa que o/a estão incomodando e como espera que esse dito comportamento, mude.

Exemplo: "O fato que você aparece aqui em casa só na hora do café da manhã, me faz pensar que vem só para comer meu bacon. Gostaria que viesse em outras horas ou então trouxesse seu própio bacon".

Tá certo, isso está meio forçado, mas é só um exemplo de como não entrar em emocionalidades.

Esteja ciente que, algumas pessoas padecem de "realidades distorcidas", ou o que os terapeutas cognitivos chamam de "distorções cognitivas", o que leva a pessoa a negar tudo o que você disse, tipo: "Do que é que você está falando? Eu só venho vê-la para ver se está tudo bem com você, em diferentes horas, e não é minha culpa se você cozinha bacon o tempo todo, aliás é por isso mesmo que está parecendo com uma baleia". 

Pronto. Enfiou a faca até a alma.

Então é vital, para sua saúde e bem estar que:

1- Mantenha o que disse
2- Fica frio/a
3- Não entre numa discução manipulativa, reitere seu pedido.

Esta não é uma conversa trivial, é um ultimatum.

Vai daí que, o recipiente do ultimatum vai tentar com tudo, fazer com que você se sinta culpado/a, quando então vai lembrá-lo de que estão tendo essa conversa exatamente por causa desse comportamento.

Se se mantiver calmo/a, a mensagem de que não vai mais tolerar isso, vai ser entendida.

Caso tenha decidido encerrar de vez o relacionamento, melhor ser breve e não dar muito espaço a mais abuso.

É extremamente difícil reduzir um longo relacionamento, mesmo um muito ruim, a um breve momento, mas é melhor do que entrar numa outra batalha emocional que vai deixá-lo muito mais machucado.
 
ADAM DACHIS

 ROGER S GIL







quinta-feira, 15 de março de 2012

A imprevisível liberdade e doçura do Caos

http://zenhabits.net/embrace-chaos/


(Vou dizendo de antemão que não darei qualquer palpite no artigo.Está perfeitinho do jeito que foi escrito pelo Leo) 

Você deve ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante. Friedrich Nietzsche

Vou compartilhar um truque organizacional, de produtividade e planejamento, que vai mudar sua vida. 

Trará alguns resultados imprevisíveis, mas se o abordar da maneira correta, pode lhe trazer alguns dos trabalhos mais incríveis de sua vida, além de liberdade, alegria e satisfação.

E qual é esse truque milagroso?

É um bem simples: Larga, deixa ir.

Deixe o controle de lado e permita-se ser arrastado pelas poderosas correntezas da vida.

Deixe de lado o planejamento e abrace o não saber o que vai acontecer.

Esqueça todas as idéias a respeito de produtividade e se abra para novas idéias, novas oportunidades e a espontaneidade da criatividade.

 ARGUMENTO A FAVOR DO CAOS.

Considere o que fazemos quando planejamos nosso dia, semana ou ano: estamos tentando controlar a vida, e predizer, com nossos planos, que curso a vida tomará hoje, esta semana, este ano.

Estamos dizendo: Isto é o que vou fazer hoje. As coisas vão acontecer exatamente desse jeito. Se fizer todas essas coisas, a vida vai ser boa. Esta é minha idéia do que o dia trará.

Agora, considere o seguinte: não temos idéia se tudo o acima é verdade. Não podemos predizer o futuro de jeito nenhum, e a idéia de que podemos planejar, baseados nessas predições fraquinhas, é uma ficção. Bem legal, sem dúvida, mas continua sendo ficção.

Não temos a menor idéia do que acontecerá hoje, muito menos o resto da semana, mês ou ano.

Agora considere: como seria se pudéssemos saber? 
O que aconteceria se pudéssemos prever cada dia, e planejar de acordo?

Ia ser uma grande coisa?

Diria que seria péssimo, infinitamente pior do que não saber.

O ter preciência do futuro significa que saberíamos o que fosse acontecer a cada dia, fazendo nossos dias não só infinitamente chatos, mas também nos dizendo que estamos presos a um caminho imutável.

Conhecer o futuro equivale a uma tremenda falta de liberdade.

Então, não só não sabemos como não deveríamos querer saber.

Podemos tentar planejar, mas esses planos não se baseiam em conhecimento real, e provavelmente não vão acontecer, de forma que planejar é perda de tempo.

O que é que podemos fazer ao invés de tentar predizer o que vai acontecer, no lugar de planejar?

Aprender a aceitar a incerteza e estar aberto a mudanças. 



Aprender a largar mão do controle e a surfar cada onda de mudança.

Deixar rolar a imprevisibilidade, deixar que a aleatoriedade seja a força e a espontaneidade a regra em nossa vida.

 ACEITANDO O CAOS 

Alguns pensamentos aleatórios com base em minhas experiências com desapego
  
Trabalha-se melhor com caos

Embora a idéia de ter uma pacífica ordem em nosso dia de trabalho seja legalzinha, é uma ilusão.

E, francamente falando, um tédio.

O trabalho baseado na diversão, no brincar e na espontaneidade é muito mais interessante.

Imagine um projeto que começa com uma idéia espontânea, e dai muda seu curso na medida de seu desenvolvimento, engloba idéias de gente desconhecida e termina num fantástico lugar que não havia qualquer possibilidade de ser previsto quando começou.

Essa foi a maneira como fiz meu último livro The effortless life (A Vida sem Esforço), e me diverti muito mais do que havia me divertido em projetos anteriores.

É como estou fazendo todos meus projetos agora.

Um ano sem planejamento

Quando comecei os Zen Habits (Hábitos Zen) em 2007, tinha meu ano todo planejadinho nos menores detalhes, com metas e ações semanais.

Isso tudo foi chutado para o alto quando comecei a escrever e a encontrar meus primeiros leitores, que mudaram minha vida com seus comentários e sua atenção.

Minha vida virou de cabeça para baixo, meus planos tornaram-se sem sentido, e aprendi que, apesar da vida ser imprevisível, essa mesma imprevisibilidade pode trazer coisas extraordinárias.

Abra-se a novas possibilidades

Naquele primeiro ano dos Hábitos Zen, aprendi a me abrir a novas oportunidades.

Repetidas vezes, novas portas se abriram, portas que não conhecia, nem podia conhecer, aliás nem sabia que existiam.

Vi a nova porta se abrir, considerei, e entrei.

Isso aconteceu mais do que uma vez e me ensinou que não há maneiras de planejar o caminho, quando não se sabe o que cada passo pode trazer, nem que mudanças acontecerão ao caminho na medida em que é percorrido.

Abra-se a pessoas desconhecidas

Digamos que você é daqueles que planeja seu dia rigidamente.

Seu sistema de produtividade está todo azeitado, todas as tarefas em marcha.

Você é uma máquina de produtividade.

Agora, por mero acaso, você se encontra com um desconhecido que lhe diz Alô. Você responde alô, e agora cá está sua oportunidade de conversar com esse desconhecido, de vir a conhecê-lo.

Mas aí, você vai se desviar do plano!

Você se atém ao plano ou começa a conversar com o desconhecido?

Bom, se ater ao plano seria mais produtivo e lhe daria mais controle sobre sua vida.

Mas, se conversar com o desconhecido, pode fazer um novo amigo.

Pode aprender algo que nunca teria aprendido de outra maneira.

Alguns de meus melhores amigos fiz deste jeito, porque quis me desviar de meus planos e conversar com um desconhecido.


Caos é criatividade e criatividade é caos.

São a mesmíssima coisa.

O trabalho criativo não acontece via planejamento e controle.

Claro, alguns dos maiores gênios criativos do mundo eram loucos por detalhes, mas nunca fizeram um plano para poder ter uma idéia genial e criativa-essa idéia se lhes deu porque estavam abertos a pensamentos aleatórios, exploraram caminhos que ninguém mais pensou em olhar ou pegaram uma idéia de outrem e a torceram de uma maneira totalmente nova.

Criatividade vem do caos, e é somente quando nos abrimos para essa falta de controle é que podemos avançar para o uso da criatividade que há em nós.

Algo a ser lido

Dois dos melhores livros que li recentemente adotam a idéia da incerteza, e foram escritos por dois de meus melhores amigos, os quais conheci por mero acaso via internet.
Meu amigo Jonathan Fields escreveu
Uncertainity (Incerteza), que explora algumas das idéias aqui expostas.

Mary Jaksch mandou-me um livro chamado  Bring me the Rhinocerus (Traga-me os Rinocerontes), que mostra como usar os koans da filosofia Zen para explorar idéias similares. Recomendo ambos. 

Largue suas expectativas 

Quando largamos nossas expectativas de que outras pessoas nos farão felizes, vamos poder curtir muito mais essas mesmas pessoas.

Ficamos danados e frustrados porque outras pessoas não agem como queríamos que elas agissem.

Esperamos que outras pessoas tentem nos fazer felizes, que se tornem o oposto do que são para nos dar o que queremos.

Infelizmente não é para isso que os outros também estão nesse mundo.

Quando largamos mão de nossas expectativas, vamos aceitar as pessoas pelo que elas são e aprender a apreciar essa singularidade.

Se você não esperar que as coisas funcionem como planejado, você está aberto para o não planejado.

Se algo inesperado acontecer e você vai na onda, há que largar os planos prévios, o que pode ser uma coisa maravilhosa.

Muitas pessoas, incluindo aqui meu velho Eu, ficam frustradas quando aparecem coisas que não estavam planejadas.

Mas não precisa ser frustrante.

Simplesmente espere que planos mudem, ou então não faça planos.

Espere pelo inesperado, e quando acontecer, sorria.

Aprenda a gostar de não saber o que vai acontecer


Esta é a derradeira liberdade.

Você não sabe o que vai fazer hoje, nem o que vai aparecer.

Você está trancado no nada, completamente livre para fazer qualquer coisa, para dar asas à sua criatividade, para tentar coisas novas, para conhecer pessoas novas.

Pode ser meio assustador no início, mas se  sorrir quando pensar em não saber, logo logo vai notar que é uma coisa alegre, leve e solta.

Quando não se focaliza em um resultado, nos abrimos a possibilidade para muitos resultados.

Muitas pessoas estão focadas em um resultado específico, perseguindo-o incansavelmente e descartando outras possibilidades como meras distrações.

Mas o que acontece se você não tiver um resultado específico em mente?

O que acontece se você disser que qualquer resultado pode ser bom?

Pronto, abriu uma quantidade infinita de possibilidades, e mais, é provável que aprenda algo novo e diferente do que se fizer ou aprender apenas as coisas que sustem seu resultado pré-determinado.

É um mundo cruel e aleatório, mas o caos é tão bonito  Hiromu Arakawa

Zen Habits é um dos mais visitados blogs da internet com cerca de 200.000 subscrições (incluindo a minha). Foi criado em 2007 por Leo Babauta

Leo Babauta é um ex-jornalista que deu uma virada enorme em sua vida.