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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

SEGURANÇA EMOCIONAL:O Primeiro Passo para Restaurar o Equilibrio em Relações Tóxicas Parte III

TOXIC RELATIONSHIPS III 

                                                           



Uma relação tóxica reflete a maneira costumeira pela qual os parceiros administram suas emoções, principalmente as mais difíceis, como medo e raiva.

Assim, os padrões de interação tóxica acabam por controlar as vidas dos parceiros numa relação, influenciando negativamente qualquer possibilidade de intimidade e de um relacionamento alegre e interessante.

Na Primeira Parte, descrevemos os 5 padrões de interação tóxica, e como os parceiros ativam, seus e do outro, mecanismos de defesa.

Na Segunda Parte, vimos as explicações neuro e psicológicas do como e porque esses padrões se formam e são mantidos.

No presente artigo, exploraremos os principais fatores que afetam uma relação, e o primeiro passo a ser tomado para sair de padrões tóxicos e restaurar o equilíbrio numa relação e/ou em nossa vida pessoal.

O QUE É NECESSÁRIO PARA RESTAURAR O EQUILÍBRIO

Restaurar o equilíbrio significa que cada parceiro precisa estabelecer seu próprio sentido de segurança emocional em relação ao outro.

O corpo humano funciona bem quando há um relativo estado de equilíbrio físico, mental e emocional.

Por centenas de anos, mantivemos um ponto de vista dualístico de corpo e mente como se fossem entidades separadas, baseado na visão racionalista de Descartes.

Hoje sabe-se que não é assim que funciona, sendo que os processos físicos e mentais formam um grande sistema de comunicação.

Sabemos também que o Sistema Nervoso Autonômico (SNA) desempenha importante função na condução de mensagens nessa rede de informações que constituem um relacionamento (Sistema de Engajamento Social - Dr. Stephen Porges).

O sentido de segurança de cada parceiro afeta e é afetado diretamente pelo SNA, cujo funcionamento é automático, inconsciente e manipulado por aquela parte da mente que opera todos os sistemas do organismo.

Esse sistema acumula dados de forma continua e, baseado nesses dados e nova informação que continua chegando todo o tempo, manda informações de volta para que cada parceiro saiba onde está no relacionamento, comparando com onde eles querem estar, tanto como indivíduos quanto como parceiros numa relação.

Os nossos já velhos conhecidos neurotransmissores, por sua vez, funcionando como transmissores químicos, virtualmente controlam todas as funções vitais.

Algumas dessas mensagens produzem sentimentos de bem e mal estar, e são o elemento chave na formação de comportamentos, deste modo "lapidando” as respostas dos parceiros.

A oxitoxina, dopamina, endorfina, serotonina (ODES - essa é bobagem minha para memorizar, porque fica fácil...cantam Odes, como em Ode à alegria ou a Nona sinfonia de Beethoven, que aconselho a ouvir em situações de leve deprê), são, de maneira geral, os neurotransmissores "alegrinhos", pois produzem sensações de bem estar.

A Oxitoxina funciona aumentando o sentimento de segurança e amor dos e entre os parceiros (Não à toa, também é liberada durante a amamentação e quando do uso de alguns anti-psicóticos, cujo efeito colateral é produzir leite em gente que não está amamentando. Deixo aqui à imaginação de vocês um método facílimo para estimular a liberação da mesma).

A Dopamina é o neurotransmissor de Recompensa por excelência, sendo liberado tanto em antecipação de, quanto no alcance de uma meta.

As Endorfinas fazem parte do Mecanismo de Recompensa do cérebro, e são liberadas durante exercício físico, paixão (qualquer uma, paixão por uma pessoa, por uma idéia, lendo um livro que se ama, etc...) e durante situações de dor intensa, diminuindo a mesma.

A função dos danadinhos acima explica porque alguns comportamentos são repetidos de forma compulsiva, mesmo os tóxicos, que a única coisa que fazem é escalar a intensidade das reações. Apesar disso, eles ajudam a diminuir a intensidade de emoções dolorosas, sendo assim naturalmente aditivos, posto que oferecem conforto rápido pela liberação de ODES.

(Embora isto não esteja no artigo, é bom lembrar que este mecanismo explica também a dependência às drogas, desde que as mesmas se ligam a receptores no cérebro que funcionam exatamente como os neurotransmissores descritos. E é também o mesmo processo que explica o porque é tão difícil o largar o hábito, pois quando o cérebro percebe que os receptores para seus neurotransmissores já estão ocupados pelas drogas, preguiçoso que é, deixa de produzir os retransmissores, de forma que, quando a pessoa deixa de usar a droga, durante algum tempo vai ficar sem o neurotransmissor correspondente. E aí entra a "necessidade” de usar de novo. Na realidade, o uso de drogas não é uma tentativa de suicídio como muitos dizem, mas sim, uma tentativa de sobrevivência.)

Enquanto isso, os hormônios de sentir-se mal, como Cortisol e Adrenalina, oferecem uma explicação do porque os parceiros sentem-se trêmulos e em pânico em situações que desencadeiam seus principais medos, tais como inadequação, rejeição ou abandono.

Todos os sistemas do organismo estão em contínua interação para manter a homeostase, que é um estado de relativo equilíbrio. Hormônios ligados a stress, como por ex o cortisol, ativam a resposta corporal de sobrevivência ou, para os íntimos, stress (Sistema nervoso Simpático), e os alegrinhos por sua vez, restauram o equilíbrio emocional (Sistema Nervoso Parassimpático).

Então, finalmente dá para entender o porque os parceiros dizem e fazem coisas que são contraprodutivas ou mesmo destrutivas: porque, a nível inconsciente, isso os faz sentir melhor.

PASSOS PARA ACABAR COM PADRÕES DE RELACIONAMENTO TÓXICOS

O simples fato é que, a não ser que cada parceiro se sinta seguro o suficiente para amar, a conexão amorosa será quebrada pelas estratégias protetoras (mecanismos de defesa).
Pode parecer meio sem sentido, mas a restauração do equilíbrio numa relação é, antes de mais nada, a necessidade de cada parceiro de manter seu próprio sentido de segurança emocional em relação ao outro.

Claro está que cada parceiro é responsável quanto ao uso de suas habilidades em fornecer respostas carinhosas de forma a diminuir as chances de ativação da resposta de stress do outro.

A fim e a cabo, um relacionamento saudável só pode funcionar se cada parceiro aceitar a responsabilidade de permanecer no controle de suas próprias emoções para prevenir reações automáticas.

A formação de uma parceria efetiva requer trabalho de equipe, e isso significa que cada parceiro concorde em assumir 100% da responsabilidade no fazer o que preciso for para acessar suas habilidades de carinho e cuidados e permanecer no controle de seus estados emocionais, mental e corporalmente.

É o que os parceiros podem fazer para se desengatar de seus velhos pensamentos tóxicos e estratégias protetoras, destarte inibindo a ativação do sistema de sobrevivência do
corpo (stress)

PASSOS A SEREM DADOS PARA A RESTAURAÇÃO DO SENTIDO DE SEGURANÇA PRÓPRIO E DO PARCEIRO

Aprender a estar consciente de como os estados emocionais de cada um desencadeiam as reações do outro.

Parceiros tendem a focalizar nos detalhes de seus problemas, o que resulta numa briga contínua a respeito de quem fez ou não fez o que a quem, quando e como, indefinidamente.

Na realidade, nada afeta mais a qualidade de uma relação (e portanto as brigas e discussões entre os parceiros) do que o nível de segurança emocional que cada um sente na relação.

E CÁ ESTÁ PARTE DA SOLUÇÃO
              
Emoções afetam relacionamentos e, de forma similar, o que está acontecendo no corpo de cada parceiro. Os comandos que mandamos organizam, de forma inconsciente, as crenças, pensamentos e ações, em suma, a vida, nossa e do parceiro, por liberarem os neurotransmissores/hormônios que ativam as ligações e gatilhos dos velhos e novos padrões neurais.

Numa relação, mente e corpo de cada parceiro são diretamente afetados pelas repostas emocionais, próprias e do outro, mas a regulagem dessas emoções baseia-se unicamente nas habilidades de cada um de experiência a inteira gama delas, incluindo as desagradáveis e perturbadoras, sem necessariamente entrar em stress.

O que cada parceiro pensa, diz e faz, como eles se relacionam emocionalmente e seus própios estados emocionais, tem um impacto direto no equilíbrio interno de seus sistemas nervosos autonômicos (E isso me faz pensar que, na próxima vez que alguém me torrar a paciência, direi, com um discreto sorriso de mona lisa estampado na cara: você está desequilibrando meu sistema nervoso autonômico, por favor, pare.De certa forma, era o que fazia em Sampa, há milênios atrás, quando alguém no transito berrava: vai pro tanque dona Maria, educadamente respondia, tão logo você sair da estrada, seu macrognata microcéfalo. Ainda bem que ninguém achava que era legal carregar e disparar armas em disputas do tipo.)

Os locais de recepção para os neurotransmissores, alegrinhos ou mauzinhos, localizam-se na mesma parte do cérebro que lida com as emoções (Sistema Límbico, uma belezinha o danado).





Assim, o nível de segurança emocional de cada parceiro ativa, dentro desse sistema, processos dinâmicos que afetam diretamente:
-a química cerebral
-as sensações fisiológicas (as que sentimos) em  nossos corpos
-pensamentos e comportamentos
-a maneira de responder (se relacionar) um com o outro
-a qualidade da intimidade emocional na relação

Como numa bússola, as emoções e sentimentos também são mensagens que cada parceiro recebe de seu sistema nervoso autônomo, e são de fundamental importância, pois informam a cada um se estão ou não no caminho certo em relação a seus objetivos, assim como se essa abordagem os está movendo para mais perto ou mais longe de suas aspirações,e talvez até o que fazer a respeito.

O ter acesso à inteira gama de emoções é um recurso vital na tomada de decisões.

Quando conectados a esse recurso, os parceiros aprendem como lidar melhor com emoções difíceis ou desagradáveis, assim como entendem como essas mesmas emoções afetam seu próprio comportamento e o do outro.

Numa relação tóxica, a maioria das mensagens perde-se pelo caminho, quer por serem ignoradas ou não entendidas

    É AQUI QUE MORA O PERIGO E OUTRA PARTE DA SOLUÇÃO

O problema é que, inconscientemente, cada parceiro interpreta mal ou erroneamente certos estímulos emocionais - os seus próprios e/ou de seu parceiro - e os entende literalmente como ameaças perigosas.


O problema é que nosso inconsciente, ou seja, a parte da mente que dirige o corpo, é meio bobinho e não distingue entre sobrevivência física e mental, e assim, quando o gatilho interno é disparado pelo que um dos parceiros faz ou diz (o que pode ser doloroso, mas com certeza não é ameaça à nossa vida física), acaba sendo o mesmo que estar numa jaula com um tigre feroz e esfomeado (o qual também pode, em outros momentos, ser gracinha e amoroso feito um gatinho).

Em outras palavras, houve a formação de circuitos de comando emocional no cérebro que, em certos momentos, dão a cada parceiro a impressão de perigo, que é sentida como se fosse real.

Para seus cérebros (os deles, parceiros), nesses momentos o outro é o inimigo que ameaça suas vidas, e suas mentes inconscientes tem a prova cabal disso, uma espécie de relatório interno de suas memórias listando todas as atividades "terroristas” do parceiro.

Vai dai que, sob esse ponto de vista, faz o maior sentido agir em defesa própria.

TUDO BEM, MAS QUAL É A SOLUÇÃO?

A solução, para cada um dos parceiros, é:

 -Perceba quais são os gatilhos, seus e do parceiro, assim como as formas específicas pelas quais sua própria reatividade ativa a resposta de sobrevivência do outro
 Note que TODOS os padrões reativos são contraprodutivos, impedem crescimento pessoal e destroem tudo o que há de bom numa relação.
Responsabilize-se 100% pelo controle de seu próprio sentido de segurança interna para prevenir as reações do outro ou desnecessariamente ativar a resposta de sobrevivência do organismo. 

-Aprenda a entender suas próprias emoções e a sentir toda a gama delas de maneira saudável, principalmente aquelas de que tem mais medo, tratando-as como guias que o ajudam na vida ao invés de inimigos mortais.
Assim, o aprendizado de como as emoções afetam a cada um, é o primeiro passo que os parceiros precisam dar para se livrar dos padrões de relacionamento tóxicos.

Na prática, isso requer que cada parceiro se comprometa e se esforce para aprender a se sentir confortável com emoções desconfortáveis.

Muitas vezes, há a necessidade de identificar os próprios tabus emocionais. Por exemplo, raiva geralmente é tabu para muitas mulheres, enquanto medo ou dor o são para homens.

Fato é que todas as emoções são agentes poderosos, tanto para informação quanto para crescimento. O perceber e entender nossas emoções, incluindo as desconfortáveis, faz com que, cada vez mais e melhor, possamos nos posicionar e nos engajar em respostas de cuidado e amor, para conosco e com o parceiro, curando e melhorando nossas relações conosco mesmos e com os outros.



Ambos os parceiros precisam explorar todas as opções para aprender a manejar suas emoções, particularmente as mais difíceis, tipo raiva e medo.

No próximo e final artigo, virão os demais passos a serem dados para nos libertarmos dos padrões tóxicos. (E já não é sem tempo, digo eu. Não me entendam mal, gosto muito desta autora, acho que ela se esforça para esclarecer tudo ao máximo, e às vezes neurologia pode ser um pouco difícil. O problema é que a Sra. é um tanto prolixa, e daí me sinto uma traidora, diretamente do italiano, "tradutor, traidor", a literalmente fazer parágrafos enormes, coisas mais sucintas. Por isso a todos, peço perdão).

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

RELAÇÕES TÓXICAS II - POR QUE OS PADRÕES DE ROTEIRO FALHAM



 Em revendo uma série de artigos por algo nem de perto relacionado com isso, como soe me acontecer, eis que achei que essa velha postagem, na qual fiz algumas correções e da qual gostei bastante,de formas que aqui vai.

Como vimos na parte I, relação tóxica é uma relação desbalanceada, que ameaça o mundo interno de cada um dos parceiros. Exploramos os 5 padrões de interação tóxicos, nos quais, cada parceiro, conspira com o outro, de forma inconsciente, ficando cada vez mais preso em um “roteiro” que por sua vez dispara as respostas protetoras/defensivas de cada um.   

(Neste artigo, vamos dar uma olhada no como e por que se formam esses roteiros e essas estrategias de defesa /proteção, também chamadas de MECANISMOS DE DEFESA, ou circuitos de comando emocional, como isso tudo funciona, e como, a fim e a cabo, todo mundo perde nesse tipo de relação.)

 (Para poder entender como a coisa funciona, fiz uma explicação rapidinha  de neuro, que está no final do Artigo.)

Há dois diferentes subsistemas neurológicos: um, para quando experienciamos segurança emocional, e outro para quando nos sentimos ameaçados (e para o cérebro, não faz a menor diferença se a ameaça é real ou não).

A Segurança Emocional está associada a sentimentos e sensações fisiológicas de amor, segurança e conexão numa relação, enquanto Insegurança está associada a medo, raiva e desconexão.

Assim, pode-se dizer que o corpo balança como um pêndulo entre esses dois estados, os quais, por sua vez, motivam as respostas de amor ou medo.

Na Segurança, funcionamos em modus operandi de
aprendizado: estado de relaxamento que permite que 
aconteça o aprendizado social.

Na Insegurança, funcionamos em 
modus operandi de proteção, a qual
inibe ou bloqueia o aprendizado social,
pois, sempre que ativada, reforça ou
expande as estratégias de respostas
protetoras.

Quando os parceiros interagem defensivamente, com
respostas protetoras, tais como explosões de raiva, culpa,
mentiras, afastamento etc, inibem ou produzem um curto-
circuito em seu sistema de amor e segurança, intensificando
o tipo oposto de energia, aquele baseado em STRESS ou
MEDO.

STRESS ou MEDO liberam ACTH e Adrenalina, ativando o
sistema de sobrevivência do organismo. A cada ativação
desse sistema, os parceiros fortificam as estratégias de
respostas protetoras - as próprias e as do parceiro, 
reforçando-as cada vez mais.

Naturalmente que uma coisa dessas não pode funcionar.

  • Os padrões de roteiro simplesmente exacerbam o medo, stress e respostas protetoras de cada parceiro.

  •  Ambos sentem-se inseguros e compelidos a continuar usando suas estratégias protetivas (mecanismos de defesa), os quais, por sua vez, reforçam  os circuitos de comando emocional. 

                   (Em suma, é um círculo vicioso).

  • Ambos estão perdidos em algum nível, até percebem que suas estratégias não estão funcionando e que suas ações, ao invés de produzir as respostas que querem no parceiro, estão é aumentando o distanciamento entre eles.

  • Após repetidas falhas, promessas quebradas e tentativas fúteis de parar com os exageros emocionais e comportamentais que tanto mal causam, os parceiros começam a sentir-se inadequados, impotentes, desamparados, etc.

  • Enquanto cada parceiro culpa o outro, a verdade é que é o próprio inconsciente de cada um, e não o parceiro,é quem controla a capacidade de fazer escolhas, desta forma decidindo em qual direção, AMOR OU MEDO, o sistema autonômico vai atuar.

A AMEAÇA AO SENTIDO DE SEGURANÇA EMOCIONAL DO PARCEIRO

É fácil entender o porquê, como seres humanos, "fugimos ou lutamos” em situações de perigo, pois nossos instintos estão "tatuados” em nosso DNA para assegurar nossa 
sobrevivência.

Por outro lado, nos é difícil entender nossas "tendências emocionais” de sobrevivência, que são tão intensas quanto a sobrevivência física.

Nossos maiores medos - rejeição, inadequação, abandono e que tais - são de natureza relacional.

Provavelmente, já nascemos com mecanismos internos que nos fazem ansiar por amor, para ter importância na vida de outrem e formar conexões significativas.

No entanto, paradoxalmente, parece que tememos tanto a intimidade/ proximidade quanto a distância/ separação, duas forças ou impulsos emocionais totalmente opostos.

Somos conectados por circuitos que nos exortam motivacionalmente a cuidar, a nos conectarmos empaticamente com outros seres humanos e com a vida dentro de nós e a nosso redor.

Essas "exortações" nos engajam em processos que fazem com que cresçam a nossa compaixão e consideração pelos outros.

Quando opções saudáveis para preencher essas necessidades não estão disponíveis, encontramos opções temporárias e rápidas, e que, usualmente são substitutos prejudiciais, tipo drogas, excesso ou falta de comida, sexo, qualquer coisa que preencha a falta.

(É uma teoria antiga de que a vida não subsiste no vácuo. Funciona exatamente do mesmo jeito para a vida emocional. Em não tendo o saudável, usa-se qualquer coisa à mão.).

Também somos impelidos a  nos expressarmos como seres únicos, completamente distintos, o que nos  dirige para  a auto expressão criativa, a qual desenvolve nossos cuidados para conosco.

Aqui também, quando opções saudáveis não estão disponiveis por algum motivo, lá vamos nós substituir a coisa por um "pseudo sentir-se bem".

Assim, quando estamos saudáveis, encontramos maneiras de enriquecer nossa vida e nos auto-atualizarmos, enquanto quando estamos descontrolados, vamos em frente feito elefantes em loja de cristais, causando estragos a nós mesmo e a outros.

(E para perceber isso, nem há necessidade de grandes estudos, bastando observar o quanto as cadeias estão superlotadas, ver que anti depressevivos são a medicação mais prescrita mundo afora, e dependência de drogas passou a ser quase lugar comum.)

Nossa natureza básica  é procurar fazer mais do que simplesmente sobreviverpara prosperar, para nos expressarmos autenticamente, para enfrentar corajosamente nossos medos, para conectar de forma significativa,para contribuir, em suma, para  nos"auto-atualizarmos".

Talvez, nada seja mais perigoso (para nós mesmos ou outrem) que um ser humano amedrontado e encurralado (e de novo, não faz a menor diferença se real ou imaginário), que é provavelmente a melhor descrição de como parceiros se sentem numa relação tóxica.

Então, especificamente, o que é que pode ameaçar a Segurança Emocional de um parceiro?

Uma ameaça à segurança emocional pode ser qualquer palavra, idéia ou ação de uma pessoa, a qual, baseada no "mapa inicial do amor/sobrevivência” de outra, é interpretada como "ameaçadora” para sua segurança emocional.

(E aqui a porca torce o rabo, posto que ainda não inventaram nenhum mecanismo que nos faça adivinhar interpretações. Cada um de nós é responsável pelo que diz. Não podemos ser responsabilizados pelo que o outro entende. Usualmente, em relacionamentos saudáveis, os parceiros entendem a fala, havendo pouco lugar para interpretações, enquanto em relacionamentos doentios há muito mais interpretação do que comunicação.)

Um parceiro pode sentir sua segurança emocional ameaçada quando achar que seus esforços para preencher uma necessidade emocional estão sendo bloqueados pelo outro, por exemplo, quando o outro se recusa a discutir algo ou começa a berrar cheio de raiva.

O parceiro que tem por hábito evitar o conflito (na luta ou fuga, escolhe a fuga), percebe como ameaçador qualquer tentativa de confronto feita pelo outro (que obviamente escolhe luta), tais como tomar uma atitude, fazer alguma coisa para eliminar o problema em questão.

Assim, por contraste, o lutador percebe como ameaça qualquer tentativa do fujão para ignorar, minimizar ou negar o problema em questão.

Essencialmente, por debaixo das ações ou palavras, cada
parceiro está mandando as seguintes mensagens
subliminares:

  • Dizem ao outro que não estão se sentindo seguros naquele momento, e que precisam retornar ao próprio mecanismo cerebral de amor e segurança.
  • Além de não se sentirem seguros o suficiente para poderem se conectar, não tem a menor ideia de como manter sua sensação de segurança em determinadas situações, tipo lidar com emoções perturbadoras, sem desencadear suas respostas corporais de sobrevivência.
  • O gritar por socorro quando se sentem inadequados ou incapazes numa situação ativa seus mais básicos temores de rejeição ou abandono.
Assim, cada um, de certa forma, está dependente (adicto) às soluções rápidas e inadequadas providas por suas estratégias.

(Achei perfeita a analogia com dependência química, pois ninguém gosta de enfiar pó pelo nariz, o que o adicto gosta são dos efeitos decorrentes desta ação, no caso da cocaína, a sensação de poder, força, brilhantismo intelectual, etc. Pena que só dura por mais ou menos meia hora e é por isso que causa dependência psicológica...quem não gostaria de se sentir super-homem?)

Padrões neuronais protetores (mecanismos de defesa) baixam a ansiedade e produzem uma pseudo sensação de amor e segurança, através da liberação de neurotransmissores tais como oxitoxina e dopamina.

Vai daí que cada parceiro fica lá entalado em seus padrões de pensamento dependente, totalmente convicto de que sua felicidade e auto-estima dependem do que eles fazem ou deveriam fazer, baseados nas instruções encontradas em seu mapa de amor/sobrevivência, para ou "consertar" o outro ou conseguir sua aprovação e/ou respeito, de forma que o que cada um faz é para se sentir, de alguma maneira, confortável, satisfeito ou em terreno familiar, o que explica a natureza aditiva das interações.

Além disso, essas  ações costumeiras fazem com que se sintam bem pela liberação de dopamina, um neurotransmissor que atinge seu pico na antecipação de uma recompensa - e não sua realização.

Cada parceiro acredita absolutamente em sua  abordagem , em níveis sentidos no corpo (aliás é bom dizer que é só o corpo mesmo que sente, posto que o cérebro não sente coisa alguma) com a certeza de que "deveria" funcionar. (Na verdade, ficam chocados  porque o outro não  usa seus métodos!)

E aí está a explicação do por que é possível e até comum nos atolarmos em padrões aditivos ou hábitos que liberam os neurotransmissores alegrinhos, isto é, os que nos fazem sentir bem.

Não é uma questão de SE vai liberar, é uma questão de COMO vai fazê-lo. 

Também é uma questão de QUEM vai estar no controle desta escolha: nós ou nosso inconsciente. E quem estiver no controle estará também no comando do modo de trabalho do sistema nervoso autonômico.

TÁTICAS ERRADAS: O QUE MANTÉM OS PARCEIROS DESBALANCEADOS?

O que desestabiliza e desencadeia o uso de mecanismos de defesa são as táticas específicas que  cada parceiro usa para restaurar seu próprio senso de segurança e amor.

As táticas punitivas e os pressupostos falsos de cada um fazem com que se mantenha uma imagem negativa do outro.

O que acaba acontecendo é  uma luta pelo poder, para que cada um possa se sentir valorizado em relação ao outro.

O hábito de expressar raiva e medo defensivamente, por sua vez, reforça os padrões neurais reativos no cérebro, formando circuitos de comando que ativam automaticamente os hábitos ou estratégias pré-condicionadas de defesa.

O jeito que cada parceiro usa para restaurar o balanço (seu própio sentido de segurança emocional) é o que dispara as defesas do outro.

Nas relações tóxicas, as aspirações emocionais de cada parceiro são diametralmente opostas.

Uma vez definidos, os papéis de cada parceiro acabam se tornando rígidos em suas tentativas de sentir-se  conectado e/ou pessoalmente valorizado na relação.

Nenhum dos parceiros sabe como sair da luta pelo poder, além de fazer o que já está fazendo e que, no fundo, sabe que não funciona.
 
Apesar disso, cada um  sente-se compelidoreencenar os padrões  tóxicos de proteção como se sua própria vida, sua sobrevivência, dependesse  disso.

Esta reação emocional automática é associada  com os circuitos de comando emocionais pré-condicionados, que são padrões neurais impressos no mapa de sobrevivência/ amor na cabeça de cada um, e que vem junto com a pessoa para o relacionamento e o determina. 
  
Em  relacionamentos saudáveis, os parceiros eventualmente crescem  e saem do controle ou influência destes  mapas, pois procuram ter  uma  segurança genuína e não soluções rápidas ou  pseudo confortos. Entendem que há altos e baixos na vida e aprendem como  manter um relacionamento saudável e vibrante.

Como numa empresa  dinâmica, parceiros saudáveis ​​estão  dispostos a fazer avaliações honestas sobre o que funciona e o que não funciona, e para implementar mudanças positivas, trabalhando em conjunto, sabendo que,se o crédito pelo sucesso for dado a uma só pessoa, isso desestabiliza a união.
Cada parceiro assume total responsabilidade pelo seu papel na construção de uma parceria eficaz e portanto, está disposto a aprender formas mais eficazes de lidar com  emoções perturbadoras, como raiva ou medo.
O balanço geral de cada parceiro tende no sentido do sistema nervoso parassimpático, posição que permite  aprendizado e a maximização de seu potencial como indivíduo que é parte de uma equipe.  
Em contraste, numa relação tóxica:

Parceiros recusam-se a mudar, e tornam-se cada vez mais acostumados com o uso frequente e intenso de suas estratégias de proteção.
Vangloriam-se ou se orgulham de sua abordagem, considerando o parceiro inferior por ter uma diferente.
Suas interações mudam seus cérebros, cada vez mais, para o estado de proteção/defesa, o que  bloqueia a possibilidade  de aprender com as experiências, e assim, ao invés de aprenderem com as mesmas,acabam por depender, cada vez mais, das estratégias de defesa, a fim de se protegerem, ou criam novos habitos de proteção.
O relacionamento torna-se cada vez mais rígido, pois se origina de emoções de medo, vergonha ou culpa em vez de amor, alegria e compaixão.
O funcionamento do sistema autônomo de cada parceiro inclina-se na direção do sistema nervoso simpático - em posição de alerta, prontinho  para disparar um ataque.
(Lembrem-se que Napoleão nos ensinou que a melhor defesa é o ataque, coisas que os russos fizeram perfeitamente em Moscou, queimando e destruindo a própia cidade antes da chegada do mesmo. E se vocês queriam um exemplo exageradíssimo de relação tóxica, acabo de fornecer:é destruir a si mesmo para vencer o outro)

Na parte III veremos as Percepções Pré Concebidas
 
Dra Athena Staik  é terapeuta de familia e casal, consultora de relacionamentos e autora.


Livros citados neste artigo:

 
Teoria Polivagal: Fundamentos Neurofisiológicos das Emoções, Apêgo, Comunicação e Auto Regulação. 
(Deixa informar aqui que Vago em neurologia, não significa folgado, mas é o nome do X par craniano, um nervão enorme, que sai do cérebro e vai diretinho pro nosso sistema gastrointestinal), do Dr. Stephen Porges, onde ele usa a frase "Sistema de Engajamento Social, que se refere  às partes do cérebro que são ativadas quando nos sentimos abertos para conectar empáticamente, nos engajar em relcionamentos, etc. O trabalho desse cientista provê novos insights no papel central desempenhado pelo sistema nervoso autonomico, como um mediador inconsciente nos contextos de engajamento social, segurança, confiança e intimidade emocional.


(Visão da Mente: A nova ciência da Transformação Pessoal), Dr. Daniel Siegel, onde define cérebro como um  "orgão de relação"

                         O maior resumo de Neuro que já fiz na vida:

SISTEMA NERVOSO (SC) divide-se em: Sistema Nervoso
Central (SNC)  e Sistema Nervoso Periferico (SNP)
O SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) contem 
Cérebro e Medula Espinhal
O SISTEMA NERVOSO PERIFERICO ( SNP) divide-se em
SN Autonomico e SN Somático
O SISTEMA NERVOSO AUTONOMICO divide-se em SN
Simpatico e  SN Parassimpático

O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde
ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens.
O SNP carrega informações dos órgãos dos sentidos para o 
sistema nervoso central e do sistema nervoso central para 
os órgãos efetores (músculos e glândulas).
O Sistema Nervoso Autônomo (SNA) é composto por:
Simpático e Parassimpático, cujas ações são antagônicas, sendo que um corrige os excessos do outro. 

 Exemplo: 

Se o Simpático acelera demais as batidas do coração, o parassimpático vai à luta e diminui as mesmas. Se o simpático acelera o trabalho do estômago e intestino, o parassimpático entra em ação para diminui-lo.

No geral, o Simpático, estimula ações que mobilizam energia, fazendo com que nosso organismo seja capaz de responder ao stress, pois acelera os batimentos cardíacos, aumenta a pressão arterial e a concentração de açúcar no sangue por ativar o metabolismo, dilata os brônquios e retarda as contrações do tubo digestivo. Tem ação essencialmente vasoconstritora, pela liberação do norepinefrina (neurotransmissor).

O Parassimpático estimula principalmente atividades relaxantes, como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, e tem ação vasodilatadora por liberar acetilcolina.

Do equilíbrio entre os dois sistemas resulta o funcionamento normal dos órgãos.

Neurotransmissores são pequenos pedaços de proteína que carregam informações especificas, e sem os quais nenhuma função corporal é possível.
Queres fazer pipi? Tens que liberar Angiotensina.
Queres amamentar? Há que ter oxitocina.

Os supracitados importantes para nosso propósito são:

Dopamina: Controla a estimulação e os níveis do controle motor. 

Serotonina: Atua no humor, memória e aprendizado. Regula o equilíbrio do corpo. 

Acetilcolina (ACh): Controla a atividade de áreas cerebrais relacionadas à atenção, aprendizagem e memória.

Noradrenalina: Induz a excitação física e mental e bom humor. A produção é no locus coreuleus,que apesar do nome horrendo, é o centro de "prazer" do cérebro. 

Encefalina e endorfina: São opiáceos que, como a heroína e morfina, diminuem a dor, reduzem o stress, e relacionam-se com bem estar generalizado. São liberadas em situações tais como estar apaixonado, alcançar uma meta, sentir-se orgulhoso por algo, etc...

Emoção é um estado mental e fisiológico associado a uma 
ampla variedade de sentimentos, pensamentos e 
comportamentos. Segundo o neurocientista António
Damásio, as emoções constituem um razoável barômetro 
do nosso bem-estar”, e, pela íntima relação das
emoções com o corpo, a finalidade das emoções é ajudar
o organismo a manter a vida”.

Sistema de Engajamento Social: Partes do cérebro que
são ativadas quando nos sentimos abertos para fazer 
conexões ou nos engajar em relacionamentos, sistema este 
mediado pelo SNA.

Mecanismos de defesa: São as ações psicológicas que têm
por finalidade reduzir qualquer manifestação que pode 
colocar em perigo a integridade do EGO, onde o indivíduo
não consiga lidar com situações que por algum motivo
considere ameaçadoras.
São processos inconscientes que permitem à mente 
encontrar uma solução para conflitos não resolvidos no nível
da consciência.
As bases dos mecanismos de defesa são as angústias.
Quanto mais angustiados estivermos, mais fortes os 
mecanismos de defesa ficam ativados.

E pronto.