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terça-feira, 29 de novembro de 2011

A ESSÊNCIA DA TERAPIA COMPORTAMENTAL RACIONAL E EMOTIVA: UMA ABORDAGEM COMPREENSIVA A ESTE TIPO DE TRATAMENTO- Albert Ellis, PhD


Este é o primeiro artigo da série sobre TCRE  (REBT em inglês), escrito pelo próprio inventor da mesma.

A REBT é uma abordagem abrangente para tratamento psicológico, que lida não só com os aspectos emocionais e comportamentais das perturbação humanas, mas coloca uma grande importância no ato de pensar.

Os seres humanos são extraordinariamente complexos, e não parece haver nenhuma maneira simples pela qual eles se tornam "perturbados emocionalmente",  nem há uma única e simples maneira pela qual eles possam ser ajudados a se tornar "menos auto- derrotados" ( o termo em inglês é self-defeating - que pode ter várias traduções, como  a de auto derrotado, no sentido de incapaz de levar uma vida plena e produtiva).
Nossos problemas psicológicos  provém de nossas concepções errôneas  e cognições equivocadas a respeito do que percebemos, de nossas reações emocionas exageradas ou falta delas, a estímulos usuais ou inusuais, e pelos nossos padrões comportamentais disfuncionais, o que nos permite continuar a repetir respostas desajustadas mesmo quando  "sabemos" que estamos nos comportando mal ou de maneira errada para a situação que se apresenta.
                 CONDICIONAMENTO FILOSÓFICO
A REBT  baseia-se na premissa que nós rotulamos nossas "reações emocionais", as quais são, em sua maioria, causadas por nossas avaliações, interpretações e filosofias, quer de forma consciente ou inconsciente.
Assim, nos sentimos ansiosos ou deprimidos porque nos convencemos que é terrível quando falhamos em algo ou que não conseguimos aguentar a dor de sermos rejeitados.

Nos sentimos hostis porque acreditamos vigorosamente que, pessoas que nos trataram injustamente, absolutamente não deveriam ter nos tratado da forma que elas obviamente nos trataram, e que é totalmente insuportável quando alguém nos frustra.
Como no Estoicismo, uma escola filosófica grega de cerca 2000 anos atrás, a REBT afirma que, praticamente, não há  razões para que os seres humanos se tornem neuróticos, não importando que tipo de estímulos negativos incidam sobre eles. 

Dá-lhes plena liberdade para sentir fortes emoções negativas, como tristeza, desgosto, desprazer, aborrecimento, rebelião e determinação para mudar condições sociais. 
No entanto, a REBT acredita que, quando sentimos certas emoções autodestrutivas e  nada saudáveis ​- como pânico, depressão,sensação de  inutilidade, ou raiva), elas geralmente são a adição de uma hipótese irreal e ilógica à nossa visão empiricamente baseada, de  que nossos atos ou os de outrem,  são condenáveis ​​ou ineficientes e que algo deveria ser feito para mudá-los.
Terapeutas que praticam REBT- usualmente na primeira ou segunda sessão com um cliente- sempre podem ver  ou entender algumas das principais filosofias de vida irracionais, nas quais este cliente acredita veementemente. (São também chamadas crenças)
Podem mostrar aos clientes como essas idéias inevitavelmente levam a problemas emocionais e consequentemente aos sintomas clínicos; podem também demonstrar exatamente como  questionar e desafiar tais idéias, e usualmente, induzi-los a trabalhar para erradicar e substituir tais idéias por hipóteses cientificamente testáveis, ​​sobre si mesmos e  a respeito do mundo ao redor, hipóteses essas que, provavelmente, não os colocarão  em futuras dificuldades neuróticas.

12 IDEIAS IRRACIONAIS QUE CAUSAM E MANTÉM AS NEUROSES
A Terapia Racional sustenta que, certas ideias fundamentais e irracionais, que tenham sido clinicamente observadas, estão na raiz da maioria dos distúrbios neuróticos. São elas:

1-  A ideia de que é uma necessidade premente dos adultos, de serem amados pelas pessoas significantes em suas vidas, por  quase tudo o que fazem - ao invés de se  concentrarem em seu próprio autorrespeito, em  ganhar a aprovação para fins práticos, e em amar ao invés de ser amado.

2- A ideia de que certos atos são terríveis ou maus, e que as pessoas que os praticam  devem ser severamente condenadas - em vez da ideia de que certos atos são autodestrutivos ou antissociais, e que as pessoas que os praticam estão se comportando estupidamente, por ignorância, ou por doença, e seria melhor se  pudéssemos ajudá-los a mudar ao invés de condenar. Comportamentos podres não tornam os  indivíduos podres em sua totalidade.

3- A ideia de que é horrível quando as coisas não são da maneira que nós gostaríamos que elas fossem - em vez da ideia de que sim, é muito ruim, é melhor tentar mudar ou controlar as más condições para que se tornem mais satisfatória, e, se isso não for possível, melhor aceitar temporária e graciosamente, uma pedra no caminho de nossa vida. ( O velho e bom Fernando Pessoa disse a respeito de pedras no caminho, que as recolhia todas, pois um dia com elas construiria um castelo)

4- A ideia de que a miséria humana é invariavelmente causada por eventos  externos ou outras pessoas  - em vez da ideia de que nossas neuroses  são, em sua maior parte,  causadas pela nossa própia visão das  circunstâncias infelizes. (E se alguém não acredita nisso, aconselho a assistir de novo alguns dos filmes do Woody Allen e do Fellini. Do Woody, tem uma cena no "Everyone says I love you- 1996, no qual o Alan Alda, ao descobrir que seu filho tem um raro problema neurológico, dá graças aos céus por estar certo a respeito do fato do filho ser republicano é causado por uma doença mental - impagável- e no "Lá nave vá", o cidadão se encontra num barquinho, no meio do oceano, com um enorme hipopótamo dentro do barco, e, conversando com o já citado animal  e remando, lá  vai ele a caminho de terra firme).

5- A ideia de que,  se algo é ou pode ser perigoso ou temível, devemos imediatamente ficar  terrivelmente aborrecidos e obcecados a respeito - em vez da ideia de que seria melhor enfrentar o problema,  torná-lo não-perigoso e, quando isso não for possível, aceitar o inevitável.

6- A ideia de que é mais fácil evitar do que enfrentar as dificuldades e responsabilidades da vida - em vez da ideia de que o jeito  fácil é geralmente muito mais difícil a longo prazo.

7- A ideia de que é absolutamente necessário depender de algo diferente, mais forte ou maior do que nós  - em vez da ideia de que é melhor assumir os riscos de pensar e de agir menos dependentemente.

8- A ideia de que devemos ser totalmente competentes, inteligentes, e atingir  todas nossas metas sempre  - em vez da  ideia de que seria melhor fazer  ao invés de ter sempre a necessidade de fazer bem e aceitar a nós mesmos como criaturas um tanto imperfeitas, com  limitações humanas gerais e algumas falhas totalmente específicas.

9- A ideia de que, só porque algo, uma vez, afetou fortemente nossa vida, deve afetá-la indefinidamente - em vez da ideia de que podemos aprender com nossas experiências passadas, mas não ficar  muito  preso a elas ou desenvolver uma série de preconceitos por causa delas.

10- A ideia que temos que ter perfeito controle sobre todas as coisas - ao invés da ideia de que o mundo está cheio de probabilidades e chances e que ainda podemos desfrutar a vida, apesar  disso, seja lá o que isso for.

11- A ideia de que a felicidade  pode ser alcançada por inércia e inação - em vez da ideia de que tendemos a ser mais felizes quando estamos vitalmente absorvidos em atividades criativas, ou quando estamos nos dedicando a pessoas ou projetos além de nós mesmos.

12- A ideia que não temos praticamente nenhum controle sobre nossas emoções e que não podemos deixar de nos incomodarmos com as coisas - ao invés da ideia de que temos controle real sobre nossas emoções destrutivas, se optarmos  por trabalhar no processo de mudar as hipóteses errôneas ( ele usa a  palavra must, que significa preciso, devo e junta com masturbação, formando palavra impossível de traduzir literalmente)  que muitas vezes empregamos para criar -las.

(No próximo, teremos o restante do artigo, onde  são explicadas as maiores diferenças com outras escolas de pensamento)

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