domingo, 3 de agosto de 2014

CEM ANOS DA PRIMEIRA GUERRA, FUTILIDADE E CONSEQUÊNCIAS


“Se acha que o comportamento humano é desencorajante hoje, considere há um seculo. Um marciano podia ter dado uma olhada na Europa em 1914, e visto um continente pacífico e próspero, com uma cultura mais ou menos compartilhada. Quase todos tinham comida o suficiente. Os ingleses ouviam Wagner, os alemães saboreavam Shakespeare, os aristocratas russos imitavam os franceses, e todo mundo amava Mozart e as óperas italianas.
Daí, a Europa implodiu.
Dez dias antes do Império Austro Hungárico declarar guerra à Sérvia, em 28 de Julho de 1914, que acabou se tornando a Grande Guerra, as pessoas de todos os paises estavam comendo, trabalhando, sonhando com tudo, menos uma guerra, ou como um cientista político escreveu no jornal -The Atlantic, no ano seguinte: A guerra despencou em cima deles como um trovão.
Filósofos, especialistas e poetas, passaram os 4 anos seguintes arrancando os cabelos para encontrar explicações. Ridicularizaram a idéia de que o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do trono austro-húngaro, foi a causa. Segundo a maioria, foi só o pretexto.
Uma teia de alianças, enredos e manobras de diplomatas e generais arrastaram nações ambivalentes numa guerra desnecessária. Esses, os fatos.
Agora, quais foram as causas profundas?
Foi a ganância dos beligerantes ricos tentando ficar mais ricos.
W.E.B. Du Bois, o escritor e ativista negro, disse que era a competição pelas colônias mais ricas em recursos na África.
Foi uma luta entre liberdade e autocracia (embora a aliança da Rússia czarista com a França e Inglaterra minem esse argumento).
Segundo o filósofo e pacifista de Bertrand Russell, foi porque os instintos morais da humanidade haviam ficado muito atrás da busca pelas riquezas materiais.
Foi a insegurança psicológica da Alemanha, desencadeada pela supremacia naval da Inglaterra e pelo medo de uma possivel ascenção da Russia.
Foi, simplesmente, a insanidade da única espécia carnívora que mata os de sua própia espécie por nenhuma razão.
Ou todas as acima.
E para isso, mais de 16 milhões de homens foram para o abate, muitos deles de formas cruéis e criativas. Em trincheiras que se estenderam ininterruptamente por 475 milhas, do Mar do Norte até a fronteira com a Suíça, os alemães construíram muros usando cadáveres, de modo que as tropas francesas que capturaram uma trincheira, penduravam suas cantinas em tornozelos salientes.Ao longo do rio Somme, no norte da França, mais de 1 milhão de homens foram mortos ou feridos em 1916, para um avanço aliado de 7 milhas.Gás venenoso preenchia ¼ de todos os projéteis de artilharia disparados na frente ocidental em 1918. Mais de um terço dos homens alemães nascidos entre 1892 e 1895 morreram no curso da guerra.A matança disseminou-se para civis, na Inglaterra, e a França foi atacada pelos zepelins alemães. A guerra não era mais nobre, embora alguns que nela batalharam, o fossem acima e além de qualquer comparação.
O mundo se tornou um lugar mais desagradável após a guerra do que antes dela.
Foi uma guerra triste, sem nenhum sentido, pela qual continuamos pagando até hoje.
Um tratado de paz de durissimo e uma economia devastada produziram uma "geração perdida" de jovens alemães e levou diretamente à ascensão de Hitler e a uma conflagração ainda mais feia. O acordo secreto de Sykes-Picot secreto entre Grã-Bretanha e França, em 1916, desenhou limites arbitrários nos dividendos do pós-guerra no Oriente Médio em torno do Iraque, por exemplo, que estão dando problemas até hoje. A derrubada da monarquia russa e o colapso do Império Austro-húngarico, criaram uma Europa balcanizada que, recentemente, com a derrubada do avião da Malaysia Airlines em cima da conturbada Ucrânia, continua a machucar.
Todas as guerras nos dizem algo sobre os instintos mais básicos da natureza humana, e a Primeira Guerra Mundial (causticamente nomeada em 1918 por um jornalista inglês, que achou que não seria a última) mais do que a maioria. Sobre a natureza da cobiça, os perigos da insegurança, a facilidade de perder o controle humano sobre os acontecimentos humanos.
Nossa espécie evoluiu? Desenvolveu?
A contraprova é dolorosamente abundante: Os fornos dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Os Gulags de Stalin. Os genocídios no Camboja e em Ruanda.O retorno aos padrões de pensamento e comportamento do século VII, incitados pela revolução iraniana de 1979 e praticado por jihadistas de todo o Oriente Médio.
De fato, a evidência de que nos tornamos mais sábios desde a guerra destinada a acabar com todas as guerras, e que não fez nada do tipo, é bem pequena.
Apesar disso, se serve de consolo em meio às tragédias e desordem do mundo atual, o Homo sapiens parece ter sido mais estúpido no passado do que está sendo agora.”

The Tragic Futility of World War I-Burt Solomon

http://www.theatlantic.com/international/archive/2014/07/world-war-i-tragic-futility/375103/

Os 100 anos dessa guerra, celebrados em prosa e verso em todas as formas de mídia, me fizeram pensar num montão de coisas, desde meu avô bersagliere, que recebeu medalha no citado conflito, passando pela minha bisavó e a gozação horrivel que ela sofreu de seu neto, meu pai, quando Enrico Antonio Maria Montini, primo distante dela, tornou-se Papa Paulo VI, chegando ao artigo que traduzi acima. Artigo primoroso, do qual discordo na última frase, isto é, que o Homo Sapiens está mais esperto agora do que era no passado. Temos muito mais informação, conhecimento e tecnologia, sem a menor sombra de dúvidas. Melhoramos? Altamente discutível. O que minha bisavó e a gozação de meu pai tem a ver com isso? Conto. Um pouquinho da história da Itália que desde o primeiro Papa em Roma, esteve interligada com a história da Igreja Católica, ou como dizia o grande Indro Montanelli, “na Italia, até ateu é católico”. Católico, e anti clerical, pois os papas tinham por mania, quando alguma cidade-estado italiana lhe dava algum problema, de chamarem algum rei estrangeiro, com notada preferência pelos alemães, para descerem e matarem uns quantos problemáticos além de destruir o máximo possivel o local onde viviam. Não bastasse, também criaram a “aristocracia negra”, que é como são chamadas as familias aristocráticas que ganharam o titulo por parentagem com algum alto prelado. Assim, a gozação era em cima de, depois da familia sobreviver por centenas de anos, sem sequer um padre na mesma, catapimba, vem um e vira Papa. O consolo era que o sobrenome era diferente e que, pelo menos uma coisa o Montini tinha feito direito, que foi, no fim da segunda guerra mundial, quando nosso valente rei fugiu num navio para Portugal, esconder os netos do citado dentro do Vaticano, netos esses que haviam sido abandonados na pressa. E como covardia pouca é bobagem, a meio caminho de Portugal, declarou que a Italia não era mais aliada dos alemães. Pronto. Aliados subindo pelo sul, alemães baixando com fé pelo norte, italianos, só para variar um pouco, sanduichados no meio.

E voltemos à idéia do estarmos mais espertos. Há uma frase que todo mundo gosta de repetir e com a qual tenho profunda implicancia, que é “A história se repete”. Ora, a história é uma entidade feita e montada pela vida e ações de cada um de nós viventes em determinado momento, não pode se repetir. O que se repete são as besteiras que cometemos. Nós, primatas da espécie Homo Sapiens. Freud chamou a coisa de Compulsão à Repetição, dizendo que, quem disso sofria, caia na categoria dos neuróticos. Naturalmente que ai vem o DSM e acaba com a perfeição estética do discurso freudiano, enfiando todas as neuroses na classificação geral e insonsa de distúrbios da ansiedade.

E é aqui que a premonição do Bertrand Russell brilha como farol em noite escura: “Os instintos morais da humanidade ficaram muito atrás da busca pelas riquezas materiais”.

Quando vejo aqui, neste assim chamado primeiro mundo, políticos estimulando a população burra e ignara a assustar mais ainda as pobres das crianças que estão vindo de Honduras e Guatemala, muitas delas desacompanhadas, porque berram na televisão que estão trazendo doenças contagiosas que matarão todos os americaninhos; quando vejo os arautos do inferno a estimularem o ódio a outras crenças; quando vejo as tentativas de acobertar os problemas com os fractais na busca pelo petróleo… juro que duvido dessa esperteza.

Depois me lembro que tem o povo todo dos Médicos sem Fronteiras, a enormidade do trabalho da Fundação Melissa e Bill Gates, vacinando as crianças na Índia, África e onde mais precisar, tem aquelas criaturas que além de trabalhar o dia todo, ainda acham tempo para ajudar o vizinho doente, vão ser voluntários em hospitais, creches, asilos, vão cuidar de gente e animais abandonados, aí sou atacada por um afeto enorme pela raça à qual pertenço. Essa raça que criou os “moralmente comprometidos” aos montes, mas que criou, aos milhares e milhões esses heróis de todos os dias, que batalham, acima e além de qualquer fé, pressuposto político ou recompensa. Pensa só, num pai ou numa mãe, a criarem filhos decentes para o mundo.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A MAIS DEPRIMENTE DAS DESCOBERTAS A RESPEITO DO CÉREBRO


Já relatei, em prosa e verso, minha contínua paixão a respeito desse pequeno e prodigioso órgão, localizado no espaço entre nossas orelhas. Como controla todas nossas funções, fisiológicas e as assim chamadas mentais, que são tão fisiológicas quanto o suar debaixo de sol quente, como é capaz de modificar-se com a experiência, diferentemente de todos os outros, como é ótimo nisso, naquilo e naquele outro mais. Tal paixão dura cerca de 4 décadas, desde aquele dia glorioso em que vi o primeiro neurônio, naqueles slides super antigos, neuronio em preto sobre fundo azul, mostrado pelo Prof. Mano, e minha declaração de que era aquilo que iria fazer, embora sem ter muita certeza ainda do que “aquilo” fosse. Cá entre nós, o “aquilo”, que virou neurologia e psiquiatria, já se expandiu e se modificou tanto, que volta e meia tenho que repensar no que é meu “aquilo”.Mas como toda boa história de amor, esta também teve seus altos e baixos, percalços de caminho, lutas, perdas, superações, enfim, todas as coisas que fazem parte de qualquer história, mas nunca deprimi tanto como no período entre ano passado e presente momento.

Não bastassem os desastres causados por nós mesmos, os assim chamados “homo sapiens”, cada vez mais homo(fóbicos)* e menos sapiens, e só para exemplificar esta última semana (exemplos aleatórios, mas que me chamaram atenção no mar de desgraças):

1- O sarampo, que havia sido declarado extinto em 2000, aqui nos USA, está fazendo um fantástico retorno, principalmente nos estados de NY, California e Texas, seguindo o que é chamado de movimento “anti-vacinação”, coisa suportada por algumas celebridades televisivas como a atriz Jenny McCarthy, o ator Aidan Quinn e a estrela de “reality show”,Kristin Cavallari, como se pode notar, cientistas de peso, que continuam acreditando que a vacinação tripla causa autismo, apesar de todas as evidências em contrario, e que são tantas que nem dá para colocar aqui. Isso, e o fato de, o filho da McCarty, segundo ela autista pelas vacinas, nem autista é, sendo o diagnóstico muito diferente.

2- Dois irmãos mortos, de pneumonia, o primeiro em 2009, com 2 anos, e o segundo de 8 meses, ano passado, porque seus pais, Herbert e Catherine Schaible, da Pennsilvania, como disseram ao juiz: “Acreditamos na cura divina, que Jesus derramou seu sangue para nossa cura e que morreu na cruz para quebrar o poder do demônio.” Tem mas 7 filhos, que, por enquanto, estão sobrevivendo.

3- O assim chamado “jovem evengélico”cujo nome esqueci de salvar, que invadiu a Igreja da Nossa Senhora do Patrocínio do Santíssimo Sacramento e quebrou entre outras coisas, a imagem da padroeira da cidade, Nossa Senhora Aparecida, tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal.O abestalhado disse que destruiu os 10 santos por não concordar com a idolatria às imagens e por “não ser condizente ao seu credo”.

4- O conflito Gaza–Israel, que começou no verão de 2006, e que apesar do fato de Hamas e Israel terem concordado com cessar-fogo em seguida à operação “Pilares da Defesa”, em Novembro de 2012, continua firme e forte, um lado culpando o outro, morte, horror e destruição, muito mais para os palestinos do que para os judeus.

5- O avião da Malasya Airlines, com 298 pessoas a bordo, derrubado na Ucrânia, quase divisa com a Russia, com todo mundo apontando o dedo para todo mundo, inclusive a última que vi na BBC, que um grupo de russos veio com a idéia de que citado avião foi derrubado pelos americanos, para fazer com que os russos ficassem com a cara no chão. E, pela mesma BBC, a popularidade de Putin com seus constituinte, subiu enormemente.

Exemplos não faltam, o que falta é espaço, que minha idéia aqui não é escrever a segunda edição de Guerra e Paz, mas explicar minha profunda decepção com um de meus grandes amores.

Como disse no início, não bastassem os exemplos citados, o artigo do Professor Dan Kahan, da Faculdade de Direito de Yale, com o pomposo título de “Motivated Numeracy and Enlightened Self-Government”(Motivação dos Números e Autonomia Iluminada - tradução livre minha), foi um golpe forte em minhas esperanças. Explico. Sei que todos nós, em maior ou menor grau funcionamos à base do Raciocínio Motivado,que é por definição,“o fenômeno de tomada de decisão de forma tendenciosa, baseado em emoções à revelia de evidências, e que tem como objetivo mitigar dissonâncias cognitivas” (Webster's Third New International Unabridged Dictionary).
Isso tudo significa que, nós humanos, no geral, ao invéz de buscar informação de forma racional, que possa confirmar ou desconfirmar determinada crença, na realidade buscamos só aquele tipo de informação que confirme aquilo no qual já, de antemão, acreditamos.

Tudo bem, todo mundo que trabalha em qualquer subdivisão das neurociências sabe disso há muito tempo, mas também acreditávamos que, com educação, treino, e, maravilha das maravilhas, toda a informação disponível via internet, essa necessidade diminuiria exponencialmente na medida que o conhecimento se tornasse cada vez mais popularizado.
E, como de costume lembrando Maiza, “nosso mundo caiu…”.E a última cutucada, se é que precisava, na nossa bolha otimista, foi dada pelo artigo citado no início, que básicamente diz o seguinte:

“O mecanismo de negação é a base de como nosso cérebro funciona. O acesso a melhor e maior quantidade de informações não transforma pessoas pouco acostumadas a entreter idéias, em cidadãos com cérebros bem equipados. Muito antes pelo contrário, só os torna mais comprometidos com os própios equívocos.Durante toda a história, ninguém, comprometido com alguma idéia política, religiosa ou econômica, mudou de idéia só porque novos dados abalaram a concretude de seu pensamento.Quando há conflito entre as crenças partidárias e evidências claras, são as crenças que ganham. O poder da emoção sobre a razão não é uma falha em nossos sistemas operacionais, é uma característica.”

Então, antes de se esvair em lágrimas, olha só como o autor desenvolveu citado artigo, simplesmente tomando como base as pesquisas de Brendan Nahyan, professor assistente de ciências governamentais na Universidade de Dartmouth, que demonstrou o seguinte:

Pessoas que acreditavam que Armas de Destruição em Massa haviam sido encontradas no Iraque, passaram a acreditar na desinformação, de forma ainda mais forte, quando lhes era mostradas notícias negando o fato.
Pessoas que pensavam que George W. Bush havia proibido todas as pesquisas com células-tronco não mudaram de idéia mesmo depois que lhes foram mostrados artigos e mais artigos relatando que só alguns trabalhos com células-tronco financiadas pelo governo federal foram parados.
A pessoas que afirmavam que o ponto mais importante de um governo é a economia, e que desaprovavam a política de Obama, foi mostrado um gráfico de empregos não agrícolas, o qual, em relação ao ano anterior, mostrava uma linha ascendente, com a adição de mais de 1 milhão de empregos. Foi perguntado se o número de pessoas com empregos tinha ido para cima, baixo ou ficado na mesma. Muitos, olhando diretamente para o gráfico, disseram que havia diminuido.

Aí, o Khan decidiu usar simples aritmética comparativa, mostrando a um grupo de pessoas uma tabela de números a respeito de se, determinado creme melhorava ou não erupções cutâneas, e a maioria do grupo chegou a exatamente os mesmos resultados.
A mesmíssima tabela, com os mesmíssimos números foi mostrada ao mesmo grupo, dias depois, mudando a premissa, ou seja, foi perguntado se, determinada lei que bania o direito das pessoas de portarem armas, reduzia ou não a incidência de crime.

Surpresa, surpresa! Dependendo das crenças a respeito de armas de cada um, as conclusões aritméticas foram totalmente diversas.

Assim, Khan concluiu que, gente que faz contas básicas de aritmética, perfeitamente bem a respeito de um creme, erra nas mesmissimas contas quando a coisa se relaciona a crença prévia. Daí o nome do artigo.

Pronto. Pode chorar, mas só um pouquinho porque, o que também foi descoberto é que, não importa qual a crença, se, antes de passar pelo teste, as pessoas gastam alguns minutos escrevendo umas poucas sentenças a respeito de uma experiência que os tenha feito sentir-se bem a respeito de si mesmas, a maior parte delas começa a ver os gráficos como realmente são e a fazer as contas certas, e até mesmo mudando a idéia previamente tão cara.

Simples assim: quando gastamos uns minutinhos afirmando nossa auto estima e valor, ficamos mais propensos a enxergar a realidade, a mudar de idéia, a ousar.

E aqui, solto um berro de pura alegria, e só não pulo feito índio em dança de chuva porque estou com um pé imobilizado, o que em nada impede de me felicitar efusivamente ao som da Nona de Beethoven, fechar este arquivo e abrir o outro, que por enquanto se chama “Neurologia para Crianças”.
Porque meu sonho de longa data, começa a se concretizar, pelo menos no papel. Sonho que é ensinar a educadores e pais a treinarem as crianças, através de atividades lúdicas, a entender e lidar com o própio cérebro, para que não seja o inimigo, mas o aliado na construção de uma vida plena.

Cheers!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

* Uso o têrmo Homofóbico, num sentido amplo, representando tudo o que é racismo, isto é o ódio a outro ser humano ou grupo deles, só porque são diferentes da gente em alguma coisa, cor, credo, gênero, orientação sexual, etc...

Motivated Numeracy and Enlightened Self-Government http://www.cogsci.bme.hu/~ktkuser/KURZUSOK/BMETE47MC15/2013_2014_1/kahanEtAl2013.pdf

When Corrections Fail:The persistence of political misperceptions http://www.dartmouth.edu/~nyhan/nyhan-reifler.pdf

quinta-feira, 17 de julho de 2014

INFORMANDO

Prezados seguidores.

Tenho recebido comentários um tanto esquisito neste blog. Vou colocar apenas um, o último, claro, tirando nomes e email que vieram com o mesmo:

XXXX deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCIAS":

Houve um monte de dúvidas sobre a cura da aids hiv, eu também estava duvidaram, mas agora eu tenho a acreditar que o milagre que eu recebi também pode ser de grande ajuda para o mundo. Meu nome é XXX meu email é XXXX. Eu vivi com esta doença mortal por mais de um ano, o meu marido descobriu que estávamos ambos HIV positivo. Tentamos por todos os meios para viver nossas vidas, apesar de essa coisa no nosso corpo é somente quando nós tropeçavam este poderoso herbalista que ele retratou cura. No início, estávamos mais cético, mas meu marido insistiu em dar-lhe uma tentativa e pedimos para algumas de suas ervas e algumas semanas após a conclusão do processo devido a este fitoterapeuta, fomos para um teste como também dissemos, nós foram esmagados felicidade quando recebi os resultados na clínica. A taxa de vírus no corpo e caiu dentro de algumas semanas, fomos completamente cicatrizado. Também perguntou por que ele não veio para o mundo que ele tinha a cura e ele disse que fez em 2011, mas foi rejeitada pela equipe de pesquisa internacional. A coisa mais importante é para você ser curado, se você quer saber sobre esta chamada fitoterapeuta em +23 XXXXXX ou e-mail: XXXX@gmail.com. Deus te abençoe.
Fale agora XXX@outlook.com

Postado por XXX no blog Curare Dolorem Opus Divinum Est em 16 de julho de 2014 10:54

Não coloquei nenhum filtro nos comentários, posto que não achei necessário. Pensei que, qualquer um que se desse ao trabalho de ler este tipo de blog, com certeza não necessitaria de qualquer censura de minha parte. Provávelmente, estava errada mas, como continuo a ter grandes problemas com censura, continuarei sem filtro.

Isto pôsto, vou comentar o comentário.

1- Por alguma razão que desconheço, este e todos os outros comentários esquisitos, tem em comum o fato de assassinarem a lingua portuguesa. Não estou falando de um acento esquecido ou colocado de forma incorreta. Estou falando do assassinato da gramática, síntese e lógica.
2- Vírus não é ferida, portanto, não cicatriza. Ou aparece nos testes, ou não.

Pronto, era o que queria dizer. O que vou fazer, é descobrir um jeito de deletar absurdos do tipo acima.

Abraços a todos.


Patrizia

segunda-feira, 14 de julho de 2014

PSICOLOGIA, RELIGIÃO E FUTEBOL

A copa acabou, vida como a conhecemos retorna, meio que de ressaca pela perda, todas as mandingas que não funcionaram, esquecidas.Mas há uma sobre a qual quero falar,que foi a contratação de uma psicologa para a seleção canarinho, pois a coisa me espantou enormemente, pelos seguintes motivos:
a)A contratação de uma profissional já no meio do evento, o que me faz pensar que continua se tratando psicologia/psiquiatria ou qualquer psi, mais ou menos na mesma linha que se pensa em religião: só em último caso, como a piada do ateu no momento que o piloto informa que o avião está tendo uma pane.
b)A aceitação do trabalho da profissional, sob essas circunstâncias, e finalmente, a pergunta que não quer calar:c)Quais eram as expectativas com essa atitude?

Começo confessando que, embora a minha área esteja totalmente ligada às ciências psicológicas, pouco, ou melhor, nada conheço dessa sub especialidade chamada de “psicologia do esporte”, embora, em sendo psicologia, deve seguir as linhas básicas da já citada, que são, por definição:O estudo científico da mente humana e suas funções, especialmente aquelas que afetam o comportamento, em determinado contexto.
a) As caracteristicas ou atitudes mentais de uma pessoa ou grupo
b) Os fatores emocionais ou mentais que governam ou determinam qualquer atividade ou situação.
c) Os fatores emocionais ou mentais que governam as relações interpessoais.
E, para os que continuam achando que psicologia é uma coisa tão imponderável como as paixões humanas ( que nem são tão imponderáveis assim, mas fica lindo descrevê-las desse modo), sinto informar que, como todas as outras ciências, tem objetivos que são:
DESCREVER- EXPLICAR-PREDIZER- MODIFICAR.

DESCREVER
Os jogadores da seleção parecem estar em pânico, jogando mal, chorando em campo, tendo atitudes histriônicas no geral.

EXPLICAR
Por que estão se comportando assim? Quais os fatores (de desenvolvimento, personalidade, comportamento social e doenças mentais) que contribuiram para isto?

PREDIZER
Predizer comportamento é uma das melhores maneiras de saber se realmente entendemos as causas nas quais se baseiam nossas ações. No caso em questão, a predição óbvia seria de que perderíamos de um time mais organizado, caso tal comportamento continua-se, coisa que sem dúvida, vimos todos.

MUDAR
Provávelmente, a meta mais difícil e importante de todo o processo, que é a de produzir mudanças, ou influenciar e /ou controlar o comportamento, para que haja melhora de longa duração, na vida das pessoas.

Ora, descrever, explicar e predizer, é, para o profissional competente, bastante simples e rápido. Já, mudar, é onde a porca torce o rabo, posto que é um processo que depende tanto do profissional, quanto do paciente ou grupo, e dos objetivos de ambos. E é demorado! Ninguém muda um hábito/comportamento/crença ou pensamento, numa semana ou num mês. Não acontece. Ponto. Não há milagres!

E é aqui que fico curiosa. Muito mais que meu costumeiro.E me pergunto:

1- O que será que fez uma profissional competente (pelo menos acho que deveria ser, posto que nunca ouvi falar, não conheço, mas como já disse acima, não conheço nada nem ninguém da área), aceitar tarefa fadada ao fracasso, por princípio?
2- Qual terá sido o objetivo da contratação? O que esperavam?
3- Por que continuar dando mau nome à área, quando a maior parte das equipes do mundo ( futebol, baseball, os times olimpicos, enfim, todo mundo), tem psicologo trabalhando direto junto com treinamento físico?
4- Será que a velha crença cultural, de que psicologo/psiquiatra é coisa só para doidos, continua tão ativa assim?

No caso da resposta para ítem 4 ser sim, sem dúvida nenhuma, que parece ser o caso, então gente, está na hora de sérias mudanças, e não só nas equipe técnica e de jogadores, mas em nossas mais básicas crenças e atitudes, sem o que, continuaremos a praticar atos de maquiagem de problemas, ao invés de resolvê-los.

E para os que acham que estou batalhando em causa própia, não, não sou psicologa.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

PEÇA A UM FÍSICO PARA FALAR NO SEU FUNERAL

Num mês de perdas de gente querida, uns subitamente, tirando o folego feito uma pancada no peito, outros após sofrimentos tão grande que é difícil descrever, quando as palavras parecem pequenas demais para oferecer consolo, quando parece que a vida é um mar de dor e confusão, quando os que, como eu, não vêm um sentido maior ou tem a esperança de outra vida, esse artigo cai como um bálsamo.

Então, para Sylvio e Claudia, a energia de vocês viverá para sempre.

Você vai querer que um físico fale em seu funeral.
Você vai querer que ele fale com sua enlutada família a respeito de conservação de energia, e assim, eles entenderão que a sua não morreu.
Você vai querer que o físico lembre à sua mãe se esvaindo em lágrimas, a respeito da primeira lei da termo dinâmica, que reza que não há energia criada nem destruída, no universo.
Você vai querer que sua mãe saiba que toda sua energia, cada vibração, cada onda de calor, cada particula do que foi seu amado filho, continua com ela, aqui, neste mundo.
Você vai querer que o físico diga a seu desesperado pai que, dentre as energias do cosmos, você distribuiu as suas tão bem quanto pode.
E, em determinado momento, vai querer que o físico vá falar com sua esposa e dizer-lhe que todos os fótons que se despreenderam de seu rosto, todas as particulas cujo caminho foi interrompido pelo seu sorriso, pelo toque de seus cabelos, centenas de trilhões de partículas, nasceram de você como filhos, suas formas, para sempre mudadas por você.
E, enquanto sua esposa é abraçada por uma família amorosa,deixe que o físico lhe diga que todos os fótons que de você se desprenderam, foram coletados nos detectores de partículas que são os olhos dela, que esses mesmos fótons criaram, com ela, constelações de neurônios eletricamente carregados, cuja energia viverá para sempre.
E o físico lembrará à congregação o quanto de sua energia se manifesta como calor.
Pode até ser que alguns comecem a se abanar com seus livretos.
E ele lhes dirá que o entusiasmo, a vivacidade, a animação que fluiram através de você durante a vida, tudo continua aqui, continua como parte do que somos, mesmo enquanto estamos enlutados.
Continua como calor em nossas vidas.
E você há de querer que o físico explique que não há necessidade de qualquer tipo de fé, pois ele sabe que cientistas mediram precisamente a conservação de energia, e que ela é verificável e consistente em espaço e tempo.
Você tem a esperança que sua familia examine as evidências e se satisfaça e se conforte, sabendo que sua energia, isto é, você, continua por aqui.
De acordo com a lei de conservação de energia, nem um pedacinho seu morreu ou sumiu, apenas,está menos organizado.
Amém


Então, digo eu, quando começar minhas muito humanas lamúrias por tê-los perdido, me dêem uma bronca eletro magnética, pela lembrança de uma gargalhada que compartilhamos, de um assombro que vivemos, de uma discussão que nunca terminamos.

Ciao cari amici.

http://www.iflscience.com/physics/ask-physicist-speak-your-funeral-0