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domingo, 14 de maio de 2017

13 RAZÕES “PORQUE” E O CONTÁGIO DO SUICIDIO

Este artigo é a tradução ao pé da letra, do artigo “13 Reasons Why and Suicide Contagion”, por Patrick Devitt, no Scientific American de 8/05/17 ARTIGO ORIGINAL
Observações e comentários meus no final

A série Netflix, “13 razões”, causou um furor. No show, uma estudante do ensino médio que se suicidou, deixou 13 gravações, uma para cada pessoa que ela acreditou ter contribuído de alguma forma para sua decisão final. Cada episódio refere-se a uma gravação individual. O penúltimo episódio retrata o suicídio de uma maneira horrível. Alguns dizem que a série é um retrato preciso e sensível da angústia interior de um indivíduo, e que nos ajuda a esclarecer as motivações por trás do comportamento suicida e o suicídio em si, o que é bom e pode ajudar outros em situações semelhantes. Os críticos, entretanto, estão preocupados com a glamorização do suicídio ou sua normalização, como opção legítima de lidar com a problemática interna, produzindo mais suicídios.
É fato conhecido que o suicídio pode ser um fenômeno contagioso. Suicídios por imitação (Copycat), foram notados em certos grupos, em diferentes momentos da história. Qualquer possível causa de tal contágio deve ser levada a sério, mas a ciência mostra que o papel que a ficção pode desempenhar na inspiração do suicídio é, na melhor das hipóteses, pouco claro. “13 Razões Porque” não é o primeiro trabalho de ficção a ser envolvido neste tipo de controvérsia. Romeu e Julieta de Shakespeare, foi acusado de glamorizar o suicídio. O romance de Johann Wolfgang von Goethe, As Dores do Jovem Werther (The Sorrows of Young Werther), lançado em 1774, descreve a dor e o sofrimento de Werther por causa de seu amor por Charlotte, que se casou com Albert, amigo de Werther. Incapaz de lidar com a coisa, Werther decide que um deles deve morrer e acaba se matando com um tiro, com a pistola de Albert. Acredita-se que a obra de von Goethe levou a uma onda de suicidios de jovens em toda a Europa, muitos dos quais estavam vestidos com a mesma roupa que a descrita usada por Werther, e usando pistolas semelhantes. Alguns até tinham as cópias do romance ao lado de seus corpos com a página aberta na cena do suicídio.
David Phillips, o grande pesquisador dos suicídios, cunhou o termo, "Efeito Werther", para se referir ao fenômeno dos imitadores. O resultado da pesquisa, na década de 70, foi a recomendação de que as histórias sobre suicídio não fossem colocadas na primeira página dos jornais.
Em Viena na década de 80, uma série de suicídios no metrô foi combatida pela decisão dos principais jornais da cidade de reduzir substancialmente a publicidade em torno dessas mortes. Depois de um tempinho, esses suicídios já não eram mencionados, o que coincidiu com uma queda progressiva no número dos mesmos, ilustrando o poder da mídia em fazer a coisa certa.
Contrario ao efeito Werther, é o efeito “Papageno”, que toma o nome do caráter Papageno na ópera de Mozart “A Flauta Mágica”. Nela, Papageno tenta se enforcar depois que se convence que nunca vai conquistar o amor de Papagena. Porém, aqui, ele é persuadido por três espíritos de crianças, a não acabar com sua vida.
As pesquisas tem mostrado que a cobertura excessiva da mídia de suicídios de celebridades, realmente leva a um aumento na ideação e nas tentativas de suicídio. As mulheres, com cerca de 30 anos, estiveram mais em risco do suicidio após a morte de Marilyn Monroe em 1962. Os pesquisadores do suicídio, King-wa Fu e Paul Yip, examinaram o impacto das mortes de 3 celebridades asiáticas nas tentativas de suicidio, usando uma série de comparações com as mortes nas semanas anteriores e posteriores aos citados suicídios. Eles descobriram um aumento substancial no número de suicídios na primeira, segunda e terceira semanas após a morte de cada celebridade, em Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan, em comparação ao período de referência. Foi pior com pessoas do mesmo sexo das celebridades suicidas.
No entanto, a evidência das pesquisas em relação a retratos ficcionais de suicídio na TV e no cinema é mais complicada. Pirkis e colegas revisaram a literatura sobre filmes e retratos televisivos de suicídio. O grupo foi incapaz de oferecer respostas conclusivas a perguntas sobre o impacto de suicídios ficcionais em relação a suicídios reais na população em geral.
Foram feitos estudos tentando avaliar o efeito da transmissão de um episódio da novela britânica “Eastenders” (2/3/1968). Este episodio mostrou uma overdose tentada por um caráter femininos de cerca de 30 anos. Os estudos tentaram avaliar o que aconteceu nos serviços de emergência no Reino Unido antes e depois do episódio. Alguns dos estudos forneceram evidências para um efeito imitador, mas alguns não. Achados mistos foram relatados em outros. Portanto, não se pode concluir se as representações fictícias de comportamento suicida no cinema e na televisão aumentam sua incidência na população. Embora seja certamente verdade que as representações exageradamente repetidas pela mídia de suicídio de celebridades terão um efeito imitador, parece que o público em geral é capaz de distinguir o fato da ficção.
Apesar disso, devemos estar cientes dos Efeitos Werther e Papageno. É difícil ver como a retratação fictícia do suicídio, de forma explícita, poderia ter um efeito positivo, a não ser que, naturalmente, as desvantagens do suicídio em termos de seu efeito sobre parentes e amigos também sejam fortemente retratados. De uma perspectiva dissuasiva, a natureza horrível do próprio suicídio pode ser uma característica positiva, e o mesmo poderia ser dito dos efeitos adversos sobre os sobreviventes. No entanto, a mensagem de que o suicídio pode ter uma simples, ou mesmo um conjunto simples de causas, ou que o suicídio representa algum tipo de solução, é infeliz. Nunca há uma razão, nem mesmo treze.


O Dr. Patrick Devitt é psiquiatra. Trabalhou na Irlanda, como Inspetor dos Serviços de Saúde Mental e nos USA. É co-autor do livro “Suicídio, uma Obessão Moderna” (Suicide: A Modern Obsession).

Concordo com o artigo. Também acho que todos os que trabalham em Saúde Mental deveriam ver a série. Pessoalmente, não gostei, e explico: A série se baseia numa adolescente chamada Hannah, e começa depois de seu suicidio. 13 pessoas recebem gravações, nas quais ela descreve como, cada uma delas, é responsável pelo mesmo. Embora o show mostre uma das causas de suicídio, o bullying, falha completamente em discutir ou mostrar que, o problema de base é Saúde Mental, melhor dizendo, falta ou enfraquecimento da mesma. E o problema é ainda pior com adolescentes, que ainda não tem um lobo frontal totalmente desenvolvido para correta avaliação de causas/consequências. Pior, sob meu ponto de vista, é o ter mostrado que a garota só se torna ponderosa depois de morta, manipulando a vida emocional dos sobreviventes, cujo estado de horror que estariam sentindo não é sequer mencionado. Apesar disso, continuo achando que o debate deveria ser amplo, geral e irrestríto, abordando uma variedade de aspectos, não necessáriamente nessa ordem:

1-Suicídio como Momento Psicótico: Momento no qual o teste de realidade não funciona . Um estado de pânico que toma todo o ser do indivíduo, durante o qual a idéia de acabar com tudo parece ser a única possibilidade (François Ladame)

2-Suicídio como Manipulação e/ou Vingança (que é exatamente o que a série mostra)

3-Mas, o que se precisa mesmo, é um debate sobre Saúde Mental. É acabar com o mito de “louco”versus “normal”. É se entender que saúde, seja ela qual for, não é uma constante com a qual se nasce. É preciso entender que, se a saúde do corpo depende de comportamentos contínuos, tipo dieta adequada, exercicio, higiene e sono, por que diabos haveria de ser diferente para saúde mental? É preciso entender que, se a hipertensão é chamada de “assassino silencioso”, por não haver, durante muito tempo, nenhum sintoma, até o primeiro infato ou derrame, o mesmo acontece para saúde mental.
Basicamente o que estou dizendo é que precisamos observar e colocar em cheque nossos preconceitos.
Para os que estão interessados, o livro abaixo é uma fonte de informação e possibilidades.

Relating to Self-Harm and Suicide: Psychoanalytic Perspectives on Practice, editado por Stephen Briggs, Alessandra Lemma, William Crouch (2008, Routlege)

Notas de pé de página

O suicídio é um fenômeno global. Representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, tornando-se a 17ª causa de morte mundo afora. Intervenções eficazes e baseadas em evidências podem ser implementadas a níveis individual e comunitário para prevenção.Para cada adulto que morreu de suicídio, pode ter havido mais de 20 outras tentativas de suicídio. (OMS)

O suicídio é um dos principais problemas de saúde pública, pois está entre as principais causas de morte nos Estados Unidos. Mais de um milhão de pessoas morrem por suicídio em todo o mundo a cada ano. A taxa de suicídio global é de 16 por 100.000 habitantes. Em média, uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos em algum lugar do mundo. As taxas globais de suicídio aumentaram 60% nos últimos 45 anos. É a Terceira causa de morte em pessoas entre 10 e 14 anos e a segunda entre 15 e 34 anos (CDC).
TAXAS DE SUICÍDIOS NO MUNDO POR 100.000 HABITANTES. QUANTO MAIS ESCURA A COR, MAIOR A TAXA COMO PODE SER VISTO NA TABELA NO CANTO ESQUERDO

TAXAS DE SUICÍDIO POR IDADE NOS USA. ESCURO PARA MULHERES. CLARO PARA HOMENS. GRUPOS DE IDADE NO AXIS HORIZONTAL


terça-feira, 7 de março de 2017

GUIA VISUAL DA ESQUIZOFRENIA




 O QUE É ESQUIZOFRENIA?

É uma doença mental grave que pode ser incapacitante . Cerca de 1% da população mundial dela sofrem. Pessoas com esta condição podem ouvir vozes, ter visões, ou acreditar que outras pessoas podem controlar seus pensamentos. Essas sensações podem assustar a pessoa e causar comportamento errático. Embora não haja cura, o tratamento geralmente consegue gerenciar os sintomas mais graves. Não  tem nada a ver com Múltiplas Personalidade. Vem do grego e significa Mente Cindida ou Despedaçada.
FMRI. Na parte de cima, sujeito de comparação não esquizofrênico. Na de baixo, sujeito esquizofrenico não medicado. Foto do Journal of Nuclear Medicine and Radiation Therapy

HISTÓRIA DA ESQUIZOFRENIA


Foi primeiro identificada e classificada pelo  Dr. Emile Kraepelin em 1887,como Demência Precoce mas a doença acompanha a humanidade desde o inicio de nossa história. Há relatos que datam de 2 milenios AC. Em 1911, o psiquiatra suiço Eugen Bleuler, cunhou o têrmo “Esquizofrenia”,descrevendo 2 grupos de sintomas: os positivos e os negativos, assim como seus subtipos: Desorganizada, Catatônica, Paranoide, Residual e Indiferenciada.
Embora essas classificações continuem sendo usadas, em nada ajudam a predizer o prognóstico, e assim a grande maioria dos psiquiatras tem usado outros sistemas baseados na preponderância de sintomas, se positivos ou negativos, na progressão do disturbio em têrmos de tipo , severidade e duraçãodos sintomas e co-ocorrência de outros distúrbios.

 SINTOMAS


Alucinações: Alterações dos sentidos (Visão, Audição, Olfato, Gosto e Tato). Na Esquizofrenia, as alucinações mais comuns são as auditivas, enquanto em certas formas de epilepsia, há alucinações olfativas e tácteis.
Exemplo: 
“Doutora, minha mãe e eu temos converado muito a respeito de muitas coisas, incluindo a senhora. Ela acha que está na hora da senhora morrer. Eu não quero realmente matá-la, mas minha mãe sempre esteve certa das coisas”(A mãe do paciente havia morrido havia mais de 10 anos, e foi nesse momento que a Dra aqui puxou uma cadeira para a citada senhora, e conversamos os 3 por cerca uma hora, com o paciente traduzindo a mãe, posto que informei que estava meio surda e ele ia ter que repetir o que ela dissesse. Quem foi que disse que stress e puro medo são sempre negativos? Às vezes lhe dão uma criatividade incrivel.)

Delírios:Alterações do Pensamento  O delírio mais comum na esquizofrenia, é o delírio persecutório.
Exemplo
Tive uma paciente, internada, que não podia passar perto de TVs porque, segundo ela, como era a amante secreta de uma famoso ator de telenovelas, a poderosíssima emissora havia implantado aparelhinhos em todas as TVs e se ela passasse perto de uma, um sinal seria mandado à central da citada e criminosos seriam mandados para destruí-la. Caso triste de delírio paranoico.

Paranóia: Medo, às vezes puro pânico, de maquinações horriveis contra o paciente.

Importante clarificar que Delírios e Paranóia não aparecem só na Esquizofrenia, também são comuns em Distúrbio Bipolar, algumas Epilepsias e em fanáticos de qualquer espécie.
Alguns sinais, como a falta de prazer na vida cotidiana e a retirada das atividades sociais, podem imitar a depressão.

COMO AFETA O PENSAMENTO


Pessoas com esquizofrenia podem ter problemas para organizar seus pensamentos ou fazer conexões lógicas. Eles podem sentir como amente está correndo de um pensamento não relacionado a outro. Às vezes, eles têm a "retirada do pensamento", a sensação de que os pensamentos são removidos de sua cabeça, ou de "bloqueio do pensamento", quando o fluxo de pensamento de alguém fica repentinamente interrompido.

 EFEITOS NO COMPORTAMENTO


A doença tem grande impacto em vários aspectos. As pessoas podem falar sem fazer sentido, ou comporem palavras (salada de palavras). Podem ficar agitados ou não mostrarem qualque expressão emocional. Muitos têm dificuldade  com hygiene pessoal e/ ou do local onde vivem. Alguns repetem comportamentos, como ficar andando em circulos ou de um lado a outro, sem propósito. Apesar dos mitos, o risco de violência contra outros é pequeno.

QUEM VEM A TER ESQUIZOFRENIA

Qualquer um. É igualmente comum entre homens e mulheres e entre grupos étnicos. Os sintomas geralmente começam entre  os 16 e 30 anos.  Tende a começar mais cedo em homens do que em mulheres e raramente começa durante a infância ou depois dos 45 anos. Pessoas com esquizofrenia ou outros distúrbios psicóticos na família podem ser mais propensos a tê-la

QUAIS SÃO AS CAUSAS


Ainda não se sabe.  Acredita-se que seja uma justaposição de ação genética, experiências pessoais, configurações cerebrais, a forma como determinadas partes do cérebro funcionam, assim como alterações em neurotransmissores como a dopamina e o glutamato.. Pode haver diferenças estruturais, também, como a perda de células nervosas que resultam em maiores cavidades cheias de líquido (ventrículos) no cérebro..

COMO É DIAGNOSTICADA


Não há testes de laboratório para isso (ainda), então o diagnóstico  normalmente baseia-se na  história e  sintomas da pessoa. Primeiro,  descarta-se outras causas médicas. Nos adolescentes, uma combinação de história familiar e certos comportamentos pode ajudar a prever o início da esquizofrenia. Estes comportamentos incluem a retirada de grupos sociais (isolamento), expressão suspeitas incomuns, e comportamentos repetitivos. Embora isso não seja suficiente para um diagnóstico, são sinais de alerta para buscar ajuda médica.

 MEDICAMENTOS

Medicamentos costumam reduzir sintomas como pensamento anormal, alucinações e delírios. Algumas pessoas têm efeitos colaterais sérios, incluindo tremores e ganho de peso. As drogas também podem interferir com outros medicamentos ou suplementos. Mas na maioria dos casos, a medicação é uma necessidade absoluta para o tratamento da esquizofrenia.

                                         
O PAPEL DA TERAPIA

A  terapia costuma ajudar no desenvolvimento  de melhores maneiras de reconhecer e lidar com os problemas, comportamentos e pensamentos, além de melhorar a forma de relacionamento com os outros. Na terapia cognitivo-comportamental (TCC), as pessoas aprendem a testar a realidade de seus pensamentos e a gerenciar melhor os sintomas. Outras formas de terapia visam melhorar as habilidades de autocuidado, comunicação e relacionamento.

APRENDENDO A NAVEGAR O MUNDO

Os Programas de Reabilitação para a esquizofrenia ensinam as pessoas a fazer coisas cotidianas, como usar o transporte público, gerenciar dinheiro, comprar mantimentos, e/ ou encontrar e manter um emprego. Estes programas funcionam melhor quando a pessoa está usando os medicamentos adequados e também em terapia.

 MANTER O PLANEJAMENTO

As pessoas com esquizofrenia às vezes largam seus medicamentos por causa dos efeitos colaterais ou por não compreender a sua doença. Isso aumenta o risco de retorno de sintomas graves, o que pode levar a um episódio psicótico (é quando todo o contato com a realidade é perdido). Aconselhamento regular pode ajudar as pessoas a manter o  tratamento e evitar uma recaída ou a necessidade de hospitalização.

 PROBLEMAS COM TRABALHO/EMPREGO

As pessoas com esquizofrenia costumam ter muita dificuldade para encontrar ou manter um emprego. Isso ocorre em parte porque a doença afeta o pensamento, a concentração e a comunicação. Mas também porque os sintomas começam na idade adulta jovem, que é quando as pessoas estão começando suas carreiras. A reabilitação vocacional e ocupacional pode ajuda-los a desenvolver habilidades práticas de trabalho.

QUANDO ALGUÉM PRÓXIMO TEM ESQUIZOFRENIA

Relacionamentos  costumam ser muito difíceis para pessoas com esquizofrenia. Seus pensamentos e comportamentos incomuns podem afastar amigos, colegas de trabalho e membros da família  O tratamento pode ajudar. Uma forma de terapia centra-se em formar e nutrir relacionamentos. Se você convive com alguém que tem esquizofrenia, é uma boa idéia juntar-se a um grupo de apoio ou fazer sua terapia, tanto para ter apoio quanto para aprender mais sobre o que eles estão passando

 ÁLCOOL E QUALQUER OUTRA DROGA SÃO UM RISCO TREMENDO

Pessoas com esquizofrenia são muito mais propensas do que a maioria da população a abusar de álcool e/ou drogas ilícitas. Algumas substâncias, incluindo maconha e cocaína, podem piorar os sintomas. O abuso de drogas também interfere nos tratamentos . Se você conhece alguém que está lidando com isso, procure programas de abuso de substâncias projetado para pessoas com esquizofrenia

CONVERSE COM SEU MÉDICO ANTES DE ENGRAVIDAR

Mulheres com esquizofrenia e que planejam engravidar, devem conversar com seus médicos para se certificarem de que seus medicamentos estão liberados para uso durante a gravidez. Embora não existam ligações definitivas entre os medicamentos para esquizofrenia e defeitos congênitos ou complicações graves na gravidez, é importante falar sobre isso com o seu médico em primeiro lugar.

 QUANDO É UM PARENTE

Usualmente é difícil convencer alguém com esquizofrenia a buscar ajuda. O tratamento geralmente começa quando um episódio psicótico resulta em uma internação hospitalar. Uma vez que a pessoa está estabilizada, os membros da família podem fazer o seguinte para ajudar a prevenir uma recaída:
Incentivar a pessoa a tomar a medicação
Acompanhá-lo a seus compromissos (medico, terapia, etc…)
Ser solidário e respeitoso

FILMINHOS CURTOS E ILUSTRATIVOS

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sábado, 4 de fevereiro de 2017

ERVAS, ESPECIARIAS E A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL

Nesse momento de puro stress que vivemos, com a ameaça laranja pairando feito vendaval sobre nossas vidas, tive que arranjar formas de lidar com o estressor. Isso, juntando-se ao fato de que, uma das melhores maneiras de manter o cérebro funcionando nesta provecta idade é expandir os horizontes para áreas nunca dantes navegadas, eis que vou pesquisar a milenar ciência da Ayurveda.
E isso tudo porque, semana passada, me descubro, sábado de manhã, parada feito estátua grega no meio de meu quintal, sem ter a menor idéia do que raios estava fazendo lá.

Tomei um susto e não me acalmou a lembrança de que sou dada a, por exemplo, sair do supermercado carregando uma montanha de pacotes, tentar ir à pé para casa, lembrar no meio do caminho que estava com o chevette cor de figo de minha mãe, voltar o caminho todo em busca do citado, passar meia hora no estacionamento buscando… Quando se tem 20 anos, é só uma distraçãozinha. Aos 60, é pânico do alemão!

Daí, lembrei do primeiro blog que iniciei e larguei, no inverno de Iowa. Chamava-se “Atrapalhos”, e seu objetivo era “Ligar memórias e aprendizado, idéias abestalhadas e ciência. Deve ser o que chamam de espírito da terceira idade“
E achei que estava na hora de retomar a idéia. Assim que ontem, em minha primeira aula, meu pensamento passarinhou para o famoso “Risotto alla Milanese”, da nonna Linda, com seus pacotinhos de açafrão que o zio Gino trazia da Itália, dado que, naqueles tempos, ela não o encontrava nem na barraca do Ito, lá no mercadão de Taubaté. O mesmo Ito que lhe ensinou que, mortadella em português, é mortandela, como passou a ser chamada na família dos italianos que faziam questão de falar a língua melhor do que os nativos.

E, pensando no Risotto, passei a considerar que, não fossem as especiarias da Índia, não haveria America. Pois vejamos: Nos séculos 15 e 16, as tais “especiarias” que são basicamente temperos, embora muitas sejam, foram e são usadas na fabricação de óleos, cosméticos e medicamentos, eram extremamente valorizadas na Europa, já que lá não brotavam, devido ao clima. Também na época, apareceu e cresceu a tal “burguesia”, e sua demanda por produtos considerados, à época, como luxo (ou, como bem disse o príncipe Salina, no Gattopardo, “as coisas, quanto mais mudam, mais continuam as mesmas”). No século XV, os comerciantes de Gênova e Veneza, tinham o monopólio das mesmas, pois, compravam principalmente de Índia e China, levando-as para a Europa via Mediterrâneo, com imenso lucro. No século XVI, os portugueses descobriram uma rota alternativa para o Oriente, indo pela costa da África, barateando custos de viagem e aumentando os lucros. Tornaram-se assim, uma potência econômica.

Mas, a história das especiarias é muito mais interessante que o simples comércio (que, a fim e a cabo, é a base de todo o resto, mas o tal “resto”e muito mais fascinante que a economia de mercado). Depois das cruzadas, os europeus tomaram gosto pelos sabores “esquisitos” (do latim - exquisito - que quer dizer algo procurado e escolhido com cuidado), e se estabeleceu o comércio Oriente-Ocidente, que, com a instalação da “Pax Mongolica”entre os séculos XIII e XIV, muito se expandiu. O que as fez ainda mais especiais, não foram apenas seus usos nos alimentos, cosméticos, afrodisíacos e medicamentos, mas também pelo fato de que, em sendo compradas secas, tinham enorme resistência a mofo e pragas, coisas extremamente comuns nas longuíssimas (na época), viagens marítimas. Tornaram-se tão importantes que foram usadas como moeda corrente, constituíram-se como dotes de noivas, heranças, poupanças e divisas, pagamentos de serviços, impostos e dívidas, e formas de presentear (leia-se subornar) magistrados.

Aí, Constantinopla foi tomada pelos otomanos, que dificultaram tudo, proibindo tal comércio pelos cristãos.

Portugal e Espanha foram à luta, na busca de caminhos alternativos, Portugal via oriente, contornando a África, e Espanha via Ocidente, o que levou Colombo a descobrir a América.

A descoberta da nova rota, por Vasco da Gama, reduziu de imediato o preço das tais especiarias, ficando mais fácil para os venezianos comprar as mesmas em Lisboa, pela metade do preço, do que dos turcos em Alexandria. Por outro lado, com as colônias no continente americano, os europeus nelas introduziram o plantio das citadas, não só barateando os custos, mas também fazendo com que os habitantes das mesmas passassem a usá-las, em detrimento das especiarias nativas.

Nos séculos seguintes, com o advento e crescimento da ciência baseada em evidências, a descoberta da célula, dos antibióticos, enfim, toda a base da medicina ocidental, as grandes corporações criando cosméticos que prometem beleza eterna instantânea a preços inflados, a indústria dos alimentos, as filosofias de “quantos mais melhor”, o tudo já, a sabedoria milenar ficou relevada a algo “não científico”, nada imediato, portanto, não fonte de lucro.

E a vida dá voltas. O mau uso e abuso de antibióticos nos trouxe as bactérias ultra resistentes, a indústria dos alimentos nos deu a pandemia de obesidade e diabetes, não ganhamos a beleza eterna, mas sim um monte de stress de tentar parecer jovem, antenado e no topo do mundo, sempre, a qualquer preço. As falhas, não são mais usadas para aprendizado, mas sentidas como obliteração do social imposto, com consequente abuso de tudo, de álcool a Oxycontin. O tal mercado mostrou que não sabe se regular sózinho, companhias e estados mostraram que não são entidades de per si, funcionando ou não na exata medida em que funcionam seus componentes humanos.
E a medicina começou a redescobrir que práticas e ervas e especiarias de há muito relegadas a segundo plano, funcionam e bem na na esfera humana.

Minha ídola desde sempre, a Clínica Mayo, tem cursos e práticas de yoga e meditação, agora consideradas técnicas de ponta no combate ao stress. E tem também a mais nova Clínica do que eles chamam de Medicina Complementar, na qual, para meu espanto e prazer, fui aprender o uso dos Tuméricos. Para exemplificar, aqui vai um dos links da citada clínica
Nutrição e Dor:clique aqui.

Mario Sergio Cortella brilhantemente diz: “A finalidade de fazer pamonha não era obviamente comer pamonha, a finalidade era ficar junto. E especialmente que as crianças tivessem uma ideia: Que as coisas para acontecerem, elas demoram um processo. Dá trabalho, apanha, pega, faz, cozinha, rala, ri, brinca, briga e vive junto.
Agora é prático: você compra a pamonha pronta” original aqui

E engorda, porque ficou olvidado o ralar, correr, rir, brincar, rolar a tapa, gastar energia, aprender processo e finalidade.

Tal qual risotto de restaurante ou comprado pronto, que salta o processo de:
Ir ao açougueiro preferido de minha mãe, que lhe fornecia os melhores cortes, a pedido dos fregueses, e que acabou preso porque descobriram que, a maneira prática que havia descoberto, para agradar o freguês, era ir, ele mesmo, matar e esquartejar a vaca. Único senão, era que as citadas vacas não lhe pertenciam.

Ajudar avó na feitura do caldo, feito com diferentes cortes de carne, mais uma cebola, um tomate e exatamente 3 talos de salsão, a ferver junto, devagar até que a carne estivesse quase liquefeita, carne que era almoço de todas as segundas feiras como “bollito”.

Retirar todo o acima do caldo.

Esperar o caldo esfriar para retirar a gordura.

Filtrar o caldo para retirar qualquer gordurinha besta que tivesse escapado da primeira retirada

Lavar o arroz

No panelão, exatas 2 colheres de azeite de oliva, joga-se o arroz.

Busca-se os saquinhos de açafrão, a serem cuidadosamente abertos e despejados no arroz. Mexe o todo com a colher de pau específica para o caso, aquela já amarelada pelo açafrão.

E aí, devagar, muito devagar, vai-se aos poucos colocando o caldo, até que a casa toda é invadida pelo cheiro incomparável.

Sem querer, sem pensar ou filosofar a respeito, ganham-se os benefícios anti inflamatórios do turmérico e os incomparáveis do cozinhar junto, que é arte, medicina e filosofia, tudo numa cozinha.

Aqui vai o que a ciência diz hoje sobre citada especiaria:

Turmérico é uma especiaria que vem da planta do mesmo nome (Curcuma Longa). Dependendo de que parte da planta está sendo usada, temos o cominho, o açafrão e o curry. Seu princípio ativo é o curcumin, que funciona diminuindo a inflamação. Está sendo investigado como tendo propriedades anti cancerígenas, embora até o presente momento ainda não haja evidência suficiente de seus benefícios nessa área. Vem sendo usado como anti inflamatório e analgésico natural. Também é usado para acelerar o processo de cicatrização de feridas, tratamento de caspa e para diminuir o crescimento de pelos no corpo. Nos cuidados da pele, é usado como limpeza, para controlar aparecimento de rugas e melhorar condições como eczema, acne e psoríase.

E a inocente aqui achando que era só para o risotto da nonna!

domingo, 11 de dezembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO CRÍTICO E DO SENTIDO DE MORAL NA SOBREVIVÊNCIA DA ESPÉCIE

Reza a teoria da Evolução que o organismo que sobrevive é aquele com maior capacidade de se adaptar a um meio em constante mudança.
E velho Darwin estava e está coberto de razão, embora por algum motivo, a maioria acha que é a sobrevivência do mais forte, coisa que Darwin nunca disse. E o melhor exemplo da teoria Darwiniana somos nós, humanos. Comparados com outros animais, somos de uma fraqueza extrema. Primeiro, que somos totalmente dependentes de cuidados externos por pelos menos uns 7 anos. Depois nossa postura, que deixa ao léu todos nossos orgãos internos, ao contrário da maioria dos outros animais. Também não temos pelos suficientes para nos cobrir das intempéries. E mesmo assim, crescemos, nos multiplicamos e viramos, pelo menos em nossa visão, senhores do Universo, homo sapiens.
Inventamos a roda, aprendemos a fazer fogo e armas para matarmos caças muito mais fortes do que nós para alimentar a tribo e nos defendermos de invasores, aprendemos a lidar com o fogo e com os metais, descobrimos o que era comestivel e o que era venenoso, inventamos a roda e depois a carroça, a agricultura, comércio e troca, higiene, prevenção, tratamentos e curas de doenças; fomos à lua, estamos a caminho de Marte; dividimos o átomo e descobrimos os fótons, a anti matéria e os universos concêntricos. Fizemos música e arte de beleza infinita e elevamos o cozinhar para sobrevivência a estágio de ópera (buffa ou trágica a depender do ponto de vista).
E encalacramos.
Na mesma época que conseguimos ultrapassar a barreira hemato encefálica, usar células tronco para fazer desde corações perfeitamente funcionais a micro cérebros, tudo em laboratório, sem usar doadores, pele artificial, cola que junta ossos sem precisar de pinos, usamos computadores 1000 vezes mais potentes do que aqueles que a NASA usou para mandar o homem à lua para trocar fotos de gatinhos e bocas de pato Donald no Face, também é a época que encontra desde guerras santas, do ISIS contra o resto da humanidade, a crise continua e constante no Oriente Médio, sem falar da desgraça na Síria, com uma humanidade deslocada, tentando sobreviver via fuga, e, espanto dos espantos, aqui nos USA, teóricamente o país mais poderoso do mundo, uma classe inteira de gente, a saber brancos médios, morrendo em número muito maiores do que seria estatísticamente esperado.
E o fenômeno Trump. (Percepção e Realidade http://curaredolorem.blogspot.com/2016/09/percepcao-e-realidade.html )
Será que para alguns de nós a evolução está andando para trás? Impossivel. Não há para frente ou para trás, bonito ou feio, certo ou errado na evolução. Ela apenas acontece. E tanto acontece que está matando os que não conseguem ou não querem se adaptar.
E recusamos a nos adaptar sempre que queremos que “as coisas voltem a ser como eram antes”, sempre que queremos viver aos 60 como éramos aos 20, sempre que dividimos o mundo entre “nós certos, virtuosos, sem pejo e eles maus, sem moral, terriveis”; sempre que nos recusamos a ver pontos de vistas diferentes, sempre que, por medo de sair de nossa zona de confôrto, nos recusamos a ver o horror do nosso lado, sempre que ao invéz de estendermos a mão preferimos o soco no nariz.
Básicamente, sempre que paramos de pensar e começamos a remoer.
Só lembrando o que aconteceu nesse ano de “Socorro meu Deus”de 2016, vou colocar só alguns dos maiores acontecimentos. Não vou comentar dos acontecimentos no Brasil, porque, se o que tenho lido entendi corretamente, não se salva ninguém em nenhum dos 3 poderes, a nivel municipal, estadual e federal. Além de tudo, se o único que se salva é o tal do Moro, me apavora o culto à personalidade se desenvolvendo sobre o citado, com todo mundo botando a fotinha dele no FB, fotinha essa que me lembra demais Mussolini, no Palazzo Venezia, com a face meio voltada para mostrar queixo forte e másculo, com os olhos perdidos no horizonte. Todo mundo sabe no que deu, e depois não adianta pendurar o corpo de cabeça para baixo, que a desgraça já aconteceu. Deixo claro que esse é meu preconceito falando alto, pois a história mostra que cultos à personalidade terminam mal. Sempre. E para quem não ia comentar nada, tá de bom tamanho.


A CRISE HUMANITARIA

Não vou precisar nem comentar, só colocar fotos que cacei pela internet.


CAMPO DE REFUGIADOS
NA  MACEDONIA










MIGRANTES SENDO SALVOS PELA MARINHA
ITALIANA






TRATAR REFUGIADOS COMO SE FOSSEM O PROBLEMA É O PROBLEMA









O BREXIT 

Brexit é a abreviação do "British Exit", que se refere ao Referendum no qual, os britânicos votaram pela saída da União Européia, em 23 de  Junho de 2016. O acontecimento derrubou os mercados mundo afora e a libra esterlina foi a níveis baixíssimos, não vistos em muitas décadas. Exemplos da propaganda usada pelos defensores da saída, a saber 


Boris Jonson e "Tomar o controle de volta
Farage com a mesma legenda e amiguinho do Trump






















Trump favorável à Brexit por causa do problema dos imigrantes (lá e cá)






E finalmente, o artigo do Washington Post: "Por que a BREXIT é uma vitória para Putin" (artigo original  CLIQUE AQUI )

Vale lembrar que toda a campanha a favor da Brexit foi baseada em "Medo. Medo dos imigrantes, medo de perder o controle das fronteiras, medo de serem sujeitos aos caprichos de Bruxelas (amplamente vistos como aqueles da chanceler alemã Angela Merkel e, portanto, da Alemanha). Contrariamente a qualquer interpretação da realidade, a campanha Brexit é agora sobre "a ameaça de 70 milhões de turcos poderem entrar na Grã-Bretanha e estuprar mulheres". É conveniente ignorar o fato de não existir qualquer possibilidade daTurquia se tornar membro da UE num futuro previsível. Um dos apoiantes proeminentes da Brexit é Dominic Raab, ministro da Justiça britânico (e filho de um pai checo, que veio para a Grã-Bretanha em 1938 como refugiado judeu). Ele disse que "a adesão à UE nos torna menos seguros ... Isso coloca as famílias britânicas em risco". (ARTIGO ORIGINAL CLIQUE AQUI)


TRUMP GANHA A PRESIDÊNCIA MAS PERDE FEIO NO VOTO POPULAR

"Donald John Trump foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos, culminando uma campanha explosiva, populista e polarizadora que teve como alvo as instituições e ideais da democracia americana..."
(ARTIGO ORIGINAL CLIQUE AQUI

"A visão sombria da América avançada pelo Sr. Trump é aquela em que os imigrantes, incluindo famílias de imigrantes, são fontes primordiais de "violência em nossas ruas e o caos em nossas comunidades". No exterior, a América é uma nação desrespeitada e humilhada." (ARTIGO ORIGINAL AQUI)

"Quando o próximo presidente da América fizer seu juramento em janeiro, os oficiais da inteligência russa podem saborear uma vitória histórica. E esse fato assombroso e terrível dividiu mais ainda os dois partidos que dirigem a grande democracia do mundo. Isso deve ser suficiente para perturbar qualquer um.
ARTIGO ORIGINAL AQUI)

E só lembrando que toda a campanha foi baseada em Medo. Dos mexicanos, da mudança na cultura, dos refugiados sirios que, segundo Trump e turma, são todos agentes da ISIS, e básicamente, medo de uma mulher, preparada, forte, inteligente. Só não é bonita e sexy. E era toda favorável a investir pesado em formas alternativas de energia. A turma do petróleo não ia deixar isso barato. Fora que também era do mesmo partido que o Barack Obama, um negro.

REFERENDUM NA ITALIA E SAÍDA DO PRIMEIRO MINISTRO

"Desnecessario se faz ironizar. Ganhou o povo, o mar de pessoas que já não confia em nada e em ninguém, muito ligado a tudo o que é improvável e suspeito do que é verossimil, por íntima e enlouquecedora convicção de que há alguém lá fora, trabalhando para sua infelicidade, porque não há trabalho, porque se enfraquecem as garantias, pela inveja social, pois o banco de investimento deu errado, porque há fortes poderes, porque não é a Europa, porque há uma classe dominante que, como tal, vive destruindo a vida dos subúrbios, de forma física ou existencial. Todo mundo participa da massa por uma razão diferente, e com o menor denominador comum de rejeição feroz do canalha que são os poderes constituidos, condição essa que não se limita à Itália, como nos mostraram recentemente a Brexit e Donald Trump.(ARTIGO ORIGINAL CLIQUE AQUI)

"Russos exultam: "Na Itália ganhou Putin"
As pessoas na web parecem acreditar que o presidente pode influenciar as eleições na Europa e na América, e celebram" (ARTIGO ORIGINAL CLIQUE AQUI)


Pois é. Por isso é tão necessario pensar. Porque sem pensamento crítico, somos escravos. Engolimos, por pura preguiça investigativa, qualquer bobagem que apareça na mídia, que nos faça sentir bem e importantes, naquele momento, sem pensar nas possiveis consequencias. Vamos querer ser mimados em nossas convicções e a fim e a cabo, vamos ser os solitários mór num mundo interligado, por não termos o prazer de nossa própria companhia. Porque vamos sempre precisar do grupo para nos dar base e assunto. Porque vamos precisar sempre de um outro para nos dar nossa medida. Porque vamos crer que nossa frustração é causada pelo comportamento do outro. Porque nossa necessidade de pertencer vai ser maior que a de ser. E finalmente, porque, abrimos mão da oportunidade de superarmos o narcisismo infantil de achar que o mundo funciona a partir de nosso umbigo.
E pior do que tudo isso, vamos criar desgraças. Vamos criar desgraças sempre e quando esperamos pelo “Salvador da Pátria”, o Messias que vai resolver todos nossos problemas, aquele ser mítico, de preferência alto, forte, loiro, de olhos azuis (gozado que, a fim e a cabo, todos os salvadores da pátria que a desgraçaram, usaram o mito, sendo eles mesmos umas coisinhas meio despreziveis em têrmos físicos, tipo Stalin, Hitler, Mussolini, só para citar alguns). 
Mas sou uma otimista, sempre acredito na luz no fim do túnel, nem que seja o trem vindo em direção contrária, pelo menos clareia o ambiente e me deixa ver para onde correr. E essa luz se chama Pensamento Crítico e Sentido Moral, que não é aquela coisa incessante na boca de políticos, mas aquela coisa que nos diz quem somos, lá dentro, quando ninguém está olhando. Aquela coisa que não está preocupada com "sucesso", mas sim com a sobrevivência e a passagem para as outras gerações, daquilo que importa, do significado de ser humano.
Aconselho a lida do "O homem em busca de sentido", do Victor Frankl. Precisamos muito, de novo. 
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sábado, 29 de outubro de 2016

COMO SABOTAR QUALQUER COISA ATRAVÉS DA ESTUPIDEZ INTENCIONAL: MANUAL DA CIA


Numa época em que temos um palhaço pomposo concorrendo à Presidência dos USA, e com grandes possibilidades de ganhar de uma mulher inteligente e preparadissima, ou como disse uma mocinha definida como “eleitora indecisa”, numa entrevista da CNN … "meu problema com a Hillary é que ela sabe demais, é preparada demais, fala bem demais, não parece gente de verdade…”; Brexit aconteceu no Reino Unido e agora está todo mundo com jeito de cão que peidou na igreja, sem saber bem o que fazer e no Brasil uma advogada não só pede ao Temer que interfira na politica de um pais estrangeiro, como também anuncia a apocaliptica invasão do Brasil pelas forças vermelhas de Putin, não pude resistir a traduzir o seguinte artigo:

CIA’s Simple Sabotage Field Manual: A Timeless, Kafkaesque Guide to Subverting Any Organization with “Purposeful Stupidity” (1944)

“Admiro imensamente os que consegiem navegar com sucesso o que chamo de "Castelo de Kafka", termo assustador em relação a muitas agências governamentais e empresariais que têm enorme poder sobre nossas vidas, e que parecem tão inescrutáveis e assustadoramente absurdas como o labirinto no qual personagem K navega na última novela alegórica de Kafka. Mesmo se ainda não leu “O castelo”, mas trabalha para uma tal entidade, ou como todos nós, tem relações regulares com o imposto de renda, o sistema de Saúde, serviços bancários, etc, está bem consciente da incompetência diabólica que se disfarça como diligência. Por que agências que lidam com vários milhões e bilhões de dólares, parecem incapazes de realizar as tarefas mais simples? Por que tantos de nós gastamos nossas vidas nos pesadelos burocráticos da vida real satirizados nos sitcons “The Office” e “Office Space”?

Uma resposta vem através da sátira de Laurence J. Peter, de 1969 “The Peter’s Principle”(O Princípio de Peter) cuja teoria é de que gerentes e executivos são promovidos para o nível máximo de sua incompetência, para daí então, irem frente e arruinar seus respectivos departamentos. A Harvard Business Review resumiu pesquisas recentes, assustadoras, confirmando e completando a percepções do Princípio de Pedro, para o narcisismo, o excesso de confiança, ou sociopatia, real em muitos líderes do governo e de negócios.

Mas, além de falhas humanas, há uma outra possível razão para o transtorno burocrático: a de que, em muitos casos, a incompetência institucional é o resultado de sabotagem deliberada. O funcionamento interno ridículo da maioria das organizações, certamente faz muito mais sentido quando visto à luz de um conjunto de instruções para a "estupidez intencional", ou seja, um simples manual de Sabotagem, escrito em 1944 pelo precursor da CIA, o Escritório de Serviços Estratégicos (OSS) que era “top secret”, mas foi recentemente liberado para consumpção pública.

Agora desclassificado e disponivel gratuitamente no site da CIA, o manual foi distribuído aos agentes da OSS no exterior para ajudá-los no treinamento "cidadãos-sabotadores", em países ocupados, como a Noruega e França. Tais pessoas, escreve Rebecca Cebola na Slate, "já poderiam estar sabotando materiais, máquinas, ou operações por sua própria iniciativa", mas poderiam não ter tido o talento diabólico para semear o caos, coisa que apenas uma agência de inteligência pode adequadamente dominar: preguiça genuína, arrogância e insensatez, tornando-as endêmicas.

Mas, o Manual de Campo afirma que "a estupidez intencional é contrária à natureza humana" e requer um conjunto específico de habilidades. O cidadão-sabotador "freqüentemente precisa de pressão, estimulação ou garantia, bem como informações e sugestões sobre métodos viáveis de simples sabotagem."
Você vai rir, se entristecer, se assustar, quando reconhecer o quanto seu próprio local de trabalho, e muitos outros, se assemelham ao tipo de confusão disfuncional que o OSS meticulosamente planejou durante a Segunda Guerra Mundial.

Organizações e Conferências



  • Insista em fazer tudo através de "canais apropiados". Nunca permita que atalhos sejam tomados a fim de acelerar as decisões.


  • Faça "discursos." Fale tão longa e frequentemente quanto possível. Ilustre seus "pontos" com histórias longas e relatos de experiências pessoais.


  • Sempre que possível, consulte todas as comissões existentes, para tentar fazer com que tal comissão pareça muito mais importante ou maior do que realmente é. Sempre se refira a "considerações e estudos mais aprofundados”. Nunca menos que cinco.


  • Traga à tona questões irrelevantes, tão frequentemente quanto possível.


  • Nunca use formas precisas e diretas de comunicação, nem permita que decisões sejam tomadas rapidamente.


  • Volte a questões decididas na última reunião e tente reabrir a questão sobre se tal decisão foi oportuna, se poderia ser revista, etc…


  • Advogue "cautela". Seja "razoável" e exorte seus companheiros a também o serem, a evitar a pressa que pode resultar em constrangimentos ou dificuldades mais tarde.


Gestores

  • Ao fazer atribuições de trabalho, sempre distribua os trabalhos sem nenhuma importância em primeiro lugar. Certifique-se que os trabalhos importantes sejam atribuídos a trabalhadores ineficientes.
  • Insista na perfeição em produtos relativamente sem importância; envie de volta para retoque o máximo possivel.
  • Para diminuir a moral, e com ela a produtividade, seja agradável com os trabalhadores ineficientes; dê-lhes promoções imerecidas.


  • Sempre marque uma reunião de equipe quando há um trabalho mais crítico a ser feito.


  • Multiplique os procedimentos e autorizações envolvidos na emissão de instruções, cheques de pagamento, e assim por diante. Certifique-se que pelo menos três pessoas têm de aprovar tudo o que se deve fazer.


Funcionários


  • Trabalhe lentamente.


  • Invente interrupções no seu trabalho. O máximo que puder.


  • Faça mal e porcamente seu trabalho, e culpe ferramentas, máquinas ou equipamentos ruins. Queixe-se que estas coisas o estão impedindo de fazer o seu trabalho direito.


  • Nunca passe suas habilidades e/ou experiência para um trabalhador novo ou menos hábil.”


Precisa de mais comentarios? Parece que, infelizmente, o manual feito para ganhar uma Guerra, caiu no gosto popular como método.

Boa idéia ler também:

Simple sabotage Field Manual PDF CLIQUE AQUI

Why do so many incompetent Men Become Leaders? CLIQUE AQUI